segunda-feira, 29 de março de 2004

Reciclar é viver

Há um tempo atrás, eu estava fuçando nas minhas antigas revistas da Turma da Mônica quando me deparei com uma do Cascão que me causou um inquietante deja-vu. Era o Cascão dentro de uma ampulheta, tomando "banho" de areia. Continuei a mexer nas revistinhas quando encontro uma outra revista... com a mesma capa. Deja-vu explicado.



O mais incrível é que a primeira é de setembro de 1993 e a outra de janeiro de 1995. Ou seja, não esperaram nem um ano e meio para copiarem a idéia.

Essa coisa de plagiar a si mesmo acontece muito nos estúdios do Mauricio de Sousa. Lembro de uma historinha sobre o "pó-de-pirlimpimpim" que foi quase que totalmente reproduzida numa outra revista, só mudando de Peter Pan para Papai Noel o causador da confusão toda. Sem falar naquelas tirinhas de três quadros que aparecem na última página. Aquelas ali, devem existir umas trinta que são revezadas durante anos a fio, embora nunca percam a graça. Agora, as duas capas com o Cascão numa ampulheta realmente foi triste.

sábado, 27 de março de 2004

A criatividade divina não tem limites...

A Austrália deve ser um lugar fascinante. Vejam o canguru, por exemplo. É tipo um cachorro boxeador saltitante com uma bolsa na barriga. Ou o coala, que é uma mistura de ursinho de pelúcia com bicho-preguiça. Mas o bicho mais esquisito da Oceania, talvez do mundo (sem contar o fundo do mar, uma fonte inesgotável de bizarrices), é o ornitorrinco. Meus sonhos para o futuro incluem pular de pára-quedas, tirar foto fazendo chifrinho num guarda real britânico e conhecer pessoalmente um ornitorrinco.



Vejam só: ele tem bico de pato, pé de pato, até a mesma cara de panaca que os patos têm, mas é um mamífero! O único mamífero, aliás, que bota ovo. O único mamífero venenoso (olhe por onde anda!). O único mamífero que não tem tetas, o leite escorre pela pele. Pela pele, vejam só! Pior que isso, só a notícia que eu li numa Istoé do começo do ano passado: no zoológico de Taronga, na Austrália, nasceram os primeiros ornitorrincos gêmeos do mundo.



Até o nome do bicho é estranho: ornitorrinco. Só não é tão estranho quanto a definição de biselho. Mas isso, também, ninguém supera.

quinta-feira, 25 de março de 2004

"Ih! Não roda assim! Não gosto que rode assim!"



Mensagens secretas só audíveis quando se roda uma música ao contrário são um barato. Como os vários versos de "Stairway to Heaven", que revelam mensagens "satânicas". Ou "Superfantástico", cujo refrão executado ao contrário vira "porque já invadimos o mundo... porque já moramos... porque já morremos". Ou um trecho de "Maluco Beleza", do Raulzito, que vira "Ih! Jesus tá foda..."

É óbvio que a maioria é sem querer. Às vezes é preciso muita boa vontade para ouvir o que esse pessoal que cata as mensagens "satânicas" querem que a gente ouça. Neguinho já achou referências ao diabo até em música do Bonde do Tigrão (quando a porcaria contida ali está mais explícita, impossível). A mais engraçada foi a que eu só vi hoje: na música "1406", dos Mamonas, quando se inverte o trecho inicial "ao top de 4 já vai!", ouve-se o Dinho dizendo: "Vou ajustar o pinto pra fora".

Também tem os casos realmente propositais, como em "Ilusão Idiótica", dos Engenheiros do Hawaii, "Rain", dos Beatles, e "Empty Spaces", do Pink Floyd. A mais bem feita, e que brinca justamente com a paranóia desse pessoal, é a do Engenheiros. Quem quiser conhecer mais, entrem no site ABWNN, a minha banda, gravei uns versos e inverti todos no Gravador de Som do Windows. Supresa! "E resolveu..." virou "Foi você...", "Alberto e Tatiana" virou "Ana está de pé..." e vários outras mensagens nem tão impressionantes assim apareceram. Fiquei todo orgulhoso, afinal, não é todo dia que você encontra autênticas mensagens "satânicas" nas suas próprias músicas. Agora fica a dúvida: será que foi por querer?

terça-feira, 23 de março de 2004

Jesus Christ Superstar



Domingo eu assisti ao filme que só não gera tanta discussão quanto o caso Nova Schin/Zeca Pagodinho: A Paixão de Cristo. É verdade quase tudo o que vocês ouviram a respeito dele.

É verdade que o filme é todo falado em latim, hebraico e aramaico, embora eu tenha notado uns dois ou três erros de tradução. É verdade que Judas já começa o filme descalço. Conclusão: ele já perdeu as botas. Também é verdade que a trama é meio manjada: todo mundo já conhece o final... há uns 2 mil anos...

Mas acredito que seja infundado o boato de que haverá uma continuação, chamada A Paixão de Cristo 2 - A Ressurreição. Bom, quem sabe na Páscoa do ano que vem...

segunda-feira, 22 de março de 2004

Recordista mundial

Quando eu tinha meus 9 ou 10 anos, eu e meu primo Bruno queríamos de todo jeito fazer com que nossos nomes aparecessem no Guinness, o Livro dos Recordes. Alguns de nossos projetos malucos foram uma corrente de clipes de papel e um bando de saquinhos com papel picado dentro (queríamos juntar a maior quantidade de papel picado em saquinhos já reunida no mundo, pode isso?!).

Um recorde que me chamou a atenção na edição 1995 do livro era um que estava nas páginas finais, e era a única prova que a "proposta de homologação de recordes" (tipo uma ficha de inscrição para você mandar seu recorde) funcionava mesmo:



Era engraçado porque não era um recorde lá muito comum. Nunca tomou um banho quente na vida? Como assim?

Muitos anos depois, em 2002, eu já tinha esquecido esse negócio de Guinness há muito tempo (os clipes voltaram a servir somente para prender papéis), quando compareci numa reunião do meu condomínio e li, na lista de presença: "Magno Xisto Guerra". Como minha memória é boa para essas coisas inúteis, logo lembrei do livro de 1995 e fui lá conferir. Era verdade: um dos meus futuros vizinhos tinha seu nome no Livro dos Recordes!

Tive a chance de conversar com o sr. Magno numa festa junina, e ele continuava sem tomar banho quente. Preferia uma ducha fria, mesmo em invernos abaixo de zero que ele já tinha enfrentado. Um hábito inusitado, no mínimo. Outro dia fui visitar a casa dele, que vai ficar em frente à minha e está em fase final de construção, e não resisti à pergunta: "Vai ter chuveiro quente?". Ele respondeu, rindo: "Vai. Mas não pra mim".

quarta-feira, 17 de março de 2004

Piada de português



Até hoje não me conformo que James Paul McCartney vai tocar no Rock in Rio Lisboa. Lisboa!! Aposto que se fosse no Rio o cara não vinha nem a pau. Deus do céu, o velho Macca já tá quase com seus 64 anos profetizados em "When I'm 64"... se o cara morrer antes de voltar ao Brasil mais uma vez (toc, toc, toc três vezes na madeira), não vou me conformar. O jeito vai ser ver na televisão. O duro vão ser os comentários dos apresentadores naquele sotaque engraçado.

Outras coisas legais que acontecerão na Lusitânia ao invés de na nossa Terra dos Papagaios vão ser o Kings of Leon, cabeludos cujo vocalista tem voz de bêbado, e o vovô Peter Gabriel, responsável pela melhor fase do Genesis antes do baterista careca assumir os vocais.

Em compensação...

)))) Rock in Rio Lisboa. Sério, que nome é esse? Custava escrever só "Rock in Lisboa"? Ou ainda não aprenderam o que significa "in" por aquelas bandas? Francamente...

)))) Guns'n'Roses, digo, o gordo do Axl Rose e aquela banda cover... dispensável. Assim como o Metallica (prefiro o Beatallica!) e, argh!, Charlie Brown Jr e seu vocalista quarentão que fala e age como se estivesse no auge dos seus treze anos. Britney Spears e Ivete Sangalo dispensam piadinhas.

)))) Eles ainda insistem nos tais 3 minutos de silêncio "por um mundo melhor". Eu tenho uma revista que pergunta para vários artistas o que eles estavam fazendo nos 3 minutos do Rock in Rio 3, em 2001.
Nando Reis: "Muito barulho. Eu devia estar ensaiando com a banda para o show de hoje."
Rodrigo Amarante (Los Hermanos): "Quando vai ser? Domingo?"
Coby Dick (Papa Roach): "Teve isso?"

Agora sério. "Rock in Rio Lisboa"? Será que alguém podia me explicar?!

terça-feira, 16 de março de 2004

Cara estranho ou: It's the end of Marcelo Camelo as we know him



Foi com um triste pesar que, na primeira música do show do Los Hermanos no último 13 de março, no Lapa Multshow, eu e mais o mundaréu de gente que estava ali imaginamos que Marcelo Camelo, um dos compositores, guitarristas, vocalistas e clones do Bin Laden na banda, tinha sido substituído por um qualquer, cuja única semelhança com o antigo integrante era o timbre de voz parecido.

Mas não, era apenas a barba que tinha sumido. "Mas como?!", alguém pensará. "Um cara do Los Hermanos sem barba? Ainda mais o Marcelo Camelo?!". É, pessoal. Como diria o sábio Badauí, "o mundo dá voltas" e, embora os outros músicos da banda continuem ostentando invejáveis cabeleiras no queixo, Camelo prefere manter a cara como bundinha de nenem.

Homenagens e despedidas à famosa barba não faltaram, como em "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "Adeus Você" e, claro, "Cara Estranho". Outros grandes momentos do show, que aliás foi excelente:

>> O trio de metais, que são um bando de palhaços, brincando e conversando o tempo inteiro. Um barato.

>> A tradicional chuva de confetes e serpentinas em "Todo Carnaval Tem Seu Fim", que caíam na guitarra do Camelo e o atrapalhavam a tocar. Eu mesmo guardei um punhado de serpentinas que caíram em mim no bolso, como lembrança do show.



>> A interrupção da música "Sentimental" no meio, quando uma mulher desmaiou na platéia perto do palco e o próprio Camelo, junto com uns roadies e seguranças, levantou a desfalecida e a levou para o backstage. A galera começou a gritar "de novo! de novo!", para que a música fosse recomeça, no que o Amarante conversa com o Camelo e fala com o público: "Ah, a gente tá com preguiça..." e retoma a canção no meio mesmo.

segunda-feira, 8 de março de 2004

A definição mais absurda do Aurélio

Com certeza todo mundo já brincou de escrever palavras na calculadora. Você digita "50135", vira a calculadora de cabeça pra baixo e a palavra "SEIOS" aparece como que por mágica.



(Essa da foto, se você virar a cabeça até quebrar o pescoço, vai ler "Shells".)

Quando eu descobri esse negócio, devia ter uns 9 ou 10 anos e comecei a procurar no dicionário palavras que pudessem ser escritas desse jeito. Alguns dos meus grandes achados foram BIÓLOGO (0.907018), GEÓLOGO (0.907039) e EGGSHELL (77345993, "casca de ovo" em inglês).

De empolgado com essas bobeiras que eu era (e ainda sou), comecei a anotar palavras que pudessem ser "escritas" em calculadoras com o intuito de fazer um dicionário. O Bruno, meu primo, me ajudava nessa e as palavras cujo significado não tínhamos a mais vaga idéia nós anotávamos a definição.

Um belo dia, nos deparamos com um verbete estranho. "Biselho". Na calculadora, 0.473518 (não se esqueça do ponto depois do zero). Olhamos a definição no Aurelião e as muitas gargalhadas vieram em seguida. Sintam a poesia:

Biselho S.m. Cada uma das quatro contrachavetas que prendem a armação da morsa ao fuste do primeiro elevador da linotipo.

(Não seria mais fácil ter um desenho, não?)

O nome deste blog é apenas mais uma das minhas tentativas para utilizar a palavra "Biselho" em algum lugar. Já fiz uma música com esse nome (que relatava coisas estranhas e dizia: "Mas nada é tão estranho quanto a definição de biselho"), usei várias vezes em jogos de forca (ninguém adivinha!) e outras coisas de igual utilidade.

Minha meta agora é ver um biselho (seja lá o que isso for, imagino que seja uma peça de alguma máquina tipográfica) ao vivo. Acho que eu pediria um autógrafo.

Como começar um blog em 3 passos

1) Pense num nome esdrúxulo e nas coisas que você pretende escrever. É o mais fácil.

2) Gaste horas procurando um template legal, um sistema de comentários que funcione perfeitamente e mexa no código do blog até falar chega. Pois são esses detalhes que fazem a diferença!

3) Canse de tudo isso e comece a escrever sem estar tudo pronto ainda, sem contador, sem visual legal, sem imagens pipocando pela tela, sem animações ou flash ou javascripts ou código morse, sem nada disso porque dá muito trabalho. Afinal, isso nem é tão importante assim.

Enfim, é o meu método.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

Busca no blog

Leia também


Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

Arquivo