domingo, 30 de janeiro de 2005

Nomes arcaicos dos tempos de outrora



Dá pra fazer uma lista imensa de bandas que mudaram seu nome. Em começo de carreira, então, nem se fala. Os garotos de Liverpool fizeram um monte de shows como The Quarrymen antes de se tornarem interplanetariamente conhecidos como Os Bítous. A banda de Jimmy Page se chamava The New Yardbirds até que um baterista amigo notou que ela era pesada como chumbo e flutuava como um zepelim, e daí surgiu Led Zeppelin. Os Titãs do Iê-Iê retiraram o sufixo esdrúxulo quando foram gravar o primeiro disco. O Utopia trocou tudo: estilo, letras, e, claro, o nome, que virou Mamonas Assassinas. A banda da Paula Toller se chamava Kid Abelha & os Abóboras Selvagens, até que alguém decidiu eliminar, sabiamente, os selvagens do nome. Há outros tantos exemplos. Nativus virou Natiruts. J. Quest virou Jota Quest. Diesel virou Udora. E a minha banda, ABWNN, acaba de trocar o W pelo U e virar ABUNN.

Tudo começou há um tempo atrás, não na Ilha do Sol, mas em Belo Horizonte, quando eu e meu primo Bruno, hoje baixista da banda, fizemos uma música enorme, que contava a história de um grupo de rock desde o dia em que seus integrantes se conheceram, até o fim de tudo com a morte de cada um deles. A maior dificuldade foi na hora de escolher um título pra canção. Inspirado na música "A Horse With No Name", da banda America, acabei inventando "A Song With No Name". Paralelamente a isso, tentávamos criar um nome para a nossa banda, que, acrescida de um baterista no ano seguinte (2000), continuava anônima. O máximo que nossa criatividade permitiu na época foi "A Band With No Name", derivada da música, que tinha como sigla o amontoado de letras ABWNN. Pronúncia: "Abum".

Era pra ser um nome provisório. Até oscilávamos entre ABWNN e A Band With No Name, mas nenhuma outra idéia veio, acabamos acostumando com o nome esdrúxulo e o provisório virou definitivo.

O problema principal foi que, mesmo sendo ABWNN um nome interessante de se ver escrito, ninguém pronunciava certo. Num dos nossos primeiros shows no Matriz, por exemplo, escreveram no flyer "ABRWNN", com um R inexplicável no meio. Nesse mesmo show, o vocalista da banda Prime disse no palco:

- Queria agradecer à banda BROWN por ter emprestado os pratos da bateria pra gente.

Isso mesmo. BROWN. Sem falar em Kabrum, Zabum, Abvn e "isso aqui é erro de digitação?".

E, assim como o Led Zeppelin, que no começo era "Lead" e tirou o A pra não haver dúvidas quanto à pronúncia, decidimos, finalmente, mandar o W pras cucuias e aceitar o U como seu substituto. Já fizemos até um logotipo novo, que pode ser visto na nossa página no Palco MP3.

É aí que você me pergunta: mas e a sigla? Não era "A Band With No Name"? Bem, era, mas a gente mesmo já tinha parado de utilizá-la há muito tempo. ABUNN vem à tona como um nome desprovido de qualquer significado aparente. Ou, sei lá, talvez "A Band Under New Name"? Quem inventar uma sigla melhor ganha um prêmio.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

And the Oscar doesn't go to...



Não sou muito fã do Oscar. Já assisti a algumas premiações na íntegra, claro. Aquela em que o Titanic naufragou no oceano mas embolsou 11 estatuetazinhas douradas, a que o Central do Brasil perdeu pro Benigni e a que o Cidade de Deus, mesmo concorrendo a quatro prêmios, não papou nenhum. Foi o suficiente para perceber o padrão oscariano que certamente reinará no presente ano: você passa a noite inteira assistindo à tal "festa da premiação", que tem um comediante sem-graça, os atores do momento mostrando os indicados e aguardando o grande momento de dizerem a frase mais batida do mundo, a do Oscar goes to, enquanto as músicas indicadas ao prêmio de canção original são tocadas ao vivo entre as entregas dos prêmios - e são todas horríveis!

A lista completa dos indicados para o Oscar 2005, caso estejam interessados em saber, está no Cinema em Cena. Lá tem também uns comentários interessantes a respeito. Aqui vão os meus:

>> Ainda não assisti a nenhum dos indicados a melhor filme. Deve ser porque nenhum deles, nem o favorito O Aviador, estreou ainda em terras tupiniquins. Maldita defasagem.

>> Diários de Motocicleta, infelizmente, só foi indicado a melhor roteiro adaptado. Adaptado das anotações de Alberto Granado e de Ernesto "Camisa da C&A" Guevara, aliás. Acho que a última coisa que o Che esperava era uma indicação ao Oscar. Mas ainda merecia um Melhor Filme Estrangeiro.

>> Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, ao que parece, foi meio, digamos, "esquecido" pela Academia (trocadilho subliminar pra quem viu o filme). Melhor roteiro original era meio previsível, afinal é o Charlie Kauffman, um dos únicos casos de "roteiristas popstar" que conheço. A surpresa veio para Kate Cabelos Coloridos Winslet. Mas e o Jim Carrey? E o melhor filme? Direção? Ediçããão? Não deu.

>> Tudo bem, tudo bem, injustiça faz parte da premiação. Muita parte, aliás. No ano passado, 21 Gramas e Cidade de Deus sequer foram indicados à categoria máxima de melhor filme, sendo que eram muito melhores, por exemplo, do que Seabiscuit e Mestre dos Mares, que estavam entre os cinco citados e acabaram perdendo para Froddo Baggins e seu precious.

>> Pra quem busca uma alternativa ao Oscar, tem a Framboesa de Ouro. É justamente o inverso: premia os piores filmes do ano. Alexandre e Mulher-Gato ganharam inúmeras citações. Não vi nenhum dos dois. Ainda não sofri ameaças o suficiente. Fahrenheit 11 de Setembro também foi bem cotado, não porque seja um filme ruim (é ótimo, aliás), mas por causa da "atuação" de certos "atores", como Britney Spears e George W. Bush, que pô, merecem ao menos uma citação. Não é todo dia que um presidente dos Estados Unidos é o ator principal de um filme de sucesso.

domingo, 23 de janeiro de 2005

O computador daltônico



Começou quase imperceptível. Liguei o computador e, de repente, a tela ficou meio amarelada, mas logo voltou ao normal. Estranhei mas nem liguei. Com o passar do tempo, no entanto, o amarelão passou a ser freqüente. Do nada, a tela mudava de cor. Desenvolvi um sistema para consertar isso que era tão primitivo quanto funcional: dava pancadas na lateral do monitor. E ele consertava.

Não posso afirmar com certeza, porém, que as pancadas deram muito certo. Porque, embora na hora funcionasse, as semanas foram se passando e a tela do computador foi adquirindo novas cores: verde, azul, vermelho, rosa. Talvez seja como pais que batem muito nos filhos: o choro insistente pára no ato, mas os traumas que ficam na criança, a longo prazo, podem ser muito piores. O fato é que eu dava as porradas e a tela voltava ao normal. Mas foi piorando: às vezes eu passava preciosos minutos do meu dia espancando o computador, porque ele passeava por todo o arco-íris antes de ficar bom de novo. Nas últimas semanas a tela adquiriu até habilidades novas, como se transformar em widescreen ou ficar daltônico.

(Explico o daltônico: assim como as pessoas atingidas por esse inusitado mal, meu computador confundia algumas cores. Mostrava o azul e o verde corretamente, mas vermelho e preto, pra ele, eram a mesma coisa)

A situação tornou-se séria quando a tela começou a ficar preta. Breu total. Pôxa, não dá pra ler ou ver nada no breu total. Eu batia no monitor e ainda ficava feliz quando a tela mudava pra verde. Pelo menos, com o passar das horas de funcionamento, a tela ia melhorando: de preto para rosa, de rosa para verde, até, no final do dia, ao daltonismo ao qual eu já estava acostumado. Parecia que ele tinha que "esquentar" pra funcionar. Mas na manhã seguinte, após uma madrugada inteira desligado, a pancadaria voltava.

Tomei vergonha na cara e mandei o monitor pra arrumar no dia em que, estando a tela verde, fui assistir televisão e quando voltei nem a luzinha do bicho acendia mais. "Você venceu", falei pra ele, e fiquei um bom tempo sem poder mexer no computador, razão pela qual este blog demorou quase uma semana para receber atualizações. Quando o técnico o trouxe de volta foi como a Dorothy em O Mágico de Oz, na hora em que o filme fica colorido. É como voltar a enxergar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

"I´m your father..."



"Faça ou não faça. Não existe tentar", diz Yoda, uma espécie de Sr. Miaghy num corpo de Gremlin, num determinado momento de O Império Contra-Ataca. Ele diz isso porque não conhece meu vídeo-cassete. Lutei contra o bicho e precisei de três tentativas pra poder, finalmente, rever o primeiro episódio (digo, quarto) do conto da carochinha espacial anteriormente conhecido como Guerra nas Estrelas (hoje, o pessoal só fala Istaruórs). Estou aproveitando o ócio das férias pra conferir esses filmes tidos como "clássicos" que nunca tinha assistido direito. Como Tubarão e seu estômago insaciável, e o primeiro Exterminador do Futuro, que traz Arnoldão, atual governador, matando sem falar muito, como só ele.

Decidi, pois, assistir aos três episódios da primeira trilogia (digo, segunda) de "Star Wars". Já tinha visto Uma Nova Esperança no saudoso Palladium aqui de BH, quando foi relançado nos cinemas, em 1997, e aluguei a fita ano passado, disposto a prestar mais atenção do que quando tinha 12 anos. Não deu. O vídeo-cassete estava passando por sérios problemas - velhice? preguiça de trabalhar? cabeçote sujo? - e tive que devolver o filme sem ver. Na primeira semana de 2005, resolvi alugar de novo e consegui ver boa parte, mas logo quando Luke Skywalker sobe na nave para a barulhenta batalha final no vácuo do espaço sideral... puf! O vídeo deu pau de novo, e só voltou a funcionar no dia seguinte. Resultado: três diárias para ver um filme que nem é lá essas coisas. Foi revolucionário na época e tem seus momentos interessantes, principalmente nas cenas passadas dentro da base inimiga, quando a galera da Força parte para resgatar a Princesa Léia e seu penteado inusitado. Mas, no geral, é um filme superficial, mais interessado em exibir seus (d)efeitos especiais do que em contar uma boa história, que é afinal, pra que servem os filmes.

Nos outros dois episódios, a coisa muda de figura. O Império Contra-Ataca volta com a trupe de sempre: a princesa de múltiplos cabelos; Han Solo e sua canalhice divertida; o robozinho tagarela e o que só faz barulhinhos; Darth Vader e sua voz de locutor; e o personagem mais sem-sal da trilogia, por acaso o mocinho da história, Luke Skywalker. O clima do filme, porém, está mais pra "Tela Quente" do que pra "Sessão da Tarde". A trilha sonora do soberbo John Williams vem acrescida da não menos soberba Marcha Imperial. Tramóias e maracutaias rolam soltas pela galáxia. E a revelação mais famosa da saga ainda causa arrepios, mesmo que todos estejamos, hoje em dia, carecas de saber do grau de parentesco entre certos personagens.

O Retorno de Jedi, terceiro (digo, sexto) e último filme da série, traz, além de um título meio mal-traduzido, a certeza de que, bem ou mal, o bem sempre vence o mal, no final. Mostra personagens quase tão estranhos quanto a definição de "biselho", como Jabba "Geleião" the Hutt e os guerrilheiros de pelúcia que tratam o robozinho tagarela como uma divindade. Revela mais conexões genealógicas, tornando um tanto esquisitos os beijos de Luke e Léia no primeiro filme. E tem ainda Darth Vader em seu momento mais assustador: quando tira a máscara e mostra ao público sua legítima "cara-pálida".

"Star Wars", a série original, é uma boa trilogia. Vai melhorando a cada filme - coincidência ou não, só o primeiro e mais fraquinho foi dirigido por meu quase-xará George Lucas -, ao contrário das decepcionantes seqüências, por exemplo, de Jurassic Park, Pânico e Matrix. Já a trilogia starwariana mais nova, cujos dois primeiros filmes pude ver no cinema e achei tão razoáveis quanto Uma Nova Esperança, ainda tem a chance de se salvar ao mostrar, no Episódio III que sai esse ano, a chegada do homem de respiração abafada ao poder, com a Marcha Imperial, esperamos, tocando ao fundo. Que a Força esteja conosco.

domingo, 16 de janeiro de 2005

Adivinha o quê?



Dia desses descobri um site tão inútil quanto divertido. Chama-se Guess the Character!, e cumpre o que o nome promete - adivinhar o personagem em que você está pensando. Você não precisa nem ao menos escrever o nome do personagem, que pode ser de cinema, seriado ou desenho animado. É só pensar em quem quer que seja e responder às perguntas que o computador faz com simples sins e nãos.

É um negócio impressionante. O primeiro em que pensei, assim sem botar muita fé, foi o Marty McFly de De Volta Para o Futuro. Após algumas perguntas com respostas negativas ("você é de origem asiática?", "você tem esposa?"), ele me perguntou se eu andava de skate. Sim, respondi. Depois fez outras perguntas que não deram em nada e de repente aparece na tela: "Você costuma viajar no tempo?". Bingo. "Você é Marty McFly", disse o computador, para meu espanto.

Ele não acerta todas. Personagens mais obscuros são mais difíceis, mas você pode colaborar no final, aumentando o banco de dados do site, que já conta com quase 40 mil personagens cadastrados. Mas as chances do troço acertar são grandes. Já pensei no Capitão Gancho, no Máskara, no Kevin McCallister (de Esqueceram de Mim), no Homer Simpson e até no Alfred, o mordomo do Batman, e ele acertou na mosca. Perca seu tempo você também e veja se o computador consegue adivinhar o seu personagem! Mas só se você souber inglês.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

D'oh!



Essa semana consegui, finalmente, terminar esse Os Simpsons e a Filosofia. Demorei bastante, admito. Bastante mesmo - afinal, comprei o livro em julho do ano passado. Minha leitura foi meio aos trancos e barrancos, mas como não é um romance linear, e sim uma série de artigos de autores diversos, sem relação direta entre si, não fazia muita diferença se eu ficava meses sem pegar no livro.

São exatamente dezoito artigos com assuntos distintos. Vão desde comparações entre Homer Simpson e Aristóteles até uma lista de alusões artísticas feitas no desenho. Alguns examinam episódios específicos, como aquele em que a pequena Maggie dá um tiro no Sr. Burns. Outros são mais genéricos e tratam dos personagens como um todo . O pronlema é que, como são vários e vários autores diferentes, o livro torna-se um tanto irregular: alguns enchem seus textos de piadinhas, outros são mais sérios e teóricos, e há ainda aqueles que se limitam a resumir os pensamentos de certos filósofos e só lembram de fazer alguma citação aos Simpsons no final do ensaio. E como são resumos bem superficiais, quem não está familiarizado com o assunto fica confuso às vezes. Eu mesmo tive uma certa dificuldade com a árvore de Heidegger, seja lá o que isso for.

Como um apreciador da arte mais do que da filosofia, gostei menos dos ensaios sobre teóricos específicos, como Kant e Nietzsche, e mais daqueles que falam da série em geral e suas implicações culturais, como o intitulado "A função da ficção: o valor heurístico de Homer", que tenta responder à pergunta que não quer calar: pra quê assistir a um desenho com um careca, uma mulher de cabelo azul e seus três filhos amarelos? E responde, de uma maneira satisfatória até.

Não se trata, no entanto, de uma obra que vá elogiar a série como um fã faria. A maioria dos autores não tem pudor em criticar Homer e Bart, e nem Ned Flanders, o religioso fervoroso vizinho dos Simpsons, escapa às bordoadas filosóficas. Há um texto inclusive que, escrito sob a luz do marxismo, desce a lenha no desenho, terminando com a frase: "As piadas podem ser engraçadas, mas em Os Simpsons, onde ninguém cresce e a vida nunca progride, a risada não é um catalisador para mudanças; é um ópio". Ópio ou não, é um dos melhores programas de TV de todos os tempos. Já o livro é legal e contém muitas boas idéias. Se tivessem feito uma tradução menos às pressas e se alguns ensaios recebessem uma boa revisão de seus autores, poderia ser melhor. D'oh!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

"I will use Google before asking dumb questions" - B. Simpson



É incrível a quantidade de pessoas que entram neste blog procurando no Google pelo filme do Bátiman, a famosa pérola do trash brasileiro produzida nos anos 80. Tudo por causa deste post aqui, em que falo do filme. Aí, dá-lhe "Batman e Robin falando palavrão", "coringa filho da puta" e "download batman sacanagem". Santa mente poluída, Batman!

Outro assunto que faz muito sucesso e que leva sempre a esse blog, sabe-se lá por quê, é "papel de parede". Gente que procura por papel de parede do Shrek, do Gato de Botas, da Chapeuzinho Vermelho, da Branca de Neve, até do Cristo Redentor... A Chapeuzinho Vermelho, particularmente, faz um certo sucesso sucesso. Alguém entrou aqui procurando por "foto da Chapeuzinho Vermelho". Seria um Lobo Mau pedófilo rondando a internet?

Isso fora as buscas insólitas por:

>> "Histórias do eunuco". Que eunuco? E que histórias ele teria pra contar? Ele só dá bolas fora... (ai, essa doeu... nele...)

>> "Catador de Latinhas Salvador". Seria um super-herói? Seria um líder religioso? Ou "latinhas Salvador" é uma marca de latinhas?

>> Downloads de filmes. Puxa vida. Peguem um programa de troca de arquivos, tipo o eDonkey, pessoal... Em blogs, definitivamente, vocês não encontrarão nada. Até 007 Contra o Foguete da Morte, que é ruim pra caramba, já procuraram aqui...

sábado, 8 de janeiro de 2005

Contestando a teoria de Darwin



Responda rápido: qual o sabor da bala Chita?

a) abacaxi
b) banana, ué. A bala não é da Chita?
c) como assim, sabor? Bala Chita tem algum "sabor" específico?

Sim, tem um sabor sim, e a resposta correta é a primeira opção. Abacaxi. Muita gente não sabe disso. Assim como muitos não sabem que o Guarapan é um refrigerante de maçã. Lembro quando discutimos isso com nosso colega Pedro, na faculdade. Ele teimava que era de cana-de-açúcar (!!), mas pedimos a garrafa pro dono da lanchonete e provamos pra ele, através do famoso e imutável rótulo do Guarapan, que aquilo ali era maçã. Maçã artificialíssima, mas maçã.

A bala Chita é outro caso interessante. Tem a bala Chita de uva e a de menta, mas a original, de papel amarelo, é de abacaxi. Falei isso com o Rafael, amigo meu, e ele se surpreendeu. "Achou que era de quê?", perguntei. "Sei lá, sabor de bala Chita", disse ele. E é o típico caso do produto que não evolui. É antigaça (é só lembrar há quanto tempo você conhece o xingamento "bonitão da bala Chita"), mas não muda nada. É sempre o mesmo papel amarelo e a cara da macaca de boca aberta segurando a plaquinha com seu nome.

Fico imaginando como é a fábrica da bala Chita. Todo mundo visita a fábrica da Coca-Cola e a da Garoto no Espírito Santo, mas ninguém ouviu falar da fábrica de bala Chita. E as reuniões de marketing? "As metas para esse mês serão as mesmas do mês passado", diz o presidente, iniciando e terminando a reunião ao mesmo tempo. Afinal, o que se pode decidir? São pessoas tão conservadoras que ela devia se chamar bala Xiita.

Mas que é uma boa bala, isso é. Só perde pra Erlan de maçã verde e aquela de chocolate, da embalagem vermelha e amarela. Mas não entraremos aqui em disputas de qual bala é melhor. Cada macaco no seu galho.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

O homem que criticava



Lendo a nova coletânea de crônicas do Jabor, Amor é Prosa, Sexo é Poesia, dá até pra entender os comentários infelizes que ele fez sobre o rock no mês passado (desinformados, entrem no Whiplash e assistam depois a uma sátira em animação aqui). Arnaldo Jabor viveu a juventude nos anos 60. De lá pra cá, viu o golpe de sessenta e quatro dar início a duas décadas de generais-presidentes seguido de uma redemocratização que começou mal, com Sarney e Collor. Não é de se admirar que, com seus mais de 60 anos (e eu achei que tinha menos), seja um saudosista.

O livro é um amontoado de crônicas que ele publicou no jornal, e que dá pra ler de uma sentada só. Há algumas em que ele esmiúça (existe esse verbo?) o título do livro, que, ao contrário do que você pensava, não vem da música da Rita Lee. A música é que veio do artigo que dá nome ao livro. O Jabor escreveu sobre amor e sexo no jornal, a Rita leu e escreveu a canção, criando assim a inusitada parceria Jabor - Rita Lee - Robeto "Maridão" de Carvalho.

Mas o principal tema do livro não é o amor, mas uma certa desesperança com o futuro. O Jabor é um cara ranzinza. Começa vários de seus textos dizendo-se cansado, esgotado, em crise, sofrendo com as notícias que vê diariamente. Fala do Bush, do Lula, da morte, do bar que fechou. Isso gera momentos muito interessantes. A melhor crônica, que resume todo esse cansaço do mundo, está na página 111 (emprestei o livro antes de anotar o título). É um parágrafo só, mas de três ou quatro páginas, em que o Jabor fala de tudo o que ele não agüenta mais.

Em outras crônicas, porém, ele acaba parecendo um chato de galochas. Como no texto que fala, vejam só!, sobre chatos. Ou, pior, num que ele critica as "pequenas bobagens" do dia-a-dia, chegando à seguinte frase sobre os palmtops: "Por que não vão todos pra p.q.p. com essas merdas inúteis?". Não é à toa que existem tantas comunidades no orkut dedicadas à odiar o Jabor. Esses momentos de lunguice total, no entanto, não chegam a comprometer a ranzinzice divertida da maioria dos textos.

Curiosidade que só eu devo ter percebido: o Jabor tem uma fixação por verbos em títulos. 30 das 36 crônicas do livro têm ao menos um verbo no nome. Assim como o próprio livro. Assim como vários de seus filmes (Toda Nudez Será Castigada, Eu Te Amo). Só pode ser uma fixação.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

"All work and no play makes Jack a dull boy"



Quem já leu algumas das coisas que eu gosto na coluna "Que puxa!", do lado direito da página, deve ter visto na lista: "Jack Nicholson fazendo papel de louco". Pois é. Tem certos atores que, por mais versáteis que sejam, acabam se sobressaindo em certos tipos de papéis, o que não significa necessariamente que eles repitam sempre o mesmo trabalho. Ao contrário de Will Smith, que faz o estilo "piadista na hora errada" em todo filme que faz (vide Homens de Preto, Eu, Robô e Independence Day).

Vamos, portanto, a mais uma lista esdrúxula. Com vocês...

Os melhores filmes em que John Joseph "Jack" Nicholson faz papel de louco

>> "O Iluminado" (1980)
Escolha óbvia, mas como esquecer? Tem um episódio de dia das bruxas dos Simpsons que homenageia esse filme. A frase que dá nome a este post, escrita milhares de vezes pelo Jack Nicholson em determinado momento do filme, é "traduzida" nos Simpsons como No TV and no beer makes Homer go crazy.

>> "Batman" (1989)
Nenhum ator conseguirá parecer tão perfeito para um papel quanto Jack fazendo o Coringa.

>> "Um Estranho No Ninho" (1975)
E olha que ele começa como um normal no meio de um bando de malucos. Um estranho no ninho, literalmente. Nada que uma lobotomiazinha não resolva.

>> "Melhor É Impossível" (1997)
Seu lema é: não pise nas linhas e vire a chave três vezes antes de sair de casa. Graças a Deus eu não tenho nada disso. Só não me dou bem com gavetas e portas de guarda-roupa abertas...

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Trânsito muito louco



Hoje à tarde. Estou no carro com o Rafael fazendo uma peregrinação pelo centro da cidade. Determinada rua eu viro e páro no sinal. Noto uma placa de loja de doces onde se lê "Casa do Baleiro".

- Olha lá, Rafael. Vamos visitar o Zeca? - digo eu.

- Que Zeca? - pergunta ele.

- O Zeca Baleiro.

Ficamos rindo da piadinha ridícula e o sinal amarela. Preparo-me para arrancar. É quando o sinal fecha, e de repente percebemos que tínhamos ficado aquele tempo todo rindo e falando bobagem enquanto o sinal estava verde. Sorte minha que não tinha ninguém atrás.

É como eu digo: não é que eu seja um cara distraído. Sou só concentrado nos meus pensamentos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

You say it's your birthday? Well, it's my birthday too, yeah!



20 anos de vida. Putz. Tem passado rápido. Ontem mesmo eu tava fazendo 19 em Iriri, na inauguração de uma boate-pizzaria onde tínhamos ido de trenzinho da alegria (é sério!). Ontem mesmo tava comemorando 18 em Cabo Frio, soprando as velinhas exatamente às dez horas da noite, o horário exato em que nasci. Ou fazendo 16 em plena estrada, voltando de uma viagem pela Bahia e almoçando num restaurante onde caiu um mosquito no meu macarrão que se recusava a sair. Ou fazendo 13 numa festa junto com minha prima Natália, cujo aniversário é um dia antes do meu, e filmando quase duas horas de palhaçadas. Ou fazendo 12 e ganhando do meu pai um livrão com partituras de todas as músicas dos Beatles, que é fantástico e que uso até hoje. Ou fazendo 6 e obrigando todo mundo da festa, inclusive os tios e amigos dos meus pais, a usarem as máscaras de monstro que eu fiz de papel. Nesse mesmo aniversário ganhei um bonequinho do Jiban (ele mesmo, o policial de aço) e um periscópio, tipo aqueles de submarino, feito por meu tio Kiko com dois espelhinhos e um tubo de PVC. É impressão minha ou a Terra tem girado cada vez mais rápido nos últimos anos?

sábado, 1 de janeiro de 2005

O dia em que todos se vestem de médicos



Acho que deveríamos comemorar o reveillón à uma hora da manhã. Estamos no horário de verão, ora bolas. Meia-noite é onze horas, uma hora é meia-noite, e assim por diante. Até pensamos em fazer isso ontem, na Praça do Papa. Meia-noite, cinqüenta e nove minutos e cinqüenta segundos começaríamos a contagem regressiva, nos abraçaríamos à uma hora e celebraríamos, finalmente, a chegada de 2005. Não ia adiantar. A turma que bebia Cidra Cereser e "vinho" Chapinha desde às nove da noite acharia que já estavam mais bêbados do que imaginavam, e para os sóbrios não passaríamos de uns patetas.

Enfim. Aceitamos o horário utilizado pela grandessíssima maioria da sociedade e comemoramos o reveillón com todo mundo. Quer dizer, todo mundo não, porque na Praça do Papa o pessoal estava mais preocupado em ver os focos de fogos de artifício espalhados por Beagá do que em celebrar o ano-novo. Até recebemos um "ssshhh!" quando gritamos um "êêêê!" mais alto. Nem contagem regressiva teve. Soubemos que 2005 estava aí quando os fogos maiores começaram a despontar no horizonte (belo?) que a gente avistava.

Fazer o quê, né. Não sei mais passar reveillón na cidade. Os últimos quatro passei na praia (Prado-BA na virada do milênio, Cabo Frio-RJ nos dois anos seguintes e Iriri-ES ano passado). Nenhum de nós tinha cem pratas pra pagar numa boate tipo Pop Rock Café, ouvindo a banda da noite tocando "Vou Deixar" e saboreando a deliciosa Nova Schin que servem nesses lugares. Optamos por um programa diferente: Praça do Papa, War II e falar muita bobagem. Muito divertido, no final das contas. E ainda tenho dinheiro na carteira.

Em tempo: foto do reveillón no bISELHO, o flog!

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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