quinta-feira, 31 de março de 2005

AAAAAaaaahhhh svêniaaaaaaa...



Ontem passei na locadora atrás de um DVD pra assistir à noite. Fui na seção de filmes antigos. "Olha, Laranja Mecânica, até hoje não vi". E continuei não vendo, o clima não estava para Laranja Mecânica. Lançamentos, tinha lá Elefant do Gus Van Sant... Minha Vida Sem Mim... não, o clima também não estava pra esses. Fui então pra seção dos desenhos animados, que não costumo freqüentar muito. E voltei pra casa com o DVD do Rei Leão.

Até agora estou com as músicas na cabeça. "Circle of Life", que abre o filme com a frase que dá nome a este post. "I Just Can't Wait To Be King", que no videogame pra Super Nintendo era a fase que eu mais gostava. "Hakuna Matata", hino dos preguiçosos, cuja versão em inglês é muito melhor que a nacional ("It's a problem free philosophy virou "Isso é viver, é aprender", pode uma coisa dessas?"). "Can You Feel The Love Tonight", vencedora do Oscar de melhor canção. E ainda tem o clássico tema incidental "The Lion Sleeps Tonight", aquele do "auimbauê, auimbauê...", que já apareceu até no Ace Ventura. Talvez esse seja o desenho da Disney com as músicas mais legais.

Existem duas continuações para O Rei Leão, e não vi nenhuma. Dificilmente prestarão. A segunda parte trata do filho do Simba, e provavelmente é a mesma história maquiada para parecer um novo filme, como o são muitas continuações que seguem a vida dos filhos (tipo "De Volta à Lagoa Azul"). E o terceiro, cujo trailer aparece no DVD, deve ser um saco. É nada mais que Timão e Pumbaa assistindo o primeiro O Rei Leão e fazendo comentários pseudo-engraçadinhos, grande parte deles tendo alguma coisa a ver com peidos.

E o DVD de Os Incríveis, quando chega?

terça-feira, 29 de março de 2005

Alguém me explica o que está acontecendo?



A gente sempre vê filmes sobre lapsos no tempo, wormholes, coisa e tal, mas nunca acredita que isso um dia pode acontecer conosco. Veja como são as coisas: ontem (pra mim), ou dia 11 de março, há mais de duas semanas (pra vocês), escrevi um post aqui no bISELHO sobre as novelas da Globo. Isso foi quase às três horas da tarde. Às quatro, meu primo passou aqui de carro com o resto do pessoal da banda, e fomos nós para Conselheiro Lafaiete, rumo ao que seria o segundo show intermunicipal do ABUNN. O primeiro foi em Lavras, em dezembro passado, e foi muito legal. Às cinco e meia, mais ou menos, já tínhamos chegado em Lafaiete, e às nove, com o estômago satisfeito depois de duas pizzas, nos dirigimos para a casa de shows onde tocaríamos mais tarde. Agito Pub era o nome do local. Já passava da uma da manhã quando subimos ao palco, e fizemos um show longo, com intervalo no meio ainda por cima, terminando pra lá das três, mortos de cansaço. Só que tínhamos que esperar os freqüentadores todos irem embora, para acertarmos a parte financeira com os donos da casa. Resultado: cinco horas da manhã e nós ainda lá, quase caindo de sono, ou caindo de verdade, eu mesmo cheguei a cochilar por meia hora num canto vazio do palco. Iríamos dormir por lá e sair por volta de meio-dia, mas o Bruno, meu primo, insistiu que ainda tinha energia para dirigir e partimos para Beagá assim que clareou. Cheguei em casa às sete e fui direto dormir, coisa que fiz até agora há pouco (assim pensei), quando acordei, tomei banho, liguei o computador e só então descobri, ao entrar numa página de notícias, que de 11 de março eu tinha pulado direto para o dia 29! Alguém me explica? Alguém sabe me dizer se, além dos tradicionais e irritantes buracos na estrada para Lafaiete, surgiram buracos negros e ninguém me avisou? Resultado: um amontoado de faltas na faculdade difíceis de explicar, e uma Semana Santa perdida, sem falar que todos agora pensam que eu parei de atualizar o blog. Vê lá se eu faria uma coisa dessas?

sexta-feira, 11 de março de 2005

Ô cride, fala pra mãe...



Senhora do Destino, segundo a Veja a novela mais assistida no Brasil em todos os tempos, acaba hoje. Olha, não sou um anti-novelístico ferrenho. Assisti a praticamente todos os capítulos de A Próxima Vítima, quando reprisaram em 2000. Já vi muita Malhação na vida, nos tempos em que Dado não era o Dolabella, mas um lutador de jiu-jitsu, e o Mocotó ainda não era uma bola que apresentava o Vídeo-Show. Sei dizer quem explodiu o shopping e ainda consigo cantar boa parte do clássico tema de Rei do Gado ("Sou desse chão onde o rei é peão...").

Mas essa Senhora do Destino... Deus do céu. Ô coisa horrorosa. Nenhum personagem marcante, nenhum mistério a ser resolvido, nenhuma angústia reservada para o último e derradeiro capítulo. Ontem à noite tava passando o funeral de um dos vilões. Todo mundo de roupa preta e guardas-chuvas pretos, debaixo de uma chuva torrencial, e uma música tétrica ao fundo. Enterro com chuva é o clichê dos clichês. E sinceramente, é uma vergonha que seja essa a novela mais vista de todos os tempos, se é que a estatística está correta, mas não duvido nada. O povo não quer ver personagens com conflitos psicológicos ou dramas profundos. Quer ver é o maniqueísmo de sempre, bem contra o mal, preto no branco, e ponto. E o engraçado é que semana que vem começa a próxima novela e Nazaré, a vilã-mor do folhetim, será apenas mais um nome adormecido na cabeça das pessoas. Como Maria Clara Diniz. Ou seja: quem?

Um dia, vou ser contratado pela Globo e eles vão me dar total liberdade pra escolher o elenco que quiser. Aí vocês verão o doutor Albieri clonando Sassá Mutema, a Rainha da Sucata casando com o Rei do Gado e dando origem a uma linhagem nobre, o alquimista Raimundo Flamel ludibriando Tonho da Lua, o vampiro Vlad metendo medo nos Irmãos Coragem, Tieta do Agreste discutindo com Filomena Ferreto, Juma Marruá duelando com Ana Raio pelo amor de Zé Trovão, quando não mais que de repente aparecerá um sujeito meio retardado que anunciará, triunfante: "Jamanta não morreu! Jamanta não morreu!". Podem esperar.

segunda-feira, 7 de março de 2005

Ah, o cotidiano...



Choveu em Belo Horizonte por dias e dias. Ainda estava chovendo quando fechei a porta da sala de TV e fui ver Narradores de Javé, filme brasileiro, muito bom por sinal. Quando abri a porta de novo, só umas poucas nuvens habitavam o céu azulão. Assim, de repente. Viva Rá.

Ontem fui ver Menina de Ouro com meu pai no Pátio Savassi. Tava lotado e sentamos na primeira fileira. Como é difícil ler a legenda lá na frente. No clímax do filme (cujo final está sendo alardeado pela imprensa de forma vergonhosa, até no Fantástico de ontem contaram o filme inteiro), a luzinha da saída de emergência começa a piscar, as portas se abrem e a projeção pára no meio. Incêndio? Sei lá, mas saímos andando. Atrás de mim, uma senhora levou um tombo fenomenal, afoita para escapar da sala. Foi quando uma funcionária do cinema começou a chamar todo mundo de volta: "Foi só um probleminha com a luz, gente! O filme tá voltando! O filme tá voltando". Foi só pra avacalhar a exibição, aposto.

Mais estranho é o Marista Hall, que mudou de nome. Chama-se agora Chevrolet Hall. Xé-vro-lé-róu. É difícil de pronunciar, vou custar a acostumar. E quem não vai?

Revista Veja, a última que saiu. Entrevista com Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. Pergunta: "O senhor não gosta de ler, assistir a filmes?" Severino: "Às vezes, leio um pouquinho os jornais para saber se estão falando mal de mim. Quando falam bem, fico cheio de vida. Quando falam mal, tenho piedade, porque estão cometendo uma grande injustiça. "E cinema, o senhor vai de vez em quando?" Não sou muito chegado. Não me lembro qual foi o último filme que vi no cinema. Já faz uns quarenta anos". Com essa erudição toda, devia é ser Ministro da Cultura.

Só pra complementar: acabei de tomar um sustaço com um passarinho que bateu na minha janela, nesse exato momento. Outro. O último, que trombou no vidro no dia 10 de agosto de 2004 e originou até música, caiu no chão e parece que passou desta para melhor. O de hoje apenas levou a pancada e voou para o outro lado. Deve estar por aí, assoviando pelos céus, fingindo que não aconteceu nada.

sexta-feira, 4 de março de 2005

Hoje eu vou fazer uma prece...



São Pedro foi viajar e esqueceu ligado o seu RainyPlus2000, a máquina de fazer chover. Só pode. Quarta-feira amanheceu chovendo aqui em Beagá, e desde então o máximo de trégua que houve foi de uns vinte minutos. Estou me sentindo na Arca de Noé, quando choveu 40 dias e 40 noites e os animaizinhos subiram de dois em dois. Ou em Macondo, cidade fictícia do excelente livro Cem Anos de Solidão, onde choveu por quatro anos, onze meses e dois dias. Ou em Iriri-ES, no reveillón 2003/2004, quando fui pra praia e voltei branco por causa das gotas múltiplas que não cansavam de cair do céu. Até hoje tenho trauma daquela cidade.

Seriam as águas de março fechando o verão? Porque se for, tão levando muito a sério esse negócio de fechar com chave de ouro.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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