07/03/2005

Ah, o cotidiano...



Choveu em Belo Horizonte por dias e dias. Ainda estava chovendo quando fechei a porta da sala de TV e fui ver Narradores de Javé, filme brasileiro, muito bom por sinal. Quando abri a porta de novo, só umas poucas nuvens habitavam o céu azulão. Assim, de repente. Viva Rá.

Ontem fui ver Menina de Ouro com meu pai no Pátio Savassi. Tava lotado e sentamos na primeira fileira. Como é difícil ler a legenda lá na frente. No clímax do filme (cujo final está sendo alardeado pela imprensa de forma vergonhosa, até no Fantástico de ontem contaram o filme inteiro), a luzinha da saída de emergência começa a piscar, as portas se abrem e a projeção pára no meio. Incêndio? Sei lá, mas saímos andando. Atrás de mim, uma senhora levou um tombo fenomenal, afoita para escapar da sala. Foi quando uma funcionária do cinema começou a chamar todo mundo de volta: "Foi só um probleminha com a luz, gente! O filme tá voltando! O filme tá voltando". Foi só pra avacalhar a exibição, aposto.

Mais estranho é o Marista Hall, que mudou de nome. Chama-se agora Chevrolet Hall. Xé-vro-lé-róu. É difícil de pronunciar, vou custar a acostumar. E quem não vai?

Revista Veja, a última que saiu. Entrevista com Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. Pergunta: "O senhor não gosta de ler, assistir a filmes?" Severino: "Às vezes, leio um pouquinho os jornais para saber se estão falando mal de mim. Quando falam bem, fico cheio de vida. Quando falam mal, tenho piedade, porque estão cometendo uma grande injustiça. "E cinema, o senhor vai de vez em quando?" Não sou muito chegado. Não me lembro qual foi o último filme que vi no cinema. Já faz uns quarenta anos". Com essa erudição toda, devia é ser Ministro da Cultura.

Só pra complementar: acabei de tomar um sustaço com um passarinho que bateu na minha janela, nesse exato momento. Outro. O último, que trombou no vidro no dia 10 de agosto de 2004 e originou até música, caiu no chão e parece que passou desta para melhor. O de hoje apenas levou a pancada e voou para o outro lado. Deve estar por aí, assoviando pelos céus, fingindo que não aconteceu nada.

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Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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