terça-feira, 31 de maio de 2005

Maio...



...já está no final. Pra variar, passou depressa, e o mundo continua louco. Uma menina de 9 anos foi acusada de matar uma colega de 11 a facadas, durante uma briga por causa de uma bola. Outro Darth Vader, em outra cidade americana, roubou pizza de um entregador. Lord Ratzinger, vulgo Papa, iniciou o processo de beatificação de Jotapê Segundo. Mas já? Um cara nos Estados Unidos afirmou que Jim Morrisson está vivo e passa bem. O que será que ele tá achando dessa volta do The Doors? Enquanto isso, centenas de pessoas já deram dicas pra polícia inglesa sobre a identidade do homem do piano, mas ele só quer saber de dó ré mi e não parece disposto a ajudar. Pelo menos, George Lucas aprovou (finalmente!) o roteiro de Indiana Jones IV, e o novo disco do Foo Fighters, duplo, está pra ser lançado por esses dias, já escutei algumas músicas pela internet afora e parece que vai ser bacana. Melhor que o último, tomara, porque até o Dave Grohl já declarou que odeia boa parte das músicas do One By One. Mundo louco, mundo louco. Mês que vem eu volto, e espero que já tenha tirado essa música do Kid Abelha da cabeça... Maio... já está no final...

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Extra! Extra! Read all about it!



Chuva incessante em São Paulo? Denúncias de corrupção? O julgamento do Michael Jackson? As cuecas do Saddam? Nada disso. As notícias mais interessantes dos últimos dias não estão nas capas de revistas ou na chamada do Jornal Nacional, mas escritas em letras miúdas por aí, basta procurar.

Por exemplo. Ontem um homem com uma máscara de Darth Vader assaltou a bilheteria de um cinema numa cidade estadunidense. A polícia informou que ele entrou no local, empurrou um funcionário e fugiu com todo o dinheiro da bilheteria. O jornalista engraçadinho que escreveu a matéria (que você pode ler aqui) disse ainda que o ladrão não chegou a usar nenhuma arma no assalto, nem um sabre de luz. O nome da cidade? Springfield. Isso mesmo, Springfield. Aposto cinqüenta centavos como tem o dedo do Bart Simpson nessa história absurda.

Mais interessante ainda é a notícia que rendeu apenas uma notinha na Veja, mas tem assunto para um ótimo filme. Trata-se do misterioso "homem do piano" que apareceu na Inglaterra. Você pode ler aqui e aqui, mas sei que são preguiçosos, então eu resumo: mês passado encontraram um jovem, vinte e poucos anos, andando sem rumo numa praia inglesa. Usava terno e gravata e estava completamente encharcado, além de não pronunciar uma palavra sequer. Pra completar, todas as peças de sua roupa estavam sem etiquetas, impossibilitando, assim, descobrir alguma pista sobre sua origem. Levaram o sujeito prum hospital psiquiátrico e deram a ele papel e caneta, na esperança de que pudesse escrever seu nome. Em vez disso, ele desenhou uma bandeira vagamente parecida com a da Suécia e um piano de cauda perfeito, inclusive com detalhes minuciosos de seu interior. Daí botaram um piano na frente do cara e ele começou a tocar, e tocar, e tocar. Interpretou o Lago dos Cisnes, de Tchaikovski, e outras peças que parecem ser composições próprias, melancólicas e introspectivas. Isso foi há mais de um mês, e até hoje ele não disse uma palavra, e continua tocando diariamente, com grande virtuosismo. Alguns dizem que parece estar compondo. Daqui a pouco alguém coloca as mp3 no Kazaa.

Muitas hipóteses surgem quando lemos uma notícia dessas: seria o homem um espião, como no filme A Identidade Bourne, que sofreu amnésia e só se lembra de como tocar piano? Ou estaria ele são e lúcido, fingindo-se de desmemoriado só para colher dados valiosos do hospital psiquiátrico? Teria ele vindo dum futuro distante no qual todas as línguas do presente já estão extintas, e a música é o meio de comunicação mais eficaz? Seria ele o último habitante de Atlântida, vindo do fundo do mar pra divulgar a música atlante pelo continente? Ou estaria apenas fazendo hora com a cara das autoridades pra aparecer nos jornais?

Sei lá. Talvez o Darth Vader do cinema tenha alguma resposta.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Vim te buscar...



Semana passada li um livrinho rápido, nem duzentas páginas, de um dos meus escritores preferidos, Gabriel Garcia Márquez. Chama-se Crônica de uma Morte Anunciada e conta a história de Santiago Nasar, jovem de vinte e poucos anos, que acorda certo dia já marcado para morrer. Nós leitores sabemos disso, e todos os personagens da história também sabem disso. Na verdade, o próprio Santiago é o único que desconhece a existência de dois assassinos com facões de matar porco esperando para tirarem suas tripas pra fora, e o livro gira em torno disso, dessa angústia de conhecermos o triste destino de Santiago Nasar e nada podermos fazer.

Ontem fui assistir o ótimo A Queda! - As Últimas Horas de Hitler. A reconstituição dos derradeiros dias do Terceiro Reich está fantástica. Destaque para os chiliques do Adolfinho e para a quase insanidade de Eva Braun, querendo dançar e dançar enquanto a cidade está que é só explosão. Embora se extenda no final além do que devia, o retrato que o filme faz do fim do ditador quase leva a crer que estamos assistindo a um "Big Brother Nazismo", de tão real que é. Está tudo lá, do último aniversário à sua morte dez dias depois, passando pela rápida cerimônia de casamento às vésperas do suicídio. Algo assim como uma "Paixão de Hitler", como disse meu amigo Bernardo Silveira, demonstrando um macabro senso de humor. Ou seja, o filme nada mais é do que a crônica de uma morte já anunciada, no título inclusive.

Pretendo retomar agora a leitura do livro do dotô Dráuzio Varella, Por Um Fio, que parei no meio. O médico do Fantástico conta várias histórias sobre doentes terminais, quase todos no fim de seus dias, padecendo de doenças incuráveis. Ou seja, as várias histórias nada mais são que crônicas de mortes praticamente anunciadas.

Essa semana estréia o último filme da série Star Wars, já estão todos cansados de saber. Após dois filmes de enrolação, finalmente poderemos ver o jovem Anakin endoidar de vez e se transformar nele, o inigualável, o inimitável, com vocês, el macacaraio, digo, Darth Vader, desculpem se me excedi na citação. O fato é que titio Darth, como já é sabido desde o início dos tempos, numa galáxia muito, muito distante, vai matar quase todos os jedis até sobrar só dois pra contar a história. Ou seja... sim, isso mesmo, um monte de mortes anunciadas.

Daí eu pergunto: puxa vida, cadê uma Agatha Christie ou um Hitchcock pra nos brindar com um assassinato surpresa, uma morte que não seja anunciada?

terça-feira, 10 de maio de 2005

O sonho da casa própria



O druida tem uma nova pocilga. Nada muito refinado, pois pocilga é pocilga, está lá no Aurelião, "casa ou lugar imundo". O primeiro capítulo continua aqui no bISELHO, afinal foi cá que tudo começou. Os outros poderão ser lidos periodicamente (ou seja, sempre que me der na telha eu escrevo algum capítulo novo) no blog exclusivo do Druida da Pocilga. O motivo da mudança é simples, não queria congestionar este blog de assuntos genéricos com uma história em trocentas partes, que depende de leitura seqüencial para que não se perca o fio da meada. Imaginem daqui a alguns meses, fulano entra aqui e vê "Druida da Pocilga - Capítulo CLXVIII", não vai entender lhufas. Evitemos tal constrangimento, então. Druida, agora, só na sua própria pocilga.

quarta-feira, 4 de maio de 2005

Pegando o bonde andando



Momento revolta. A Prefeitura de Beagá anunciou a volta do bondinho na cidade. Serão duas estações e alguns pontos de parada entre o Museu Abílio Barreto e o Mercado Central. Tá bom, agora me fala: vai ser bondinho estilo Pão de Açúcar, cruzando os céus da cidade? Porque pelo amor de Deus, arranjar jeito de atrapalhar ainda mais o trânsito horroroso de Belo Horizonte é fogo. E o pior: vão ser gastos 2 milhões de reais com o projeto. Dois milhões para um veículo que anda a 40 quilômetros por hora. Era realmente o que a gente precisava.

Momento revolta 2. Essa me deixou mais puto ainda. A mesma Prefeitura tomou a brilhante decisão de retirar todos os tabuleiros de damas da Praça Sete. A medida faz parte do projeto de revitalização da praça. Tiraram os camelôs (digo, remanejaram pro Oiapoque, Tupinambás, Xavante e quejandos), tiraram os engraxates e agora proibiram os tabuleiros de damas. A reportagem que passou agora há pouco no MGTV foi comovente: velhinhos que há 30 anos se reuniam diariamente pra jogar damas chegando desolados à praça. Chega a ser engraçado: dão um espaço para os ambulantes venderem seus cds falsificados e seus produtos contrabandeados mas proibem velhinhos de jogar damas. Afinal, o perigo que eles representam à sociedade é enorme, não é mesmo?

Bom, ao menos eles vão poder matar a saudade dos velhos tempos andando de bonde.

terça-feira, 3 de maio de 2005

O DRUIDA DA POCILGA

Capítulo I - A declaração



Antigamente eu ouvia a palavra "druida" e lembrava na hora do Panoramix. Sabe, aquele mago que fazia a poção mágica nas histórias do Asterix. Era um velho de barbas brancas. Bom, qual mago não é um velho de barbas brancas? Do Merlin ao Papai Noel, assim são todos. Deve ser uma espécie de exigência para o cargo. O aprendiz de feiticeiro ainda não fez seu primeiro bigode, o bruxo já cultiva um cavanhaquezinho, e o mago ostenta uma invejável barba branca. Quase uma lei universal.

Eu nem lembrava mais do Panoramix até poucos minutos atrás, quando comecei o parágrafo anterior. É que hoje em dia, depois de tanto tempo convivendo com o Druida da Pocilga, como é que vão falar "druida" e eu vou pensar em história em quadrinho?

Druida da Pocilga. Sim, é mesmo um nome estranho. Alguns o chamavam de Profeta dos Farrapos, fazendo referência não à guerra que aconteceu na terra do chimarrão, mas à precária vestimenta que ele usava. Também já vi gente falando Conselheiro Sujo e Venerável Traste. Alguns passavam horas procurando no dicionário pseudônimos insólitos pro cara. Mas "Druida da Pocilga" era, sem dúvida, o que tinha mais apelo, e foi o nome que pegou.

A primeira vez que ouvi falar do Druida foi numa sexta-feira, em meio à tradicional confraternização no boteco perto da faculdade. Já passava das quatro da tarde e estávamos todos meio alterados pelo halterocopismo praticado desde as onze horas. Àquela altura, a maioria já tinha ido embora. Só tinha sobrado eu, Farsante, Samba e a Margarete. Os quatro sem assunto, no melhor estilo "será que chove hoje?". Lá do balcão, ouvimos o grito do garçom pra gente: mais uma aí? Olhei pros outros, declarei que minha carteira tava quase vazia, final de mês é foda. O Samba disse a mesma coisa. Só o Farsante tava afim de beber mais, mas aí falou que bancava a saideira, e bom, se ele ia pagar, que bebêssemos. A Margarete, no entanto, se despediu da gente e foi embora antes do garçom trazer a garrafa. Aliás não perdeu nada, porque a cerveja tava quente pra caramba e até me deu um certo enjôo depois de tanta cevada ingerida.

Enfim. Assim que a Margarete virou as costas, o Samba deu o primeiro gole na cerveja e disse sorrindo: Ah... delícia... Na hora pensei, ele só pode estar bêbado mesmo, pra elogiar uma porcaria dessas, mas aí percebi que ele falava era da Margarete e concordei, essa delícia é mesmo uma menina, algo nesse sentido, já estava embolando tudo. Foi quando os olhos do Farsante brilharam. Eu nunca tinha visto os olhos dele brilhando antes. Mas naquela hora brilharam, juro. E ouvi dele a seguinte frase:

- O Druida disse que a minha primeira filha vai ser com ela.

Ora bolas, ele era o Farsante, o maior inventor de lorotas da faculdade. Qualquer um o ignoraria e continuaria saboreando a cerveja quente. Mas eu não encarei aquela declaração dele com o desprezo habitual, mas com curiosidade. Porque ele não tinha dito "A minha primeira filha vai ser com ela", o que seria um simples devaneio, um sonho expressado em voz alta. Ele mencionou um druida, que tinha falado aquilo com ele.

Daí foi a coisa mais estranha. Na mesma hora, quando perguntei "Que druida?", tanto o Farsante quanto o Samba pararam com os copos no ar. Não só os copos ficaram paralisados: um gole de cerveja chegou a empacar na garganta do Farsante, algo raro de se ver por aí. O Samba, que teve a sorte de engolir antes que eu fizesse a fatídica pergunta, foi quem primeiro conseguiu falar alguma coisa.

- Agora deu samba - disse, praticamente em pânico.

Leia o resto da história periodicamente em O Druida da Pocilga.

segunda-feira, 2 de maio de 2005

Prosdócimo



Não acredito que demorei quase um ano de Orkut pra descobrir, só hoje, que existe uma comunidade chamada "Eu adoro palavras engraçadas". Bom, desnecessário dizer que este que vos escreve também adora palavras engraçadas. A começar pelo nome do blog.

A descrição da comunidade é uma pérola. Escreveu a menina que criou: "Tipo, naquela aula chatíssima de história... blablabla sobre a Revolução Russa e de repente... surgem a PERESTRÓICA e a GLASNOST!". Sim, historiadores, a frase contém um erro histórico quase grotesco (outra palavra engraçada), mas vocês hão de concordar comigo que "perestróica" é um primor do humor involuntário. Glasnost me lembra muito Glasslite, lembram da Glasslite? E a Prosdócimo? Quer nome de marca mais engraçado que "Prosdócimo"?

Eu mesmo tinha uma lista de palavras que eu achava dignas de uma risada. Deve estar jogada por aí, mas lembro que continha coisas estapafúrdias como hipopótamo, peteca, pantufa, pororoca, serelepe. Mameluco e silepse também merecem um lugar de honra, assim como nauseabundo e balaústre. Há um tempo atrás eu gargalhava só de ouvir alguém falar "patife". Uma vez eu e meu primo fizemos um filme usando antigos bonequinhos do Batman. Uma das falas, do Batman para um capanga do Coringa (capanga... aí mais outra), era mais ou menos assim:

- Vou te arrebentar, seu patife!

Eu voltava a fita e assistia a mesma cena três, quatro vezes, só pra ouvir o Batman falando "patife".

Outro dia eu tava na aula conversando com o colega e me lembrei de mais dois vocábulos hilários: "pocilga" e "druida". Em pouco tempo já tinha criado um novíssimo personagem, o Druida da Pocilga, que seria um velhinho molambento que vive no porão de um açougue, no centro de uma grande cidade, e vive de dar conselhos a quem quer que necessite. Algo assim como um mendigo cheio de sabedoria. Um dia começo a postar suas histórias aqui, apesar de nem ter ainda terminado o capítulo um. Sei lá, às vezes a história cresce, e de uma simples brincadeira besta de sala de aula vira uma grande saga, uma gigantesca epopéia.

Epopéia... acho que vou anotar essa...

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

Busca no blog

Leia também


Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

Arquivo