sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Salve salve



Responda rápido: qual foi o momento mais marcante do VMB?

a) Marcelo D2 e Gabriel o Pensador, os dois mais famosos cantores de rap do Brasil, ganhando os prêmios de MPB e pop, respectivamente.

b) D2, ao ganhar seu prêmio de MPB: "Não sei o que eu tô fazendo aqui. Eu odeio MPB."

c) Derrick Green, vocalista do Sepultura, cantando Chico Buarque.

d) Felipe Dylon e Wanessa Camargo cantando "Sexo" do Ultraje e "Rock das Aranhas" do Raul.

e) O constrangimento da Wanessa quando o Dylon chegava perto dela e cantava: "Vem cá mulher, deixa de manha, minha cobra quer comer sua aranha."

f) Felipe Dylon declarando: "Salve salve rock´n´roll!"

g) A "banda dos sonhos" eleita pelo publicuzinho da MTV, formada pelo baterista do CPM 22, o (ex-)baixista do Charlie Brown, o Edgar Scandurra e a Pitty. Quando eles mandaram os quatro tocarem algo de improviso, claro que a banda só podia ser uma: Ramones.

h) Edgar Scandurra emocionado: "Em 25 anos de banda, é a primeira vez que a gente ganha um prêmio no VMB!". Alguém contou pra ele que foi porque a Pitty tava no clipe?

i) CPM 22 vencendo a Escolha da Audiência. Também, com concorrentes de peso como KLB, Catedral, B5, Dogão e Tihuana...

Meu voto vai para a letra F. Nada supera Dylon e seu "salve salve rock´n´roll".

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Ainda pulsa



Ontem fiquei sabendo que os Titãs vão lançar um MTV Ao Vivo. Com isso, eles passam a integrar a seleta lista dos artistas brasileiros que assinaram um atestado de preguiça, tendo lançado tanto um MTV Ao Vivo quanto um MTV Acústico num curto período de tempo. Aliás, nem se fosse num longo período de tempo pra justificar a picaretagem. No caso dos Titãs a situação é ainda mais grave: depois do ótimo Acústico MTV (1997), eles ainda fizeram outro disco de releituras (que não por acaso se chamou Volume Dois) e depois disso, bem... só "Epitáfio" se salva entre muitas e muitas músicas fraquinhas.

Dei uma olhada no repertório deste MTV Ao Vivo. Entraram várias do último disco, e todas são ruins ("Eu Não Sou Um Bom Lugar", "Enquanto Houver Sol", "Provas de Amor", "Vou Duvidar"). E a maioria das músicas boas (antigas, claro) já apareceu, de uma forma ou de outra, nessas "releituras" dos últimos anos: "Cabeça Dinossauro", "Bichos Escrotos", "Polícia", "Homem Primata", "Sonífera Ilha", "Flores". Sem falar que é a terceira vez que eles esquecem de colocar "AAUU" no repertório de uma "releitura". Indesculpável.

Outros picaretas do pop rock nacional:

Lulu Santos
Lançou um acústico em 2000, e um ao vivo em 2004. Até cheguei a ir num show da turnê desse Ao Vivo no ano passado, lá no Chevrolista Hall. Como Lulu não lança algo bom desde seus tempos de S.O.S Solidão, só os hits mesmo pra sustentar seu o repertório. Tanto que, das 18 faixas de seu disco ao vivo, 12 já tinham dado as caras no acústico.

Ira!
Lulu Santos ao inverso: ao vivo em 2000, acústico em 2004. Só repetiram 4 no acústico, pelo menos.

Rita Lee
A titia tá de parabéns: nenhuma das músicas que ela tocou no acústico ela reprisou no ao vivo. Claro que, como Rita usou quase todos seus hits no acústico, só sobraram os lados-b. Destaques para o momento Mutantes (no acústico foi com "Balada do Louco", no ao vivo com "Panis Et Circenses"), o momento Beatles ("Lucy in the Sky with Diamonds" transformada numa bosta nova) e um momento Ramones (!!), com uma versão em português (!!!) de "I Wanna Be Sedated".

Agora com licença que vou ali ver o VMB e me decepcionar mais um pouquinho.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Alea jacta est.



Meu pai tem a coleção completa do Asterix. Neste momento, os 31 álbuns se encontram do outro lado do globo e não posso mais relê-los quando me dá na telha. Mas nas férias de julho, pude matar a vontade e li, pela terceira ou quarta vez, clássicos como Asterix Gladiador, Os Louros de César, Asterix entre os Helvéticos e Asterix na Córsega. Meu pai, por sua vez, já está em sua quadragésima ou quinquagésima leitura de cada um.

No ano 2000, eu morava na casa da minha avó, no Nova Granada, enquanto a casa em que morei nos anos seguintes estava sendo levantada. Tínhamos guardado na garagem, em caixas repletas de naftalina, os vários objetos, livros e discos que não eram de uso cotidiano. Entre eles estava a coleção completa do Asterix. Um dia, desenterramos (ou desencaixamos) os álbuns todos e resolvi lê-los, um a um, na ordem em que foram originalmente lançados na França. Foi uma compulsão obsessiva, uma obsessão compulsiva, em 12 dias eu já tinha lido todos os trinta. Cheguei a ler cinco num dia só. Até hoje, quando sinto cheiro de naftalina, lembro na hora do Asterix.

Lendo os álbuns na ordem de lançamento, é possível enxergar com clareza as três fases da História do gaulês. Ascensão, apogeu e queda, como no Império Romano que eles tanto sacaneiam. Nos primeiros álbuns, os traços e as personalidades dos personagens ainda não estavam bem consolidados. Nem o cachorrinho do Obelix, Ideiafix, aparecia ainda. A partir da sexta história, Asterix e Cleópatra, seguem-se longos anos de ótimos álbuns, cheios de povos antigos, momentos cômicos e referências a celebridades. Os Bítous, por exemplo, aparecem em Asterix entre os Bretões. De repente, morreu o Goscinny, roteirista das histórias. Do jeito mais besta do mundo: teve um troço durante um check-up de rotina no médico. Sobrou pro desenhista, Uderzo, fazer a parte do colega, dando origem, assim, à fase do declínio. É incrível, parece mentira, mas a cada álbum a coisa piora. Os primeiros dele nem são tão ruins, mas A Galera de Obelix (1997) e Asterix e Latraviata (2001) não têm graça nenhuma e chegam ao cúmulo de possuírem erros de continuidade em relação aos álbuns passados, como se Uderzo não lesse as próprias histórias.

Bom, dia 14 de outubro agora sai o próximo e, muito provavelmente, derradeiro álbum do Asterix. Recebeu o nome de O Céu Cai Sobre Suas Cabeças, uma referência ao único medo que os gauleses alegam ter. As chances de ser uma porqueira são grandes, mas lá no fundo, bem no fundo mesmo, ainda tenho esperança de que a história seja boa, que Uderzo se redima dos fracos trabalhos recentes, que feche com foice de ouro uma saga quase brilhante. De qualquer jeito, a compra de uma das oito milhões de cópias que serão mundialmente lançadas já está garantida. Uma coleção não pode ficar incompleta.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Ópera de Sabão



A próxima novela das sete tem me chamado a atenção. Se passa no século XIX, mas não na São Paulo do século XIX como é de praxe, e sim no velho-oeste do século XIX. Entre os nomes dos personagens, encontram-se coisas como Dong-Dong, Zorroh e Tonto. Um deles se chama Aquarius ("This is the dawning of the Age of Aquarius..."), e é pai de uma Penny Lane ("...is in my ears, and in my eyes..."). Tem o Paulo Miklos como ator. Porra, tem o Sidney Magal como ator!

As novelas da sete estão ficando cada vez mais absurdas, e, quando eu for contratado pela Globo para escrever a minha, essa onda de non-sense vai acabar ficando batida. Com uma diferença, talvez. Aceitarei apenas o horário das oito, embora tenha certeza de que vão tentar me empurrar o das sete, depois que lerem minhas sinopses. Mas só uma novela das oito poderá contar com o elenco que planejo, num mega-crossover que trará a público momentos históricos como o casamento do Rei do Gado com a Rainha da Sucata, o encontro entre Vlad e os Irmãos Coragem, e a aguardadíssima volta do Jamanta (mais detalhes neste post, de março de 2005).

E ainda tenho uma carta na manga, caso não aceitem minha proposta da ultimate soap-opera. Trata-se de uma história que envolve temas tão esquecidos quanto relevantes, tais como a dificuldade de adaptação dos esquimós ao clima dos trópicos, e o drama que vivem os gêmeos-siameses de sexos diferentes. Entre os vários personagens, teremos:

Yopa, que a princípio será a protagonista. Uma esquimó com vontade de conhecer o mundo além de gelo, neve e água sólida, que acaba vindo parar no Brasil com seu tio, Rudolph, e um urso polar que se perde nas perigosas ruas do Rio de Janeiro.

Pablo Pablo, um jovem do interior que se muda para a cidade grande e acaba conhecendo uma linda garota chamada Cleópatra. Seu único problema é ter um irmão gêmeo siamês, Ramsés, que não larga do seu pé. Quero dizer, do seu braço.

Isbina, empregada da casa de uma madame ricaça no Rio de Janeiro. Seu nome, tal como a Penny Lane da nova novela de Mario Prata, foi tirado de uma música dos Beatles. Mais especificamente dos versos iniciais de "A Hard Day´s Night": "Isbina Hard Day´s Night..."

A família com zilhares de membros (toda novela tem que ter uma) ostenta o sobrenome Danúbio. O patriarca chama-se Lúcifer e, por conta disso, não pôde ser batizado ou ter seu casamento realizado na igreja. É casado com Serpentina, com quem tem três filhos: Múcio, Schubert Schneider e Núbia.

Múcio é marido de Doriana e possui três lindos filhos: Gerúndio, Hipotenusa e Tratado de Tordesilhas. Já Schubert Schneider, casado com a doutora Agatha Christie de Oliveira, tem apenas um rebento, o pequeno Qwerty. Com 4 anos de idade, já é bastante sagaz. Acha o tio Múcio um grande bocó e conversa de igual pra igual com a faxineira da casa, a inteligentíssima Lola Corralola.

Em 2030 pode faltar água ou petróleo, mas não deixe de sintonizar na Globo Channel, canal 168.228, depois do Jornal Nacional. E tenham todos uma boa noite.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Teaser



Vem aí um dos melhores curtas de todos os tempos.
E certamente o de maior utilidade prática no cotidiano.
Roteiro de Lucas Paio, direção de Clarissa Funghi, estrelado por Bernardo Silveira e com cartazes de Daniel DePinho, que confeccionou o teaser aí em cima.

Você nunca mais verá uma colher e uma lagartixa da mesma maneira.

domingo, 25 de setembro de 2005

Round one two three four!



Um compositor de música popular pode alcançar o êxito ao ter suas canções gravadas por cantoras talentosas (e provavelmente lésbicas). Um compositor de trilhas sonoras pode ter sua música premiada e ganhar um homenzinho dourado pra guardar na estante da sala de tevê. Um compositor de jingles alcança sua glória máxima quando sua musiquinha é lembrada pelo público mesmo depois que o produto já faliu. Agora, o compositor de trilha sonora para video-game... esse você nem lembra que existe.

Não que ele seja menos competente. As músicas do Sonic, purezemplo, estão entre as melhores já feitas para o ramo de entretenimento. E, de uns tempos pra cá, algumas pessoas têm reconhecido o talento inigualável desses compositores esquecidos e dedicado seu tempo livre a fazer cover dessas músicas, seja no piano, seja com uma banda de heavy metal. Um dia ainda vou me juntar a um grupo de jazz e gravar um disco só de músicas do Sonic. Até lá, vou me divertindo escutando projetos insólitos como o Mega Driver e o Blindfolded Pianist:

Mega Driver
São brasileiros e têm um site oficial onde disponibilizam suas versões metal! para trilhas de Street Fighter, Top Gear, Altered Beast, Contra, Golden Axe e o tema principal do Sonic. Os caras botaram até um plug-in para que você possa substituir os temas originais dos jogos pelas versões metal! enquanto joga.

Blindfolded Pianist
Um japa de 18 anos, vendado, beiço pendurado, meia nos pés e estilo despojado, tocando fantasticamente no piano todas as músicas do Super Mario. Estão lá a fase do castelo, a fase da casa fantasma, a fase bônus, a música dos créditos e os temas principais de Super Mario Bros e Super Mario World. Dez minutos de vídeo, neste link.

sábado, 24 de setembro de 2005

Nada como um tempo após um contra-tempo



Mês passado assisti a uma peça muito boa chamada Chico Rosa. É protagonizada por dois atores fazendo o papel de dois compositores famosos, e não estou falando de Chico César e Samuel Rosa. Trata-se de uma conversa de botequim (com direito a mesa e cerveja) entre Chico Buarque e Noel Rosa, cada qual com seu violão, tocando, cantando, batendo papo e improvisando. Os dois realmente se parecem fisicamente com seus personagens, e a voz do Chico cover é tão semelhante que chega a dar nervoso.

Na falta de um bom acervo de Noel Rosa aqui em casa, resolvi selecionar 15 músicas do Chico para compor o terceiro programa da Rádio bISELHO. Sambas, parcerias com cantoras e músicas infantis vêm inclusos no pacote. São eles:

Meu Caro Amigo
Clima de chorinho, uma flauta bacaníssima na introdução e a rima de "futebol" com "roquenról". Na peça, o Noel Rosa cover faz uma cara de intrigado quando o fake Chico canta esse verso, como se pensasse: "Que merda é essa de roquenról?".

Pelas Tabelas
Aqui o fim de um verso já emenda com o começo do outro, como em "Cadê teu suín-?", do Los Hermanos. "Eu pensei que era ela puxando o cor- / dão oito horas..."

Samba de Orly
Hoje fui até aquela lonjura chamada Confins pela quarta vez em 2005. Portanto, aí vai uma música sobre aviões, se é que é mesmo.

Noite dos Mascarados
Participação de Elis Regina, aquela que, segundo a repórter Fernanda Galvão (ver uns posts abaixo) é uma grande parceira do Los Hermanos. Essa eu vou usar no meu futuro musical da Chapeuzinho Vermelho. A Chapeuzinho vai olhar pro Lobo Mau e dizer: "Quem é você? Diga logo, que eu quero saber o seu jogo".

Feijoada Completa
Receita de caipirinha: uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão. E vamos botar água no feijão.

Jorge Maravilha
Suposta composição de Julinho da Adelaide, pseudônimo do próprio Chico. "Você não gosta de mim / mas sua filha gosta".

Acorda, Amor
Outra do Julinho. Conselhos valiosos: não esqueça a escova, o sabonete, o violão.

Deixe a Menina

Samba do Grande Amor

Hmm, dois sambas dos quais não tenho muito o que dizer.

Passaredo
Espécie de "Matador de Passarinho" (do Rogério Skylab) ao contrário.

Façamos
Essa na verdade não é dele, é um jazz americano antigo ("Let´s Do It") que ganhou essa versão em português cantada por Chico e Elza Soares. O tema da letra é o mesmo da maioria dos funks cariocas, porém com um dose cavalar de sutileza.

História de Uma Gata
Saltimbancos é um barato. Das quatro músicas que apresentam os bichos-protagonistas do musical (jumento, cachorro, galinha, gata), essa é a melhor.

Todos Juntos
Mais Saltimbancos, eita meus sete anos!

Geni e o Zepelim
É sempre legal ver um compositor do alto escalão da MPB cantar, com a boca cheia: "Joga bosta na Geni..."

Vai Passar
E para fechar o programa de hoje, o melhor samba enredo de todos os tempos. Mas nunca foi samba enredo de verdade. Entre os de verdade, fico entre dois: "Me leva que eu vou, sonho meu... atrás da verde-rosa só não vai quem já morreu, ô..." e "Explode, coração... na maior felicidade...".

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Running against time

Correria, correria. Tenho pouco tempo pra escrever, preciso sair em poucos minutos pra ir num boteco com a família enquanto meu pai ainda está em Bê Agá. A semana toda foi uma correria só. Na segunda, um milhão de ligações pra seguradoras e corretores de seguros, pra resolver logo onde meu carro ia ser reconstruído. Gastei meu crédito todo do celular e mais de 30 unidades do cartão de telefone público. Na terça, volto pra casa no 5201 lotado e fico até uma hora da manhã fazendo roteiros para os comerciais da Rádio Guarani, que teria que apresentar no dia seguinte na aula de Redação Publicitária II. Na quarta-feira, saí no meio de uma reunião de pré-produção no estágio para uns comerciais de TV e rádio (esses de verdade), peguei o 5201 lotado pra casa, tomei um banho correndo (digo, parado, mas rápido) e voei para A Obra para passar o som com a banda O Móbile, que me chamou pra cantar uma música com eles no show de comemoração dos 4 anos da banda. Como não chegamos nem a ensaiar antes, resolvemos os detalhes na passagem de som mesmo, que, só porque me apressei e cheguei no horário, começou mais de uma hora depois. Cheguei de madrugada e, no dia seguinte, acordei às 9h30 achando que era umas 7h da manhã. Acabei desistindo de ir na aula e fui só pro estágio. Quando virei a esquina da minha rua, vi o maldito 5201 passando ao longe. Corri em vão, esperei o próximo. Hoje, sexta-feira, quando saí de casa às 6h25 da manhã pra pegar o ônibus, virei a esquina da minha rua e, novamente, vi o 5201 passando ao longe. Pensei: se eu correr, vai ser em vão. Mas aí ele parou no sinal, e pensei melhor: por que não? Corri, e fiquei estarrecido quando o ônibus avançou o sinal. E tive que esperar pelo próximo. Na agência não paramos um minuto, tínhamos que preparar 22 inscrições para um prêmio mineiro de criação publicitária para serem entregues até 5 horas da tarde no Santa Efigênia. Fui almoçar às três, quando pedimos umas pizzas e comemos na agência mesmo. De lá, fui pra academia. De lá, mais ônibus lotado pra casa. De cá, vou prum botequim no Prado. De lá, nem sei mais. Correria, correria. Já vi que amanhã eu durmo até domingo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Pra celebrar a nossa falta de assunto, vamo todo mundo cantar junto

ou: Mim gosta ganhar dinheiro



Gosto muito do Ultraje a Rigor. Já tocamos ao vivo várias de suas músicas. "Ciúme" e "Filha da Puta" estavam em nosso primeiro show. "Pelado" e "Sexo" entraram no setlist cinco vezes cada, esta última num medley com "Bichos Escrotos", dos Titãs. O show que assisti no Pop Rock de 2003 foi excelente, principalmente por causa do repertório repleto de músicas divertidas como "Rebelde Sem Causa", "Eu Me Amo", "Marylou", "Independente Futebol Clube", "O Chiclete". Encarnam o espírito do rock´n´roll, mesmo com quarenta anos nas costas, e fizeram bunda-lelê para milhares de pessoas - milhões, se levarmos em conta a TV - no Rock in Rio 3. (O baixista do Queens of the Stone Age foi além e tocou nu com a mão no bolso, mas tudo bem.)

O problema dos caras é a repetitividade.

Tenho três discos deles aqui em casa: O Mundo Encantado do Ultraje a Rigor" que contém canções como "Nós Vamos Invadir Sua Praia", "Inútil", "Ciúme", "Eu Gosto de Mulher", "Pelado", "Zoraide". 18 Anos Sem Tirar, de 1999, traz quatro músicas inéditas e sucessos ao vivo como "Nós Vamos Invadir Sua Praia", "Inútil", "Ciúme", "Eu Gosto de Mulher", "Pelado", "Zoraide". E esse Acústico MTV que eles lançaram agora, que presenteia os fãs com as versões desplugadas de músicas como "Nós Vamos Invadir Sua Praia", "Inútil", "Ciúme", "Eu Gosto de Mulher", "Pelado", "Zoraide".

Faz anos que o Ultraje a Rigor grava o mesmo disco. De vez em quando lançam novas canções mais interessantezinhas ("Giselda" do 18 Anos Sem Tirar, "Me Dá Um Olá" de Os Invisíveis, de 2003), mas quando a grana aperta é batata, apelam sempre para os sucessos dos tempos áureos.

Só que parece que, para esse Acústico, aceitaram o convite da MTV numa quinta-feira e na sexta já era o show de gravação. Com exceção de "Ciúme", que ganhou um clima meio havaiano, todas as outras músicas são absolutamente idênticas às versões originais. É duro admitir que me lembrou o acústico do Charlie Brown. Assim como a (ex-)turma do Chorão, Roger e seus comparsas não compreenderam que o "conceito" de um acústico (se é que a essa altura ainda existe algum) não é simplesmente tocar violão e baixo acústico em vez de guitarra e baixo elétrica, mas, pelo menos, adaptar as canções a um novo formato, recriá-las até, se for o caso.

O acústico dos Titãs, pra mim, segue ainda como o melhor. Engraçado que ele é encarado como um divisor de águas entre o Titãs criativo e o Titãs comercial. Tem muitos arranjos inovadores, "Go Back" em espanhol, "Flores" com Marisa Monte, "Televisão" com Rita Lee, "Diversão", "Comida", todas bem diferentes de suas correspondentes nos anos 80. Também gosto dos acústicos da Rita Lee, do Gilberto Gil, do Jorge Benjor ("cuíca play, cuíca play!"), até da Cássia Eller e do Capital Inicial. Os dois últimos, vale acrescentar, levantaram tanto a bola dos artistas que eles acabaram se tornando incrivelmente chatos, me fazendo querer cavar um buraco e pular ao escutar "Malandragem" ou "Tudo Que Vai".

Esse do Ultraje não tem uma canção inédita digna de ser música de trabalho, um arranjo melhor que o original, uma participação bacana, e é com certo pesar que afirmo, convictamente, que é um disco que não vinga. É pelado no quesito inventividade, e, de certa maneira, inútil. Não há mais nada a declarar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Verbetes

No íntimo sei que, mesmo quando for velho,
Jamais acharei um vocábulo tão singular
Foi numa tarde, folheando o Aurélio,
Que uma palavra fez meu interesse despertar

Muitas pessoas com ela se surpreendem
Quando recito sua definição, que é algo do tipo:
“Cada uma das quatro contrachavetas que prendem
A armação da morsa ao fuste do primeiro elevador da linotipo”

Por favor, alguém me diga, não importa o que custe:
O que diabos é “morsa”, e o que seria “fuste”?
Que explicação é essa que me faz sentir idiota?

Só sei que ainda que o céu se tinja de vermelho
Mais estranha será a definição de “biselho”,
Que parece mesmo saída de uma anedota.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Moça, olha só



Entrevistados fazendo papel de ridículos ganham fama rápido na Internet. Vide Ruth Lemos e seu sanduíche-íche com cálidad dividivide. Vide Severino Cavalcanti e seu... seu... o quê mesmo, hein?. Mas por que só políticos e nutricionistas têm seu papelão divulgado pelo mundo, se existem tantos jornalistas por aí igualmente pascácios?

É o caso dessa repórter brasiliense chamada Fernanda Galvão, que fez uma entrevista com o Los Hermanos em 2003, ao vivo na Globo, na época do lançamento do Ventura. O vídeo, que descobri numa comunidade qualquer no orkut, está disponível neste endereço e tem pouco mais de um mega e meio. Difícil é escolher, em seus dois minutos, o melhor momento. Estou entre:

1) Fernanda apresentando a banda: "Com sete anos de carreira, a banda carioca Los Hermanos já tem um currículo de peso. Parcerias com Caetano Veloso, Elis Regina...". Elis morreu em 1982, faça as contas. Os dois vocalistas da banda trocam sorrisos e olhares, incrédulos. O tecladista se curva pra frente, com cara de hã?

2) Fernanda apresentando os integrantes: "O grupo é formado por Marcelo Campelo, guitarra e voz...". Marcelo Camelo olha feio pra moça. Rodrigo Amarante, ao seu lado, se diverte horrores.

3) Fernanda inicia sua entrevista, toda piadista: "Todo mundo de barba... pra fazer parte da banda tem que ter barba?". Os integrantes sentem-se pouco à vontade. Marcelo Camelo, na condição de frontman, é obrigado a responder: "Não, não é pré-requisito não...". "Então é coincidência, mesmo...", diz a repórter, resignada, quase constrangida. A piada não tem seguimento e ela passa pra próxima pergunta.

4) Fernanda quer saber a origem do nome do disco. "Ventura significa o quê?". Amarante responde prolixamente, inventa significados, enrola e enche lingüiça. "Bom, ventura significa acaso. Mas significa sorte também. Porque a palavra sorte, ela... quer dizer acaso. (...) Então, essa é uma palavra que tem esse significado amplo, que, na síntese, pode significar que, pra se ter fortuna, é preciso correr algum risco". O baterista Rodrigo Barba, ao seu lado, segura pra não rir.

5) Fernanda perguntando sobre as passagens da banda por Brasília: "Como é essa relação com o público, foram bons os shows anteriores?". Amarante não perde o momento: "Foram muito bons, não foram... Campelo?".

Fernanda Galvão termina agradecendo a banda pela entrevista. Obrigado a você, Fernanda.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

40 coisas para se fazer com uma colher e uma lagartixa

por Lucas Paio e Adriano Domeniconi, ao longo dos anos

1- Catapultar a lagartixa.
2- Jogar a lagartixa pra cima e pegar com a colher.
3- Comer a lagartixa.
4- Beisebol, usando a colher como taco.
5- Golfe, usando a colher como taco.
6- Uma rampa para a lagartixa subir em lugares inacessíveis.
7- Malabarismo (com uma mão só, pra ficar mais difícil).
8- Cortar o rabo da lagartixa com a colher e esperar crescer.
9- Soltar as duas a uma mesma altura e ver quem cai primeiro.
10- Equilibrar a lagartixa na ponta da colher.
11- Amarrar o rabo da lagartixa na colher e rodar.
12- Corrida do ovo, com a lagartixa no lugar do ovo.
13- Esmagar a lagartixa até fazer papinha.
14- Apostar com a lagartixa quanto tempo você gasta para arrancá-la da parede.
15- Testar a aderência da lagartixa na colher.
16- Verificar se a lagartixa come a colher.
17- Enfiar os dois na tomada pra ver se dá choque.
18- Contabilizar o número de colheradas na cabeça da lagartixa para deixá-la zonza.
19- Ensinar a lagartixa a comer de colher.
20- Comparar a cor da lagartixa com a da colher.
21- Encaixar a lagartixa na parte côncava da colher, sem sobras;
22- Tentar dobrar as duas com a força da mente.
23- Ensinar a lagartixa a dobrar a colher com a força da mente.
24- Convencer a lagartixa de que ela é a cara-metade da colher.
25- Medir o tamanho da colher em lagartixas, e vice-versa.
26- Fazer uma roda com a colher e treinar a lagartixa para rolar em cima, estilo hamster.
27- Passar a colher debaixo da lagartixa sem movê-la.
28- Proteger a lagartixa da chuva.
29- Fazer da colher uma banheira para a lagartixa tomar banho.
30- Cavar a cova da lagartixa e enterrá-la.
31- Blindar a lagartixa.
32- Treinar a lagartixa para buscar a colher pra você.
33- Treinar a lagartixa pra trazer comida pra você, na colher.
34- Celebrar o casamento entre a colher e a lagartixa.
35- Beisebol ao inverso, usando a lagartixa no lugar do taco, e a colher em vez da bolinha.
36- Criar uma ponte entre dois lugares para a lagartixa passar.
37- Batucar com a colher na mão para fazer a lagartixa dançar.
38- Implantar um esqueleto de metal para a lagartixa, estilo Wolverine.
39- Assustar a lagartixa com seu reflexo deformado na colher.
40- Separar os pedaços da lagartixa e montar o quebra-cabeça.



Agora é a vez de vocês.

domingo, 18 de setembro de 2005

Choose your destiny



- Escolhe um caminho, esquerda ou direita - disse Adriano. Era uma noite de sábado.

Noites de sábado não foram feitas pra ficar em casa. Ainda mais quando se tem opções. Eu tinha algumas. Churrasquinho com turma das antigas. Bebedeira no apê duns amigos no bairro. Show de rock progressivo. Sushi. Mesmo assim, saí de casa sem ainda um destino certo.

Quinze minutos depois, busquei a Isabella. Não a via havia um ano. Tinha passado meses morando em Nova York, bailando salsa, trabalhando em uns dez empregos e fazendo faxina na casa do Spielberg. (É sério.) Logo em seguida busquei o Adriano, de barriga cheia após um lanche na casa da avó, onde tinha saboreado cachorro quente e mousse de chocolate, sem me chamar.

- Onde vamos? - perguntei. Adriano sugeriu um bar na Avenida Brasil número 41, fundado em 1941, muito apropriadamente chamado de Brasil 41. Ouvira falar que lá estava repleto de gente animada escutando um samba de primeira. Quilômetros depois, passamos pela porta, pra constatar que samba não havia, muito menos animação, a julgar pelo semblante entediado dos casais sentados às mesas.

Segunda opção: Reciclo, o barzinho dos catadores de papéis. Ignoramos o fato de ninguém saber como chegar lá, e dá-lhe voltas. Pegamos a Via Expressa, erramos a bifurcação, fizemos o retorno, de repente nos vimos indo pra Pampulha, o que definitivamente não estava em nossos planos. Mais retorno, mais becos suspeitos que me lembraram o Druida da Pocilga. Desistimos do Recilco por ausência de senso de direção. Voltamos a uma paisagem conhecida e avistamos, finalmente, a Via Expressa.

- Escolhe um caminho, esquerda ou direita - disse Adriano. Ninguém se decidiu se íamos pra lá ou pra cá. - Esquerda ou direita, esquerda ou direita - insistiu ele, visto que a luz do sinal tinha mudado para verde. Dizem que a vida é feita de escolhas. Escolhi a direita.

Trinta segundos depois, ouvimos um barulho forte e meu carro foi jogado pra frente com violência. Era uma noite de sábado, e ameaçava chover.

- Tá todo mundo bem? - perguntei, confuso. Estavam. A dor no pescoço do Adriano e a pequena marca deixada em mim pelo cinto de segurança só foram notadas no dia seguinte.

Estávamos parados num cruzamento na Via Expressa, exatamente no meio da pista. O carro que havia batido em mim continuava uns cinco metros atrás, onde havia sido a colisão. Saímos do meu carro e fomos até lá. Dois jovens, vinte e poucos anos, indo pra Flor&cultura. Saíram igualmente ilesos e o motorista assumiu imediatamente a responsabilidade do acidente. Disse que o seguro dele ia pagar. Meno male.

O seguro burocraticamente nos mandava ligar pra polícia pra fazer a ocorrência. Ligamos. Os caras do outro carro ligaram um funk no último volume, e a linda poesia de suas letras nos entretia enquanto esperávamos.

Um transeunte nos alertou para a possibilidade de um novo acidente, se nossos carros continuassem parados no meio da rua sem nenhum aviso. De fato, muitos motoristas passavam buzinando, indignados com o Celta que não andava mesmo com sinal aberto. Adriano fez uma ginástica pra poder pegar o triângulo do meu carro, visto que o porta-malas não abria por fora. A parte traseira direita do veículo tinha ficado bastante danificada, travando a roda e impossibilitando que tirássemos o Celta dali, mesmo empurrando.

Dez minutos depois, passaram por cima do meu triângulo.

A polícia não vinha nem a pau. Ligamos novamente. Disseram que uma colisão sem vítimas era a última das prioridades da polícia. Pensando bem, era mesmo. O que pode ser menos importante? Guerra de almofadas?

Com medo de acabar a bateria do carro, resolveram desligar o funk. Tarde demais. Agora seriam necessários não um, mas dois reboques.

São Pedro julgou que aquele momento era o mais adequado pra começar a chover.

Apareceram dois policiais de nomes muito engraçados. Cadete Sassada e Cadete Kilmer (sobrinho do Val?). Não eram os que a gente tinha chamado, estavam apenas patrulhando, não tinham o material necessário pra fazerem a ocorrência, mandaram a gente ir no batalhão mais próximo. Com dois auto-imóveis à nossa inteira disposição, resolvemos deixar a ocorrência para o dia seguinte, chamar logo o reboque e ir embora dali.

A central do meu seguro fica em São Paulo. Eu tinha que passar zilhares de informações pelo celular, um Nokia 5120 do período pré-cambriano, com a bateria viciada. Custou-me tempo e paciência. O reboque dos outros caras chegou primeiro, e quando vimos estávamos Adriano e eu parados no meio da escuridão da Via Expressa. Isabella, nessa altura, tinha ido pro prédio de uma amiga dela, que ficava do outro lado do Arrudas. A bateria do celular do Adriano também agonizava, e tínhamos que nos comunicar com nossa amiga por gestos e gritos na madrugada. Resolvemos esperar o reboque do lado de lá. Lady Murphy não falha, assim que atravessamos a movimentada Via Expressa vimos a carretinha chegando.

O táxi de volta foi pago pelo meu seguro, mas ainda estou na dúvida se o do outro cara paga por triângulos atropelados.

Volto à vida de Mercedão diariamente por uns tempos, mas não guardo rancor do destino. Há malas que vêm pra Belém. Quem sabe o que poderia ter acontecido se eu tivesse escolhido a esquerda?

sábado, 17 de setembro de 2005

X!



Siga seus instintos. Eu devia ter seguido os meus ontem. Quando vi que era 16 de setembro, pensei: "Ué, acho que hoje faz um ano que eu inaugurei o fotolog bISELHO...". Na verdade, como é possível constatar neste antigo post, o bISELHO flog! estreou em 15 de setembro de 2004, não 16, mas passei perto. Movido pelo saudosismo, entrei no antigo site, hospedado no Flog Brasil, e dei uma passada de olhos em seus arquivos, nas fotos que eu tinha postado, nos textos que eu tinha escrito a respeito delas. Estava quase postando uma foto só pra comemorar o aniversário mas desisti, fiquei com preguiça, fechei o flog.

Foi a última vez. Hoje de manhã, quando abri meu e-mail, deparei-me com uma mensagem cujo assunto era simplesmente: Flog Brasil: seu flog foi removido.

Removido. Removido, sem mais nem menos, sem avisarem antes. Me senti como Arthur Dent ao saber que a Terra tinha sido demolida pra construírem uma via expressa no lugar.

O e-mail dizia assim:

Lucas Paio,

Devido ao grande período - mais de 30 dias - que você ficou sem atualizar o seu flog (www.biselho.flogbrasil.terra.com.br), ele foi removido do site.

Se você desejar criar um novo flog - que pode ter o mesmo endereço deste que acabamos de remover - acesse o link cadastre-se grátis.

Se você tiver alguma dúvida, recomendamos que leia nossos Termos de Uso, e nos colocamos a disposição.
.

Primeiro: 30 dias é um grande período? Deviam conversar mais com geólogos... Segundo: eu não quero criar um novo flog. Já tinha deixado claro que parei de postar no Flog Brasil porque migrei para o fotolog.net. A única coisa de que fazia questão era que as fotos e textos antigos continuassem existindo. Terceiro: "à disposição" se escreve com crase.

Resolvi ler os Termos de Uso. Dois itens, particularmente, me chamaram a atenção:

>> "A não-utilização do serviço por um período mínimo de um mês, acarretará na remoção permanente do seu fotolog, fotos e comentários sem aviso prévio."

>> "Essas regras podem ser alteradas a qualquer tempo, por isto, é recomendado que você leia regularmente este documento."

Espero que não dê também a louca no Blogger de inventar regras a seu bel-prazer. Ainda mais agora, que venho atualizando religiosamente dia após dia. Sei lá, às vezes vem um e-mail assim pra mim: "Devido ao grande período de tempo sem atualizações - 5 horas -, o seu blog se perdeu para sempre no buraco negro dos bytes".

Aproveitem e visitem meu fotolog atual, antes que removam também.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Johnny Death



Onde vamos parar? Um garoto inglês de 12 anos morreu enquanto tentava imitar uma cena de Piratas do Caribe em que o capitão Jack Sparrow, vivido por Johnny Depp, está prestes a ser enforcado, mas consegue se livrar das cordas. A mãe contou que a família havia assistido ao filme na noite do acidente, e que a criança já havia sido diagnosticada com hiperatividade, uma disfunção cujos sintomas incluem a falta de noção do perigo. Menino maluco. Se era pra imitar o Johnny Depp, por que não encarnar o Don Juan DeMarco e pegar todas as coleguinhas? Em vez disso, preferiu se tornar mais um candidato ao Prêmio Darwin, aquele das fatalidades bestas.

Caso seu filho seja também um fã de Johnny Depp, atenção para esses cuidados:

- Não deixe nunca ele encostar numa tesoura.

- Lembre-o sempre de que a Terra do Nunca não existe e, que se ele quiser voar e viajar, existe um outro tipo de pó sem ser o de pirlimpimpim. Convém evitar esse também.

- Dirigir filmes de terror pode, mas explique que os amiguinhos dele só podem morrer de mentirinha.

- Seria redundante falar aqui do Cavaleiro Sem Cabeça.

- Por via das dúvidas, sei lá, proíba visitas à fábrica da Garoto ou similares.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Ó fragúndio bugalhostro

Depois de ver O Guia do Mochileiro das Galáxias no cinema, em junho, li duas vezes o livro do qual ele foi adaptado e no momento estou nos primeiros capítulos de sua seqüência, O Restaurante no Fim do Universo. Mas foi só há poucos dias que descobri as inúmeras influências e o enorme legado que Douglas Adams, o autor, deixou para a Humanidade. (Logo ela, que desaparece nas páginas iniciais de seu livro). Alguns exemplos:



O primeiro computador que sabia jogar xadrez foi chamado de Deep Thought por causa do Pensador Profundo, o computador que aparece no Guia e que calcula, durante sete milhões e meio de anos, o sentido da Vida, do Universo e de Tudo Mais. Mas o Pensador Profundo da vida real não chegou nem perto: perdeu para Garry Kasparov as duas partidas que disputou com ele. Seus sucessores continuaram com nomes começados em "Deep": Deep Blue (aquele que ganhou do Kasparov, anos depois), Deep Fritz, Deep Junior...



A resposta à questão da Vida, do Universo e de Tudo Mais, segundo o Pensador Profundo no livro, é 42. Para o Google também. Experimente ir lá e digitar "What is the answer to life, the universe, and everything?". Pelo mundo do entretenimento, o 42 está em todo lugar. Aliás, existe até uma comunidade no orkut chamada "O 42 está em todo lugar". Fox Mulder, do Arquivo X, mora no apartamento número 42. E no desenho animado do Buzz Lightyear, o número de sua nave é 42.



O nome de um dos melhores álbuns do Radiohead, OK Computer, veio das várias vezes que Zaphod Beeblebrox, presidente da Galáxia, fala com o computador de sua nave: OK, computer, let´s do this..., let´s do that...

No mesmo disco, há uma música excelente chamada "Paranoid Android", que se refere a Marvin, o robô deprimido do Guia do Mochileiro, que às vezes é chamado de "andróide paranóide".

Falando em músicas, aquela famosa do Coldplay, "Don´t Panic", também foi tirada do Guia. "Don´t Panic" é a frase que está estampada em letras garrafais na capa do verdadeiro "Guia do Mochileiro das Galáxias", um dos motivos pelos quais ele é mais vendido que seu similar, a Enciclopédia Galáctica.



O nome do tradutor do AltaVista, BabelFish, é uma referência ao peixe-babel. Trata-se de uma das criaturas mais estranhas do Universo: você coloca o bicho no ouvido e ele passa a traduzir pra você, automaticamente, tudo que os outros falam em outras línguas.

Não podemos esquecer do blog bISELHO, que já utilizou o Guia do Mochileiro como inspiração para diversos títulos de posts. Podemos destacar entre eles: "So long and thanks for all the fish!", de 20 de junho de 2005; "Gerador de improbabilidade infinita", de 17 de julho; "The Hitchhiker´s Guide To The Platypus", de 26 de julho; e "Ó fragúndio bugalhostro", de 15 de setembro.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Uma boa idéia?, ou: Mesmo já sabendo o que vai dar no fim...



Os conhecedores de Indiana Jones devem se lembrar duma cena em Os Caçadores da Arca Perdida em que a mocinha do filme (que está hoje velha e acabada) disputa, em seu boteco no Nepal, um campeonato com um nativo pra ver quem bebe mais. Uns cinqüenta e sete copos depois, ela sagra-se vencedora. Já na cena seguinte, em que Indy aparece querendo descolar um certo medalhão, ela não aparenta nem mesmo cara de bêbada.

Não foi o que aconteceu no Sergipe outro dia, com dois amigos do município de Cobra D´Água, que resolveram bater uma aposta pra ver quem bebia mais pinga. Após tomar o último gole da oitava garrafa de cachaça, Carlos Alberto Aquino, 39 anos, entrou em coma alcóolico... e morreu. Momentos depois, seu amigo, Joel da Silva, 23 anos, sentiu-se mal, entrou em coma alcóolico... e morreu. Deviam concorrer ao Prêmio Darwin, aquele que indica as mortes mais estúpidas ocorridas com o homo sapiens. Como o cara que foi pular de bungee jump e mediu o tamanho do elástico com precisão, em relação à distância do topo ao chão. Só esqueceu de que o elástico esticava...

Os detalhes sobre os Alcóolicos Amigos estão aqui. Tim tim!

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Além do que se ouve



Rádio Biselho. Trazendo o melhor do rock brasileiro, jazz internacional, musiquinhas de videogame, bandas independentes e jingles de refrigerante pra você. Neste segundo programa viemos com:

Jackson 5 - I Want You Back
Michael Jackson pré-histórico. Baixo fabuloso.

Flaming Lips - She Don´t Use Jelly
Flaming Lips é uma banda muito aclamada pela crítica e pelos indies em geral, mas, de tudo o que eu já escutei dela, praticamente só gostei dessa canção. Não parece à primeira vista, mas tem uma letra engraçadíssima.

Mega Driver - Hedgehog Metal (Sonic)
Musiquinhas de videogame são um barato. Musiquinhas do Sonic são melhores ainda. Essa aqui está em versão metal, gravada pela banda brasileira Mega Driver.

Los Hermanos - Além Do Que Se Vê
Los Hermanos acústico, again. Tenho zilhares de raridades dos caras aqui...

Iggy Pop - Neighborhood Threat
Descobri essa música, por estranho que pareça, numa história em quadrinhos. Watchmen, a melhor coisa já feita com desenhos e balõezinhos. Um desses balõezinhos, saído do rádio que um dos personagens ouvia, mostrava um trecho dessa canção.

Fóllen - Rony´s Afternoon
Seção "banda de amigos". Metal! O vocalista, Bernardo Silveira, é da minha sala. Conheci vários outros membros, todos com codinomes insólitos - Ticle, Passagli, Picolé - em ocasiões diversas, provando que BH é um ovo, e de codorna.

Prime - Primavera
Mais banda de amigos. Rock com pitadas de street jazz, seja lá o que isso signifique. Fâni, fâni, fanaaaa...

Nina Simone - Here Comes The Sun
Tirei duma coletânea de jazz que comprei pro meu avô na Austrália. Summer Jazz era o nome dela. Nada mais apropriado para um summer que um sun coming por aí.

George Harrison - Something
Versão arcaica da música que o Frank Sinatra declarou que era "a melhor composição de Lennon e McCartney", coitado do George. Tem até uma estrofe adicional que não existe na gravação definitiva do Abbey Road.

Grapete
Junto com o da Duchas Corona, esse é um dos meus jingles preferidos. Quem escuta Grapete, repete.

Wayne Newton - Danke Schoen
Lembram do Ferris Bueller cantando "Twist and Shout" em Curtindo a Vida Adoidado? Pois é, poucos se lembram que, antes de dublar os Bítous, ele canta essa canção aqui. Refresque a memória.

Byrds - Mr. Bojangles
Conheci essa pela versão da Jane Duboc, num cd que ouvíamos com freqüência lá em casa. Bojangles é um nome engraçado.

Cardigans - Lovefool
Cardigans me lembra a época das Spice Girls e dos Virgulóides. Essa versão daqui é acústica e intimista, quase uma bossa.

Lobão - Me Chama
Chove lá fora, e aqui faz tanto frio. Me dá vontade de saber: aonde está você? Me telefona... me chama, me chama, me chama! Nem sempre se vê lágrimas no escuro.

Mamonas Assassinas - Uma Arlinda Mulher
"Pelados em Santos" é o caramba. Essa é a música mais romântica dos Mamonas, numa versão ao vivo, pra fechar a programação da semana. Terça que vem tem mais.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Amigo da água



O máximo que eu vi de Pop Rock Brasil esse final de semana foi um trechinho do Dead Fish tocando no rádio (trechinho mesmo, não consegui ouvir mais de um minuto) e um outro trecho no Jornal Nacional, com o D2 tocando ao vivo, numa reportagem sobre os 40 anos do Mineirão. É engraçado, porque há poucos anos o Pop Rock Brasil da 98FM era o evento mais aguardado do ano, ficávamos todos esperando sair a escalação das bandas, e a frase mais perguntada nos recreios era: "Você vai no Pop Rock?". O que aconteceu, então? Viramos adultos?

Não, acho que o pop rock brasileiro é que vai mal das pernas mesmo. É só olhar a lista das bandas que tocou esse ano. Detonautas. CPM 22. Tihuana (isso existe ainda?). Charlie Brown Jr, ou o que restou dele. Marcelo D2, Capital Inicial, Sideral. Marjorie Estiano (???), Ramirez (????), Armandinho (??????). Putz grila.

Quando fui no meu primeiro Pop Rock, tinha 12 anos de idade. Fui meus primos, os amigos dos meus primos, e claro, suas respectivas mães. Ficamos na arquibancada do Independência, assistindo lá de trás. Pelo que me lembro, foram shows muito legais. Pato Fu fazia sucesso com "Pinga" e "Capetão 66.6", Skank tinha acabado de lançar O Samba Poconé (com "Garota Nacional" e "É Uma Partida de Futebol") e os Paralamas estavam na turnê do Nove Luas, o melhor disco deles.

Em 1998 não pude estar lá porque tinha uma festa de quinze anos pra ir, mas em 1999, pra compensar, resolvi comparecer nos dois dias. Legião Urbana estava na moda na época, e o tema do festival era "Tributo à Legião Urbana". Todos os artistas tinham que tocar uma música da banda, o que deu origem a versões inusitadas. O Tianastácia, que ninguém conhecia e tinha só vinte minutos pra tocar, gastou nove com sua versão de "Faroeste Caboclo". Lulu Santos teve a cara-de-pau de ler a letra de "Índios", e foi vaiado, lógico. O Capital Inicial, pré-acústico, ainda não tinha virado uma bosta e contribuiu com um novo refrão para "Que País É Esse?", instituindo o hoje batidíssimo "é a porra do Brasil!". Outros limitaram-se a repetir os covers que já faziam normalmente, como o Pato Fu com "Eu Sei" e os Paralamas com a mesma "Que País É Esse?" que era a música de trabalho do acústico deles.

Mas a maior lembrança que tenho daquele Pop Rock foi o tumulto fenomenal que ocorreu no Independência por causa de uma mera chuva. Na hora, eu estava na arquibancada com minha mãe e minha prima, que tinha uns 12 anos. Céu aberto, pingos na cabeça, sabe como é, tivemos a ótima idéia de nos escondermos debaixo de uma marquise perto de onde vendiam bebidas. Nós e todo mundo no estádio. Não demorou pra se formar uma confusão dos infernos debaixo da tal marquise, com gente empurrando pra lá, empurrando pra cá, garotas desmaiando e um pique de luz sinistro que não ajudou em nada. Olhei pro pessoal que tava no gramado e, inocentemente, pensei por um segundo que tinham distribuído capas de chuva, porque estavam todos cobertos com alguma coisa. Que nada, eram pedaços de chão que eles tinham arrancado e colocado por cima da cabeça. Quando terminou a chuva pudemos voltar às arquibancadas e assistir à apresentação do Barão Vermelho, até que meu primo, que estava lá no meio em algum lugar da multidão, conseguiu ligar pra gente e informou que tinha sido "jogado" pra fora do estádio na hora da balbúrdia e não conseguia voltar nem a pau. Fui embora pra casa sem ver os shows dos Paralamas e dos Titãs.

Só fui voltar ao Pop Rock três anos depois. Fui com a galera da escola, ficamos no meio do povão mesmo e não teve chuva nem bagunça. Quer dizer, não muita, já que na hora do Charlie Brown (tinha que ser), a turma da área VIP começou a brigar com o povão e dá-lhe agressões mútuas de pedaços de chão, feitos de um plástico duro que machucou muita gente. Acabamos levando dois desses pedaços de presente para uns amigos nossos que faziam aniversário no dia, um 7 de setembro.

Aquele Pop Rock de 2002 alternou alguns shows bons, como Tianastácia e Raimundos (que sobreviviam já sem o Rodolfo, à custa dos hits antigos), com bandas pífias. Como o RPM. Já não bastasse a repugnância que causa Paulo Ricardo, ele ainda sustenta todo o seu show em cima de composições alheias, já que de músicas próprias só tinham mesmo Rádio Pirata e Alvorada Voraz, que definitivamente não são lá essas coisas. E tomem versões vergonhosas de "Exagerado", "Satisfaction", "Help", "Eu Sou Terrível", "Light My Fire", "Wish You Were Here". Pra fechar com chave de latão, a música-tema do Big Brother. Mas nada foi mais inusitado que o CPM 22 tocando "Meu Erro" com participação do Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura.

Em 2003 eu estava lá de novo, mais atraído por uns shows que nunca passavam por Belo Horizonte do que propriamente pela magia do evento. Pude ver o Ultraje a Rigor, que foi ótimo, faltando só "Filha da Puta" no repertório. Ou Gabriel o Pensador e seus clássicos de quando eu estava na sexta série ("2345678", "Cachimbo da Paz"), sem falar na sua melhor música, "Até Quando?". De resto, mais do mesmo: Biquíni Cavadão, Kid Abelha, O Rappa, Capital Inicial (em sua fase mais irritantemente ridícula), Detonautas. As bandas menos famosas ficaram relegadas a um palco lateral batizado de "varandão", onde tocaram Elétrika, Terral, Nenhum de Nós, Pitty, Sideral. Foi a última vez que fui ao Pop Rock.

Hoje em dia, mesmo as bandas boas de anos atrás estão capengando. Skank picaretou de vez e lançou uma coletânea misturada com canções "inéditas" ("Vamos Fugir" já deu, né?). Titãs só piora a cada cd, dá até medo do monstro que vai ser o sucessor de Como Estão Vocês? (também, olha o nome do álbum). Pato Fu ficou tão bonitinho e fofinho que chega a incomodar.

Meu Pop Rock ideal hoje em dia, se me fosse obrigatório escolher uma escalação de bandas, teria:

- Los Hermanos
- Ultraje a Rigor
- Paralamas (um dos poucos que ainda prestam nessa safra anos 80)
- Rogério Skylab, defendendo o underground
- Lobão
- Cálix ou Cartoon, defendendo a ala belorizontina
- Massacration

O tema seria claro: "Tributo aos Mamonas Assassinas". Seria ótimo. Massacration tocaria "Débil Metal". Ultraje a Rigor emendaria "Chopis Centis" com "Should I Stay Or Should I Go", do The Clash. Skylab faria uma versão insana de "Robocop Gay". Los Hermanos traria sua veia sambística a "Lá Vem o Alemão". E a gente dormiria feliz, num mundo sem Chorão, sem Dinho Ouro Preto.

domingo, 11 de setembro de 2005

Músicas esdrúxulas



Queria fazer um top 5, mas como só encontrei quatro itens, aí vai um:

Top 4 músicas repletas de proparoxítonas

4) Robocop Gay (Mamonas Assassinas)

Um ser humano fantástico
Com poderes titânicos
Foi um moreno simpático
Por quem me apaixonei
E hoje estou tão eufórico
Com mil pedaços biônicos
Ontem eu era católico
Ai, hoje eu sou um gay!

Perde pontos por não ter todos os versos terminados em proparoxítonas, mas tem um bom número delas para entrar no ranking.

3) Formato Mínimo (Skank)

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Ganha pontos por ter o próprio título da música terminado numa proparoxítona.

2) Construção (Chico Buarque)

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Ganha pontos por ter as mesmas proparoxítonas reutilizadas em versos diferentes nas três estrofes da música.

1) O Drama de Angélica (composição de Alvarenga e Ranchinho, mas conheci com a versão do Tangos & Tragédias)

Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico
Depois do inquérito
Descobre o clínico
Um mal atávico
Mal sifilítico

Mandou-me célere
Comprar noz-vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado

O farmacêutico
Mocinho estúpido
Errou na fórmula
Fez de propósito
Não tendo escrúpulo
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico

Até a próxima.

sábado, 10 de setembro de 2005

Made in Sbórnia



A aparente falta de assunto do post anterior não se deve a um esgotamento de idéias puro e simples, mas à pressa que eu tinha de publicar o texto do dia antes de sair. Eram oito horas quando liguei computador pra começar a escrever, sendo que às oito e dez já estava saindo de casa, rumo ao show do Tangos & Tragédias.

Fantástico, fantástico. Poderia me arriscar e dizer que este é o show do ano, mas 1) o ano ainda não findou; 2) não vi tantos shows assim em 2005 pra fazer um ranking respeitável; e 3) trata-se de um espetáculo antigo, que há mais de 15 anos vem percorrendo os teatros brasileiros.

Tangos & Tragédias estreou em Porto Alegre nos anos 80, criado e protagonizado por dois malucos chamados Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky. No show, assumem as identidades de Kraunus Sang, o violinista tímido, e maestro Plestkaya, o dramático tocador de acordeon. Fazem piada com tudo, mantêm a platéia nas mãos, arrancam risadas com meras expressões faciais, explicam a diferença entre baba e cuspe, elogiam os belorizontinos e denigrem a imagem de Vespasiano.

E tocam pra caralho, lembrando Mamonas e Premeditando o Breque na filosofia de misturar humor e música sendo bem-sucedido em ambos. O repertório, no entanto, tem poucas composições próprias da dupla, e é constituído, em sua maioria, por canções famosas de artistas diversos. Temos, por exemplo, a melhor versão de "Meu Erro" que já vi, apenas instrumental no início, e que vai crescendo conforme a platéia começa a cantar junto. Temos "Sozinho" ("Às vezes no silêncio da noite..."), "O Ébrio" de Vicente Celestino, "Trenzinho do Caipira" de Villa-Lobos, e citações engraçadíssimas e absolutamente avulsas de "Xi Bom Bom Bom" e da versão original romena de "Festa no Apê".

As músicas razoavelmente desconhecidas que eles tocam também são um barato. Como "Ana Cristina":

Ana Cristina, eu não gosto de você
Tô amando loucamente
A tua mãe.

Foi de manhã, eu fui tomar café
Apareceu a véia
Sabe cumé.

Ou "O Drama de Angélica", feita quase que exclusivamente por proparoxítonas, e que bota "Formato Mínimo" do Skank no chinelo:

Fiz-lhe um sarcófago
Assaz artístico
Todo de mármore
Da cor do ébano
E sobre o túmulo
Uma estatística
Coisa metódica
Como Os Lusíadas
E numa lápide
Paralelepípedo
Pus este dístico
Terno e simbólico:
"Cá jaz Angélica
Moça hiperbólica
Beleza helênica
Morreu de cólica"

Ou o momento em que o acordeonista vai pro piano enquanto o violinista assume os vocais e um insólito pandeiro, cantando, jazzisticamente:

I cannot stay another minute with you...
I´m truly sorry baby, but this cannot be
I live in Jaçanã
If I miss this train
That leaves now, eleven sharp
Only... tomorrow morning.

Entre as composições próprias, destacam-se o hino nacional do país de onde eles vieram, "Aquarela da Sbórnia", e a dança que a dupla criou e chamou de "O Copérnico". É uma dança onde não se pode mexer as pernas, não se pode mexer os braços, apenas balançar a cabeça freneticamente. Eu estava na primeira fila mas não fui, infelizmente, chamado para dançar o Copérnico no palco. Chamaram um senhor mais velho, um economista que estava do meu lado e uma menina muito tímida que quase morreu de vergonha mas foi obrigada a encenar a palhaçada pra toda a platéia do Sesiminas.

Mais de duas horas depois do início do espetáculo, desceram os dois e foram para o meio do público, tocando e andando, saindo do teatro. Ainda não tinha acabado: seguimos todos a dupla em direção à rampa lá fora, onde tocaram as últimas músicas, "I Shot The Sheriff" e "White Christmas". Ninguém sabia a letra de nenhuma das duas, nem mesmo eles, substituindo os versos por "sabadabada"s e "blim blem blom"s.

Como bem disse Millôr Fernandes no encarte do cd ao vivo do Tangos & Tragédias, "Vejam enquanto eles estão perto. Vão longe".

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Nove do nove



Hoje é um dia muito especial. É o dia em que o Tadjiquistão, querido Tadjiquistão!, completa quatorze anos de Independência.Um viva para o Tadjiquistão.

Hoje também é o dia do veterinário e do administrador. Vivas duplos pra quem administra uma clínica veterinária.

Hoje também é o aniversário do famosíssimo escritor Léon Tolstói, que estaria completando 177 anos se não tivesse nos deixado tão precocemente. Quem souber gritar viva em russo, me ensine.

Hoje também faz dez anos, exatos, que o Playstation foi lançado pela Sony. Nada de vivas nesse caso, porque eu só tenho Super Nintendo.

Pra completar, hoje faz 29 anos que Mao Tse-Tung, descobridor do tungstênio, da mosca tsé-tsé e criador do jogo de baralho mao-mao, bateu suas botas made in China.

Obrigado pela audiência, e boa noite.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Regiões pra quê?



Pleno século XXI e a gente ainda tendo que lutar contra a mardita tequinologia. Macintosh é difícil de trabalhar, mouse de um botão só é um porre e esse negócio de arrastar a pasta "meu disco" para a lixeirinha, em vez de simplesmente apertar o eject, não é lá uma invenção muito prática.

Pior é meu DVD player, que é meio analfabeto, e não lê os disquinhos que eu trouxe da Austrália. Até hoje não pude rever Arthur, por exemplo. E isso porque os DVDs australianos são da região 4, a mesma do Brasil. Very strange, mate...

Tentei ligar para vários lugares em busca de uma solução para o problema.

Loja 1:

- Boa tarde, vocês fazem destravamento de DVD?
- Qual modelo?
- Sony.
- Não, não fazemos.

Loja 2:

- Boa tarde, vocês fazem destravamento de DVD?
- Fazemos sim.
- Qual o preço?
- Como temos de mandar buscar uma peça em Londrina, fica em torno de cento e oitenta, cento e noventa reais.

Até parece. Com esse dinheiro, compro um DVD novo no Shopping Oiapoque.

Loja 3:

- Boa tarde, vocês fazem destravamento de DVD?
- Qual modelo?
- Sony.
- Liga daqui a meia hora, vou dar uma pesquisada na internet e te falo, porque na maioria das vezes é só um códigozinho que você digita no controle remoto mesmo, e destrava em casa mesmo.

Ligo meia hora depois.

- Olha, eu não achei não, mas se você for numa assistência técnica autorizada da Sony eles fazem isso pra você na hora, fica em uns quinze reais, por aí.
- Tem certeza? Liguei agora há pouco para uma outra loja e o cara falou que ficava em quase duzentos reais.
- Quê isso, nada disso, é coisa rápida, vou te passar o telefone que eu tenho aqui duma autorizada Sony.

Loja 4:

- Boa tarde, vocês fazem destravamento de DVD?
- Não, não fazemos não.
- Mas me indicaram esse telefone como sendo assistência técnica autorizada da Sony...
- Realmente, é autorizada Sony, mas não fazemos destravamento não. Se quiser eu tenho o telefone de um lugar na Avenida dos Andradas que faz esse serviço.
- Ah, então me passa aí, por favor.

Loja 5:

- Boa tarde, vocês fazem destravamento de DVD?
- Fazemos sim.
- Ah, finalmente. Qual o preço?
- Bom, como temos de mandar buscar uma peça em Londrina, fica em torno de cento e oitenta, cento e noventa reais.

No dia das crianças, quero um DVD player que leia todas as regiões.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Desdobramentos



Fiquei chocado outro dia quando fui vasculhar o Google Earth com mais minúcia e percebi que a Lagoa da Pampulha não se parece exatamente com um bonequinho com elefantíase, porque seu suposto braço direito tem uma série de desdobramentos que não enxerguei à primeira vista. Só falta eu descobrir que a Estátua da Liberdade tem duas cabeças.

Falando em geografia: o Katrina passou por Beagá ontem e hoje. Será que amanhã tem mais?

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Por favor, seu locutor



Internet é cheia das novidadezinhas. A última que eu descobri foi no blog Registro Dissonante, e chama-se "rádio blog". Trata-se de um sistema em que você disponibiliza um monte de músicas no seu blog, pra todo mundo ouvir, como se fosse um programa de rádio montado por você.

Bom, decidi testar. Depois de muita labuta, criei uma seção no menu aí do lado chamada "rádio biselho", onde colocarei periodicamente (duas em duas semanas ou uma vez por mês, ainda não decidi) 15 novas canções para a degustação do público. No programa que estréia hoje, por exemplo, teremos:

Angra - Wuthering Heights
Sob vários aspectos, essa música é, pra mim, a que mais representa este ano de 2005, pelo menos até o momento. É uma versão do Angra pra uma música da Kate Bush, que é baseada (descobri faz pouco tempo) no famoso livro O Morro dos Ventos Uivantes, cujo nome em inglês é, adivinha?, Wuthering Heights.

U2 - Mysterious Ways
U2 é cheio de músicas bacanas. Esta é uma delas.

Jeff Buckley - Hallellujah
Trilha sonora do excelente Edukators, also known as Os Edukadores. Toca umas cinco vezes no filme.

Foo Fighters - End Over End
Essa fecha o primeiro disco do último álbum (duplo) do Foo Fighters. Mencionei ela num top 5 deste mesmo disco, que fiz neste post.

Chumbawamba - Her Majesty
Cover muito inusitado dos Beatles. Trata-se da última música do Abbey Road, que no original da turma de Liverpool tem só uns 30 segundos. O Chumbawamba simplesmente inventou o resto da música (!), adicionando inclusive um refrão (!!). É a mesma coisa de pintar um corpo pra Mona Lisa, mas o resultado até que ficou legal.

Hole - Violet
Sou só eu que gosto dessas musiquinhas do Hole?

Libélula - Bizarre Love Triangle & Sobre o Tempo
Tem que dar uma força pros amigos às vezes, né? Libélula é a nova banda do meu amigo Rafael Giácomo (sr. multi-bandas), com vocal de sua senhora, Stéfanni Lanza. Esta aí é um medley de uma música do New Order com outra do Pato Fu. Clique aqui pra ver a comunidade deles no orkut.

Egberto Gismonti - Lôro
Instrumental, excelente. Lembra minha infância.

Temptations - My Girl
I guess you´ll say... what can make me feel this way? My girl... (my girl)... [my girl]... talking ´bout my girl... MY GIRL!

Nirvana - White Lace And Strange
Essa eu tirei da caixa de raridades do Nirvana, três discos praticamente inaudíveis devido à baixíssima qualidade sonora. Mas tem raridades interessantes, como esas música de 1987 com um riff bem legal, embora os gritos do Kurt ainda não estivessem em sua melhor forma.

Beatles´n´Choro - Penny Lane
Beatles em forma de chorinho. E com arranjos bons. Já foram lançados quatro discos, sendo que os três primeiros tenho aqui em mp3.

So Long & Thanks For All The Fish
Abertura do Guia do Mochileiro das Galáxias, o filme. Mencionei essa música neste post aqui, cujo título, aliás, é o mesmo da canção.

Los Hermanos - Casa Pré-Fabricada
Versão acústica de uma das músicas do melhor disco deles, Bloco do Eu Sozinho. A Maria Rita gravou essa música no último disco dela. Ainda não ouvi, mas não boto fé.

Cartoon - O Amor
Ótima banda progressiva de Beagá tocando um ótimo samba.

Supertramp - Rudy
Supertramp é ótimo. Essa foi tirada do famoso disco ao vivo deles, Supertramp Paris, que quando fiz 8 anos ganhei do meu tio em forma de fitinha cassete, com a arte do LP reproduzida na capinha da fita por ele mesmo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Profecia

O Brasil venceu o Chile por cinco a zero está oficialmente classificado pra Copa do Mundo 2006.

Bah. Como se a gente já não soubesse. Está perfeitamente claro, desde 2002, que o Brasil não só participaria da Copa na Alemanha como conquistaria o hexa na terra do apfelstrudel.

A certeza não se deve às táticas do Parreira ou à competência dos jogadores, mas à profecia da pirâmide, que começou a circular na internet no decorrer da copa de 2002 e provou, antes do término, que o Brasil seria o campeão daquele ano.

Caso não se lembrem, reproduzo a imagem aqui, e se tiverem miopia braba é só clicar em cima que ela aumenta.



O funcionamento é o seguinte: o topo da pirâmide é a copa de 1982, quando a Itália sagrou-se vencedora. Conforme a pirâmide vai descendo, vemos que seus lados se correspondem, e que os campeões de um lado são exatamente os mesmos do outro: Argentina em 1978 e 1986, Alemanha em 1974 e 1990, Brasil em 1970 e 1994, e por aí vai. Aparentemente há uma falha no esquema (Inglaterra ganhou em 1966 e deveria ter vencido em 1998, mas como sabemos, foi a França de Zidane que subiu ao pódio naquele ano), mas isso está perfeitamente explicado na imagem acima.

A parte chata é que gritar "hexa" não tem o mesmo apelo que berrar "tri!", "tetra!" ou "penta!". Mas a gente releva.

domingo, 4 de setembro de 2005

Hey you, up in the sky!

Google Earth é o programa mais legal do mundo. Vista aérea do planeta todo, como se fosse um Sim City gigante. O arquivo de instalação tem uns 10 mega, e depois tem que estar conectado na web (preferencialmente, digo, obrigatoriamente, com banda larga) pra funcionar direito. O programa ainda está em fase de desenvolvimento e só as cidades grandes têm uma aproximação boa. Não dá, por exemplo, pra achar o sítio do seu tio que fica em São Joaquim do Morro Verde. Mas dá pra se divertir bastante e, depois de começar a usar, você não vai fazer mais nada da vida. Vai querer achar sua casa, a casa da sua avó, onde você estuda, o barzinho onde come um espetinho de frango bom pra caramba. Vai procurar pela Torre Eiffel, o Coliseu, o buraco onde ficava o World Trade Center. Eu já achei, por exemplo, a bolona do Epcot Center na Disney, a Pedra do Arpoador no Rio e o coreto da Praça da Liberdade. Descobri que a Lagoa da Pampulha tem um formato engraçado, parece um bonequinho com elefantíase nos braços. Descobri que moro na latitude 19° 58' 37" sul e na longitude 43° 58' 22" oeste. Quem quiser jogar uma bomba aqui em casa, olha aí, já tem até as coordenadas exatas.


Home sweet home, indicada pela seta vermelha. A piscina atrás do prédio é uma escola de natação chamada Nada Melhor (pegou? pegou?), onde pratiquei, por poucos meses, a arte de se debater numa superfície aquática com o intuito de se locomover


Quarteirão (sem queijo) da minha faculdade. Seta vermelha indica onde faço estágio. Seta verde indica o famosíssimo Boteco da Das Dores.


Bonequinho com elefantíase nos braços


Braços abertos sempre a esperar...

sábado, 3 de setembro de 2005

É impossível criar um só



Deve ser divertido trabalhar no departamento de criação de novos sabores da Elma Chips, se é que existe algo assim. É bem provável, a julgar pela infinidade de sabores exóticos de batatinhas, tanto a tradicional Ruffles quanto a nova Sensações. Lembro que, há uns dez anos, só existiam a Ruffles original e a Cebola e Salsa, e olhe lá. Depois surgiram a sabor Churrasco e a de Parmesão, mais ou menos na época em que os chips vinham com brindes mórbidos e gosmentos, como línguas, dedos e cérebros, que infelizmente não eram comestíveis.

Nos últimos anos, porém, o pessoal endoidou. Devem ter feito uma reunião e falado:

- Vamos pensar nos sabores mais bizarros que a gente conseguir. Os químicos que se virem pra reproduzí-los nas batatas depois.

E deram asas à imaginação, fazendo surgir assim, gradualmente, trocentas novas batatinhas, que entram e saem das prateleiras de tempos em tempos, sempre dando lugar a um festival de esquisitices maior ainda. Entre elas podemos citar:

Variedades de queijo: depois do Parmesão, fomos brindados com os sabores Cheddar e "Queijo Suave", seja lá o que for isso. Qual será o próximo? Camembert, para os paladares apurados?

Temperos diversos: incluem-se aí Catchup, Orégano (muito boa por sinal, pena que já saiu de linha), Tomate e Azeitona, "Toque de Sal" (talvez para compensar a falta de cloreto de sódio na Ruffles original) e a Ruffles Twist, que poupa a você o trabalho de pôr um limãozinho pra incrementar a batata. Espero ansiosamente por uma Ruffles sabor wasabi.

Mesa de frios: já teve Presunto, Peito de Peru e agora experimentei uma sabor Salame. Prováveis próximos lançamentos: Pastrami, Lombinho Canadense e Mortadela Turma da Mônica.

"Sensações do Brasil": novo "selo" onde se encontram as Top Estranhas. Já foram lançados a de Espetinho de Camarão (não é camarão, é sabor espetinho de camarão mesmo) e Frango a Passarinho. É uma experiência única mastigar um troço com a textura de uma batata chips e o sabor de um frango a passarinho, o que nos leva a crer que os químicos da Elma Chips realmente se empenharam em dar vida às idéias tresloucadas do departamento de criação de novos sabores.

Não se espantem se depois de amanhã aparecerem no mercado as batatas sabor:

>> Tutu de Feijão
>> Chocolate com Pimenta
>> Fanta Uva
>> Rúcula e Agrião
>> Bolo Floresta Negra
>> Sanduíche do Carrefour
>> Angu da Casa da Vovó

Leitura extra-classe: comunidade "Tenho Medo de Sabores Malignos" no orkut. E se um dia lançarem mesmo os sabores que escrevi aqui, o que não duvido, não se esqueçam dizer que leram antes no bISELHO.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Tarrrrde!



Atravessei o perímetro urbano hoje pra dar uma espairecida e esquecer a poluição da cidade grande. Mentira, foi a trabalho mesmo, quem diria. Estamos planejando uma campanha para uma escola de idiomas em Cachoeira do Campo, e fomos até lá averiguar o local, analisar a região, visitar rádio ("Sideral") e jornal ("O Liberal") pra ver os preços dos anúncios, e de quebra ainda tomamos sorvete na pracinha onde fica a igrejinha com o cemitério atrás, como é de praxe numa cidade do interior. Nesse mesmo cemitério a Luciana, nossa diretora de arte, cometeu o desrespeito-mor de tirar uma foto deitada sobre um túmulo (isso mesmo) de um casal de velhinhos que morreu em 1996, Theodolino e Efigênia, ambos com noventa e tantos anos e ela poucos meses depois do marido. Estamos pensando em usar a foto para alguma propaganda qualquer, quem sabe?

Depois de Cachoeira do Campo (Cachoeira do Norte, Cachoeira do Sul, Cachoeira do Carmo, a gente nunca acertava o nome da cidade), aproveitamos a viagem e esticamos até Ouro Preto, com a desculpa oficial de checar os preços do jornal "Diário de Ouro Preto". A antiga capital estava como sempre: muitos morros, muitos gringos, acabou que não encontramos a sede do jornal e voltamos pra casa debaixo de chuva. O Golzinho 1.0 teve que se esforçar pra subir a morraiada de pedra sob as violentas enxurradas, parecia até que a Efigênia lá do cemitério tinha algo a ver com isso (brrr...).

Em tempo, antes que eu me esqueça: a aposta do filme do Bátiman, descrita no post anterior, começou a valer a partir de hoje, mas o idealizador da aposta faltou misteriosamente à aula. Provavelmente medo de perder. Ele que começou a brincadeira, ele começou, agora se fudeu.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Modere meu linguajar



Usar as frases do filme do Bátiman no dia-a-dia já se tornou corriqueiro pra mim. Pra quem não lembra, falei dessa pérola do trash brasileiro neste antigo post de julho de 2004. Depois quase esqueci de sua existência, até que alguns meses atrás emprestei o CD com o episódio para uns amigos meus de Lavras, que vão de carona comigo de manhã pra faculdade. Os caras viciaram, assistiram o troço umas quarenta vezes, mostraram pra zilhares de amigos e até organizaram uma sessão do filme numa festinha que teve na casa deles.

Claro que, indo todo dia junto pra aula, e tendo decorado praticamente todos os diálogos do filme, a gente acabaria por utilizar as frases e expressões ditas por Bátiman, Róbim, Coringa (o Palhaço, o Jóquer) como se fosse parte integrante do nosso vocabulário usual. Por exemplo:

>> Toda vez que se ouve uma sirene: "A cana, filho dumas putas! Como é que me descobriram aqui?"

>> Demonstração de incredulidade: "Mas comé que pode ser verdade uma porra dessas? Me explica essa porra!"

>> Pra chamar uma menina: "Minha filha, vem cá!"

>> Sempre que alguém menciona quantas horas: "Eu sei vê hora, porra!"

A coisa chegou num tal nível que decidimos fazer uma aposta: amanhã, quem falar alguma coisa usando frases do filme do Bátiman, ou o sotaque nordestino do Coringa, ou até a voz rouca do Comissário Gordon, vai ter que pagar 1 real. Não, correção. Vai ter que se fantasiar como mulher do Coringa. Vamos ver quem é o primeiro, quem é o primeiro.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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