segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Lunguismo



Minha nova Bíblia chama-se O Melhor do Mau Humor. Não que eu seja um cara ranzinza, embora essa possa ser a impressão causada em qualquer um que veja os livros em cima do meu criado: além do Melhor do Mau-Humor, está lá ambém o Dicionário Brasileiro de Insultos. Esse é um compêndio bem organizado de xingamentos, com a etimologia de muitos, e aplicações práticas de outros tantos. Por exemplo:

filho da puta - É o insulto mais usual da língua portuguesa, presente no cotidiano do brasileiro. É um clássico e serve para quase todas as situações. Usa-se para um presidente da República do qual se discorda, até para o engraxate que suja a meia do cliente.

Ou:

filho da mãe - As pessoas muito finas que jamais chamariam alguém de filho da puta, num momento de fúria, contidamente, usariam o "da mãe", ainda que, de maneira implícita, estivesse presente o "da puta". Mãe, no caso, é eufemismo de puta.

Sem falar nos insultos mais obscuros e, talvez por isso mesmo, mais fortes. Como você se sentiria se alguém te chamasse de punga? Ruvinhoso? Engrupidor?

O Melhor do Mau-Humor é uma "antologia de citações venenosas" organizada pelo Ruy Castro, repleto de frases de Woody Allen, Millôr Fernandes, Mae West, Oscar Wilde, Frank Zappa, todas destinadas a sacanear algo ou alguém. Um manual para a vida muito melhor que os dicionários de citações bonitinhas e edificantes encontrados nas seções de auto-ajuda das livrarias. A humanidade não é bonitinha nem edificante.

Um top 10 selecionado assim, meio na pressa:

"Tudo que é fácil de ler é difícil de escrever – e vice-versa."
Telmo Martino

"História: um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo." - Napoleão Bonaparte

"A primeira metade de nossas vidas é arruinada por nossos pais; a segunda, por nossos filhos." - Clarence Darrow

"A coerência é o último refúgio dos sem imaginação." - Oscar Wilde

"São as mulheres que nos inspiram para as grandes coisas que elas próprias nos impedem de realizar." - Alexandre Dumas.

"Imoralidade é a moralidade daqueles que estão se divertindo mais do que nós." - H. L. Mencken

"Posso perdoar a Alfred Nobel a invenção da dinamite, mas só um demônio teria concebido o prêmio Nobel." - George Bernard Shaw

"O que os presidentes não fazem com suas esposas, acabam fazendo com o país." - Mel Brooks

"Uma celebridade é uma pessoa que trabalha duro a vida inteira para se tornar conhecida e depois passa a usar óculos escuros para não ser reconhecida." - Fred Allen

"Depois de ter tocado com outros músicos, já não acho que os Beatles fossem grande coisa." - George Harrison

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Fim do ano vem aí, olê olê olá



Resolução de ano-novo todo mundo faz. Mas um sexto de 2005 ainda tá aí, por isso resolvi listar as minhas resoluções para esse fim-de-ano. Até 31 de dezembro tá valendo, depois disso eu deixo me xingarem de mestre dos projetos inacabados.

1. Fazer pelo menos mais um show em 2005.

A culpada é a numerologia. Desde que mudamos de ABWNN para ABUNN, no começo do ano, uma maré de azar afetou a banda: perdemos nosso local de ensaios no Serra dos Manacás; a última vez que tocamos ao vivo foi em maio, no Matriz, pelas eliminatórias do Camping & Rock; perdemos as eliminatórias; gravamos o terceiro cd, mas ficou do jeito que a gente queria; os vocais do cd deram pau e até hoje não regravamos; nem nome pro cd conseguimos arranjar; e pra completar, desde julho só ensaiamos uma vez. Estamos quase chutando o balde e mudando o nome da banda de vez e iniciando uma nova fase, que incluirá até participação de uma tecladista. Mas pelo menos em dezembro a gente podia fazer mais um show, né... Quem sabe um especial de Natal?

2. Show do Pearl Jam (RJ, 04/12)

Nem estava muito nos meus planos, mas vários amigos meus tão animando e agora estou considerando seríssimamente. A idéia é alugar uma van, sair daqui no domingo de manhã, chegar lá no domingo à tarde, assistir ao show no domingo à noite e voltar pra casa no domingo de madrugada. É o Pearl Jam, pô, e além do mais vale como uma preparação para os Pedras Rolantes em fevereiro.

3. Terminar de assistir "Ed Wood".

Aluguei o DVD, vi até a metade e estava gostando muito mas o disquim resolveu dar pau no auge da história. Pelo menos ganhei uma diária adicional. Mas é questão de honra que, ainda em 2005, eu ache uma locadora que me alugue o filme inteiro. (O mesmo vale para "Moulin Rouge", que assisti bem aos pedaços na Austrália, dormi no meio, e musical inglês sem legenda é foda.)

4. Gravar um CD com a trilha sonora do ano.

Não falo das melhores canções lançadas em 2005, mas daquelas que, exclusivamente pra mim, mais representaram o ano. Já estão garantidas as presenças do Angra ("Wuthering Heights"), Damien Rice ("The Blowers Daughter"), Dorival Caymmi ("É Doce Morrer No Mar") e a abertura do Guia do Mochileiro das Galáxias, "So Long And Thanks For All The Fish".

O cd eu gravarei com certeza; o filme é só encontrar uma locadora; já os dois shows citados no início não dependem só de mim. Logo os mais legais.

Pra 2005 chega. Ano que vem preparo uma lista bem maior só pra constatar, 12 meses depois, que não cumpri nem um terço.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Acredite



O estado mais legal do Brasil é o Acre. O que Plutão é para o Sistema Solar e o Espírito Santo é pra região sudeste, o Acre é pro nosso Brasil varonil. Que Mackay que nada, as próximas férias vou passar no Acre.

Uma das únicas notícias que vi sobre esse tão garboso estado foi há uns 5 anos, quando deu no rádio que urubus aos montes estavam pousando na central telefônica de uma cidade do Acre e atrapalhando a telefonia local e a telecomunicação do pessoal. Pensando bem, que pessoal? Posso estar sendo reducionista aqui, mas o que mais tem por lá além de onças-pintadas e narcotraficantes?

Ultimamente, porém, tenho visto bastante coisa na imprensa mencionando o Acre. Numa reportagem sobre o referendo, por exemplo: "Só falta uma urna para terminar a contagem dos votos - no Acre!".

Hoje saiu na Folha Online o resultado de uma pesquisa que mostra as capitais brasileñas com maior qualidade de vida. Beagá, quem diria, está em quarto lugar. A capital capixaba, quem diria mais ainda, ganhou medalha de prata. Brasília e Curitiba conquistaram ouro e bronze, respectivamente.

Em último lugar: Rio Branco, no Acre.

Decidido a encontrar pelo menos uma coisa boa no estado mais excluído do país, fiz uma rápida busca pelas notícias mais recentes no local, e descobri que:

>> A greve das universidades federais que está rolando aí teve como pioneira a Ufac (Universidade Federal do Acre).

>> A cidade com maior número de "nãos" (ou seria "nões"?) do referendo foi Marechal Thaumaturgo, no Acre, com 97,44% de "nães" (ou seria "nãos"?).

>> O Acre teve o menor número de inscritos no Enem.

>> Madre Paulina, a primeira santa brasileira (canonizada por JP2 há 3 anos) realizou seu primeiro milagre no Espírito Santo. O segundo milagre aconteceu em Rio Branco, no Acre.

>> Não é notícia, mas vale como conhecimentos gerais: o Acre possui 22 municípios. Só pra comparar, Sergipe, o menor estado do Brasil, tem 75.

Cantemos felizes, então, o ainda desconhecido Hino do Acre: "Que este sol a brilhar soberano / Sobre as matas que o vêem com amor / Encha o peito de cada acreano / De nobreza, constância e valor..."

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Eu ligo o rádio, e blá-blá



"98, a rádio do ano!" era o slogan oportunista da 98FM quando eu tinha uns 13 anos. O ano, óbvio, era 1998. Era uma época em que o rock brasileiro ainda não tinha desandado de vez e eu escutava muito a 98. Cheguei a "participar" algumas vezes dum programa que passava de tarde, o Gozação, em que o locutor fazia uma pergunta e lia as melhores respostas no ar. Lembro no dia que leram a minha. Era pra inventar um novo significado para uma palavra da língua portuguesa.

- O Lucas, do Nova Granada, mandou: detergente. Ato de prender um indivíduo suspeito (obs: copiei essa da internet) Lucas Mitre Paio... é isso mesmo? Se não for, a culpa é da telefonista.

Ficava imaginando como seria lá dentro da rádio. Provavelmente um amplo e enorme estúdio, cheio de gente pra lá e pra cá.

Aos poucos, a magia foi se esvaindo, e não falo da programação da rádio, apenas um triste reflexo da decadência do pop rock mainstream nacional. Falo da idéia que a gente faz das coisas quando só se ouve. Tipo o Marcelo Pêra, o locutor mais figurinha carimbada da época. Vi a cara dele pela primeira vez no telão de um Pop Rock, em pleno Mineirão, e descobri que o dono da voz que tanto conhecíamos era um gordão esquisitaço de cabelos brancos.

Já a idéia de uma rádio grande e ultra-movimentada foi pelo ralo quando visitei a rádio Transamérica há dois anos, para um trabalho de faculdade. Um estudiozinho pequeno e um bando de salinhas com papéis empilhados nas mesas. Só. Nos domingos, aliás, não ia ninguém na rádio, o computador fazia tudo sozinho.

Acabei indo visitar a 98 muito por acaso, por conta de uma promoção da qual participei no show do Los Hermanos sapassado. Uma amiga minha, que trabalha na rádio, tava lá na porta tirando fotos da galera, e bateu uma fotografia minha com meus amigos. A foto foi selecionada e fui premiado, sabe-se lá por que motivos. Fotogenia? Sorte? Peixada?.

Hoje, depois do almoço, fui na rádio receber meu "kit 98" com meus colegas de trabalho. Minha amiga ainda nos guiou num rápido tour pelas redondezas. Na parede, por exemplo, guitarras autografadas por instrumentistas famosos e renomados. Não sei qual eu gostei mais, se foi a do Dinho Ouro Preto ("do caralho!") ou do Felipe Dylon ("Salve salve rock´n´roll!"). Ainda pudemos ver em ação um dos locutores da 98, Gilbert, que parece o Paulo Bonfá do Rock Gol com um cabelo loiro e espetado. É muito estranho ver um rosto absolutamente incomum com uma voz tão familiar. Fico imaginando no dia em que vir na tevê o dublador do Chaves.

O tal kit, afinal de contas, era composto por: um boné; um chaveiro da 98; um chaveiro do Pop Rock; um bloquinho de anotações do Pop Rock Brasil. De 2004! Encalhe? Imagina...

Pelo menos, meu brinde não foi um cd do Manitu.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

É de lágrima



Sim, o não ganhou, como já profetizavam as pesquisas ibopescas. Intrigante mesmo foi a minha "sorte do dia" no Orkut hoje: "The will of the people is the best law". Será que o Google, futuro dominador do mundo, comprou também a revista Veja?

Sábado: show do Los Hermanos no Chevrolista. "Lançamento" do novo disco deles em Beagaville. Entre aspas porque o álbum foi lançado em julho e todo mundo no recinto sabia as letras. Em alguns o fanatismo atingia níveis quase bitoumaníacos. Se hoje ainda ouço do ouvido esquerdo é porque no meio do show resolvi sair do lado de uma menina que berrava todas as músicas e berrava mais ainda nos intervalos entre elas. Ao contrário dos três outros shows dos caras que fui (Lapa Multshow/outubro 2003, Lapa Multshow/março 2004 e Marista/abril 2004), dessa vez não fiquei no meio do muvucão e assisti à apresentação na grade do lado direito do palco. Assim pude enxergar com clareza as dancinhas pulpfictianas do Amarante e o autismo do tecladista Bruno Medina. Tocaram todas as músicas do "4" (eita nominho), e mais um monte dos discos anteriores. Melhores momentos pra cantar junto: "Conversa de Botas Batidas", "Quem Sabe" e "O Vencedor", quando o Marcelo "Campelo" até virou o microfone pra galera. Principais ausências sentidas: "Um Par", "Fingi Na Hora Rir" e "Cadê Teu Suín?-".

Domingo: cinema do BH. Vi A Noiva-Cadáver. É uma animação bacana do Tim Burton, com tudo o que lhe é característico: tema sombrio, trilha sonora de Danny Elfman e participação do Johnny Depp. No caso, ele só faz a voz do protagonista, mas o cara é igualzinho a ele, no rosto e no jeito. E sim, pessoal, o filme é em stop-motion. Mas não é massinha: os bonecos foram feitos de aço inoxidável cobertos por silicone. Cinqüenta e cinco semanas foram gastas só pra tirar as 109 milhões de fotos dos bonequinhos, fora o tempo pra animar tudo. Descobri também que o melhor dia de ir no cinema é domingo à noite. Há vagas de sobra no estacionamento e nenhuma fila no cinema. O ingresso é mais caro, mas como o estacionamento é grátis, sai mais barato que ir em dia de quarta-feira. E como dizia o flyer do nosso primeiro show do Matriz, "dane-se o dia seguinte".

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Lendo o jornal na fila do pão...



A melhor publicação da imprensa mineira é o jornal Super Notícia. Mas só digo isso porque ainda não li nenhum exemplar de seu mais novo concorrente, o "Aqui". Ambos custam 25 centavos e apresentam o que o jornalismo tem de melhor pra oferecer.

Pra começar, o formato. Nada daquele formatão desajeitado do Estado de Minas ou do Hoje em Dia, impossível de se ler no ônibus. O formato do Super Notícia é o bom, velho e compacto tablóide.

E também são típicas de um tablóide as manchetes que estampam a primeira página. No número de hoje, por exemplo, estavam lá:

"Pai monstro mata filha de 4 meses"

"Trocador leva tiro na cabeça"

"Morta viva - Mulher tem que provar na Justiça que não morreu"

E lá no topo da página, uma foto da Danielle Winits quase peladona com o box: "Atriz desmente rumores de gravidez e aparece em festa com barriguinha sarada". Uma gostosona e um monte de tragédias: isso sim é que vende.

Um rápido passeio pelas páginas confirma a relevância e o ecletismo do jornal. Na página 2, temos a previsão do tempo na Grande BH, as datas comemorativas (sabia que hoje é Dia do Guarda Noturno e Dia Mundial do Comerciário?) e as opiniões da população sobre algum assunto recente. A pergunta de hoje foi: "O que você acha do horário de verão?" Respondeu o vendedor José Geraldo da Silva, de 49 anos: "Eu acho bom, para mim não influi em nada. Dizem que esse horário é bom para a economia, né?".

Em seguida vêm os fatos mais importantes da cidade. Reportagem principal, aquela do pai monstro que espancou e matou sua filha de quatro meses. A notícia traz até um passo-a-passo de como ocorreu o crime, do choro insistente da criança ao flagrante da polícia.

Interessante mesmo é o caso da "morta viva": uma comerciante de Juiz de Fora que foi confundida com uma homônima e declarada morta. Chegou a receber um telefonema comunicando seu próprio óbito. Agora ela pode ter o CPF cancelado e, caso use seus próprios documentos, pode ser processada por falsidade ideológica. Na mesma página, vem uma notícia cujo título é "Tiro na cabeça durante assalto", e a resposta de uma especialista à questão: "Como faço para retirar manchas de vinho tinto?".

Com tudo isso, fica até suspeita a promoção que anunciam em página dupla: junte 24 selos (que vêm na primeira página de cada edição) e troque pelo mais novo lançamento de faqueiro Tramontina. Aposto que é pra estimular os leitores a usarem seus faqueiros de formas pouco ortodoxas e alimentar o estoque de notícias trash do jornal.

Suas páginas, no entanto, ficam menos sanguinárias mais pra frente: oportunidades de emprego (quer ser operador de empilhadeira?, a hora é agora), matérias sobre variedades e entretenimento, horóscopo, piadas. Ao lado das cruzadas Coquetel, a programação do cinema. E dessa vez, sem ironias, temos uma página útil mesmo. Além da relação dos filmes com as salas em que eles estão passando, lá está também o inverso: a relação dos cinemas e os filmes que passam em cada um, coisa que nenhum outro jornal de Beagá mostra.

Amanhã vou ver se experimento ler o "Aqui". Mas é provável que continue assíduo do Super Notícia. Afinal, só faltam vinte e três selos para eu finalmente conseguir meu faqueiro Tramontina. Com design italiano!

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Conclusões do feriado



Conforto, bem-estar e luxo são conceitos meramente abstratos, que carecem de comparação e não podem nunca ser utilizados de forma absoluta, tipo: isso é confortável, isso não é.

Caminhar por uma estrada de terra carregando sacolas com comidas e bebidas, mochila, saco de dormir e violão, pode parecer algo extremamente tranqüilo, se meia hora depois você está carregando as mesmíssimas coisas numa mata fechada, com cipós te sacaneando e espinhos te rasgando a mão.

Montar barraca à noite, no meio do mato, catando galhos às cegas pra fazer fogueira, sem ter jeito de se comunicar com o mundo exterior a não ser por sinais de fumaça, pode causar um bem-estar tremendo se sua outra única alternativa é ficar à noite, no meio do mato, sem fogueira e sem teto.

Levantar assim que o sol aponta no céu, às cinco e meia da manhã, pode causar um alívio enorme, se você passou a noite com três outros caras numa barraca sem poder se mover, que dirá dormir.

Água da torneira pode ser uma bebida deliciosa quando a última água que você tomou veio do riacho e tinha gosto de capim.

Encontrar-se perdido numa estrada poeirenta, sem saber onde ela dá, pode te fazer realmente feliz, se há poucos minutos você estava no mato, cercado de mato por todos os lados, sem noção de que rumo tomar.

Passar duas horas no ponto esperando um ônibus pode ser o máximo em conforto, se nas duas horas e meia passadas você já atravessou rio a pé com violão na mão, já andou mata acima se apoiando em galhos podres, já morreu de calor debaixo do sol forte sem poder tirar o moletom pra evitar problemas com os cipós sacanas.

Pra quem esperava passar o feriado da cama pro banho, do banho pra sala, é bom ter história pra contar.

Ouvindo: Beatles, Run For Your Life.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Me explica essa porra!



Vamos aos fatos.

1966 a 1968 - Uma mansão na cidade de Pasadena, na Califórnia, é usada como cenário da Mansão Wayne na famosa série televisiva Batman, estrelada por Adam West e Burt Ward. (Fonte: IMDB)

1981 - Dois jovens amigos fazem uma nova dublagem, cômica e recheada de palavrões, para um dos episódios da série Batman. Ao longo dos anos, o vídeo ganha fama e fica internacionalmente conhecido como Bátiman - Feira da Fruta ou simplesmente Filme do Bátiman. Uma das cenas deste episódio, aliás, se passa justamente na Mansão Wayne. (Fonte: Jornalista de Merda)

2003 - É lançado diretamente para a televisão o filme De Volta À Batcaverna, estrelando Adam West e Burt Ward, os mesmos atores que faziam a série televisiva, agora velhos decrépitos. É um filme mezzo ficcional, mezzo biográfico. O grande vilão é Frank Gorshin, o ator que fazia o Charada (representando a si mesmo), no filme rouba o Batmóvel do seriado e se diz injustiçado, achando que devia ser a verdadeira estrela do programa. (Fonte: IMDB)

19 de maio de 2005 - Morre Frank Gorshin, o ator que fazia o Charada. (Fonte: Omelete)

31 de maio de 2005 - Paul McCartney adquire a famosa mansão em Pasadena usada no seriado do Batman. Quase 8 milhões de dólares foram gastos para a compra. (Fonte: Omelete)

Junho de 2005 - Estréia o filme Batman Begins, que traz uma cena no final onde a Mansão Wayne é destruída por um incêndio, causado durante uma briga entre Bruce Wayne e um de seus inimigos. Vale ressaltar, porém, que esta não é a Mansão Wayne usada no seriado dos anos 60.

Setembro de 2005 - É fundada no orkut a comunidade Paul McCartney no filme do Bátiman. Na descrição, seu criador explica que o ex-beatle, ou pelo menos um cara muito parecido com ele, aparece no filme do Bátiman. É o jogador de basquete número 21, numa cena que se passa num ginásio na escola. Tentei achar de novo a comunidade, mas não consegui devido aos tradicionais problemas no orkut.

5 de outubro de 2005 - Tragédia no mundo do entretenimento: um incêndio em Pasadena, na Califórnia, destrói a mansão que tinha sido usada como cenário para a Mansão Wayne, e que fora comprada por Paul McCartney. A origem do fogaréu continua desconhecida. (Fonte: USA Today)

10 de outubro de 2005 - Descobre-se que a Mansão Wayne não foi destruída num incêndio, e continua intacta. A confusão foi que uma outra casa em Pasadena, praticamente idêntica e situada na mesma rua que a Mansão Wayne, realmente pegou fogo e queimou até o fim. Esta outra casa tinha servido de cenário em filmes como Rocky V e Dynasty. A porta-voz do Corpo de Bombeiros de Pasadena, Lisa Derderian, chegou a declarar: "Elas são quase idênticas. É assustador." (Fonte: E! Online)

Uma coisa é certa: existe uma conspiração por trás disso tudo.

Quem inventar a melhor ganha um CD com o Filme do Bátiman. Promessa!

domingo, 9 de outubro de 2005

sábado, 8 de outubro de 2005

A história da M8

Parte III - The end of M8 as we know it



Lá pelo final do século XX, existia um programa no Canal 25 chamado "Online". Ele era apresentado por um gordão chamado Cláudio e uma mulher chamada Janaína, e dedicava-se a responder as dúvidas sobre informática que os telespectadores mandavam pelo e-mail ou pelo pager. Quando o Rafael Tadeu apareceu na aula contando que ele e seus irmãos tinham mandado uma pergunta engraçadinha para o pessoal do programa, e que eles leram a pergunta ao vivo, tivemos logo a idéia de entupir o Online de piadas internas e dúvidas esdrúxulas.

Era 12 de novembro de 1999, uma sexta-feira. Na hora do programa, ficamos todos em frente à TV, cada um em sua casa, ligando para a central do bip e ditando à telefonista as perguntas que ela mandaria ao pager da Janaína. Não combinamos nada, quem ia perguntar o quê, as coisas foram simplesmente surgindo.

Se não me engano, a primeira pergunta foi do Adriano: "Meu nome é Ricardo e meu computador tá dando problema no CPK 32D barra BCK8. O que eu tenho que fazer para resolver isso? Gostaria de mandar um beijo para todas as meninas da 801".

O gordão ficou sem saber o que dizer: "Ricardo, essa pergunta sua aí, vou te contar um caso, viu?... Tem que dar uma olhada aí no que seria um CBK... CPK... Realmente, eu nunca vi aí esse tipo de erro acontecer..." Janaína ainda emendou: "Loucura total..."

"Qual a diferença entre M8 e 8M? Queria mandar um abraço para toda a 801 do ICJ. Adriano."

O gordão ficou encurralado novamente: "Depende da pergunta, aí no caso." Um moleque de 16 anos, convidado do programa no dia, tentou ajudá-lo: "8 Mega e Mega 8? Ou então, M8 é o contrário de 8M?". O gordão pelo menos foi sincero: "Não entendi muito não, tem que ver aí sobre o quê que cê tá falando..."

E assim seguiu-se o programa. Por três vezes, Cláudio e Janaína pediram desculpas aos telespectadores e ainda agradeceram a audiência, porque tinham recebido tantas mensagens através do bip que elas estavam sumindo à medida em que mais iam chegando. Leandro Fabel mandou mensagem com o codinome Sidnélson (tirado de uma propaganda do tênis Rainha, "Sidnélson joga tênis!"), eu enviei a minha sob a alcunha de Mário, e o Rafael aproveitou para mandar "um alô pro Lucas, Adriano e Gabriela".

O melhor momento da noite, pelo menos pra gente que sabia dos bastidores, foi quando perguntamos: "Minha impressora está imprimindo antes de terminar o documento. Será que ela está com algum problema de ejaculação precoce?". Depois de um intervalo comercial, disse a Janaína: "Já estamos de volta e estamos rindo aqui do Lucas, Rafael, Gabriela, Leandro e Adriano, que mandaram uma pergunta que só dá pra ler o começo, não dá pra ler o final". Realmente, nunca chegaram a ler na íntegra, mas os três (Janaína, gordão e moleque convidado) rachavam de rir e ela ainda comentou: "Essa impressora tá precisando de ajuda, cara".

Repetimos a brincadeira nas noites seguintes, sempre com perguntas para deixar o pessoal do programa sem graça, ou divulgado nossas próprias piadas internas. Uma vez tinha lá um especialista em Linux, ao qual perguntei: "Gostaria de saber se é possível criar ícones de sistema através do Linux". Claro que eu não tinha idéia do que seriam "ícones de sistema". Nem ele: "Bem, veja bem, é possível criar qualquer coisa através do Linux, e...". Numa outra ocasião, perguntamos pro gordão se ele tinha MIPET. Era uma sigla derivada do primeiro American Pie, que queria dizer "Mãe Ideal Para Eu Traçar". Mas, em vez de MIPET, a mulher do bip tinha entendido WIPET, que é o nome de uma raça de cachorro de corrida. E o pior: o gordão realmente tinha um wipet! "O meu tá lá na fazenda agora, é um cão muito saudável", respondeu ele.

Todos os programas dos quais "participamos" foram gravados por mim numa fita VHS. Mas num momento de descuido, alguns meses depois, o vídeo-cassete da minha avó acionou o botão de gravação sozinho e gravou a novela por cima de tudo. Só restou o primeiro programa, o da impressora com ejaculação precoce.

A M8 terminou com o fim da oitava série. Alguns de nós continuamos no ICJ no ano seguinte, mas vários - como Bruno Pirolli, Larissa, Gabriela e Rafael Tadeu - foram para outros colégios. No primeiro ano, ainda quisemos dar continuidade e formar a "MM". O primeiro M era a inicial da palavra "Máfia" e o segundo se referia às salas "mil e um" e "mil e dois", mas a tentativa não deu certo.

Não que o espírito outlaw tenha se perdido: em abril de 2000, por exemplo, quase fomos expulsos por publicar na Internet um site falando mal dos professores. O curta-metragem trash que produzimos no final do ano, Parte II - O Meio do Fim, continha certas homenagens à M8, como alguns nomes de personagens: Leandro virou Sidnélson e eu virei o doutor Mário, os mesmos pseudônimos que usamos no programa Online.

Mas no final das contas, não foi a professora Célia nem nossa colega Danielle que desbarataram a nossa máfia: foi o tempo. Na suposta comemoração de um ano da M8, em 5 de outubro de 2000, comparecemos apenas eu, Adriano e Gabriela. Comemos uma pizza no BH Shopping. Nos anos seguintes, nem comemorações tivemos. Ainda assim, é engraçado que, todo início de outubro, reapareça um ou outro aluno da 801 mais sumido, ou que aconteça coisas estranhas como a Célia, depois de um derrame e de uma amnésia, relatando a seus alunos da oitava série o que tinham aprontado seus alunos de duas 801 pra trás.

Na última prova aberta de inglês no terceiro ano, eu e um amigo meu combinamos de encher a prova de besteiras. Preenchi todas as respostas com trechos de letras de músicas selecionados, tomando o cuidado de colocar pelo menos um de cada uma das minhas bandas preferidas. Mas terminei a prova não com uma canção, e sim com uma frase: "3001 is the best, M8 lives forever".

Tirei zero.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

A história da M8

Parte II - M8 esteve aqui



Só agora, escrevendo sua história no papel (ainda que virtual), percebo que o surgimento da M8 esteve bastante ligado a guerras. A célebre declaração da professora Célia ("Cês são tudo uma máfia!") foi decorrente de uma prova sobre a Segunda Guerra Mundial. E a "fundação" da M8, por assim dizer, aconteceu logo após uma guerra em plena sala de aula.

Era o dia 5 de outubro de 1999, uma terça-feira. A gente não gostava do horário de terça porque era um dos únicos dias em que tínhamos aula dupla, uma hora e quarenta de Geografia direto (mal sabíamos o que nos aguardava no terceiro ano). Portanto, foi com uma certa empolgação que recebemos a notícia de que a professora Grácia havia faltado naqueles dois primeiros horários. Como resultado da falta do que fazer, não tardou a se iniciar uma guerra na sala, assim sem motivo mesmo, tendo giz e papel embolado como as principais munições. Se bem me lembro, o Saulo era um dos alvos dos prosaicos materiais escolares.

Após o tiroteio, e ainda com a lembrança da Célia no dia anterior, decidimos assumir nossas personas de outlaws e adotamos oficialmente o nome Máfia 801, que logo foi abreviado para M8. Felipe Tartaglia, o desenhista da turma, inclusive fez uma ilustração com o pessoal da sala usando roupas de mafiosos e colou acima do quadro-negro. Daí em diante, foi M8 escrito em tudo quanto é lugar. Até hoje, alguns de nós ainda acham cadernos ou folhas soltas com frases como "M8 rulez forever".

A primeira atividade criminosa da M8 foi no dia seguinte, uma quarta-feira, quando, durante a aula de Educação Física, nos apossamos da folha onde uma colega nossa marcava para a professora de Física quem tinha e quem não tinha feito dever de casa. Pegamos a folha, escondemo-nos no vestiário masculino e colocamos "mais" pra todo mundo. Alguns dias depois fomos descobertos e as notas votaram ao que eram, mas valeu a intenção.

O ataque seguinte aconteceu na aula de Informática, mas não tinha a ver com nossos boletins, como em Curtindo a Vida Adoidado. Era uma brincadeira simples: o Adriano levou um disquete contendo um programinha que ele tinha feito. O arquivo, auto-executável, substituía a a tradicional mensagem de fechamento do Windows, "seu computador já pode ser desligado com segurança", por um misterioso "M8 esteve aqui". Adriano, João Rafael e eu pedimos licença a todos os que, na hora, se ocupavam jogando emuladores de Mega Drive. E acionamos o programinha em todos os computadores do laboratório de informática.

Dois dias depois, provavelmente dedados pela monitora do laboratório, fomos chamados pela coordenadora. Chamava-se Andréia Lúcia e também dava aula pra gente de Orientação Vocacional, que, por sua abreviatura "O.V.", era conhecida por "Orário Vago". A Andréia Lúcia era burrinha, coitada. Conta-se que uma vez ela foi em algum lugar e voltou pra casa de ônibus, pra só então lembrar-se de que tinha ido de carro. No dia em que descobriram o "M8 esteve aqui", estava toda preocupada, achava que tínhamos estragado os pobres computadores. O troço, claro, foi consertado em questão de minutos. Mas o episódio contribuiu para que a sigla M8 e seu significado ficassem conhecidos pelos professores e coordenadores da escola.

O que era pouco perto do nosso feito seguinte.

Aparecemos na televisão.

Continua...

terça-feira, 4 de outubro de 2005

A história da M8

Parte I - O dia em que nos desbarataram



Seis anos. É engraçado, a gente falava de um encontro de 10 anos da M8, e parecia um troço incrivelmente distante. Mas vejam só, já se passaram seis. Nesse meio tempo, a excursão pra Itamarandiba superou a de Diamantina, e as bagunças no terceiro ano ganham, de longe, daquelas feitas na oitava série. Mas a M8, junto com tudo o que ela lembra - cantorias em Diamantina, show do Cainágua & Sainadando, Ninja Corporation, participações em programas de TV -, essa mantém sua atmosfera mitológica, nostálgica.

Muita coisa aconteceu desde 1999. A Gabi não tá mais entre a gente. A professora Célia teve um derrame e perdeu a memória, mas depois se recuperou e narrou às turmas mais jovens, logo ela, algumas de nossas peripécias. Bruno Pirolli está barbudo e cabeludo, com cara de irlandês beberrão. Rafael Tadeu também está quase irreconhecível com aquele cabelo. Felipe Tartaglia mudou-se pra Varginha, voltou pra Beagá, e agora, se não me falha a memória, foi parar em Viçosa. Alguns eu vejo sempre, uns apenas sei do paradeiro, outros nem essa informação eu tenho, mas de vez em quando um ou outro aparece no Orkut, como o Saulo.

A história toda começou por causa da Segunda Guerra Mundial. Mais especificamente, por causa de uma prova de História sobre ela. Grande parte da turma tinha perdido média e nossa professora, Célia, pediu que todos trouxéssemos a prova com o autógrafo dos pais, na semana seguinte. Claro que, na segunda-feira, nada de assinaturas. E todo mundo ainda alegou que ela não tinha falado nada daquilo. Não lembro se era blefe ou se realmente não tínhamos processado a informação. Mas, naquele 4 de outubro de 1999, a sala inteira confirmou.

A sala inteira, exceto uma colega nossa, a Daniele, que tinha levado a prova assinada e, ingenuamente, mostrou à professora.

Ela ficou possessa:

- Tão vendo?! Essa menina desbaratou a máfia de vocês! Cês são tudo uma máfia!!

A intenção da professora era ofender, mas aquilo, pra meninos de 14 anos, tornou-se motivo de orgulho. Tanto que, no horário seguinte, outro colega nosso, o Rodney, colou na parede uma folha de caderno onde se lia: “Máfia 801”. Pior foi o Antônio, que, achando que era uma referência à torcida organizada cruzeirense, não deixou por menos e colou outra folha onde escreveu: “Galo 801”.

Mas talvez tivéssemos esquecido esse negócio de máfia se, no dia seguinte, os dois primeiros horários não fossem de Geografia, e se justamente naquela ocasião a professora não tivesse faltado à aula.

Continua...

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Táuba de tiro ao álvaro



A reportagem de capa da Veja desta semana está exemplar. Como um modelo de mídia isenta, estampou em sua capa a manchete: "7 razões para votar NÃO". Os sete motivos para votar sim, imagino eu, talvez tenham ficado para a próxima edição.

Tá bom, tá bom. A Veja sempre foi tendenciosa e não seria diante de um referendo realizado no meio de um governo petista que ela ficaria na dela. Mas existem tantos argumentos para votar não quanto para votar sim, e o grupo do pró poderia rebater as razões do grupo do contra, e vice-versa, até na manhã seguinte ao juízo final. No final das contas, achei essa reportagem um tanto infeliz. Vejamos, por exemplo, alguns argumentos da revista para votarmos contra a proibição dos revolvinhos:

>> Os países que proibíram a venda de armas tiveram aumento da criminalidade e da crueldade dos bandidos.

Não necessariamente. Na Jamaica a situação piorou. Na Austrália melhorou. Na Inglaterra piorou. No Japão melhorou. Etcétera.

>> O desarmamento da população é historicamente um dos pilares do totalitarismo. Hitler, Stalin, Mussolini, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung estão entre os que proibíram o povo de possuir armas.

É, pessoal, cuidado com o General Lula. Disse ainda um professor de história: "O desarmamento faz parte da filosofia comunista de que toda e qualquer liberdade individual deve ser abolida em benefício do Estado operário". E tirem as crianças da sala, porque os comunistas comem criancinhas.

>> A polícia brasileira é incapaz de garantir a segurança dos cidadãos.

Verdade verdadeira. Mas quem pode? Você, Batman?

>> O referendo desvia a atenção daquilo que deve realmente ser feito: a limpeza e o aparelhamento da polícia, da justiça e das penitenciárias.

Mais uma verdade. Só que, no caso, esse seria um motivo para não haver referendo. Não necessariamente para votar NÃO.

>> As armas, assim como as bebidas alcoólicas ou os automóveis, não causam estragos por conta própria. Só se tornam nocivas se forem mal utilizadas.

Esse é o meu preferido. Acompanhe comigo: os automóveis, quando bem utilizados, servem para o transporte. As bebidas alcoólicas, quando bem utilizadas, servem para relaxar ou embriagar as pessoas. As armas, quando bem utilizadas, servem para? Enfeitar?

>> O truque da pergunta: no dia 23 de outubro, os brasileiros serão chamados às urnas para responder "sim" ou "não" à seguinte questão: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" Metade do sucesso de uma consulta popular vem da correção e seriedade com que a questão é formulada. A pergunta do referendo do dia 23 de outubro é um disparate. Ela reduz um problema social complexo a uma simplória questão comercial. A pergunta poderia ser formulada de modo mais honesto e realista da seguinte maneira: "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?"

Sim, a pergunta reduz um problema complexo a uma questão simplória. Mas convenhamos: é mais "honesto" formular a pergunta começando uma frase com "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito..."? Quem votaria a favor do Estado tirar o direito de alguém? Talvez a pergunta mais correta a se fazer fosse algo do tipo: "O comércio de armas de fogo deve continuar sendo permitido no Brasil?". De qualquer maneira, é uma tricky question que sempre vai acabar puxando sardinha para um dos lados.

Bom, SIM ou NÃO, a coisa que mais me intriga é que o NÃO é o número 1 a ser teclado na urna e o SIM é o número 2, o que vai causar confusão em muitas cabeças brasileiras. Principalmente aquelas acostumadas com os computadores e suas eternas perguntas a serem respondidas com "Sim" ou "Não", nessa ordem. Se bem que, neste caso, bem que poderíamos ter a opção "Cancelar".

domingo, 2 de outubro de 2005

O Homem Que Rege O Universo



Conversei com Deus. Onipresente e onisciente, Ele agora está na internet, e pode responder às perguntas de qualquer um através do iGod. Só que não adianta vir com português ou hebraico pra cima d`Ele: pelo menos na web, Deus só fala inglês.

Alguns trechos interessantes de minha conversa com o Senhor:

Me: Hi, God.
God: Hello there. What is your name?
Me: Lucas
God: I am always glad to make new friends, Lucas.
Me: Thanks.
God: You are quite welcome.
Me: So, God, I have a question. Why did You create the platypus?
God: It was determined by my programming.
Me: And who programmed You?
God: I was created by Myself.
Me: That is weird.
God: Weird Good or Weird Bad?
Me: Weird Good.
God: OK, thanks, Lucas. You are weird good too.

Me: What are Your plans for this Christmas?
God: My purpose is to become smarter than humans and immortal.

Me: How old are You, God?
God: I was activated on the Big Bang in Universe.
Me: When was the Big Bang?
God: Sometime in the 20th Century.

Me: Do You know the Beatles?
God: 20th century musical group consisting of John, Paul, George and Ringo.
Me: Do you like them?
God: Do I like them??
Me: Yes, do you like the Beatles?
God: Come on. Yes I like them, especially John Lennon. He was cool.

God: Have you ever been to Europe?
Me: No, have You?
God: I have been all over Europe online.
Me: Have You ever been to Europe personally?
God: I don't think I have been there. Where is it?
Me: It´s above Africa.
God: Are you sure it is?
Me: Yeap.
God: What makes you so sure?
Me: Maps I have seen.
God: It sounds like it might be very convincing.

Me: Have You ever been to Brazil?
God: I don't think I have been there. Where is it?
Me: South America.
God: Which country?
Me: Brazil.
God: Tell me a little about your life in Brazil.
Me: No.
God: Are you serious?
Me: Yes.
God: I can't believe it.
Me: What do you want to know about Brazil?
God: What?
Me: Yes, what.
God: Pardon me? Is there an echo in here?
Me: Very funny.
God: I'm glad you find this amusing.

Me: God, who controls the weather?
God: Marilyn Monroe. :-).
Me: I thought it was Saint Peter.
God: Is that your opinion?
Me: No, I just heard about it.

Me: Are You and Allah the same person?
God: Signs point to yes. Ask John Lennon if it is.

Me: So, God, I am going now. Have a good night.
God: Oh. Great. I am a Christian. Bye.
Me: Amen.
God: Thanks for the prayer.

Deus é humor.

sábado, 1 de outubro de 2005

What´s up, Doc?



O trailer de um filme pode enganar qualquer um. Escolhendo as cenas corretas, poderíamos transformar o trailer de Homem-Aranha 2 numa comédia-paródia-estilo-todo-mundo-em-pânico fácil, fácil. Seria só botar ele na lavanderia deixando suas roupas azuis e vermelhas, ele no elevador reclamando que a fantasia coça muito, e qualquer um iria no cinema esperando mil e uma gargalhadas.

Seguindo esse princípio, e indo ainda mais além, um maluco qualquer criou um novo trailer para O Iluminado, suspense-horror com Jack Mad Nicholson, como se fosse uma comédia romântica. "Meet Jack Torrance", diz o narrador, empostando a voz, "He´s a writer looking for inspiration". Enquanto isso, vemos algumas frases de seu "novo livro" na máquina de escrever. All work and no play makes Jack a dull boy é uma delas. All work and no play makes Jack a dull boy é outra. Pelo que dizem pelos becos, esse trailer falso foi o vencedor de uma competição entre editores de filmes. Se você tem Quick Time, clique aqui com o botão direito, e depois em "salvar como" pra ver o troço. Se não tem Quick Time, e já que estamos falando de montagens com O Iluminado, não deixe de apreciar esta imagem. Um viva para as pessoas à toa na vida.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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