quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Próxima edição

O apartamento ficou pequeno pro tanto de tralhas que veio da casa do meu pai. Minha coleção de revistas em quadrinhos, encaixotada já há algum tempo, entrou na dança e foi obrigada a ser desmembrada, coitada. A maior parte delas eu tinha juntado entre 1997 e 2000, e doei pra uma colega minha cuja família é toda comics-addict. Mantive apenas o filé da coleção: Batman: o Cavaleiro das Trevas, Watchmen, V de Vingança, obras que ultrapassam a bobajada maniqueísta que permeia boa parte dos quadrinhos americanos, e que tão cedo não penso em passar pra frente. O bom foi que, com a necessidade de reabrir as caixas empoeiradas com as revistas, me voltou a vontade de reler várias daquelas histórias. 2005 marcou, portanto, minha volta ao mundo dos quadrinhos. Mas não que eu tenha retornado completamente: afinal, das HQs realmente inéditas que li durante este ano, a grande maioria eu peguei emprestado.

Um top 5 sem posições:



Sin City - A Dama Fatal

Fosse um tempo atrás eu precisaria explicar que não, não se trata de uma versão quadrinística do clássico joguinho de computador. O status e a fama das histórias de Frank Miller aumentou bastante depois do lançamento do filme, Sin City - a Cidade do Pecado, a mais fiel adaptação de HQ de todos os tempos, e um dos melhores filmes do ano. Esse A Dama Fatal tem como personagem principal o detetive Dwight (que também protagoniza uma das histórias do filme), que se vê às voltas com uma ex-namorada. Será a história-base para o próximo Sin City a ser lançado nos cinemas. Aguardamos ansiosamente.



Superman - Entre a Foice e o Martelo

Uma premissa interessantíssima: o que aconteceria se a nave do Super-Homem não tivesse caído numa cidadezinha estadunidense, mas num vilarejo na União Soviética? Em três edições, passamos por um Clark Kent comunista, um Batman revolucionário, um Super-Homem que sucede Stálin e um Lex Luthor fodaço, mais inteligente que nunca. Além do final mais surpreendente que vi numa HQ em muito tempo.



1602

Outra que tem um cunho histórico: como seria se os heróis da Marvel vivessem na Europa pós-medieval? A trama se passa, como se poderia imaginar, no ano de 1602. Capitão América é um indiozão do Novo Mundo. Magneto é um inquisidor. Demolidor é um trovador cego, e por aí vai. É muito divertido ficar caçando quem é quem na história - e na História, já que alguns notórios reis e rainhas também dão as caras (e as coroas).



Asilo Arkham

Uma espécie de "Alice no País das Maravilhas" malucão. Os criminosos do Asilo Arkham tomam conta do manicômio e exigem a presença do Batman ("O Bátima!!!!") no local pra soltar a galera. Diálogos ora engraçadíssimos, ora perturbadores, totalmente insanos. Sem falar nos vilões do Batman, que sempre roubam a cena.



MAUS

Meu novo xodó da coleção. Fiquei esperando anos pra comprar, simplesmente porque a edição em português estava esgotada no mercado. Parece um livro, são quase 300 páginas de narrativa bem bolada, metalinguagens adequadas e um relato fiel da Polônia durante a Segunda Guerra e os campos de concentração, especialmente Auschwitz, onde esteve o pai do autor. Art Spiegelman, roteirista e desenhista, retrata os judeus como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cães, tornando tudo ainda mais interessante. Não é à toa que essa foi a única história em quadrinhos a ganhar um Pulitzer.

Se você se interessou por alguma dessas revistas, faça como eu: peça pro Silveira!

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Formigoogle



Um dia, contaremos aos nossos netos como começou. Eles rirão da nossa cara e espalharão aos amiguinhos da escola o que disseram seus avós gagás: que, nos primórdios, tudo era apenas um simples site de busca. Simples mesmo: uma janelinha pra você escrever o que quer, um botãozinho de "search" e o logotipo lá em cima, inocente, sem aparentar a mínima pretensão de dominação mundial: Google.

Cinco anos depois, todos já conhecem os evidentes sinais dessa conquista iminente. Um site de busca que, em poucos meses, desbancou potências internéticas como o Cadê e o Altavista. Que tem uma popularidade tão grande que acabou gerando o provérbio: "Se não tem no Google, não existe". Donos do Orkut, que tem acesso a informações personalíssimas sobre milhões de pessoas. Donos do Gmail, que armazena (e investiga?) informações mais personalíssimas ainda sobre milhões de pessoas. Donos do Google Earth, o famoso olho que tudo vê (de onde é isso, hein?). E isso é o só que vêm a público.

Digo isso porque, segundo consta, o próximo ataque googliano é no mundo da biologia. A notícia beira o absurdo: um cientista decidiu batizar uma formiga de Proceratium google em homenagem ao site, depois de ter ficado "impressionado" com a ajuda que recebeu dos funcionários do Google Earth. Ahãn. E por quanto molharam a mão dele pra fazer isso?

Pensa bem. Um nome de batismo de um bicho é algo que fica pra sempre nos anais da ciência. Uma coisa é chamar uma macaca de Lucy por causa dos Bítous. Outra coisa é eternizar uma marca numa coitada de uma formiguinha. Hmm... coitado? Não sabemos. Se qualquer dia desses começar em Madagascar uma praga avassaladora de formigas, já sabemos quem está por trás de tudo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Las hay



A sessão era domingo às 9 da noite, e ainda assim tivemos que chegar à fila com uma hora de antecedência e esperar a boa vontade do pessoal do Pátio em abrir a sala pra gente. Uma fauna comum para uma sessão noturna dominical, mas estranhamente maior de idade para um filme sobre um menino bruxo de 14 anos de idade. Ao meu lado, um casal lia A Cizânia, um dos melhores álbuns do Asterix. Um tanto contrastante com o público da primeira vez que fui ver um Harry Potter no cinema. Foi em novembro de 2001, quando estreou Harry Potter e a Pedra Filosofal. Na época eu tinha acabado de ler o livro, e achei o filme um trailer grande, que tentava dar ênfase às cenas de ação ou de magia sem se aprofundar em nada nos personagens. Até hoje não revi pra tentar tirar a má impressão. Na ocasião, o cinema estava lotado como esteve ontem, mas majoritariamente por criancinhas felizes acompanhadas de seus papais. O primeiro menino da fila usava uma capa preta como a do Harry. Desde então, tenho assistido a todos os filmes da série no cinema. Quando estávamos no terceiro ano, por exemplo, matamos aula e escapamos da escola para ver Harry Potter e a Câmara Secreta no BH Shopping. Quanta subversão.

Também não perdi um livro, desde que peguei o primeiro emprestado com minha prima. Os dois primeiros são, sim, bem destinados ao público infantil, com seus unicórnios e varinhas mágicas e filhotes de dragões e cachorros de vinte cabeças, mas a partir do terceiro volume, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (cujo título supostamente deu origem ao nome dessa banda), as tramas começam a ficar mais intrincadas e complexas. Algo como um Código da Vinci com retratos falantes no lugar da Mona Lisa. E, afinal, não é qualquer criança que se aventura a ler um calhamaço de 500 páginas.

Harry Potter e o Cálice de Fogo, a película, foi o episódio que mais me agradou até agora. É a melhor adaptação: competente e objetiva, lima muita gordura inútil (e essa história só perde em gordura inútil para o quinto episódio). Como filme em si, no entanto, nenhum Harry Potter se sustenta sozinho. Não como outros exemplos recentes, sendo a Trilogia do Anel a primeira e mais óbvia lembrança. Quem não leu os livros sai do cinema cheio de dúvidas sobre os detalhezinhos que o roteirista e o diretor preferiram passar batido, para dar mais destaque às seqüências de ação (muito boas, aliás) ou ao Baile de Inverno da escola (que por increça que parível, é muito boa também). Principalmente numa história como essa, repleta de revelações finais talvez não tão bombásticas quanto as do Shayamalan, porém mais complexas. No terceiro filme, fiquei especialmente frustrado com a tal cena das revelações, às quais o livro dedicava capítulos e capítulos, e que no filme vimos apenas uma pincelada. Não sei se é porque já faz quatro anos desde que li Cálice de Fogo, então só lembrava do essencial da história, e é o essencial que está ali nas telas, mas curti esse quarto episódio um pouco mais que os anteriores.

Top 4 Harry Potter 4:

>> Hermione. (Ei, ela já tem uns 15 anos!)
>> Mad-Eye Moody e seu olho que tudo vê.
>> As francesinhas de Beauxbatons, embora não tenhamos visto debaixo do braço delas.
>> Voldemort. Seguindo a tradição de Coringa e Darth Vader, o vilão do filme é mil vezes mais legal que o herói.

Bottom 4 Harry Potter 4:

>> Daniel Radcliffe (o personagem-título), cada vez atuando pior.
>> A quase insignificante participação de Sirius Black.
>> A falta de um jogo em si da Copa do Mundo de Quadribol.
>> O final "otimista até demais". Será que todo filme vai ser sempre assim?

domingo, 27 de novembro de 2005

sábado, 26 de novembro de 2005

Aqui jazz



A Rádio Biselho hoje traz um especial jazz pra gente relembrar os good and old times em que não éramos nem nascidos. Cantores da Era de Ouro dividem o espaço com trilhas de cinema e covers insólitos. Algumas foram tiradas duns discos do meu avô que peguei emprestado outro dia (Nat King Cole, Ray Charles, Sammy Davis Jr, Louis Armstrong, Billie Holiday, Aretha Franklin). Outras tirei duma coleção de cds que comprei em Mackay chamada Summer Jazz (Peggy Lee, Ella Fitzgerald, Quincy Jones, Tony Bennett). As peças mais avulsas dessa coleção ficam por conta das trilhas de filmes - duas de Chicago, uma cantada por Renné Zellweger (quem pronunciar corretamente o nome dela ganha um brinde) e a outra composta por Danny Elfman, o cara que fez a musiquinha dos Simpsons e a trilha de Edward Mãos-de-Tesoura, e o incrível tema de Os Incríveis - e os tais covers inusitados, um dos Beatles (tocado por uma banda cujo nome desconheço) e um de Ozzy Osbourne (!!). Caso não consiga ler as letrinhas miúdas ali do lado, segue aqui a lista das canções:

01) Nat King Cole - Straighten Up And Fly Right
02) Peggy Lee - Let There Be Love
03) Ella Fitzgerald - It´s Only A Paper Moon
04) Quincy Jones - Take Five
05) Ray Charles - Georgia On My Mind
06) Sammy Davis Jr - Please Don´t Talk About Me When I´m Gone
07) Louis Armstrong - It´s Been A Long, Long Time
08) Tony Bennett - Jeepers Creepers
09) Renné Zellweger - Roxie
10) Danny Elfman - Roxie´s Suite
11) Billie Holiday - Blue Moon
12) Aretha Franklin - Don´t Cry, Baby
13) Michael Giacchino - The Incredits
14) Beatles Jazz Cover - When I´m 64
15) Pat Boone - Crazy Train

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

It´s the end of Liberty Square as we know it



Outro dia sonhei que um meteoro ia cair em Beagá. Pisei pra fora de casa e logo vi aquela pedrona vindo em nossa direção, assim meio parada no ar. Lembro que fiquei puto, porque se fosse nos Estados Unidos o pessoal ia correr pra usar raios laser e o escambau, mas em Beagá ninguém ligava. Nem os noticiários falavam nada do desastre iminente. Corri para o computador e dei os últimos adeuses (adeuses?) pro pessoal, antes de desligá-lo adequadamente e me preparar para o impacto.

O que poucos sabem, porque o governo tenta esconder, é que não faz muito tempo que caiu uns dois meteoros em Belo Horizonte. Na Praça da Liberdade, mais precisamente. Felizmente, temos registros visuais incontestáveis do ocorrido, e se você tiver a virtude da paciência e conseguir aguardar o download dos 13 mega, não deixe ver. Só lembre de se preparar psicologicamente antes. O link é esse.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Paperback Flighter



Hoje me inscrevi no Campeonato Mundial de Aviões de Papel.

É sério. O campeonato está sendo organizado pela Red Bull e a grande final é na Áustria, em maio de 2006. Pelo visto, a Red Bull anda levando bem ao pé da letra seu slogan, "Red Bull te dá asas". Já pensou se a moda pega? Será que veríamos um concurso de receitas, pra reunir num livro as 1000 maneiras de preparar Neston?

São três categorias. Maior distância percorrida, maior tempo de vôo e melhor acrobacia. Essa última é artística, tem até júri dando sua nota, estilo saltos ornamentais. As outras duas exigem técnica apurada e habilidade manual. As folhas A4 são entregues na hora e você confecciona, ali mesmo, seu aviãozinho campeão. As provas são realizadas num galpão fechado, sem vento, e nada de tacar o troço pela janela do décimo nono andar: tem que arremessar do chão, mesmo.

Sempre fui fã de aviões de papel. Em Juiz de Fora, uma vez, fizemos aviões enormes, com folhas inteiras de jornal. Um deles quase entrou pela porta de um ônibus. Noutra ocasião, comprei um caderno que tinha, na capa, umas instruções de montagem de aviõezinhos. Eu e meu primo fizemos um monte e passamos horas na rua cronometrando o tempo de permanência deles no ar. O recorde daquele dia foi meu: seis segundos e sessenta e dois centésimos.

Vou precisar de uma engenharia papélica muito mais avançada se quiser ser classificado em Beagá, depois em São Paulo, depois na Áustria. Na verdade, é claro que entrei nessa de zoeira mesmo, mas é bom treinar, quem sabe? No site do campeonato tem alguns links com técnicas avançadíssimas de construção de aviões de papel, é só clicar na bandeirinha do Brasil no menu da direita. Tem gente do planeta todo participando, até do Chipre (onde fica o Chipre?), até de Trinidad e Tobago. Nem sabia que os aviões de papel já tinham chegado em Trinidad e Tobago.

Nos tempos em que fazia joguinhos toscos de computador, comecei a planejar um Paper Airplane Flight Simulator, mas não foi pra frente. Não é que hoje, nessa de descobrir novos aviõezinhos, encontrei um programinha com exatamente esse mesmo nome? Entre aqui, ajuste o ângulo, a força de lançamento e a posição das asas, e comece a desenvolver, ao menos na teoria, suas habilidades nesse divertido "esporte". Como diz o clichê, dê asas à sua imaginação.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Sweet home Alabama



Considerações importantes sobre Manderlay, a continuação de Dogville:

1) Nicole Kidman deu o fora, e agora quem faz o papel da Grace é a ceguinha de A Vila. No começo demora um pouco pra ligar o rosto novo à personagem antiga. No final você não lembra mais que é a Nicole.

2) William Dafoe só faz papel de vilão. Danny Glover é sempre coadjuvante. Pelo menos aqui o ex-parceiro-do-Mel-Gibson-em-Máquina-Mortífera está melhor que em Jogos Mortais, quando "interpretou" um detetive muito do boboca.

3) Se você não viu Dogville, pode ver Manderlay que dá pra entender tranqüilo. Só que aí vai estragar a supresa no final quando você for assistir ao primeiro filme.

4) Agora, se você viu Dogville e "achou chato", passe longe.

5) O próximo e último filme da trilogia se chamará Wasington, o que nos leva a pensar: o que Lars Von Trier tem contra o H?

6) Tá passando o trailer de King Kong antes. Será que vai ter trilha do Gorillaz?

7) O Ponteio é um shopping peculiaríssimo: possui duas escadas rolantes, uma pra subir e outra pra descer - não lado ao lado como seria lógico, mas em lados opostos. E tem mais! A ordem (essa sobe, essa desce) varia de acordo com o dia da semana! É, talvez, a melhor estratégia já inventada pra fazer você andar pelo shopping.

8) Se a vida real fosse como Dogville e Manderlay e não tivesse cenário, seria muito mais fácil achar o carro no estacionamento.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Simples assim



A notícia do ano!

Polícia apreende produtos pirateados no Shopping Oiapoque!

É sério! Segundo o Estado de Minas, a operação foi planejada há seis meses, até que nesta terça-feira, pela manhã, policiais civis e militares fecharam as seis portas do shopping e apreenderam milhares de CDs, DVDs e jogos de computador. Todos pirateados!

É importante aplaudir a inteligência da polícia mineira, que passou seis meses investigando, planejando, até chegar à conclusão de que, contra todas as evidências, há sim produtos falsificados no Shopping Oi. Pensa bem: produtos piratas num troço feito pela própria prefeitura!

Estou pasmo. Então quer dizer que todos aqueles disquinhos que comprei por 2,50 eram falsos??! Nossa, mas a capinha colorida parecia tão convincente!

Será que vão me prender também?

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Contos da Krypton



Tenho até hoje aqui em casa a trilha sonora de Superman, o Filme. Em vinil. Raridade absoluta. Só o encarte, que trazia um punhado de fotos do longa-metragem, não está mais entre nós: foi comido por meu cachorro num acesso de fúria. Mas é a trilha de John Williams que interessa aqui, fantástica como sempre. John Williams é o cara. Compôs os temas de Star Wars, Indiana Jones, Tubarão, Esqueceram de Mim, Forrest Gump, E.T. e Jurassic Park. As músicas dele para o Super-Homem não ficam abaixo, tanto o conhecidíssimo tema principal quanto pérolas como "The Planet Krypton". E talvez seja este o motivo do teaser trailer do novo e ainda inédito filme do azulão, Superman Returns, ser bacana assim.

Em dezembro de 1991 eu estava em Cabo Frio, quando passou na tevê Superman IV - Em Busca da Paz. É tão ruim que nem entrou na caixa oficial dos devedês do Super-Homem, lançada recentemente. Mas, que eu me lembre, foi o primeiro longa do capa vermelha que eu vi, e gostei muito - afinal de contas, com seis anos de idade a gente não liga pra essas coisas de qualidade. De lá pra cá, assisti aos filmes com Christopher Reeve umas trocentas vezes, embora na ordem trocada: o primeiro, onde o Super roda a Terra ao contrário pra voltar no tempo (!!!), foi o último que vi, numa Sessão da Tarde da vida. E como o quarto episódio foi lançado em 1987, época em que nem Xou da Xuxa eu via direito, torna-se óbvia a afirmação de que nunca assisti a um filme do Super-Homem nos cinemas, o que me anima um pouco mais a ver esse Superman Returns ano que vem. Além do mais, a direção é do Bryan Singer, que fez os X-Men e Os Suspeitos.

Não que um diretor competente seja garantia de nada. O videozinho do teaser tem uns minutinhos, não mostra muito, só um vôozinho daqui pra lá, uma caixa de correios escrito "Kent", a fachada do Planeta Diário e uma visão do azulão (interpretado pelo ainda zé-ninguém Brandon Routh) sobrevoando a Terra. O legal mesmo são justamente os elementos dos filmes originais: a supracitada trilha sonora e a narração de Marlon Brando. Epa!, você dirá, É isso mesmo!, responderei. Brando subiu no telhado faz já um tempo, mas os espertos produtores aproveitaram que ele tinha gravado uma ponta em Superman II e usaram as cenas neste filme novo. É que na época, ele exigia participação nos lucros do filme. Agora que morreu, não tem como reclamar. Quem mandou ser ganancioso?

Para assistir o teaser:
http://supermanreturns.warnerbros.com/trailer.html

domingo, 20 de novembro de 2005

Micro-contos cúbicos



Seis desconhecidos acordam dentro de um cubo. São eles: um astronauta, um analista de sistemas, três indígenas que logo fazem uma dancinha em louvor ao teto, e um jovem de vinte e poucos anos em que é evidente o alívio de finalmente, após dias de tédio, ter assunto para escrever em seu blog.

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Seis amigos jogam War quando subitamente se vêem dentro de um dado de defesa. Um deles observa: "Pelo menos temos a vantagem do empate", e todos concordam, os ânimos revigorados para a batalha.

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Três coelhos e três coelhas acordam dentro de um cubo. Cinco dias depois um coelhinho, equilibrado sobre pilhas de seus antepassados, consegue abrir a portinhola no teto e escapa.

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Doze desconhecidos acordam dentro de um cubo. Quatro meses depois, só a dona de casa ainda sobrevive, à custa da carne dos companheiros mortos, esperando que um dia ouça a voz do Bial informando que ela ganhou um milhão de reais.

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(Ainda sob os efeitos de ter assistido a Cubo e Cubo 2 num mesmo fim-de-semana.)

sábado, 19 de novembro de 2005

Cubismo



Um gênero cinematográfico que me atrai bastante é o tal do filme claustrofóbico. Películas que se passam toda num cenário só, geralmente calcadas nos diálogos, nas interpretações e nas relações que se desenvolvem entre os personagens.

Foi pensando nisso que aluguei, esse final de semana, um "clássico" do qual só tinha ouvido falar: Cubo. Clássico é brincadeira, claro. É um suspense recente, que no Brasil nem passou pelos cinemas, e que ganhou um peculiar status de cult nos últimos tempos. A premissa é tão simples quanto bizarra: vários desconhecidos acordam presos dentro de um cubo. Entre eles encontram-se uma estudante, um policial, uma médica, um autista e um famoso ladrão. Todas as salas do cubo, também cúbicas, têm portas em cada um dos lados, que levam a outras salas cúbicas e assim por diante, até a loucura. O filme é canadense, talvez por isso tenha um pé no cinema europeu (no que se refere às relações entre os personagens, no instinto de sobrevivência e da filosofia que se pode tirar disso), mas também uma forte influência roliudiana: em dado momento, por exemplo, um dos protagonistas enlouquece e a tensão passa a ser quem sobreviverá à sua fúria insana.

O mais engraçado é que o DVD de Cubo vem como extra no DVD de sua seqüela, Cubo 2: Hipercubo. Como toda continuação, ela tem mais efeitos especiais, mais viagens, atores mais ruins e roteiro mais caótico. Dessa vez o cubo tem realidades paralelas, salas com velocidades de tempo diferentes e armadilhas que lembram menos Indiana Jones, como no primeiro, e mais O Predador. Existe ainda uma terceira parte da "história", chamada Cubo Zero. Não, obrigado, chega de cubismo por hoje. Mas aceito outro filme claustrofóbico, se tiver aí no cardápio. Alguns exemplares:

Doze Homens e Uma Sentença. (Uma sentença mesmo, não outro segredo). Meu preferido. Traz Jack Lemmon (um dos velhos rabugentos) e mais onze jurados tendo que decidir entre a culpa e a inocência de um jovem acusado de assassinato. O filme se passa inteiramente na salinha que o júri se reúne para deliberar, quase que em tempo real. É, na verdade, a refilmagem de um clássico dos anos 50, que, como quase todo clássico dos anos 50, é muito difícil de se achar nas locadoras. Portanto, conheço apenas a versão de 1997, lançada direto pra tevê, mas brilhante mesmo assim.

Festim Diabólico. Clássico hitchcockiano que se passa todo dentro de um apartamento. Na verdade, Janela Indiscreta também se passa todo dentro de um apartamento, mas como tem vários takes do exterior, ainda que pela janela, acaba sendo menos claustrofóbico que este Festim. O filme se passa em tempo real: tem um corte a cada dez minutos, que era a duração do rolo de filme na época. Conta a história de dois sujeitos que matam um colega e fazem uma festa logo em seguida, montando o bifê, inclusive, em cima do caixão onde jaz o garoto.

Jogos Mortais. Esse é meio claustrofóbico. Meio porque a história principal se passa num banheiro, com dois caras algemados tentando entender o que estão fazendo ali. Mas a trama é também recheada de bifurcações e histórias paralelas, algumas das quais acabam estragando a tensão e o filme (Danny Glover nunca esteve tão bocó). Ainda não vi o dois, que parece ser igualmente centrado num ambiente fechado. A sinopse do jornal Pampulha é bastante convidativa: "O quebra-cabeças continua num jogo, no qual um grupo de pessoas está trancado em um cativeiro. Elas são obrigadas a matar o seu próximo, um a um, enquanto um detetive, ao lado de um mórbido serial killer, tenta descobrir onde elas se encontram. Se mesmo com essa história você ainda acha que compensa assistir ao filme..."

O Quarto do Pânico. Jodie Foster trancada num bunker doméstico com a filha, enquanto ladrões assaltam sua casa (que falta faz Kevin McCallister numa hora dessas...) Passou outro dia na Tela Quente, mas fiquei com sono no meio e preferi tirar uma soneca. Mas minha mãe me mantinha atualizado: "Agora um bandido matou o outro...", "Agora ela saiu do quarto e pegou a seringa dentro da geladeira..."

Destaco ainda:

>> A cena de Kill Bill Volume 2 onde a Noiva é enterrada viva. Na verdade, etimologicamente falando, essa é a única cena realmente claustrofóbica de toda essa lista.

>> O controverso Mar Aberto. Etimologicamente falando, não é nada claustrofóbico, pois se passa, o próprio nome já diz, em mar aberto. Mas é justamente a imensidão do mar e a solidão do casal de protagonistas que nos passa essa sensação.

>> Um episódio de Friends, da primeira temporada, onde Chandler fica preso com uma garota no banco, quando um blecaute assola Nova York. Entre outras coisas, ela tenta ensiná-lo a fazer bola de chiclete. Um dia eu também gostaria de aprender.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Still haven´t found what I´m looking for



Descobri um troço tão viciante quanto ficar caçando localidades no Google Earth. É um misto de "Onde Está Wally" com "Qual É A Música" e envolve conhecimentos lingüísticos, musicais e gerais. Por incrível que pareça, não se trata de um quiz ou um joguim de computador, mas de um anúncio publicitário.

O anúncio é da gravadora Virgin e chama-se "Exercise your music muscle". À primeira vista, é apenas uma cidade muito surreal, com pessoas muito surreais e objetos mais surreais ainda. Mas aí você vê umas pedras rolando, um zepelim de chumbo, uma abóbora esmagada, e descobre que aquelas imagens bizarras têm, sim, seu sentido: representam artistas e bandas famosos. Sozinho consegui achar 27, fora os que me falaram depois, o que deve dar mais de sessenta. Entre você no site da Virgin ou clique na figura aí em cima pra ver a imagem em toda sua plenitude.

Pequena mostra (quem acertar as três primeiro ganha um brinde):

Nível fácil:



Nível intermediário:



Nível mais ou menos difícil:

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Brigadú



Legal de se ter banda é passar o carro na frente dos bois. Compor as músicas antes mesmo de aprender a tocá-las. Ou entrar como baterista sem saber diferenciar chimbal de caixa. Ou escrever os agradecimentos do disco antes de se ter canções para integrar o dito cujo. Foi o que fizemos em 1996, na pré-histórica formação da nossa banda, que na época tinha como integrantes eu e meus primos Bruno e Paula.

Pura influência dos Mamonas. Mesmo tendo já se espatifado na Serra da Cantareira, ainda estavam em evidência na época, e eram eles que serviam de modelo pra qualquer pseudo-banda de cunho engraçadinho que surgisse. A parte dos agradecimentos esdrúxulos do disco dos Mamonas tornou-se clássica, como trechos como "Ao Charles Miller (por ter trazido o futebol pro Brasil); ao Chaves e Chapolin; ao Ultraman (que matou aquele monstro horrível); à tia da escola que dava canjica na hora do recreio".

Um dia estávamos de bobeira lá em casa e começamos a pensar em qual seria o nome da nossa banda. Fizemos uma lista de sugestões estapafúrdias e depois fomos eliminando uma a uma, até restarem três finalistas:

- Banda Bunda
- Mofofô Budocô
- Trips Corrida

Para resolver o impasse, realizamos uma votação pelo telefone com alguns de nossos familiares. Venceu o "Trips Corrida". O nome perdurou: até uma fita que Bruno e eu gravamos em 1999, ao vivo na casa dele, veio com "Trips Corrida" estampado na capinha.

Nome decidido, naquela mesma tarde decidimos escrever os agradecimentos do disco - muito embora não houvesse ninguém a quem ficar realmente grato, já que o disco em si só existia na nossa imaginação. Pegamos um rolo de papel, daqueles de escrever recado de telefone, e desandamos a agradecer o pessoal. Começamos por nossos pais, avós, familiares e animais de estimação.

Daí em diante, agradecíamos a tudo e todos que vinham à lembrança: atores, atrizes, jogadores de futebol, bandas, cantores de MPB, cantores da Jovem Guarda, apresentadores de TV, super-herói, personagens da Turma da Mônica, marcas de cerveja, novelas, pilotos de fórmula 1, canais de televisão, video-games, times de futebol, shoppings, atletas que ganharam medalha nas Olimpíadas de Atlanta. Claro que agradecimentos mais pessoas também marcavam presença, como nossos professores, nossos colegas e os moradores do Edifício Everest. Em alguns adicionávamos umas gracinhas, como inserir os Trapalhões no grupo dos jogadores de futebol e incluir Bruno Mezenga e Geremias Berdinazzi nos agradecimentos aos atores.

O rolinho de papel continua guardado comigo até hoje. Está rasgado numa das pontas e manchado com algum produto de limpeza numa determinada área, mas no geral ficou bem conservado durante esses anos todos. Nove, exatamente. Sim, porque, segundo dois trechos específicos do manuscrito, somos informados da data em que aquilo foi escrito: 17 de novembro de 1996. São eles:

"Agradecemos ao Ruy e a Marilu, por deixarem Bruno e Paula na casa do Lucas no dia 17-11-96, para fazer os agradecimentos."

"Agradecemos à seleção de futebol de areia, por ganhar a Copa América, vencendo os EUA por 7 a 4, dia 17-11-96"

Outros trechos de igual valor histórico:

"Agradecemos aos Beatles, Mamonas Assassinas, Baba Cósmica, Pânico, Pato Fu, Raimundos, Kiss, Carrapicho, Companhia do Pagode, Paralamas do Sucesso, Michael Jackson, Skank, Gera Samba e Tiririca."

Essas eram praticamente todas as bandas que a gente conhecia. Pânico, diga-se, é o mesmo grupo que hoje faz grana na televisão. Na época, rolava muito o disco deles, que tinha pérolas como "Macacaralho" e "Quero Te Fu". E alguém lembra do Carrapicho? "Bate forte o tambor..."

"Agradecemos às pessoas que votaram no nome da nossa banda, Vovó Lulu, Bruno, Paula, Lucas, Scheila, André, Dindinha Zalfa, Frederico, Tio Lauro, Marilu, Ruy"

Aqui descobrimos que foram necessários 11 votos para escolher "Trips Corrida". Detalhe: Bruno, Paula e Lucas estão inclusos na lista, ou seja, agradecemos a nós mesmos.

"Agradecemos às bandas Banda Dal, Banda Bunda, BBB, DDD, The Pig Boys, Bicicleta Ergométrica, Aspirina C, Esparadrapo, Papel Giênico, Os E.T.s, Banda Cemitério, Intestino Grosso, Cubanos, Smof Pof, IBI, Sasqüet e Bunda Mole, que nunca saíram do papel."

Pode-se adivinhar que são esses os outros dezessete nomes estapafúrdios surgidos no brainstorm inicial. Se fosse hoje, acho que escolheria "Smof Pof", pela sonoridade.

"Agradecemos ao Windows 3.1, 3.0, 3.11 e Windows 95. Ao 386, 486, 586 e Pentium IBM."

Não ria, era o que de melhor havia na tecnologia da época. Embora soe esquisito agradecer alguma coisa feita pelo Bill Gates.

"Agradecemos ao pessoal do Aranha, Clarice, Alice, Moacir, Mana, Dalila, Júlia, Nícias, Luzia, Tiribinha, Jhonatas, Arnaldo, Neguinha, Daniele, Lenimar, Danilo, Diva e Fabiane (que me ensinou a jogar truco)."

O mais bizarro é que, passados nove anos, eu ainda não sei jogar truco! Mas, pelo que minha contraparte de 11 anos de idade escreveu, um dia eu soube. Com a idade, a gente esquece as coisas.

Na outra ponta do imenso rolo, o término de toda aquela baboseira: "E agradecemos às pessoas que tiveram a paciência de ler ou ouvir estes agradecimentos." Reitero aqui minhas próprias palavras e me despeço. Dia 17 de novembro de 2014, se o mundo ainda não tiver acabado, escrevo um texto homenageando esse post. Até lá e obrigado.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Still alive



Dez minutos defronte a tevê, enquanto degustava um pastel da Galeria do Ouvidor, bastaram para que eu pudesse dar meu veredicto quanto à novíssima novela das oito: tosquíssima.

A Globo é o melhor canal da televisão porque consegue se superar a cada folhetim: quando a gente acha que não dá pra vir nada pior que Senhora do Destino, vem América, e logo depois esta Belíssima. Atores tremendamente ruins (principalmente os novatos), interpretações amadoras, tramas simplórias, sotaques forçadíssimos (Tony Ramos grego? Reinaldo Janequíne mecânico?) e a manjadíssima "Você É Linda" para o tema de abertura. A criatividade global para escolher os temas de aberturas é soberba: "Como Uma Onda", do Lulu Santos, para a novela Como Uma Onda. "Soy Loco Por Ti America" para America (detalhe: Ministro Gil escreveu a canção como uma homenagem à América Latina, e neguinho bota ela como se fosse pros EUA). Saudades de "Animal arisco... domesticado, esquece o risco" e "Sou desse chão, onde o rei é peão..."

Mas um crédito merece ser dado a Belíssima, que foi o de ter ressuscitado o Jamanta. Jamanta é um dos personagens mais clássicos do telenovelismo brasileiro. Quando você pensa em Torre de Babel, qual o personagem vem à mente? Jamanta, claro. Sandrinha só ficou famosa porque explodiu o shopping. Quando me disseram que o Jamanta tava na novela, fiquei surpreso porque não lembro de ter visto o ator que fazia ele em nenhum outro lugar. Mas até aquele momento tinha achado que só o ator estava no elenco. Só ontem meu primo veio me dizer que o próprio personagem, o lendário ícone do cenário underground novelístico, tinha voltado. Num mar de gente sem talento e histórias sem pompa, é o Jamanta que vai segurar as pontas de Belíssima até o último capítulo. Isso, claro, se Silvio de Abreu não fizer como faz sempre e matar um fulano qualquer pro público ficar na agonia do mistério até os derradeiros momentos. Só espero que não culpem o Jamanta.

Observação final: Silvio de Abreu me plagiou. Provas concretas no último parágrafo deste post, de março de 2005. E um viva à presunção.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Sorte e azar



O Pato Fu plagiou a gente.

A afirmação pode parecer um tanto presunçosa e paranóica - e na verdade é mesmo -, mas não é injustificada. Vamos fingir que não aconteceu nada e tratar tudo na base da mera coincidência. Antes, porém, alguns patos, digo, fatos.

Março de 2004. Minha banda, ex-ABWNN, atual ABUNN, futura [deixe sua sugestão], gravou um cd demo batizado de 77 coisas. Ele juntou-se a uma demografia que já tinha o Y, de 2002. Reunidos, os dois disquinhos traziam dezessete canções, das quais selecionamos cinco para um cd de divulgação. Entre essas cinco estava uma chamada apenas de "?".

Abril de 2004. Num show no então Marista Hall, Adriano e Rafael (baterista e guitarrista da banda) conseguiram esticar o braço o suficiente para entregar a um roadie do supracitado Pato Fu um desses cds de divulgação. "Entrega pro John", pediram, na esperança, talvez, de que alguma divulgação realmente saísse dali. Semanas mais tarde, em outra oportunidade, os mesmos dois encontraram o baterista do Pato Fu, Xande, numa galeria na Savassi, e aproveitaram para deixar com ele mais um cd daqueles.

Meses mais tarde, encontramos o Xande novamente e perguntamos se ele tinha ouvido o cd. Ele desconversou, falou que recebia muitos cds por mês e que não tinha tempo de escutar quase nada. Estávamos em agosto de 2004, quando o Pato Fu estava na fase de composição e pré-produção de seu mais recente álbum, Toda Cura Para Todo Mal. Nós também já tínhamos começado a ensaiar para nosso terceiro demo, o ainda inédito Guiné-Bissau. Uma das primeiras músicas arranjadas e garantidas no repertório desse cd era um tema instrumental chamado "Amendoim Blues".

Passam-se os meses, vira-se o ano. O Pato Fu lança seu nonagésimo álbum e eu, farto das canções fofinhas e bonitinhas que eles vinham fazendo nos últimos anos, nem dei bola. Até que, semana passada, foi com uns amigos no Shopping Oiapoque e comprei uma leva de discos que não compraria nunca por trinta reais, mas que por dois e cinqüenta centavos são uma boa, tipo o Rappa acústico e o novo dos Paralamas. Toda Cura Para Todo Mal veio no pacote, e não é que achei o cd até legal? Destaque para a telejornalística "Boa Noite Brasil", a silábica "Uh Uh Uh La La La Ié Ié" e a losermânica "No Aeroporto".

Mas aí estava eu olhando o nome das músicas do disco quando me deparei com uma chamada "Amendoim". "Coincidência", pensei, lembrando do nosso "Amendoim Blues" instrumental. Logo depois, corri os olhos pelo resto do repertório e topei com uma "!" (que, aliás, é instrumental).

Como se não bastasse, eles agora têm um tecladista chamado Lulu Camargo - e nós, recentemente, decidimos colocar uma tecladista pra fazer umas participações especiais. A escolhida foi minha prima... Luísa Camargo. (Ninguém precisa saber que o tal Lulu Camargo já toca com eles faz uns três anos e que a Luísa nem ensaiou ainda com a gente, o que torna o "plágio" nosso, não deles.)

Lembro duma frase de um dos caras do Oasis. Acusaram ele de plagiar uma pequena banda inglesa numa de suas canções, no que ele respondeu: "Esses caras são malucos. Quando decido plagiar alguém, vou logo no David Bowie ou no Paul McCartney". Pelo visto, nem todos seguem a mesma linha de pensamento.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Eu prometo.



Esse blog funciona assim: se eu não fizer promessa e declarar, publicamente, que vou escrever todo santo dia, acabo ficando no banzo. A última promessa durou mais tempo do que eu, e muita gente, esperava. Foi interrompida num dia que o Blogger me sacaneou e resolveu fazer greve. Nos dias seguintes tentei voltar à média de um post diário, mas aí fui passar o feriado de outubro num lugar onde a água potável tinha gosto de capim e a única comunicação com o mundo lá fora eram sinais de fumaça, que dirá um laptopzinho com internet. A promessa danou-se aí, mas na contagem final vi que consegui escrever durante 41 dias seguidos, recorde absoluto, se contarmos com o fato de que, antes, o máximo que eu tinha conseguido era uns dois ou três posts direto. Parto, portanto, para uma nova promessa, e declaro aqui nestas páginas virtuais que me comprometo a escrever diariamente até o fim deste presente ano.

Pra não perder o post enchendo o coitado só com divagações bloguísticas, brindo meus caros leitores com um apanhado geral desses meus últimos dias.

>> Ontem passamos o dia na casa do meu avô, e aproveitei pra pegar uns cds emprestado. Top 5 canções do momento:

1. Aretha Franklin - Mockingbird (mais conhecida como a música que Débi & Lóide cantam no dogtruck pra irritar o gordão)
2. Sammy Davis Jr - Mr. Bojangles
3. Nat King Cole - Smile
4. Louis Armstrong - What a Wonderful World
5. Ray Charles - Georgia On My Mind

(Até agora só escutei as que conhecia. Assim que escutar os discos na íntegra faço um top 5 decente).

>> Hoje comi arroz, estrogonofe e salada no almoço. A janta caminha para um repeteco.

>> Último quadrinho lido: Batman, Asilo Arkham. Crianças, mantenham distância. Coringa passando a mão na bunda do Batman é só o começo.

>> Último filme assistido: M.A.S.H. É uma comédia dos anos 70 considerada, por muitos, como uma das melhores de todos os tempos. Não me incluo entre esses muitos, embora tenha gostado bastante do filme. Diz a Super Interessante que foi o primeiro filme roliudiano a dizer "phokkc", mas acho que estou tão acostumado que nem percebi qual foi a cena. Também demorei mais de uma hora para perceber que um dos personagens principais é o pai da Monica e do Ross em Friends. E só reconheci pela voz.

>> Último livro lido: nem lembro mais. A lista dos interrompidos pela metade, contudo, é longa. Inclui o novo do García Márquez (Memória de Minhas Putas Tristes), o terceiro Guia do Mochileiro, um livrim de bolso da Coleção Primeiros Passos chamado O Que É História e uma revistinha do Celton que comprei outro dia no sinal. Até minhas leituras estão inacabadas, vejam só. Anteontem resolvi retomar o García Márquez. Vamos ver até que página vou dessa vez.

Até amanhã, com mais notícias relevantes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Embate

vs.

Há uma escolha terrível a ser feita, que exige ponderações mil. Foi desencadeada por uma notícia que acabei de ler, e que aqui reproduzo em sua íntegra.

"U2 só para paulistas"

A banda U2 só vai fazer shows em São Paulo em 2006. Alexandre Accioly e Luís Oscar Niemeyer tentaram levar um dos shows para Minas. Mas a megaestrutura da banda impediu. O grupo toca nos dias 21 e 22 de fevereiro, no Morumbi. Notinha do O Globo.


Se houve um trecho que me entristeceu mais, foi "(...)tentaram levar um dos shows para Minas. Mas a megaestrutura da banda impediu". Tá certo, Beagá é uma roçona que só vendo, mas puxa vida, nem que o show fosse na Obra! Engraçado que hoje, na aula, a gente tava conversando justamente sobre isso, essa absurda megalomania iutchuana de querer fazer o maior espetáculo da Terra (sem falar no Bono, que claramente está tentando se tornar Deus).

Lamentações à parte, encontramo-nos na seguinte situação: há um show dos Rolling Stones no Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 2006. Três dias depois, há um show do U2 em São Paulo. (O Oasis toca em março, mas já estão descartados. Gosto muito dos primeiros discos, mas os irmãos Gallagher são chatos pra caramba e, de 2000 pra cá, não lançaram uma coisa boa, então...)

Comparecer aos dois eventos é algo que foge ao meu alcance, ainda mais depois de um Pearl Jamzinho agora em dezembro. Chegamos, portanto, ao dificílimo impasse de escolher entre Rolling Stones e U2. Aí nos deparamos com uma sucessão de argumentos, contra-argumentos, contra-contra-argumentos e afins.

A razão manda escolher os Rolling Stones. Afinal, são as maiores lendas vivas do rock´n´roll, e os caras estão tão velhinhos, coitados, que até desfibrilador têm no backstage. A certeza é praticamente absoluta de que será a última vez que virão ao Brasil.

Mas é a mesma razão que insiste em falar, ali no pé do ouvido, que show de graça em Copacabana é uma roubada sem tamanho que vai acabar em morte. Isso, porém, se não concretizar-se o boato de que haverá também um show pago, o que dá um certo peso pro lado dos Stones.

No entanto, show do U2 não é coisa assim pra se descartar logo de cara. Quem já viu os caras na tevê ou no devedê sabe, é uma produção impecável, músicas impecáveis, músicos impecáveis. Embora no quesito "banda com mais chance de vir ao Brasil de novo", o U2 esteja na frente, haja visto que Mick e seus asseclas já passaram do prazo de validade.

Mas aí vai que o U2 acaba? Sei lá, Boninho é louco, de repente resolve virar presidente, líder religioso, sei lá, e relega o rock ao segundo plano. Ou então vai que os Stones, daqui a uns dez anos, resolve finalmente fazer sua turnê de despedida (eles são como o Kiss, já fizeram trezentas turnês de despedida) e pisa de novo em terras brasileñas?

Há ainda outros quesitos importantes a serem analisados. Um dos principais, e no qual a disputa está das mais acirradas, é "show onde vou me divertir mais". Será necessário um detalhado estudo de setlists para responder a essa questão com maior profundidade teórica. Outro quesito primordial é "show mais legal de se contar pros netos". Nesse tenho a suspeita de que os Rolling Stones ganham, mas nunca se sabe quem terá maior status de lenda daqui a cinqüenta anos.

Como diria o Coringa, "e agora o quê que eu faço?"

1. Assisto gravações ao vivo dos Stones e do U2 diversas vezes, pra ter uma base de conhecimento sólida antes da decisão.
2. Escolho no papelzinho.
3. Vendo a alma ao diabo em troca de ingressos, passagem de ida e volta e hospedagem (alimentação também seria legal) e assisto a ambos os shows.
4. Espero sair o dvd pirata dos shows no Shopping Oi e vejo tudo no conforto do meu lar, comendo pipoca e rindo da galera se matando lá embaixo.
4. Espero o Paul McCartney aparecer na jogada e mando U2 e Stones às favas.
5. Vou pro Pará assistir a banda Calypso, que em termos de superprodução é melhor que as duas juntas.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Fun, fun, fun



Sim, amigos. Rádio Biselho de volta ao ar, após um hiato maior que o previsto. No programa de hoje, uma homenagem aos próximos shows que pretendo assistir, nem que pra isso venda um rim ou dois. Completam a programação bandas cujos shows assisti esse ano, mais um punhado de canções avulsas que fiquei com vontade de pôr, pra completar o número habitual de 15 músicas, que aliás nem sei de onde tirei.

01) U2 - Angel of Harlem
Desembarcam no Brésil em fevereiro, três dias depois dos Rolling Stones. Acho que vou morar no Rio por uns dias...

02) Rolling Stones - Susie Q
Falando neles, vai aí uma das antigaças. Essa toca em Apocalypse Now, que aliás vi recentemente, na cena do strip das coelhinhas da Playboy no meio dum acampamento no Vietnã.

03) Pearl Jam - Yellow Ledbetter
Ingresso comprado, meio de transporte ainda em aberto. Quem tem um jatinho pra emprestar pra gente dia 4 de dezembro?

04) Los Hermanos - Quem Sabe (ao vivo)
Visto ao vivo em outubro, resenha aqui. Ajudei a engrossar o côro de "toca Quem Sabe!", e atenderam aos anseios dos fãs no bis. Essa aqui é uma versão dos caras tocando no Bem Brasil, apresentado pelo Wandi, o Grande, integrante do saudoso Premeditando o Breque.

05) Tangos & Tragédias - Meu Erro
Visto ao vivo em setembro, resenha aqui. Maravilhosa versão da canção paralamesca.

06) Paralamas do Sucesso - O Caminho Pisado
Falando neles, hoje fui no Shopping Oiapoque e comprei o último disco do trio. Parece bacana. "O Caminho Pisado" não é do último disco, tem uns dez anos e integra o Nove Luas, um dos melhores álbuns do rock nacional e um dos mais injustiçados também, quase nunca entra nas listas. Fico indignado.

07) Skank - In(dig)Nação
Falando em indignação... Um resgate à época em que o Skank era a banda mais criativa do Brasil: gravou 3 discos usando apenas dois acordes. Melhor que hoje em dia, regravando "Vamos Fugir" ou imitando o Clube da Esquina.

08) Supergrass - Alright
Quem lembrar de que comercial era essa música ganha um brinde.

09) Beach Boys - Fun, Fun, Fun
Depois de um começo descaradamente plagiado, copiado, chupado e roubado de "Johnny B. Goode", vem uma das músicas mais divertidas dos Beach Boys (o próprio nome já diz). Conheci ela quando fui na Disney. Tinha uma banda de metais que vagava pelo Magic Kingdom, tocando e fazendo palhaçadas, que tocou essa aí num desfile de personagens da Disney. Demorei exatos 7 anos pra descobrir que melodia era aquela, e por acaso, ainda por cima.

10) Beatles - Run For Your Life
Música-tema do meu feriado de 12 de outubro. Literalmente.

11) Kings of Leon - Joe´s Head
Usei essa como trilha sonora para um videozinho reunindo nossos melhores momentos passados entre os cangurus, em julho.

12) Radiohead - Just
Saudade do tempo em que o Radiohead era uma banda e não um amontoado de experimentações eletrônicas.

13) Cat Stevens - Tuesday´s Dead
Descubram de onde o Marcelo D2 roubou a linha do baixo de "Qual É".

14) Silverchair - Across The Night
Visto ao vivo em 2003, no Mineirinho. Infelizmente só fui conhecer o Diorama, disco que eles tavam lançando na época, um ano depois do show. "Across The Night" é a música que abre o dito cujo, e é fantástica.

15) Tuatha de Dannan - Bella Natura
O comecinho estilo "Lua de Cristal" engana. Bota aí o Tuatha na lista das bandas para um Pop Rock Brasil ideal. E olha que eles são de Varginha [coloque aqui sua piada de etê favorita].

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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