quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Que amolação

A equipe de cinegrafistas amadores do Biselho conseguiu registrar em vídeo um momento histórico: a famosa figura do amoladoooooor passando naaaaa ruaaaaa, usufruindo de sua potência vocal para atrair clientes. Assista agora, em primeira mão:




Mais divagações sobre este ícone urbano logo aí embaixo.

Make your own kind of music



Seguindo a tradição, fechei hoje o tracklist da minha trilha sonora oficial do ano.

Não é lá uma tradição muito antiga, pra falar a verdade: o primeiro volume da série surgiu só em 2005. Mas a idéia era velha, e parte do princípio de que todo mundo tem canções que remetem a uma determinada época da vida. "Ripcord" (Radiohead) sempre me lembra 2002. "Sweetest Thing" (U2) tem a maior cara de 1998. "Hello" (Oasis) é puro 2001.

A seleção deste ano não traz necessariamente as melhores canções lançadas em 2006 (embora "You Only Live Once", dos Strokes, não pudesse faltar) nem obrigatoriamente elas pertencem às bandas que mais aprecio (mesmo que Mutantes, Led Zeppelin e George Harrison marquem presença). Melhor deixar isso bem claro pra ninguém achar que eu sou fã de carteirinha d'O Surto.

Algumas estarão incontestavelmente em minha memória nos anos que virão: afinal, que música melhor que "Night Flight" (do Led) pra me fazer lembrar do meu último semestre de faculdade?

Também houve casos em que acabei juntando duas cousas diferentes numa só canção. A imagem do australiano bêbado cantando AC/DC em Sydney e o clima rural do Rancho do Vaz estão devidamente reunidos na versão ranchesca do Hayseed Dixie para "You Shook Me All Night Long".

Enfim. A seleção que gravarei em cd assim que tiver paciência pra brigar com o Nero, que ultimamente anda bem desaforado, será a seguinte:

01. Strokes - You Only Live Once
02. Led Zeppelin - Night Flight
03. George Harrison - Give Me Love
04. Hayseed Dixie - You Shook Me All Night Long
05. Mutantes - Baby (versão Tecnicolor)
06. Chico Buarque - Deixe a Menina
07. Tuatha de Dannan - The Last Words
08. O Surto - Io-Iô
09. Dave Matthews Band - Stay
10. Arctic Monkeys - When The Sun Goes Down
11. Supergrass - Pumping On Your Stereo
12. Vinicius & Baden - Canto de Ossanha
13. Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha - Carta ao Tom
14. Premeditando o Breque - Sempre
15. Amaranto - O Ornitorrinco
16. U2 - Window in the Skies
17. Aerolineas Argentinas Medley (Billie Jean / People Are Strange / Space Cowboy)

Para casa: faça uma forcinha mental e indique sua trilha sonora particular do ano de 2006. Justificar as escolhas não é obrigatório mas é mais legal. Mínimo de 3 músicas. Valor 10 pontos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

O brilho cego de paixão e fé



Estou quase decifrando a letra completa da musiquinha do amolador. Ele me amola todos os dias de manhã. Antes era só aos domingos, mas a proximidade do Natal fez com que ele intensificasse a gritaria matinal, devidamente munido de apito e gorro de Papai Noel. Ele sobe a rua a passos lentos, despertando os adormecidos e incentivando o ladrar dos cães com sua melodia:

"Amoladoooooor passando naaaaa sua ruaaaa!
Amola alicaaaaaa tesooooooura facaa
Amola na hoooooooora, experimenta na horaa!
Conserta tambéeeem a panela de pressão e o fogão!"

Notem a beleza do jogo de palavras no segundo verso: em "alicatesoura", o autor faz uma conexão silábica entre os vocábulos "alicate e tesoura", realizando uma junção fonética à maneira de Marcelo Camelo em Cadê Teu Suín? e Chico Buarque em Pelas Tabelas.

No entanto, ainda acredito que ele possa cantar algo diferente: "Amola alicate, doura faca". Dourar, diz o Aurélio, é "realçar, enaltecer, dar brilho a". Dessa forma ele excluiria a tesoura da letra, sacrificando talvez um importante universo de clientes, mas enriqueceria o verso com o garboso verbo "dourar", agregando valor ao serviço.

Outra fonte de divergências está na quarta linha da estrofe: "Conserta também a panela de pressão e o fogão!". Há uma corrente que defende a presença da palavra "chuveiro" no lugar de "também" (transformando o verso em "Conserta chuveiro, a panela de pressão e o fogão!"), tornando ainda mais multifuncional o competentíssimo amolador. Nesse caso, porém, defendo a inexistência de um chuveiro.

E agora você também pode dar a sua opinião. Hoje de manhã, graças a um moderno equipamento de áudio, consegui gravar o famoso brado para compartilhar com o leitor/ouvinte deste blog. Confira:



Aproveitando a oportunidade, disponibilizo aqui um vídeo do antigo amolador que passava naaaa minha ruaaaa uns dois anos atrás. Seu grito de guerra não trazia a mesma poesia que o de seu sucessor, mas é inegável o charme de sua flautapito e do agudo glissando ascendente que ela desempenha no final.



Mais amoladores no YouTube aqui e aqui. E ainda: o jeito árabe de amolar facas.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Imagina

Meu setlist ideal para hoje à noite:

01. A Volta do Malandro
02. Até o Fim
03. Olê Olá
04. Acorda, Amor
05. Samba do Grande Amor
06. Construção
07. Deixe a Menina
08. Partido Alto
09. Feijoada Completa
10. Meu Caro Amigo
11. Vai Trabalhar, Vagabundo
12. Noite dos Mascarados
13. Quem Te Viu, Quem Te Vê
14. Pelas Tabelas
15. Pivete
16. João e Maria
17. Passaredo
18. Roda Viva
19. Homenagem ao Malandro
20. Geni e o Zepelim
21. Mulheres de Atenas
22. Vai Passar
23. Vai Levando
24. Almanaque
25. Bye Bye Brasil
26. Flor da Idade
27. Fantasia

Bis:

28. O Meu Guri
29. Samba de Orly
30. A Banda
31. Todos Juntos

Ô Chiquim, se quiser usar fica à vontade!

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Hocus Pocus - Tributo a George Harrison

Teatro Sesiminas, 29 de novembro de 2006



Lá fora, São Pedro confundia Beagá com Macondo e despejava o céu sobre nossas cabeças, e assim continuou madrugada adentro e manhã afora. Mas a platéia pequena que eu esperava encontrar não estava tão vazia assim - embora não lotasse como merecido.

No palco, aos cinco da banda iam somando-se convidados diversos, principiando por um percussionista, passando pela colaboração de um tecladista adicional em "Piggies", a entrada de Sânzio (guitarrista do Cálix) na segunda parte e culminando no Coral Sesiminas que deu vida aos backing vocals das duas músicas finais.

Primeira parte: o beatle George. Boa parte da produção harrisoniana de sessenta e poucos a sessenta e tantos foi reproduzida com competência pelo quinteto, em ordem mais ou menos cronológica. Estavam lá as canções do começo da carreira, que conseguiam ser mais bobinhas que as de seus comparsas de banda; os vigorosos roquenróis da fase conceito A sem ressalvas, com destaque para "Taxman" e "I Me Mine"; e as obras-primas que enriquecem o Álbum Branco e o Abbey Road.

O sol lá vem, a guitarra chora e a banda sai de cena.

Pausa.

A banda volta, de figurino indiano, adereços orientais e incensos acesos. Segunda parte: o místico George. Não por acaso, metade do repertório provém do All Things Must Pass, sendo igualmente notável a execução de "Give Me Love". Gran-finale: "My Sweet Lord", como manda o protocolo e o bom senso. O Coral, eclético nas caras e idades, faz bonito com os vocais religiosos - e se a maioria cantava "Hallelujah" e "Hare Krishna" sem tropeços maiores, era visível a dificuldade de outra parte na pronúncia nomes como "Gurur Vishnu" e "Tasmayi Shree".

O bis me decepcionou um pouco, admito. Não que uma cover de Carl Perkins e uma repetição de "Give Me Love" possam ser classificadas de ruins, mas ausências sentidas como "Dark Horse" e "What is Life" mereciam uma inclusão na hora do mais um.

Pensando bem, de ausências sentidas foi um dia cheio.

Será que dia 8 rola uma homenagem pro John?

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Peace on Earth



De uma entrevista com George Harrison em 1979:

Uma das razões da separação é que todos nós escrevíamos um monte de músicas e gravávamos só três ou quatro. Era como ter prisão de ventre. Com o "All Things Must Pass", então, finalmente eu pude ir ao banheiro: o disco tinha 18 músicas, um alívio. Aliás, o disco de ouro que ganhei por ele está pendurado exatamente no meu banheiro.

Embora eu já tivesse lido e ouvido falar bastante, e conhecesse os hits mais óbvios ("My Sweet Lord", "What is Life"), só em julho deste ano consegui achar o danado pra download e apreciar os 154 minutos (!!) da edição comemorativa lançada há seis anos. Além das 18 canções originais, ela vem com nada menos que 18 faixas extras, entre elas a cômica "It's Johnny's Birthday" (gravada por George e Ringo em homenagem aos 30 anos de John), longas jam-sessions instrumentais ("Out of the Blue" passa dos 11 minutos), gravações caseiras ao violão, mixagens alternativas e uma regravação de "My Sweet Lord" feita por Mr. Harrison em 2000, sem a mesma força da primeirona mas ainda digna de um George.

Top top:

>> What is Life
>> Art of Dying
>> Apple Scruffs
>> Ballad of Sir Frankie Crisp (Let it Roll)
>> Awaiting On You All
>> My Sweet Lord

No aniversário de 5 anos de um mundo sem George, nada melhor do que o All Things Must Pass pra iluminar o dia.

Para achar o disco: este blog ou este tópico.

Igualmente obrigatório: George e seu chapa Eric Clapton playando "Give Me Love" no Japão, em 1991.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Ponto final.



Estou oficialmente de greve da Locadora Popular. Já deve ser o quarto ou quinto devedê que começa a travar lá pelo meio do filme, ocasionando uma grave perda do fio da meada de forma, às vezes, irrecuperável. Já precisei pular cenas importantes de "Apocalypse Now" como a visita das coelhinhas da Playboy ao acampamento dos soldados. "Ed Wood" fez birra no auge da história e ainda não consegui encontrar uma cópia sadia para ver o final. Hoje quem resolveu pirraçar foi "Match Point", recente e excelente película de Woody Allen, que sem aviso arrumou uma travação que só vendo. Ou não vendo. O fato é que a locadora do lado, mesmo com um acervo inferior em quantidade, ainda não me decepcionou com disquinhos estragados, além de ostentar preços e promoções muito mais atraentes (o combo 7 filmes + 1 lata de coca + 1 pacote de chips por 7 reais é o exemplo-mor). Melhor aproveitar antes que eles vão à falência.

Can't buy me



Dando prosseguimento ao tema "insólitas versões" do post anterior, eis que descubro hoje que os Bítous tão aí lançando mais um álbum. São prolíficos, os caras: depois de "One" em 2000 e "Let It Be Naked" em 2003 (aposto numa coletânea de b-sides para 2009), vêm agora com "Love", na verdade trilha sonora para um musical do Cirque du Soleil, editada/supervisionada pelo mesmo sir George Martin que recebeu a alcunha de quinto beatle.

Graças às facilidades da era google, logo que tomei conhecimento do lançamento pude saciar meu imediatismo ouvindo algumas das faixas, enquanto termino de downloadear o disco completo. E aí que descobri o barato da coisa: dessa vez não são velhas gravações de Hamburgo ou raridades achadas no porão do Ringo, mas uma mistureba completa das canções que o mundo tão bem conhece, mesclando os vocais de uma, a base de outra, o solo de bateria de outra mais, e formando um quebra-cabeças apetitoso para quem tem apreço por detalhes musicais.

Antes de uma audição detalhada que me dê aval pra escrever coisa que preste sobre o disco, garimpei no GoEar uma versão bastante curiosa de "Get Back", com sua introdução que junta "A Hard Day's Night", "The End" e o som de sarcófago se abrindo de "A Day in the Life" para recriar o prólogo da história de Jojo:



All you need is Love? Este é o melhor caminho.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Say cheese



Tenho uma fascinação particular com aqueles covers completamente diferentes do original. Porque as bandas que reproduzem com perfeição os acordes, os solos, os trejeitos e maneirismos dos artistas originais merecem seu crédito, mas as versões inventivas e inesperadas são muito mais interessantes.

Por exemplo: o Hayseed Dixie, que transforma Kiss e AC/DC em country americano, com direito ao banjo aloprado e à voz rancheira. Ou o Beatles'n'Choro, que insere os fab four no universo do cavaquinho e do violão de sete cordas. Ou o Radiodread, que injetou sotaque jamaicano nas canções do "OK Computer". Ou o Black Sambbath, projeto meu com uns amigos, cujo propósito é colocar morcego na feijoada e fazer os clássicos do metal virarem sambas repletos de suíngue.

Minha mais recente descoberta (recente mesmo, um amigo meu me mandou scrap ontem à noite falando do cara) é o cantor Richard Cheese, que se dedica a executar versões jazzísticas, big-bândicas, cassinescas de músicas pop. Entre os destaques do disco que baixei, estão "You Oughta Know", "Sunday Bloody Sunday" e "Welcome to the Jungle".

Estou baixando o restante da discografia e daqui a pouco já estarei apto a fazer um top 5. Enquanto isso, divirta-se com a insólita versão de Cheese para o USA for Africa. And keep Michael Jackson away from your children.

sábado, 25 de novembro de 2006

Shaken Not Stirred



Participei hoje de um debate na Leitura do BH Shopping. O tema: James Bond. Estão lançando as caixas com todos os devedês do espião, cada um em edição dupla e repleto de extras e comentários em áudio. No debate-conversa estavam presentes o crítico Pablo Villaça, do Cinema em Cena, e o pessoal d'A Galáxia. Um quórum diminuto, talvez pelo horário (11h30 da manhã de um sábado) e por causa da distribuidora, que não permitiu uma divulgação mais ampla do evento (nem deixou servirem martini batido, não mexido), mas foi bem bacana. No final ainda ganhei uma camiseta com a logo do 007, aumentando minha coleção de objetos ganhados esse ano.

Estou particularmente curioso para assistir a 007 - Cassino Royale, que estréia daqui a umas duas semanas trazendo o novato Daniel Craig no papel do duplo ó sete. A crítica anda falando bem, o que é um inesperado sinal de esperança, depois de tanta porcaria com o Pierce Brosnan feita nos últimos anos. No começo de 2006 assisti ao Cassino Royale original, paródia nonsense de 1967 só com gente supimpa (David Niven, Peter Sellers, Woody Allen, Orson Welles no auge da obesidade mórbida), mas com um roteiro esdrúxulo que vai despencando a cada cena, culminando na antológica seqüência com um bando de índios dançando em cima duma mesa (?!). Se a nova versão não tiver absolutamente nada a ver, já tá de bom tamanho. Se bem que seria fascinante ver uma refilmagem da coreografia dos indiozinhos como extra do DVD.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Almohadas para hablar



Olha, dava um certo trabalho atualizar a antiga Rádio Biselho. Primeiro eu tinha que converter os arquivos mp3 para um formato diferente, depois fazer upload de cada música para um site no Geocities que precisei criar só por conta disso, depois ainda mexer num arquivo xml pra inserir a lista com os nomes das canções. E ainda demorava algumas horas para que elas pudessem ser playadas, porque aparentemente o Geocities se cansava de tantos uploads e demonstrava notável teimosia em não funcionar.

Decidi testar agora uma espécie de You Tube só de áudio, chamado GoEar.com. Ao contrário da lenga-lenga do esquema da rádio, nesse só preciso de uns cliques pra pôr a música no ar, sem falar que já tem um bom arquivo online disponibilizado no site.

Pois fiquem então com uma versão em castelhano de "O Caroço da Cabeça", música paralamesca que integra o Nove Luas, uma das grandes obras do nosso rock nacional. Suuuuucesso!

Junk Food Journal



Melhor lanche caseiro da atualidade: pão com requeijão sabor ervas finas. O requeijão de cheddar também tem seu mérito, principalmente quando aquecido no microondas por alguns segundos, breves mas suficientes para impregnar as paredes internas do pão com o sabor realçado do cheddar. Mas não supera o requeijão de ervas finas, frio e cremoso, derramado aos litros num pão murcho dormido (idade ideal: 24h; depois disso ele já começa a ficar seco e empedrado, dificultando uma ação eficaz do requeijão). E se acabar o pão, não se envergonhe: faça como o Zé Colméia e lasque a mão dentro do pote.

Bebida para acompanhar: coca-cola do fim da garrafa, já completamente sem gás e gelada na medida certa.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Ok, 21 dias foi demais. A greve de novos posts chega ao fim aqui. A partir das próximas horas (ou dos próximos dias, só pra não me comprometer), uma avalanche de textos, notícias, links, comentários sobre filmes e discos, sonetos, continuações de posts inacabados, histórias em quadrinhos, listas, fotos, relatos de viagens e o que mais me aprouver.

Observação: não sei quanto a vocês, mas a palavra "aprouver" definitivamente não me apraz.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Cold turkey

- O quê?! Cê já quer mais??
- Não é questão de querer. Eu preciso de mais!
- E todos aqueles que eu te passei ontem?
- Já foram, ontem mesmo. Não fiz mais nada o dia inteiro.
- Putz, mas cê tem que maneirar! Faz uma pausa, vai com calma nisso aí...
- Mas eu não consigo! Acaba um e já fico querendo outro. E depois outro, e outro...
- Ok, ok. Vou te passar mais então, sob sua responsabilidade. Mas olha, pode ir trabalhando o psicológico, porque o estoque tá acabando e a crise de abstinência vai ser das brabas!

Se eu não começar a emprestar logo os episódios da terceira temporada, vou precisar de cautela pra andar por aí.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

A Volta do Malandro ou: Paratodos?



O maior evento cultural em Beagá ontem foi a fila do ingresso pro show do Chico Buarque. 12 horas de diversão debaixo de sol quente, praticamente uma rave. A fila começava na porta do Palácio das Artes, subia a Carandaí e abraçava o Parque Municipal. Tudo pra ver o velho gago. E, enquanto as vendas lá dentro caminhavam a passos de formiga, do lado de fora estavam centenas de desocupados de todas as idades esperando, esperando, esperando, esperando a sorte. Vendedores de cerveja aproveitaram pra fazer uma graninha e ativistas do Green Peace convocavam a galera a lutar por um mundo melhor. Não tardaram a aparecer a TV e os jornais, e eu e meus amigos até concedemos uma entrevista ao SBT, mas não era ao vivo e parece que ficou abandonada na sala de edição. Pelo menos apareci fazendo cara de paisagem ao fundo, enquanto a repórter comentava sobre o quilométrico amontado de pessoas que fazia da calçada da Afonso Pena sua segunda casa. Resumo da ópera do malandro: os ingressos camaradas se esgotaram às 8 da noite, graças à estúpida cota de 30% de meias-entradas estipulada por não-sei-quem. Mas pra quem já fizera todas as refeições do dia ali mesmo, o papelzinho com data, hora e lugar marcado tinha virado questão de honra. E a recompensa vem em dezembro: ver o malandro na praça, pela primeira vez.

domingo, 15 de outubro de 2006

terça-feira, 10 de outubro de 2006

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Carcaça imunda e vil



O crítico Pablo Villaça, do Cinema em Cena, publicou hoje em seu blog:

Más notícias para todos nós: "Muito Gelo e Dois Dedos D'água" não é só o pior filme do ano; é o pior filme do século 21 até agora.

Declaração perigosa. Nunca confiei muito em filmes do Daniel Filho e não duvido que o roteiro de Fernanda Young possa ter patinado, mas daí a colocá-lo no posto de pior longa-metragem dos últimos 6 anos me parece exagero de calor do momento. Aliás, hoje mesmo ouvi comentários de que o filme é até bacana. A discrepância ímpar de opiniões, claro, só aguça a curiosidade. E, como Pablo apenas deu uma palhinha de seu desgosto mas ainda não publicou a crítica completa, só resta imaginar qual o motivo tão grave é capaz de tamanha repulsa - e se realmente é pra tanto.

Um disco ruim é relativamente fácil de se fazer: é só juntar um punhado de canções terríveis, estão aí sendo produzidas e lançadas às dúzias todos os dias. Pra que saia um livro ruim, basta um escritor sofrível e um editor sem senso crítico (não confundir com tino comercial). Mas um filme demanda tanto planejamento, tanta gente e tanto dinheiro que mesmo as bombas completas têm lá seu ponto positivo: um efeito especial convincente, uma sacada interessante perdida no meio do diálogo, uma boa idéia desperdiçada cuja essência ainda permanece. Sem falar no célebre limiar da ruindade, cujo mote "É tão ruim que é bom" garantiu o título de "cult" a centenas de pérolas trash.

Na verdade, os filmes realmente ruins são os que não conseguem atravessar esse limiar e ficam ali no meio termo. É a comédia sem sal, o terror que não gera medo nem humor involuntário, o "difícil entendimento" usado como desculpa para a inabilidade do diretor em transformar suas pretensões em algo palatável. A pior laia talvez seja a dos aproveitadores do sucesso de outrém, sendo "Esqueceram de Mim 4" o exemplo mais emblemático. Não satisfeitos com a parte 3, que usava o peso do nome "Home Alone" pra contar a história de um menino com catapora (!!), resolveram vilipendiar o legado da família McCallister e puseram os personagens dos dois primeiros filmes nas mãos de um elenco insosso - e ainda tiveram a insolência de reunir tudo depois num box único de DVDs, como se Joe "Harry" Pesci e John "Polka Polka" Candy tivessem algo a ver com aquela palhaçada. Pra suportar, talvez só mesmo um cachorro engarrafado, com muito gelo e uns dois dedos d'água.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Tão sem passarinhos



Semi-leitura do momento: "Chega de Saudade - A História e as histórias da Bossa Nova", do Ruy Castro. Semi porque as histórias me apetecem mais que a História, e preferi por isso uma leitura descompromissada, um capítulo aqui antes de dormir, um trecho ali depois do almoço, sem a linearidade que me indicam os números no rodapé. Aproveitando meus derradeiros meses como estudante, colhi o livro na biblioteca da faculdade, talvez influenciado pelo documentário Vinícius, que aluguei há pouco tempo por 1 real. (Fabulosa promoção da locadora aqui perto de casa, que também oferece o combo 7 filmes por 15 reais e uma semana pra devolver, além de ganhar uma coca dois litros.)

Enfim, sobre o livro: embora eu tenha visto comentários por aí de que os verdadeiros entendidos de êmepêbê consideram a narrativa de Ruy Castro algo como uma ficção-científica, as histórias ali contadas são deliciosas, ainda mais levando-se em conta minha especial predileção por making-ofs. Como Tom Jobim e Newton Mendonça decidindo compôr um samba "que parecesse uma defesa dos desafinados, mas tão complicado e cheio de alçapões dissonantes que, ao ser cantado por um deles, iria deixá-lo em apuros". Ou a mulher (uma das) de Vinícius implicando com um verso de "Chega de Saudade": "Que coisa mais boba, rimar peixinhos com beijinhos", e a resposta de Vininha, "Ora, deixe de ser sofisticada". Ou a letra original de uma das mais famosas músicas de todos os tempos, que ostentava uma primeira parte um tanto pessimista: "Vinha cansado de tudo / De tantos caminhos / Tão sem poesia / Tão sem passarinhos / Com medo da vida / Com medo do amor..."

>> Na biografia dos Mamonas há um rascunho da primeira versão de "Vira-Vira", escrita por Júlio Rasec e Adilson de Matos em 1984, que trazia o refrão: "Vira vira santo, não vira ninguém / Pegaram o Padre Lino na sacristia com alguém / Vira abre a roda, o coroinha também / Ó amador favor me acuda / Pois a vela é muito dura / Comprida, grossa e acende bem"

>> Mas o prêmio de melhor letra inédita para um mega-hit, sem dúvida, vai para Paul McCartney e seu clássico: "Scrambled eggs / Oh my baby how I love your legs..."

Democracia chinesa



Outubro sempre me passa a idéia de que o ano está acabando, e os panetones que já estão à venda nas melhores casas do ramo não contribuem exatamente para dissipar essa sensação. Ano passado, memsa época, fiz uma lista enxuta de resoluções para os últimos meses de 2005 e não cumpri metade. Não caio mais nessa. De prazos no dia-a-dia, me bastam os inescapáveis. E já nem ligo mais de inacabar projetos. Há tempo pra tudo. Vejam o Tolkien. Deixou tanta coisa por terminar que até lançaram um "Contos Inacabados" pra supernutrir a conta bancária dos filhos. Um dos rebentos, Christopher Tolkien (na verdade o "pimpolho" já é octogenário) recentemente anunciou que vai lançar "The Children of Hurin", livro iniciado pelo pai em 1918 e terminado por Christopher em 2006. Seguindo essa lógica, posso deixar o Druida da Pocilga para que algum de meus futuros herdeiros finalize e publique até 2093, ainda a tempo de figurar nas listas de final de século. Quem sabe uma "Os 100 Maiores Quase-Escritores do Século XXI Misteriosamente Assassinados Por Leitores Enfurecidos"?

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Vai, meu irmão

Cheguei em casa após uma madrugada etílica e encontrei um pacote sobre o sofá. Os relatos que já tinha lido a respeito vinham de São Paulo, principalmente. Por isso não imaginava que, tão cedo, um daqueles daria o ar da graça aqui na roça grande. Mas lá estava ele, um grande envelope branco, estampando dois touros escarlate que se encaravam ante um círculo dourado.

Dentro havia uma carta. Já na primeira frase, uma mentira: "Após tanta espera, crises de abandono, de ciúmes, motins e revoltas, o tão esperado dvd do Red Bull Paper Wings ficou pronto!" A inverdade não está nas crises de abandono ou nas revoltas mencionadas, que realmente existiram, ainda que virtualmente, por e-mails, orkuts e êmeésseênes. É só que não havia apenas um dvd dentro do pacote, mas dois, cada qual mostrando audiovisualmente uma etapa do inusitado campeonato de aviõezinhos de papel: a final brasileira, de que participei (e perdi), e a gran-finale mundial, que teve palco em terras austríacas.

Apareço como figurante no dvd brasileiro, mas brincando de onde está wally consegui me identificar em pelo menos três cenas. Em duas delas, lá estou eu no fundo, dobrando papéis e me esforçando em confeccionar um avião digno. Na terceira cena, estou tacando um dos aviões, na mais ridícula de minhas duas tentativas, que me valeu um vergonhoso 3.3 em 10. Mas tudo bem, apareço de costas, uma possível carreira na aeronáutica de celulosa não está totalmente prejudicada.

Já no dvd da final mundial, pude conferir os vôos dos terráqueos que subiram ao pódio na Áustria. O Diniz, brasileiro que tinha sido até entrevistado no Jô, venceu na categoria melhor tempo de vôo. Os dois outros títulos (maior distância percorrida e melhor vôo acrobático) ficaram, respectivamente, com um croata e um israelense.

Minha tristeza maior, no entanto, foi que no devedê não puseram as cenas do aeroporto de Congonhas e as entrevistas gentilmente cedidas no interior do ônibus que nos levou a Jundiaí. Mas taí o YouTube pra não nos decepcionar:

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Apertem os cintos...



Fui lá conferir o Vôo 93, de quem a crítica tão bem falou. Parte de uma premissa curiosa: narrar a história do único vôo do 11 de setembro que não caiu no alvo planejado pelos terroristas, pois os próprios passageiros se rebelaram antes e conseguiram desviar a rota. A recriação cinematográfica, comandada pelo Paul Gramaverde de A Supremacia Bourne, conta pontos pelo realismo e por não se render ao sentimentalismo patriótico maniqueísta um tanto difícil de fugir numa trama como essa. Mas sei lá, sabe o tipo de filme que você vê, acompanha e tal, e no final não acha nada de mais?

Antes da película aérea passou um trailer interessante de um filme sobre o fim da humanidade. É um tema que particularmente me agrada, esse. O problema é que o desenvolvimento do roteiro quase sempre avacalha tudo. Vide a porcaria que foi Impacto Profundo. Ou o recente Extermínio, que começa bacana, o cara acorda e não tem mais ninguém na Terra, pensamos “ó, um bom filme pela frente”. Só que começam a aparecer uns zumbis, e aí o terreno fica perigoso porque é praticamente impossível trabalhar com zumbis e evitar comparações negativas com a obra máxima do gênero, Fome Animal. Ainda assim, vá lá, temos um bom filme trash. Mas de repente entram os militares, aí não tem zumbi com gosma escorrendo pelo canto da boca torta que salve.

Bom, o tal trailer sobre o fim da humanidade. Dessa vez, nada de meteoros, zumbis ou era glacial. O que sucede é uma infertilidade em massa, ninguém mais consegue ter filhinho, e as previsões são de uns 50 anos pra humanidade sumir de vez. O início do trailer parecia bom, o cara mais novo do mundo morre aos 18 anos, a anarquia reina ao lado do caos. Mas quando começa aquela história de “a última esperança para a humanidade está nas mãos deste homem”, haja paciência. Ainda mais com um título horroroso desses: Filhos da Esperança.

Podiam mesmo era fazer uma adaptação de “Blecaute”, do Marcelo Rubens Paiva, onde apenas três pessoas continuam vivas numa São Paulo deserta após um apocalipse qualquer. Será que a produtora lá do Fernando Meirelles não topa patrocinar? Principalmente agora que roubaram o laptop dele com todos os seus roteiros inéditos, talvez ele esteja precisando de umas idéias novas...

Recentemente saiu uma reportagem na Super Interessante chamada "E se a espécie humana desaparecesse da Terra?". Fiquei fascinado com as projeções. Em vinte anos o Tietê estaria 100% limpo. Em cinqüenta, o buraco na camada de ozônio estaria totalmente restaurado. Em mil, todo o lixo produzido pelo homem já teria sumido. Em 5 mil, o verde bandeira da Mata Atlântica engoliria São Paulo. E não bastariam mais que alguns milhões de anos para que o petróleo voltasse a abundar. Agora me digam: qual é o incentivo que tá faltando pra alguém espalhar um daqueles vírus mortíferos por aí?

sábado, 2 de setembro de 2006

The Sixth Nonsense



Cinefilamente falando, Dois Mil e Seis não vem sendo dos melhores pra mim. Minha média de filmes assistidos despenca mês a mês, e se nos anos passados já era ínfima comparada à de quem realmente vê filme a rodo, agora beira o risível.

Fazendo um rápido estudo em minhas reminiscências, posso apontar algumas razões para essa queda. Entre elas: a quantidade de jogos da Copa em horário assistível; a ausência de tardes livres nas minhas férias de julho; o aumento de cinqüenta centavos na locação do DVD lá perdicasa; e os oito devedês de Lost vistos em aproximadamente um mês, que representaram mais de 30 horas de ilha deserta, ocupando o espaço de pelo menos uns quinze filmes iranianos de vanguarda.

A inauguração de um cinema bacana no meu bairro deveria ter aumentado um pouco a média, mas sei lá o que houve, que nem Piratas do Caribe 2 eu vi ainda. E o Indie ainda coincidiu com a semana mais caótica (até agora...) do meu curso inteiro.

Em dezembro de 2005, publiquei por essas bandas um top 10 particular dos longas mais aguardados para 2006. Foram eles:

10. Carros
09. A Dama na Água
08. Piratas do Caribe 2
07. X-Men 3
06. Os Três Patetas
05. O Código Da Vinci
04. Superman Returns
03. V de Vingança
02. Sin City 2
01. Os 300 de Esparta

Seis já foram. E o saldo, felizmente, tem sido positivo. Carros carecia de história e personagens mais carismáticos (carrismáticos?), mas visualmente é supimpa à beça. X-Men 3 tem seus poréns, mas foi bem-sucedido em cruzar tramas paralelas e juntar aquele mundaréu de mutantes, além da coragem de assassinar protagonistas como nunca feito antes em filmes de heróis. V de Vingança superou expectativas e não se curvou ao roliudianismo. Superman Returns gerou controvérsias e deve muito aos filmes originais (Marlon Brando, John Williams), mas ainda é entretenimento de primeira. (Sem contar que ainda vi de graça numa pré-estréia, antes de todo mundo, embora tenha ganhado um supertorcicolo de brinde por sentar na fileira da frente.) Só Código Da Vinci foi o fiascão que a gente já esperava, mas quem se importa?

Esse fim-de-semana estréia mais um da lista, A Dama na Água. Dizem que é do bom, dizem que não presta, o que é de praxe sempre que se lança um longa shyamalânico. Excelente, no sentido cinco estrelas da palavra, não imagino que seja. Acho que a auto-indulgência do cara vai atrapalhar como atrapalhou no desconjuntado A Vila. Mas que o mundo politicorreto de hoje precisa de umas coisas assim meio nonsense de vez em quando, isso precisa.

Top 1 filme mais aguardado para o fim-de-semana:

01. Vôo United 93

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Aniversariante do dia

E os nossos parabéns de hoje vão para o cozinheiro, pintor, tocador de cavaquinho, orquidófilo e pescador André Paio.

Meu comparsa de bagunças, bebedeiras, pescarias, jogos de tênis, aulas de italiano, sushis, Star Treks, futebóis de botão, viagens, idéias, divagações sobre a origem do universo.

A quem devo inspirações e aspirações
e meus futuros cabelos brancos
(não por preocupações ou excesso de stress,
mas porque a danada da genética é implacável!)

Congratulazioni, grande vecchio!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Morcegando



O próximo filme do Batman vai se chamar "The Dark Knight". Christian Bale, atual encarnação do orelhudo, recentemente comentou a respeito: "Eu simplesmente adoro esse título. Vocês sabem, nada está confirmado ainda, mas eu gosto muito do fato de que não há ‘Batman’ escrito nele."

Devo dizer que concordo inteiramente com Bale. Mas tenho a triste convicção de que, para os distribuidores brasileiros, não bastará uma tradução literal como "O Cavaleiro das Trevas". Vão tratar de preceder o nome do filme com o "Batman" de praxe, sumindo com o ineditismo e tornando a película homônima da clássica HQ "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (que no original é "Batman: The Dark Knight Returns"). E enganando muito bobo por aí, já que a trama do tio Frankie não deve servir nem de inspiração distante para a história do novo longa.

Top 3 melhores títulos de filme de todos os tempos:

> "Enchente: Quem Salvará Nossos Filhos?"
> "Matou a Família e Foi ao Cinema"
> "Meu Primeiro Amor 2"

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Bye bye Brasil



Conversando pelo msn com uma das suecas que conheci em Salvador, resolvo pedir pra ela umas músicas em sua língua materna. Ela me manda um samba. Em sueco. Diz que é dos anos 70 ou 80, e que o cara canta sobre Copacabana. Especifica mais: a canção é sobre Deidre, "uma prostituta ou algo assim". E ainda me traduz um trecho: "se tiver tempo e dinheiro, você vai comprar meu samba". Vá lá, penso eu, esses carnavais não devem mesmo passar uma boa imagem nossa lá fora. Mas eis que a música começa, uma coisa latina pouco sambada, e ouço o cantor entoar uma melodia um tanto familiar. Poucos versos bastam pra que caia a ficha: a música em sueco é uma versão cara-de-pau de "Quem Te Viu, Quem Te Vê" do Chico Buarque!

Não crê? Pois escute a Rádio Biselho ali do lado, é a primeira da lista. E pra você que é fluente no idioma de Greta Garbo, um pedaço da pérola cantada por Cornelis Vreeswijk:

"Mellan Praia de Flamengo
och det fagra Ipanema
finns de rikas heta stränder.
Men dom fattiga i Rio
bor högt över alla andra,
högsta berget bor jag på.
Vinden svalkar, solen bränns.
Där finns sorg som inte känns
- dansa samba med mej.
Ay ay ay ay.
"

sábado, 5 de agosto de 2006

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Os Três Porquinhos de Liverpool



Depois do musical da Chapeuzinho Vermelho usando clássicos da música popular tupiniquim, resolvi partir para projetos broadwayanos mais temáticos. Acho que seria interessante, por exemplo, uma versão de João e Maria com canções dos Titãs. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, diria João à velha bruxa, como desculpa por se alimentar das belas e suculentas paredes de sua casa.

Ou um Romeu e Julieta apenas com composições de Chico Buarque. “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, declararia o jovem Montéquio ao pai de sua amada. “Acorda, amor”, suplicaria Julieta ao ver o corpo inerte de Romeu.

Ou então, se McCartney, Starr e Jackson permitissem, uma releitura da fábula dos Três Porquinhos só com músicas dos Beatles. Lobão reprisaria seu papel de antagonista, como no musical da Chapeuzinho. João Gordo seria um dos suínos, talvez. Para o título, pensei em algo como “Os Três Porquinhos de Liverpool”. Ou simplesmente “Piggies”.

O roteiro poderia ser assim:

Palhaço, o porquinho preguiçoso, descansa tranqüilo em sua casa de palha.

Palhaço: Everybody seems to think I’m lazy. I don’t mind… think they’re crazy! Nothing’s gonna change my world…

Surge o Lobo, caminhando por perto, feliz e bonachão. Quando passa ao lado da casa de palha, fareja no ar um delicioso cheiro de carne de porco.

Palhaço percebe a misteriosa sombra que ronda as redondezas.

Palhaço: Very strange.

O Lobo olha pela janela e abre um largo sorriso.

Lobo: Ah. Look at all the lonely people!

O primeiro impulso de Palhaço, assustado, é levantar correndo.

Palhaço: Help! I need somebody’s help!
Lobo: Cry, baby, cry. Make your mother sigh.

Mas ele nota que gritar não vai adiantar muito, e então tenta demonstrar segurança.

Palhaço (próximo à porta): Listen. Do you want to know a secret? When I’m home, everything seems to be right!
Lobo: Oh yeah? I’ll tell you something. I think you’ll understand.

E, com um mero sopro, o Lobo põe abaixo a casa de palha.

Palhaço: I should have realized a lot of things before. The way things are going, they’re gonna crucify me.

O porquinho só vê um meio de escapar da fúria glutona do Lobo: correr até a casa de seu irmão Palito, mais segura e confiável por ser feita de madeira.

Mas, para seu desespero, ninguém atende quando ele esmurra a porta.

Palhaço (triste): I call your name… but you’re not there…

Ele tenta de novo. Nada.

Palhaço (suplicante): Won’t you please, please help me?

Silêncio. Lucas Paio 2006

Palhaço: Tell me, tell me, tell me the answer!
Lobo (sorrindo enquanto se aproxima): There will be an answer: let it be!

O Lobo está prestes a alcançar Palhaço quando a porta se abre e de dentro da casa surge Palito, que logo coloca o irmão pra dentro. Palhaço ainda tem tempo de olhar pra trás e mostrar a língua pro Lobo.

Palhaço: I get by with a little help from my friends!

O Lobo nem se irrita. Afinal, agora são dois porquinhos em vez de apenas um.

Lobo: It’s getting better all the time...

O instante de sossego na casa de madeira só dura até que o Lobo bata à porta novamente.

Lobo (voz mansa): Believe me when I tell you: I’ll never do you no harm!
Palito: Get back! Get back! Get back to where you once belonged!
Lobo: I said something wrong?

O sopro do Lobo, desta vez, não surte efeito na primeira tentativa. Mas é só ele caprichar no fôlego que a casa de madeira construída por Palito vai ao chão.

Lobo: This happened once before, when I came to your door.
Palito: Such a dirty old man!
Palhaço: With every mistake we must surely be learning…

Sem a proteção das paredes de madeira, a única alternativa para Palito e Palhaço é fugir às pressas.

Palito: You’d better run for your life if you can!
Palhaço: Life is very short and there’s no time!
Lobo (correndo atrás): See how they run!

Movidos pelo desespero, os porquinhos conseguem alguns minutos de vantagem sobre o Lobo. Correr sem rumo, no entanto, não é suficiente.

Palito (irônico): Oh, that magic feeling. Nowhere to go!
Palhaço (tendo uma idéia): There are places I remember.

Momento flashback: Palhaço se divertindo à beça na lama e na sujeira, enquanto Pedrito, envolvido na construção de sua casa, carrega pedras e tijolos.

Palhaço: Won’t you come out to play?
Pedrito: It’s been a hard day’s night, and I’ve been working like a dog.
Palhaço (olhando para as pedras): Boy, you’re gonna carry that weight a long time…
Pedrito: Try to see it my way: only time will tell if I am right or I am wrong.

Termina o flashback. Os porquinhos chegam à casa de Pedrito, essa sim grande e segura, forte e resistente. Pedrito vem atender à porta, solícito.

Pedrito: If there’s anything that you want, if there’s anything I can do…
Palito: Take a good look around you.

E Pedrito vê, no fim do horizonte, o sorridente Lobo que se aproxima.

Pedrito: Yesterday all my troubles seemed so far away…
Palhaço (apreensivo): Would you lock the door?

O Lobo esbanja empolgação.

Lobo: Have you seen the little piggies crawling in the dirt? And for all the little piggies life is getting worse!

Trancados na casa de Pedrito, uns têm medo, outros demonstram confiança.

Palhaço: I’m so tired, I don’t know what to do.
Pedrito: All you can tell you is: brother, you have to wait.
Palhaço: But every now and then I feel so insecure! I’ve got a feeling…
Palito: Don’t you know it’s gonna be alright?
Palhaço: Oh yeah. Alright.

Feliz, embora um pouco cansado da corrida, o Lobo finalmente chega à casa de pedra.

Lobo: The long and winding road that leads to your door...

Ofegante, tenta um sopro poderoso e não acontece nada. Puxa mais ar, infla as bochechas, sopra com toda a força que seus pulmões podem agüentar, e a casa nem treme. Desapontado, ele põe-se a pensar.

Lobo: How can I even try? I can never win…

É aí que ele observa a chaminé que enfeita o telhado da casa de Pedrito, e uma solução tão simples quanto genial desenha-se em sua mente.

Lobo: It took me so long to find out. And I found out.

Pedrito, o mais sagaz dos três, logo percebe o que o Lobo está tentando fazer, e tem uma idéia para surpreendê-lo. Sai da sala e volta pouco depois, arrastando um enorme caldeirão com água fervendo.

Pedrito (sorrindo): Let me tell you how it will be.

Enquanto isso, o Lobo se esgueira pela diminuta chaminé.

Lobo (resmungando sozinho): It’s wonderful to be here. It’s certainly a thrill.

Pedrito pede ajuda aos irmãos para que consigam colocar o caldeirão no lugar da lareira.

Pedrito: All together now! One and one and one is three!

Palito aproveita o momento pra provocar o Lobo.

Palito: Come together, right now, over me!

Não dá outra: o Lobo termina de descer, com raiva, e desaba sobre o caldeirão de água fervente. O fogo que sobe e o calor escaldante queimam-lhe todo, enquanto os porquinhos comemoram às gargalhadas.

Lobo: I can see them laugh at me...

Coberto de queimaduras, o Lobo foge pela porta da frente pra nunca mais voltar, fazendo a alegria dos porquinhos.

Palhaço: I feel fine!
Palito: I feel good, in a special way!
Pedrito: The smiles returning to their faces...

A última visão que eles têm do Lobo é de um animal correndo em disparada, urrando de dor e gritando:

Lobo: I’ve got blisters on my fingers!
Lucas Paio 2006

terça-feira, 4 de julho de 2006

domingo, 2 de julho de 2006

Constantes cosmológicas

Esqueçam o Parreira e sua trupe de celebridades apáticas. A grande e triste questão que importa agora é que, momentaneamente, perdemos nossa fé. Não a fé na ridícula seleção brasileira: essa já tinha ido pras cucuias nos instantes iniciais do jogo contra a Croácia. Falo da fé na profecia da pirâmide. Aquela que previu a vitória brasileira em 2002 e dava como certo o hexa em 2006, mas que, a partir de ontem, provou-se equivocada. Já abordei o assunto num post antigo, mas volto a reproduzir aqui uma imagem ilustrativa:



Tendo como topo o campeonato vencido pela Itália em 1982, a pirâmide funcionava bem para 4 copas, e os campeões de 1986, 1990, 1994 e 2002 correspondiam exatamente aos vencedores em 1978, 1974, 1970 e 1962, respectivamente. A única exceção era a Inglaterra, que ganhou em 1966 e supostamente deveria ter vencido em 1998, quando foi a vez da França. Mas esse "erro" era justificado por uma série de coincidências: Inglaterra e França levantaram o caneco apenas uma vez, jogando em casa, na Europa, numa copa em que uma seleção estreante terminou em terceiro lugar e com o artilheiro do torneio (Eusébio de Portugal em 66, Suker da Croácia em 98).

Agora, no entanto, não há coincidência ou desculpa esfarrapada que relacione o Brasil de 58 com uma seleção diferente. E isso invalida a teoria da pirâmide, certo? Mas é aí que surge a importante pergunta que abre novas e intrigantes possibilidades: e se não for uma pirâmide?

Vamos aos fatos: Deus não joga dados, como disse Einstein. E ciência é assim mesmo, alguém desenvolve um modelo, depois a realidade impõe pequenas modificações, e o modelo vai se alterando e tomando formas cada vez mais próximas de uma versão definitiva.

Pois bem. Sem mais preâmbulos, cá está o meu primeiro modelo pós-pirâmide.


Trata-se de um "M" composto de quatro retas e três vértices (ou pontas). O funcionamento é simples: os países campeões são sempre os mesmos numa mesma linha, exceto quando ocupam os vértices. Assim, eliminamos a uma suposta correspondência entre França e Inglaterra na pirâmide original, que estava mais pra uma falha disfarçada. A Itália de 1982 ocupa o primeiro vértice, a França de 1998 o segundo, e o terceiro (2014) permaneceria como um elemento surpresa, que pode tanto ser a própria Itália quanto uma seleção avulsa emergente.

Ainda de acordo com o "M", a Alemanha vence em casa no domingo que vem. E alguém ainda duvidava disso?

Claro que falo de um modelo em constante desenvolvimento. Inclusive sei de outros pesquisadores que, neste momento, estão trabalhando numa Teoria de Todas as Copas que explique discrepâncias e alinhe cada campeão numa fileira única. Só poderemos tirar a prova aos poucos, a cada quatro anos. Se alguém tiver um Sports Almanac em casa, por favor avise, ajudaria bastante. Enquanto isso, continuamos nos divertindo com nossas constantes cosmológicas.

Considerações finais sobre a derrota patética do Brasil:

1) Melhor que continue como está. "Rumo ao hexa" é feio pra diabo, mas convenhamos: "rumo ao hepta" é pior ainda.
2) O pior de tudo é que não tive tempo de zoar nenhum argentino.
3) Certa mesma estava minha avó, que me ligou ontem antes do jogo e disse ter apostado num bolão que a França venceria por 1 a 0. Uma ligeira intuição, segundo ela...

quinta-feira, 15 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Marmelada de banana

O Sítio do Pica-Pau Amarelo, declarado país independente há quase vinte anos, não vem fazendo boa campanha em sua primeira Copa. Depois de amargar uma derrota para a seleção de Thundera, a equipe do Sítio sofreu um desfalque logo nos minutos iniciais da partida contra o País das Maravilhas, quando o atacante Sabugosa, debaixo de sol quente, começou a virar pipoca e precisou ser retirado às pressas do campo.

Em seu lugar entrou o Saci-Pererê. Embora competente nos saltos e cabeceios, o Saci não mostrou a mesma eficácia no ataque, levando tombos homéricos ao tentar seus chutes a gol. O País das Maravilhas acabou vencendo por 3 a 0.

A seleção do Sítio precisa vencer a Latvéria, no domingo, se não quiser voltar pra roça mais cedo.

É o bicho, é o bicho

O capitão da equipe da Terra do Nunca, James Hook, se assustou com a presença da Cuca, mascote do Sítio do Pica-Pau Amarelo, na cerimônia de abertura da Copa. "Pensei que fosse o velho inimigo que me levou a mão”, declarou, recuperando a compostura após sair correndo em desespero pelo gramado. Corre o boato de que "Nana nenê, que a Cuca vem pegar" tornou-se a música favorita de seus companheiros de time.

Quero ser grande

Passam bem os dezoito liliputianos que acabaram no hospital depois da partida Liliput 2 X 1 Ilha Nublar, pisoteados por um chiuaua distraído.

E lá vamos nós!

A Acme Corporation lança hoje mais um comercial da série "Seja multi, seja Acme". Depois do Agente Smith e dos clones de Jango Fett, quem protagoniza o vídeo agora é Multi-Homem, da banda Os Impossíveis. O VT aproveita a Copa do Mundo para divulgar as novas chuteiras da Acme, mostrando um campeonato de futebol em que cada time é formado por 11 cópias do guitarrista.

O comercial foi criado pela Extraordinária Comunicação e estréia em horário nobre, no intervalo de "Comichão e Coçadinha".


"I´m not sheep dog no..."

segunda-feira, 12 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Amistoso entre Krypton e Terra do Nunca gera polêmica interplanetária

por Lucas Paio

Falta de organização, fiscalização e espírito esportivo marcaram o amistoso de ontem, quando a seleção anfitriã da Terra do Nunca enfrentou o time do planeta Krypton num jogo vergonhoso e desonesto.

A partida inaugurava o Skull Rock Stadium, especialmente construído para a Copa do Mundo das Terras Imaginárias, e seguia uma certa tradição do mundial: o primeiro amistoso antes do início do torneio é sempre entre o time da casa e um planeta convidado. Na edição passada, por exemplo, os amalucados jogadores de Pepperland perderam de goleada para os frios e racionais alienígenas de Vulcano.

O jogo de ontem começou após o show de abertura da banda Mermaids, que hipnotizou, literalmente, grande parte dos presentes. A seleção da Terra do Nunca entrou logo depois, ovacionada pela torcida. Formada exclusivamente por piratas, a equipe tem sido duramente criticada pelo rigoroso treinamento a que supostamente tem submetido seus atletas. Afogamentos, ataques de tubarões e enforcamentos acidentais vêm sistematicamente eliminando os jogadores que vão mal nos treinos, e, embora a comissão técnica negue qualquer relação entre as mortes e a qualidade futebolística de sua equipe, nem a equipe nem os torcedores negam uma certa satisfação quanto à expressiva melhora nos resultados.

Porém, a imbatível superioridade do time de Krypton se fez notar assim que a partida teve início. Quiliocampeões da Liga Interplanetária, os kryptonianos demonstraram velocidade e habilidade logo no começo do jogo, quando marcaram seu primeiro gol aos três segundos e meio. Embora tecnicamente competentes, os piratas tiveram sérios problemas com a aparente invulnerabilidade dos kryptonianos. Além disso, acredita-se que vários lances importantes foram prejudicados pela visão limitada que proporcionavam os tapa-olhos de alguns dos atletas. Ao fim do primeiro tempo, o desespero tomava conta da seleção da Terra do Nunca: a equipe adversária contabilizava nada menos que incríveis 39 gols no placar.

Depois do intervalo, no entanto, o que se viu foi outra partida. O time de Krypton retornou ao campo completamente apático, fraco, sem energias. Os atacantes Born-El e Leon-El, destaques no primeiro tempo, não conseguiam sequer passar pelo mais franzino dos zagueiros da Terra do Nunca, enquanto o goleiro Taphar-El chegou ao cúmulo de dormir em campo, causando profunda indignação nos torcedores. Placar final: 39 para Krypton, 213 para a Terra do Nunca.

O time convidado só foi salvo de um linchamento graças à perspicácia do árbitro da partida. Desconfiado da inesperada virada da seleção anfitriã, o juiz Joseph Dredd pediu à comissão de arbitragem uma rápida busca pelo estádio, que resultou na descoberta de uma enigmática pedra verde escondida atrás do vaso sanitário do vestiário de Krypton. Suspeita de ser a causa da apatia dos kryptonianos, a pedra foi levada a um laboratório para exames. Espera-se que ainda esta semana o estranho caso de dopping às avessas seja solucionado.

Numa entrevista concedida à imprensa logo após a partida, o capitão da equipe, James Hook, falou sobre a polêmica: “Não, eu não sei nada sobre essa tal pedrinha que acharam na privada dos etês. E mesmo que eu soubesse, qual é o problema? Os caras chegam esbanjando confiança, estufando o peito, chamando a gente de cara-de-pau. Só que ninguém lembra que eles têm visão de raio X, superaudição, essas coisas. E com certeza deviam estar escutando e prestando atenção enquanto a gente repassava nossas táticas antes da partida. Eles podem roubar e a gente não, é isso? Bom, o placar só fez jus à competência de cada time. E quer saber? Quero mais é que se explodam, eles e o planeta deles.

A Ilha da Caveira enfrenta hoje à noite o combinado de Springfield, no último amistoso antes do início da Copa.


O capitão James Hook: orgulho de ser perna-de-pau.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Seleções começam a chegar à Terra do Nunca

por Lucas Paio

Várias equipes desembarcaram hoje na longínqua e imutável Terra do Nunca, onde tem início em poucos dias a Copa do Mundo das Terras Imaginárias. Será a centésima nona edição da competição, que traz esse ano 32 seleções, oito a mais que o último torneio, sediado em Pepperland.

Milhares de torcedores dos cantos mais insólitos do planeta são esperados na ilha. O local recebeu consideráveis melhorias em sua infra-estrutura, incluindo a construção de um moderno estádio no alto da Pedra da Caveira e um reforço no policiamento para conter um possível aumento no tráfico ilegal de pó-de-pirlimpimpim.

O retorno dos reis
A equipe da Terra-média, atual campeã do mundo, foi recebida hoje de manhã por uma torcida fanática e fervorosa. O elfo Círdan Linwëlin, atacante do Rivendell e principal estrela da seleção, foi o maior alvo das câmeras e microfones e demonstrou confiança quanto aos jogos da primeira fase. “Estamos tranqüilos. Shadaloo e Nárnia podem oferecer algum desafio, mas nossas mentes estão voltadas mesmo às oitavas-de-finais, quando podemos enfrentar o perigoso time do País das Maravilhas”.

Em meio aos elfos, anões, humanos e hobbits que habitualmente integram a seleção da Terra-média, uma novidade: esta Copa marca a primeira participação de um orc em mundiais. O zagueiro Gazat-matûrz, do Mordor Maniacs, representa um importante passo na luta contra o preconceito e o racismo, apontados como a principal causa de guerras internas em seu país. Gazat-matûrz parece contente com a atenção que vem recebendo da imprensa. “Orghgh rrgahahr roghharrgh”, declarou hoje, em entrevista coletiva.

A série de amistosos que precede a Copa começa nesta quarta-feira, quando a anfitriã Terra do Nunca enfrenta os alienígenas do planeta Krypton. Na quinta a Terra-média poderá mostrar um pouco de seu tão falado futebol no amistoso contra o combinado de Patópolis.


Segunda estrela à direita e reto até o amanhecer: Pedra da Caveira é
palco do Skull Rock Stadium, mais moderno estádio da Terra do Nunca.


domingo, 4 de junho de 2006

De gol em gol, com direito a replay



Resolvi comprar um guia da Copa, daqueles que nos abastecem com utilíssimas tabelas de jogos, insólitas curiosidades dos torneios anteriores e os tradicionais comentários e expectativas sobre cada seleção. Afinal, como dizer que faltarei ao trabalho porque tenho cidadania de Trinidad e Tobago e preciso porque preciso assistir também aos jogos da grande potência caribenha, se não sei nem que seu maior destaque é Dwight Yorke e joga no time australiano de Sydney?

A diversidade na seção de revistas da livraria impressionava. Os preços iam de R$3,50 a R$11,90, e o conteúdo acompanhava a variação: enquanto o guia oficial da Fifa, o guia da Placar e o especial da Veja eram repletos de entrevistas, notícias e diagramação arrojada, a revistinha de R$3,50 parecia visar mais o público de uma Contigo, com o Kaká na capa e as várias páginas dedicadas aos adesivos do Brasil.

Escolhi o melhor custo/benefício: por R$4,50 não pude ter acesso a notícias de última hora ou designs fora do usual, mas levei pra casa informações preciosas como o ranking da Fifa (205 seleções, do Brasil à Samoa Estadounidense) e o resultado de todos os jogos de todas as competições anteriores, ao melhor estilo Sports Almanac. Onde mais eu poderia encontrar a lista com todas as partidas de Copas do Mundo que Belo Horizonte já sediou?

(Não é lá uma lista muito extensa:

25/06/1950 (Independência) – Iugoslávia 3 x 0 Suíça
29/06/1950 (Mineirão) – Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra
02/07/1950 (Mineirão) – Uruguai 8 x 0 Bolívia)

Os comentários sobre cada time também são de grande valia e dão uma idéia do que podemos esperar de alguns de nossos temíveis adversários. Por exemplo:


Austrália
A maior motivação para o mundial de 2006 para os australianos é marcarem o primeiro gol do país na competição – pois em 1974 o ataque passou em branco.


Togo
Pelo que vem demonstrando em campo, a equipe deverá ir a passeio para a Alemanha, com um elenco fraco e raros destaques.


Trinidad e TobagoA seleção, estreante em mundiais, vai à Copa para aprender e não tem maiores pretensões – sequer de passar para as oitavas-de-final.

É. Talvez seja melhor mudar minha dupla cidadania. Quem sabe Gana?

sábado, 3 de junho de 2006

Taça na raça


Finalmente consegui minha camisa do tetra.

Não que fosse um sonho de consumo: o objetivo que tinha ao sair de casa hoje era trocar minhas cinco tampinhas de Guaraná (junto com uma quantia irrisória de apenas nove e noventa!) não pela celebração da mira sofrível de Baggio, mas pela saudosa camisa da copa de 70, com suas três estrelinhas flutuando sobre o escudo da CBD. Só não imaginava que a promoção fosse bombar tanto assim.

Pros alheios aos trocentos panfletos e propagandas de tevê, funciona assim: você compra um punhado de guaranás, empurra o troça goela abaixo da família toda, mesmo que queiram coca, e depois troca as tampinhas e a nota de dez por uma das cinco camisas disponíveis nos postos de troca, cada qual homenageando uma das Copas do Mundo em que a seleção canarinho sagrou-se campeã.

Assim, temos a camisa branca com gola pólo azul de 58, a camisa verde com gola amarela de 62, a supracitada amarelinha do tri, a supramostrada azulzinha do tetra, e a de 2002, a mais sem graça, já que é a atual e se acha em qualquer shopping oi. Geralmente, é a que vem em maior quantidade, e sempre sobra no final.

Ontem passei no Super Nosso munido das tampinhas, mas já era noite e tava tudo esgotado. Tudo bem, planejei, amanhã chego cedo e garanto a minha. Eis que chego hoje com minha mãe e me deparo com uma fila aterradora de quase trinta pessoas, algumas marcando presença na fila desde as oito da manhã, e isso que já eram 11h.

Tinha de tudo: senhores que lembravam vividamente de 58, pais de família atendendo aos pedidos dos filhos, ex-alunos da minha mãe (qualquer lugar que vai ela encontra um ex-aluno) e até um sargento de polícia, que disse uma coisa bem provável: além da incompetência da Antarctica, que não faz camisetas suficientes para suprir a demanda, muito desse esgotamento rápido se deve às pessoas que pegam um monte de camisas pra vender depois que a promoção acabar. A quantidade de gente pegando cinco, seis, dez camisas era enorme e fez o estoque acabar em uma hora, e quem se beneficia é só o mercado negro-verde-amarelo.

Vá lá, a promoção ainda dura mais uns dias, quem sabe consigo lembrancinhas de 70, quiçá de 58 e 62. (2002 está fora de cogitação, eita treco besta.)

A copa de 94 foi a que mais curti. Tinha nove anos de idade e da anterior, além de ser um fiasco para os brasileiros, só me restou um flash na memória. Já de USA 94 lembro dos jogos, de onde assisti cada jogo, dos placares, do soco de Leonardo em Tab Ramos que lhe valeu um cartão vermelho, da promoção do Faustão durante o show do intervalo, das inúmeras tabelas que eu mantinha e atualizava a cada partida, do dopping do Maradona, do cabelo do Valderrama. Não só faço parte da comunidade "Eu tinha o álbum da copa de 94" como ainda tenho o dito cujo cá em casa, completo (admito, pedi as que faltavam pelo correio), rabiscado e gordo, já que o álbum foi um dos últimos remanescentes da era pré-auto-colantes, e precisávamos gastar nossas Pritts e Cascolares lambuzando figurinha por figurinha.


Da época em que Dahlin e Klinsmann eram os craques do momento e a comemoração que bombava era o nana-nenê do Bebeto

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Salve Salvador! Parte II



Fitas & fittas

- Faz o primeiro pedido. Pronto? Agora faz o segundo. Pronto? Agora o terceiro.

Era vapt vupt, zás-trás, sem chance de recusar. Mal pusemos os pés nas pedregosas ruas do Pelourinho, debaixo do pé d´água já esperado, e imediatamente fomos abordados por quatro vendedores de penduricalhos. Todo lugar era a mesma marcação cerrada, amigo, amigo, um colar de presente pra você, agora leva esse aqui baratinho, mas no Pelourinho viramos alvo preferido da galera, com essa nossa cara de tudo menos de baiano.

E assim, sem que sequer pudéssemos matutar melhor acerca dos famosos três pedidos, vimos nossos pulsos receberem coloridas fitinhas do Senhor do Bonfim. Duas semanas depois, a minha permanece atada ao meu braço. Decidi deixar pra ver quando é que apodrece. As perspectivas não são animadoras: andei fuçando orkut afora em comunidades como “eu uso fitinha do Bonfim!”, e, pelo que pude averiguar, a vida média desses pedaços de pano costuma ultrapassar dois anos.

Bom, pelo menos foi de graça... (como se doesse o bolso levar 14 por um real)

¡Ola amigos!

Constatação da viagem: mineiros são gringos em terra de baianos.

Tudo bem, era óbvio que por baiano a gente não ia conseguir passar mesmo, branquelos daquele jeito, curtindo praia na chuva, entrando no mar aos pulos desengonçados. Agora... espanhóis?

Sim, eles achavam que éramos espanhóis. De início achamos que fosse apenas por causa do Leandro, de cabelo arrepiado e usando a camisa do Barcelona. “Ronaldinho, cuando vienes rogar aqui en el Brassil?”, zoavam os moleques. Mas quando, sozinho, recebi um “Buenas tardes” de um vendedor, é que percebi o quanto parecíamos deslocados.

Às vezes a gente entrava no clima:

- Amigo! Tienes un cigarete?
- No tengo, no tengo!

Noutras, principalmente na hora de pechinchar, fazíamos questão de afirmar nossa brasilidade. Dependendo do choro, o preço pra brasileiro podia chegar a um quarto do valor pros gringos.

Teve um vendedor engraçado que nos viu de longe e já veio portunholizando pra cima da gente.

- Pó falar português, aqui é tudo brasileiro – esclarecemos.
- Cariocas?
- Não, mineiros.
- Ah, então desculpa a ofensa.

Um velho calção de banho...

É bom
Passar uma tarde em Itapoã
Nadar no mar de Itapoã
Cheio de pedra em Itapoã
Pisar na lama em Itapoã

Passar uma tarde em Itapoã
Tomando chuva em Itapoã

Roupa enxarcada em Itapoã
Pneumonia em Itapoã ?


Estou como?

Conhecemos duas suecas na nossa última manhã em Salvador, durante o café da manhã no albergue. Mochilavam pelo nosso Brasil varonil: já tinham visitado o Rio de Janeiro, agora passavam pela Bahia e depois continuariam pelo nordeste, subindo para Recife, Natal, aqueles lados. Talvez devessem apenas ter pesquisado mais sobre as estações do ano: andavam injuriadas com aquela chuva toda, ainda mais depois de uma jornada de 29 horas num ônibus da capital carioca à baiana. (Isso de ônibus, pensa o Frejat que declarou que “iria a pé do Rio a Salvador”...)

Chamavam-se Sara e Pernilla. Pernilla era sueca típica, loira branquela, mas Sara tinha pele morena e poderia facilmente se fazer passar por baiana, como bem disse um ambulante que tentou nos vender suas quinquilharias. “Bota um colar e dois brincos de côco que ela vira uma baiana big beautiful!”, apontou.

Durante as poucas horas em que andamos com elas a pé pelos arredores, visitamos feirinha de artesanato, Museu Náutico da Bahia, praia, aprendemos palavrões, ensinamos outros tantos, e acabamos indo parar num site sueco de viajantes pelo mundo, onde, horas depois, as duas publicaram fotos e relatos da manhã passada com os quatro brasileiros insanos. Você aí que sabe ler sueco, por favor, traduza pra gente. Tá aqui.

Tá premiado

Algumas premiações que poderiam ter sido distribuídas durante nossa viagem:

>> Nome de Rua Mais Adequado: Em todos os nossos trajetos de ônibus pela cidade, mesmo sob os torós torrenciais que já previam os meteorologistas, pegamos engarrafamento uma vez apenas, a caminho do Pelourinho. O nome do lugar: Rua da Paciência.

>> Meio de Transporte Mais Barato: Sem dúvida o Elevador Lacerda, notória construção que liga o Pelô à Cidade Baixa, e que custa a módica bagatela de 5 centavos. Agora, vai arranjar 5 centavos trocadim assim...

>> Situação Mais Improvável: Uma sueca passando frio em Salvador. Tudo bem, estava chovendo e ela tinha acabado de sair do morno mar direto pro vento gelado, mas ainda assim, pensa só: é uma sueca passando frio em Salvador. Não é avulso?

>> Prêmio “Não Entendi”. Eu e Leandro no Aeroclube, numa barraquinha de comida baiana: “Moça, tem cuscus?” Seguem-se gargalhadas, dela e dos dois que a acompanhavam. “Por que a risada?”, queremos saber. “Aqui é só comida baiana, gente...”, respondem. Ficamos sem entender. Afinal, não era a música dos Novos Baianos que dizia: “Vai entrar no cuscus, acarajé e abará”?

>> Prêmio Poliglota Troglodita: Vai para um dos nossos amigos, confundindo os idiomas e comentando alto perto das suecas: “I want to fuck her”.

>> Preço de Cardápio Mais Sem Nexo: Uma barraquinha na Praia de Jaguaribe, na qual a vodka Natasha custava dois reais e a Smirnoff dois e cinqüenta. Uma Smirnoff de Assunção, provavelmente.

>> Top 3 Formatos de Orelhão

3 - Côco verde (com canudinho).



2 - Farol da Barra.



1 - Berimbau.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Salve Salvador! Parte I



Fim de semana em Salvadô, assim de bobeira, sem motivo aparente. Na verdade, a força que me impulsionou pra lá com mais três amigos foi aquela promoção da Gol: passagem aérea por 50 reais. Só pra constar, a passagem de ônibus pra Salvador custa o triplo (e indubitavelmente demanda mais tempo de transporte que uma hora e vinte). Resolvemos então passar uns 3 dias por lá, saindo sexta à noite e voltando na segunda à tarde, enforcando um dia de estudo e trabalho.

Muita coisa havia pra dar errado: reservamos um albergue às escuras, pela internet; não sabíamos qual seria nosso meio de transporte por lá; não conhecíamos lhufas da cidade; e a previsão climática, tanto nos weather channels quanto nos guias turísticos, era de chuva sem trégua.

No final das contas, o albergue era bacana e tinha até café da manhã, locomovemo-nos tranqüilos pela rede ônibus da cidade (mesmo que às vezes demorássemos uma hora e meia pra chegar à praia) e conseguimos nos guiar tão-somente pelas indicações dos nativos.

Já a chuva...

Causos do aeroporto

Aeroporto de Confins. Dezenas de adolescentes vestidos com uma camisa escrito "I Love Marina" urram e batem palmas pra qualquer passageiro que sai da área de desembarque, aguardando a hora de saudarem a amiga que vai chegar. Um desses festeiros aparece perto da gente com apitos na boca e poodle na mão, e nos explica que a tal Marina passou 8 meses no Canadá. Um comentário surge no ar: normalmente esse pessoal que faz intercâmbio volta meio acima do peso, né? Estamos nessa quando uma garota ultra-gorda desembarca e nosso amigo Fabel comenta com o cara: "Putz, essa aí deve ter ficado é oito anos no Canadá!"... Ele ri meio triste: "Essa é a Marina...", e vai embora cumprimentar a amiga.

Apertem os cintos...

Passagem de avião, 50 reais. Taxa de embarque, 20 reais. Sentar do lado do Adriano, que nunca tinha viajado de avião comercial na vida: não tem preço.

Começou com a negação: “Não, tô com medo não, quê isso”, muito embora tremesse um pouco e tivesse as mãos geladas. Depois veio a crise de risos nervosos, quando o avião começou a andar. O ápice foi na breve parada antes da decolagem: ele bateu no peito estufado repetidas vezes como um king kong e bradou aos céus e a todos que por ventura estivessem ouvindo (e todos no avião estavam realmente ouvindo): “Vem! Vem que eu não tenho medo! Pode vir! Vem!”. Logo que o bichão saiu do chão, ele calou-se e permaneceu imóvel e boquiaberto como uma criança assustada, até que sentisse estabilidade sob seus pés.

Depois pediu pra aeromoça pra visitar a cabine do piloto. E eu ainda fui com ele.

Top 5 alimentação na Bahia

>> Pititinga. Pequeno peixinho servido em porções, presença constante nos quiosques e bares. Era no preço dele que nos baseávamos na hora de escolher entre uma barraca e outra, quando a cerveja em ambas custava a mesma coisa.

>> Suco de umbu. Tinha sempre no café da manhã do albergue, cheguei a tomar três copos no último dia. Já dizia o ditado: como pode umbu ser tão gostoso?

>> Sorvete de jenipapo. Tenho a filosofia de sempre experimentar os mais exóticos sabores nas sorveterias. Incontáveis eram as opções no Aeroclube: mangaba, umbu, jenipapo. Resolvemos por um pedaço de jenipapo, mas não ficamos engasgados, nem com dor no papo.

>> Acarajé. Famoso bolinho frito de feijão fradinho, com vatapá (camarão em formato cremoso), salada (leia-se: tomate verde), camarão seco e pimenta (danger alert!!). Comemos um na porta do Mercado Modelo e outro no aeroporto, mas nesse último esqueci de especificar a quantidade de pimenta. Nem consegui terminar o diabo. Nosso amigo Léo, traumatizado com as alterações intestinais que lhe foram provocadas pelo primeiro, preferiu evitar essa segunda rodada.

>> Goiabinha do avião. Pelo preço da passagem, eu imaginava que fôssemos remando no porão da nave. E quando vi de longe, achei que a aeromoça nos trazia barrinhas de cereal sem-graça. Portanto, tive as expectativas duplamente superadas, o que torna a goiabinha digna de figurar nesse top 5.

Top 5 erros grotescos em cardápios ou placas

>> Baycon (ou sua variação: baicon).

>> Strogonoft.

>> Chatrobian.

>> Feijão furadinho.

>> Calças infantins.

Top 3 trocadilhos em peças publicitárias

>> Campanha na rua: “Acidente de moto? Não caia nessa.”

>> Cartaz de restaurante: “Quem tem boca vai ao Ramma”.

>> Outdoor de gráfica: “A melhor CÓPIA DO MUNDO É NOSSA” (cores verdes e amarelas pra ressaltar a sacada genial).

Confira em breve a parte II, com as chuvosas aventuras no Pelourinho, nossa não menos chuvosa tarde em Itapoã e a certeza de que mineiros são gringos numa terra de baianos.

sábado, 22 de abril de 2006

Vaqueiro espacial



Diálogo no MSN:

- Ela deixou de ir no show do Jamiroquai pra ficar teclando comigo...
- Isso é o que eu chamo de Virtual Insanity.

(Tum dum tzzzz)

Falando nisso, tem Jamiroquai na nova programação da Rádio Biselho, além de ABUNN, Fóllen e algumas das músicas mais legais do mundo. Tem preciosidades como "My Girl" com Jackson 5, clássicos oitentistas como "Video Killed the Radio Star" e a doce "Sugar Sugar", que foi tema de alguma novela cujo nome não me lembro. Era Vale Tudo?

01. ABUNN - Capitão Garrancho
02. Fóllen - Fóllen
03. Buggles - Video Killed the Radio Star
04. Archies - Sugar Sugar
05. Red Hot Chili Peppers - Love Rollercoaster
06. Strokes - Reptilia
07. Santa Esmeralda - Don´t Let Me Be Misunderstood
08. Jackson 5 - My Girl
09. Jamiroquai - Space Cowboy
10. Platters - The Great Pretender
11. Robbie Williams - Mr. Bojangles
12. Agnaldo Timóteo - Sorria Meu Bem
13. Aerosmith - Pink
14. Paralamas - Um Pequeno Imprevisto
15. Foo Fighters - M.I.A.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

O Leino do Amanhã

A equipe do bISELHO não perde tempo e descolou uma entrevista exclusiva com o roteirista do filme "Depois da Última Coelhada", Lucas Paio. O curta-metragem narra um encontro de Mônica e Cebolinha vinte anos depois da última vez que se encontraram. Traz Juliana Jardim e Saulo Senra nos papéis principais e tem estréia prevista para maio. Na direção, Clarissa Funghi, além de uma equipe de produção que conta também com Daniel de Pinho, Bernardo Silveira, Ariane Alves, Bernardo Silvino, Lívia Salgado e Mariana Alves. Confira o bate-papo que rolou com Lucas:

bISELHO: Então, Lucas... Primeiro a gente queria saber: em que pé está o filme?
Lucas: A gente terminou as filmagens nesta quarta-feira, dia 19. Foram duas manhãs de gravações, e nem deu tempo de filmar todos os planos que a Clarissa (diretora do filme) tinha em mente. Mas não tem outro dia pra filmar mais, o cronograma tá apertado pra burro... A edição tá marcada pro início da semana que vem. Falta também escolher a trilha sonora, ver se o Chico Buarque libera os direitos pra gente... De um jeito ou de outro, em maio tá pronto.


Clarissa Funghi e sua mãozinha, Juliana Jardim como Mônica, Saulo Senra Cebolinha "anarriê" e Lucas Paio coçando a cabeça

bISELHO: Vamos começar do começo. Como surgiu essa idéia de fazer um curta sobre o futuro da Turma da Mônica?
Lucas: Surgiu no ano passado, acho. Tive a idéia pra esse futuro meio sombrio, o Cebolinha virando um fracassado na vida, e a intenção era fazer um curta-metragem mesmo... Como era um troço extremamente complicado, precisava de dinheiro, atores e tal, comecei a pensar numa história em quadrinhos... Acabou virando um texto que publiquei aqui mesmo, no bISELHO.

bISELHO: Mas se um curta era tão complicado assim, o que mudou pra que ele fosse feito agora?
Lucas: Mudou que esse semestre eu tenho uma matéria na faculdade chamada RTVC II. RTVC é Rádio, Televisão e Cinema. E um dos trabalhos que a gente tem é produzir um curta, temos à nossa disposição câmera, estúdio, ilha de edição... Daí escolhemos adaptar esse conto da Mônica e do Cebolinha.

bISELHO: No texto original, a ação se passava dentro de um supermercado. Mas não é assim no filme, é?
Lucas: Não, tivemos que mudar. O supermercado ia ficar muito difícil de se reproduzir num estúdio, teria que ter prateleiras, produtos, e ainda mais em estúdio pequeno. Seria toscão. Então resolvemos mudar o cenário pra uma sala de espera de um consultório... O propósito, que era proporcionar um encontro casual dos dois personagens, ia continuar o mesmo... Só tivemos que fazer algumas alterações. No lugar do funcionário do supermercado, por exemplo, entrou a secretária do consultório. O começo e o fim do filme estão bem diferentes do conto, tem até a profissão da Mônica, coisa que não tinha lá no texto original.

bISELHO: E a escolha do elenco, foi complicada?
Lucas: Ah, deu um certo trabalho. É difícil achar ator assim, de uma hora pra outra, pra filmar sem ensaio nem nada numa segundona de manhã... Inicialmente os atores seriam o Daniel de Pinho, que é integrante da equipe de produção, e a Amana Zanella, chinchila da turma. Mas descartamos a idéia pela total ausência de experiência dramática dos dois, e também porque queríamos atores mais velhos, com mais de trinta pelo menos. Aí tem uma menina no quinto período do meu curso que faz teatro na Puc, a Paula. Resolvemos olhar com ela, ver se ela lembrava de alguém com o perfil que a gente tava querendo. Ela lembrou da Juliana e do Saulo, mandou uma foto dos dois pra gente, nós vimos que ia encaixar nos papéis e pedimos pra ela ver com eles se eles aceitavam. Aceitaram. Isso menos de uma semana antes da gravação, foi um alívio a gente conseguir os atores... foda foi só a falta de tempo pra ensaiar, as filmagens foram logo depois do feriadão da Semana Santa, os atores viajaram...

bISELHO: E as filmagens foram tranqüilas?
Lucas: Foi, foi tudo tranqüilo. Tivemos uns contratempos, o fio do microfone aparecendo toda hora que obrigava a gente a regravar um monte de cenas... a Juliana que chegava atrasada, ela mora em Brumadinho e tinha que pegar um trânsito enorme até chegar lá... Mas foi de boa. A Paula, a menina que arrumou os atores, até fez uma ponta como a secretária do consultório...


Juliana Mônica, Clarissa Brokeback Mountain, Saulo Cebolinha e Lucas Paio dix coxtax

bISELHO: Perdoe a pergunta meio indiscreta, mas o filme está orçado em quanto?
Lucas: Até agora a gente gastou exatamente... dois reais. (Risos) Um real foi pra tirar xerox do roteiro pra todo mundo ter uma cópia, e o outro real foi pra comprar chá mate e colocar na garrafinha que o Cebolinha toma no final do filme, pra parecer que era uísque... A gente até tinha uísque de verdade, mas era a primeira cena do dia, melhor não arriscar... (Risos)

bISELHO: E aquele outro curta-metragem que seria produzido este ano? O das lagartixas? Não vai rolar mais não?
Lucas: Vai, se Deus quiser. Já temos a equipe pronta, basicamente a mesma do "Depois da Última Coelhada", com Bernardo Silveira no papel principal. Tá faltando é uma lapidada no roteiro, não encontramos ainda o enfoque certo, a abordagem mais legal... Nem o título a gente tem certeza de que vai ser esse mesmo... atualmente é "Trinta Coisas Pra Se Fazer Com Uma Colher e Uma Lagartixa", mas tamo achando muito, trinta coisas, às vezes pode ficar meio didático demais e atrapalhar o andamento do filme...

bISELHO: Bom, então é isso, Lucas. Brigadão pelo papo e boa sorte na pós-produção do filme. Queremos nosso DVD depois, hein...
Lucas: Pode deixar. Qualquer coisa tamos aí.


Equipe de produção: Lívia Maria anotadora de planos, Clarissa e o cinegrafista, Ariane e Lucas.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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