domingo, 26 de março de 2006

Koraba!



Começou no boteco da Das Dores, quando estávamos no primeiro período. A idéia era cada um escrever uma parte da história, mandar pro outro continuar, e assim ad infinitum. Até agora foram vinte e poucas idas e vindas, um número pequeno se levarmos em conta que sete períodos já se passaram desde o início das escritas. Dessa vez não sou eu o culpado pelo projeto inacabado: culpem o Michel, tá na vez dele desde, sei lá, 2004.

Fui o encarregado de iniciar o projeto, e aproveitei um início de história que tinha em casa. Jack Qualquer Coisa era o nome do protagonista. Um azarado que trabalhava numa lanchonete. Mandei pro Michel, ele completou o arremedo de narrativa com mais um punhado de situações absurdas, e assim foi. Pouco a pouco, Jack Qualquer Coisa foi se aventurando (ou sendo aventurado) por caminhos cada vez mais insólitos, chegando a viver na prisão por três sórdidos anos e participar de uma guerra entre doninhas e chineses. Mas até hoje, quarenta páginas depois, Jack ainda não comeu ninguém.

De vez em quando um de nós terminava o capítulo de um modo absolutamente non-sense, só pra deixar o outro numa enrascada literária. Como quando, do nada, o Michel escreveu:

"Com dores múltiplas no corpo, Jack Não Sei O Que Houve percebe que está em um deserto de clima desértico, totalmente nu, exceto a um capacete de alumínio que misteriosamente aparecera em sua cabeça."

Sem me dar por vencido, continuei o capítulo e terminei assim:

"Subitamente, Jack sente-se zonzo novamente e se vê cercado por um milhão de chineses enfurecidos, gritando: “Koraba! Koraba! Koraba!”."

Outras vezes comentários eram deixados ao final dos escritos com o intuito de direcionar a próxima parte, ou jogar umas idéias soltas para serem usadas no futuro. Como esse:

Ufa! Foganço contará para Jack algo estarrecedor sobre seu passado: No passado (aí você utiliza aquele tom de cara viajado que o Fogaça usa), Foganço lutou contra um chinês poderosíssimo, conseguiu de alguma corta-lo com uma espada (será a de sete lâminas) mas devido ao poder da flauta do chinês (será a flauta a fawank?), este se multiplicava como uma planária. Seria a luta uma disputa por artefatos? Será que finalmente saberemos o que é Koraba? Quem é Múcio? Bicicleta líquida – um sonho de consumo

Jack Qualquer Coisa gerou até um programa de tevê, apresentado pelo Lata de Lixo, em que Lucas e Michel explicam seus planos de fama mundial e os projetos futuros envolvendo o Jack, como o aguardado longa-metragem com Pat Morita no papel do professor Foganço (infelizmente Pat Morita já não está mais entre nós... R.I.P). Até hoje nenhuma emissora se dispôs a exibir o programa.

Enquanto o Michel não escreve o próximo capítulo, que iniciará a nova saga Jack no Inferno, resolvi publicar, semanalmente, o que já temos até agora. Toda quinta-feira, no blog do Jack Qualquer Coisa. Koraba!

>> A nova temporada do Druida da Pocilga também está no ar, com a estréia do capítulo XV. Não precisam mais me ameaçar.

>> Melhor filme dos últimos tempos da última semana: A Máquina.

>> Melhor banda dos últimos tempos da última semana: Strokes. Por increça que parível, só fui descobrir os Strokes de verdade nesse início de ano agora. Top 5 do momento: "You Only Live Once", "Reptilia", "Heart in a Cage", "I Can´t Win" e "Soma".

>> Pode parecer loucura participar de mais um blog, mas em breve estarei ativamente no novíssimo BH Apresenta, que trata da cena rock independente de Belzonte. Cessá sesseons pasnassavás?

>> Meu amigo Bernardo Silvino sempre se queixava de cair num site de estudos bíblicos toda vez que tentava entrar no meu blog. Um dia, puto, deu um print screen na tela e me mandou. Uma olhadela no screenshot bastou para que eu matasse a charada. Quem descobrir também ganha uma palavra de congratulação. (Clique para ampliar)

quinta-feira, 16 de março de 2006

Dizem que sou Louco

Uma inesperada continuação do post anterior



Estou eu no trabalho, travando uma batalha contra os maléficos bugs que atravancavam o Word, quando liga minha mãe e diz:

- Chegou outro pacote do Mauricio de Sousa pra você!

Sim, amigos. Um novo desenho do Louco, dessa vez não de canetinha azul mas de giz de cera preto, a mesma assinatura mauricesca e o mesmo balãozinho: "Oi, Lucas". A explicação para a louca duplicidade é simples: mandei meu endereço duas vezes, imaginando que da primeira vez ele não tinha chegado ao seu destino virtual. Cheguei depois a cogitar a vinda de dois desenhos, mas esse pensamento logo se evaporou, eles iam perceber que tinha dois nomes iguais na lista. Pois não perceberam. E agora tenho dois desenhos exclusivos de Mr. Sousa prontos para virarem quadros.

Melhor que isso, só essa notícia aqui: "Britânica encontra autógrafo de John Lennon no lixo."

quarta-feira, 15 de março de 2006

Loucura loucura loucura

Numa lista dos caras mais legais do mundo, que já inclui Keith Richards, Sílvio Santos e o Menino Maluquinho depois de adulto, Mauricio de Sousa certamente ocuparia uma posição de prestígio. Senão vejamos: ele não só faz parte da comunidade da Turma da Mônica no orkut, como ainda participa ativamente de tópicos e discussões. O Bono por acaso participa de alguma comunidade do U2? Nem a Katilce que é fã participa...

Não pára por aí. No final do ano passado, alguém abriu um tópico na comunidade monical onde propunha um abaixo-assinado para que o criador da(s) Mônica(s) (a fictícia e a verdadeira) fizesse um desenho exclusivo para ilustrar a comunidade. Poucos dias após o início do tal abaixo-assinado, eis que surge sua primeira resposta:

"desenho? tá!...
tá bem. faço um desenho exclusivo para o comunidade.
vcs venceram (rsrsrs)
mas estou viajando hoje para os EUA. volto em dez dias. e daí capricho num original pra vcs...
"

A massa foi ao delírio com o sucesso de sua petição, claro. Mas ele foi além. E eis que, ao voltar da supracitada viagem, deixa a seguinte mensagem no tópico:
"pronto.
estou com papel e lápis para fazer um desenho PERSONALIZADO. pra cada um dos meus amigos daqui da comunidade.
durante a semana vou combinar com o paulo back a melhor maneira de enviar.
um abraço
"

O delírio foi elevado ao cubo, mas com a empolgação vieram as dúvidas: será isso mesmo? Um desenho pra cada um? Como pode? É festa da uva? Semanas se passaram e as interrogações ainda flutuavam pelo céu da ansiedade quando Paulo Back, notório roteirista dos Estúdios Mauricio de Sousa, fez chegar aos azulados fóruns orkutianos mais um recado:

"Gente, o Mauricio pediu para eu coletar o endereço de vcs para o envio do desenho. Portanto, mandem o nome, endereço e CEP para o meu e-mail paulback07@hotmail.com. Não mandem scrap. Só coloquem ‘endereço’no título para ser melhor de organizar, ok?. Que presentão, hem? Abração e boa sorte"

Adiante, um adendo:

"Conforme eu já postei ali em cima ( e aqui em baixo ), é para mandar o endereço para mim, e o Mauricio pediu também para colocar o nome do PERSONAGEM PREFERIDO ( apenas um e somente um ) junto com os dado, que este será o desenho que irão receber autografado."

Lido aquilo, não hesitei em usufruir do hotmail e enviar meus dados pessoais ao assistente do Mauricio. E ainda redigi: "Personagem preferido: O LOUCO". Isso foi em janeiro. Não posso dizer que acreditava com todas as forças que o desenho realmente chegaria às minhas mãos, principalmente porque outras tantas semanas se passaram e o tópico na comunidade pareceu morrer, tanto que acabou relegado à segunda página, quiçá à terceira.

Então subitamente, numa noite de quinta-feira no início de março, eis que o correio da minha casa foi agraciado com um pacote pardo onde se lia meu nome, meu endereço e o remetente: "Mauricio de Sousa Produções Ltda", além de um adesivão de "frágil, cuidado" e o logotipo com a cara do Bidu, o cão azul. Dentro do pacote, inexplicavelmente, havia ainda um envelope da FedEx (!!), o que soa ainda mais estranho se levarmos em conta que o carimbo dos correios era de São Paulo.

Depois do momento Tom Hanks, pus as mãos, finalmente, no desenho. O Louco esboçado de canetinha azul, num papel timbrado escrito "orkut - comunidade Turma da Mônica", um balãozinho me saudando e a assinatura: Mauricio 06. Qualquer dia desses ponho uma moldura e transformo o Louco em quadro na parede. Enquanto isso, deixo-o para apreciação aqui mesmo, em bits e bytes.

domingo, 12 de março de 2006

Pumping on your stereo



Enquanto não scanneio e publico a imagem que certamente fará meus leitores roerem-se de inveja, expando o bISELHO a níveis ainda mais multimidiáticos, e, além de novas músicas na Rádio bISELHO que não era atualizada já há algum tempo, deixo aqui os links para vídeos exclusivos e inéditos que você nunca viu antes:

>> O gracioso nado do ornitorrinco

Uma rara visão de um monotremo se exibindo para a platéia do Aquário de Sydney.

>> O bêbado e o AC/DC

Tendo como pano de fundo a notória Opera House de Sydney, o vídeo mostra o quão extremas as pessoas podem ser quando tentam conseguir dinheiro. Enquanto vários "colegas" à sua volta tocavam violão ou faziam malabarismos exóticos, para este bêbado bastou um micro-system, um par de chocalhos (??!) e uma conhecida canção de seus conterrâneos do AC/DC.

>> Uma arena deserta. Um espectador. Um programa infantil.

O nome já diz tudo.

>> Pula pula pula canguru

Cangurus saltitam, são bicados por patos ensandecidos e correm atrás da gente no zoológico de Illawong, ao som de Kings of Leon.

>> Fire!

The guitar! The guitar! The guitar is on fire!

>> O Amolador

Ele amola facas, tesouras e cortadores de unhas, e é um ícone da cultura popular. Aqui ele aparece com seu brado tradiocinal e seu apito indefectível, capturado pela nossa câmera indiscreta através da janela.

>> Ridículo

Era pro Bruno tirar foto, mas ele apertou o botão do vídeo. É isso que ficou: ridículo.

Vale lembrar:

A nova seleção de canções da Rádio bISELHO conta com as seguintes pérolas musicais:

01. ABUNN - Que Pena (momento propaganda)
02. Strokes - You Only Live Once (faixa de abertura do novo álbum)
03. Mutantes - I Feel A Little Spaced Out (versão de Ando Meio Desligado)
04. Supergrass - Pumping On Your Stereo
05. Muse - Time Is Running Out
06. Saltimbancos - A Cidade Ideal
07. Sapatos Bicolores - A Cobrar
08. Tuatha de Dannan - The Last Words
09. Egberto Gismonti - Baião Malandro
10. Artic Monkeys - When The Sun Goes Down
11. Yes - Roundabout
12. Hair Soundtrack - The Flesh Failures / Let The Sunshine In

domingo, 5 de março de 2006

Un, dos, tres, Katilce!



U2 em Sampa: a resenha de quem viu ao vivo
por Tullio Thiago, nosso enviado especial em São Paulo

Há duas semanas atrás, mais precisamente no dia 20 de Fevereiro de 2006 às 21:30h no estádio do Morumbi em São Paulo, aconteceu o show mais esperado e festejado dos últimos tempos e no mesmo final de semana que o não menos importante show do Rolling Stones. Foi sem dúvida o "pré-carnaval" mais rock n’roll que os brasileiros já viram...

O show do U2 pode ser dividido em 3 partes:

1) A angústia, suor, dificuldade de conseguir os ingressos. (Se não fosse a minha irmã carioca, não teria ido ao show. Eternamente grato!) Depois a fila gigante no dia do show, toda a espera até o inicio do show do Franz (que são muito bons ao vivo, pena que o povo não conhecia outra música que não fosse "Take Me Out") até a introdução de "City of Blinding Lights" e o Bono Vox surgindo na minha frente com a bandeira do Brasil.

2) O show. O meio do show. O primeiro bis. A pausa. O fim do show.

3) Acordar do sonho e voltar para casa.

Cheguei no estádio às 10h, e já tive que sair falando mentira com os gaúchos que estavam atrás de mim. "Pô, a minha amiga esqueceu os ingressos no quarto de hotel. Teve que ir lá voltar, estou guardando lugar para ela..." Tudo isso por medo de que a pessoa que comprou o meu ingresso ficasse sem entrar junto comigo, e estava realmente cheio lá. Teve gente que criou problemas com a fila, mas eu achei bem organizado. Fiquei acompanhado de uma amiga goiana e juntos bebemos mais de 1 litro de água, além de tentar inventar vários jogos para distrair, mas o tempo não passava. Os portões iriam abrir às 15h e faltando pouco para isso, a responsável por eu ter um par de ingressos no bolso me ligou falando que tinha acabado de chegar no estádio e estava descendo do ônibus. Ela conseguiu chegar a tempo de entrar na fila e foi um alívio.

Antes de passar da roleta, os seguranças não deixaram eu entrar com as garrafas de água, ou seja, eles obrigam a gente a comprar copinhos que custam R$3,00. Um absurdo.
Já dentro do estádio, comecei a correr e escutei um segurança me xingando "Pô truta! Precisa correr não, cara, todo mundo vai entrar..." Nem escutei e quando vi a rampa de acesso para o campo, corri mais ainda e nem percebi que quando passei por uma roleta, eu estava dentro da área vip. A área mais desejada depois da hot area. Olhei para frente e vejo aquela passarela em que a banda toda costuma passar e ficar lá. Foi inacreditável. Na hora já comecei a mandar várias e várias mensagens pra todos os meus amigos ("meu, você não tem idéia do lugar que eu estou..." ). Passada a euforia inicial, o meu grupo sentou-se e começamos a conversar, até que os paulistas que estavam na nossa frente começaram a ter um acesso de raiva conosco ("Pô, meu! Eu quero sentar e se eu cair, vou cair na tua cabeça!" ) e ficou por isso mesmo (mentira. Tiveram outros atritos, um deles era meio gay e ficou cismado porque meu pé encostou na bunda dele. Aí eu fui tirar e ele não deve ter gostado...) Durante a espera, almocei um sanduíche do Bob´s e me sujei de catchup. Eventualmente alguém jogava água na galera e parecia que a pessoa queria molhar só o Nicolas (que veio do Rio junto da Bruna e da Thayná) e quase estragaram o livro de jogos dele. O tempo foi passando, passando e finalmente, todos ficamos preparados para o show e para a guerra que os paulistas da nossa frente pretendiam criar...

Deu 20h e o show do Franz Ferdinand começou. O Franz é das melhores bandas que surgiram nos últimos anos, tem um repertório bem animado e dois cds bem fodas na bagagem (ahnm? ahnm??). O público tava meio lerdo no show deles, poucos conheciam o trabalho dos escoceses, mas eles deixaram uma boa impressão, principalmente pelo solo de bateria no fim. Demais. "Take Me Out" foi a única música que o Morumbi agitou. Todo mundo pulando, foi foda... Depois de "This Fire", o show terminou e ai foi o momento de toda nossa espera chegar ao fim...

As luzes apagaram e aí começou a rolar a introdução de "City of Blinding Lights". De repente, ele surge na minha frente (sim, meu. De verdade!!! Eu estava ali, no show do U2 com o Bono Vox na minha frente.)

Deu para arrepiar muito, todo mundo cantando, pulando e logo depois o Morumbi contou em espanhol. UN DOS TRES CATORZE... O estádio veio abaixo e o show tinha começado mesmo. "Elevation" veio logo depois, com um arranjo diferente do original. A galera toda cantando e o Bono chegou a falar: "OK, galera... agora é a nossa vez..." Com certeza, foi uma das melhores músicas do show. Então, a banda simplesmente taca "I Still Haven´t Found What I´m Looking For". Só a minha música favorita e de muuuuita gente que estava ali, emocionante ao extremo. Uma seqüência de clássicos, um show perfeito. "New Years Day", "Beautiful Day" e o Bono cantando a parte do Pavarotti em "Miss Sarajevo" e emocionando este que escreve esse texto. Ainda bem que apareceu um pequeno hobbit e me fez rir, porque senão iria derramar litros e litros de água... Antes de "One", todo mundo com celular ligado, o Morumbi se encheu de “luz”. Lindo momento que quem viu pela tv não teve idéia de como foi bonito. Depois de "With Or Without You" (todo mundo falou da Katilce, Katilce... mas ninguém mencionou o fato do Bono ter pegado a câmera DELA para ele... souvenir...) veio a primeira pausa. Estádio todo gritando e eles surgem com "All Because Of You". Antes da última música, eles tocam o novo single "Original of Species", com direito a imagens do clipe no telão. O show termina com o público cantando “How long... we will sing this song?” e com a presença solitária de Larry Mullen Jr na bateria. “Ele que começou a banda, é a banda dele” nas palavras de Bono Vox. Larry vai até a beira do palco e se despede daqueles que, com certeza, saíram do estádio com todas as expectativas superadas.

U2 em Sampa: a resenha de quem viu do sofá
por Lucas Paio, de Beagá City

Segunda-feira é um tanto complicado de se fazer festinha pra ver show, portanto vi a apresentação de Mr. Vox e seus asseclas pela tevê, sóbrio e acompanhado da minha mãe. Triste era saber ali, na hora, que o que eu estava vendo já tinha acontecido há pelo menos uns vinte minutos, graças à Globo de mierda. Observações finais: Viva Katilce. Abaixo Zeca Camargo.

quinta-feira, 2 de março de 2006

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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