quinta-feira, 15 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Marmelada de banana

O Sítio do Pica-Pau Amarelo, declarado país independente há quase vinte anos, não vem fazendo boa campanha em sua primeira Copa. Depois de amargar uma derrota para a seleção de Thundera, a equipe do Sítio sofreu um desfalque logo nos minutos iniciais da partida contra o País das Maravilhas, quando o atacante Sabugosa, debaixo de sol quente, começou a virar pipoca e precisou ser retirado às pressas do campo.

Em seu lugar entrou o Saci-Pererê. Embora competente nos saltos e cabeceios, o Saci não mostrou a mesma eficácia no ataque, levando tombos homéricos ao tentar seus chutes a gol. O País das Maravilhas acabou vencendo por 3 a 0.

A seleção do Sítio precisa vencer a Latvéria, no domingo, se não quiser voltar pra roça mais cedo.

É o bicho, é o bicho

O capitão da equipe da Terra do Nunca, James Hook, se assustou com a presença da Cuca, mascote do Sítio do Pica-Pau Amarelo, na cerimônia de abertura da Copa. "Pensei que fosse o velho inimigo que me levou a mão”, declarou, recuperando a compostura após sair correndo em desespero pelo gramado. Corre o boato de que "Nana nenê, que a Cuca vem pegar" tornou-se a música favorita de seus companheiros de time.

Quero ser grande

Passam bem os dezoito liliputianos que acabaram no hospital depois da partida Liliput 2 X 1 Ilha Nublar, pisoteados por um chiuaua distraído.

E lá vamos nós!

A Acme Corporation lança hoje mais um comercial da série "Seja multi, seja Acme". Depois do Agente Smith e dos clones de Jango Fett, quem protagoniza o vídeo agora é Multi-Homem, da banda Os Impossíveis. O VT aproveita a Copa do Mundo para divulgar as novas chuteiras da Acme, mostrando um campeonato de futebol em que cada time é formado por 11 cópias do guitarrista.

O comercial foi criado pela Extraordinária Comunicação e estréia em horário nobre, no intervalo de "Comichão e Coçadinha".


"I´m not sheep dog no..."

segunda-feira, 12 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Amistoso entre Krypton e Terra do Nunca gera polêmica interplanetária

por Lucas Paio

Falta de organização, fiscalização e espírito esportivo marcaram o amistoso de ontem, quando a seleção anfitriã da Terra do Nunca enfrentou o time do planeta Krypton num jogo vergonhoso e desonesto.

A partida inaugurava o Skull Rock Stadium, especialmente construído para a Copa do Mundo das Terras Imaginárias, e seguia uma certa tradição do mundial: o primeiro amistoso antes do início do torneio é sempre entre o time da casa e um planeta convidado. Na edição passada, por exemplo, os amalucados jogadores de Pepperland perderam de goleada para os frios e racionais alienígenas de Vulcano.

O jogo de ontem começou após o show de abertura da banda Mermaids, que hipnotizou, literalmente, grande parte dos presentes. A seleção da Terra do Nunca entrou logo depois, ovacionada pela torcida. Formada exclusivamente por piratas, a equipe tem sido duramente criticada pelo rigoroso treinamento a que supostamente tem submetido seus atletas. Afogamentos, ataques de tubarões e enforcamentos acidentais vêm sistematicamente eliminando os jogadores que vão mal nos treinos, e, embora a comissão técnica negue qualquer relação entre as mortes e a qualidade futebolística de sua equipe, nem a equipe nem os torcedores negam uma certa satisfação quanto à expressiva melhora nos resultados.

Porém, a imbatível superioridade do time de Krypton se fez notar assim que a partida teve início. Quiliocampeões da Liga Interplanetária, os kryptonianos demonstraram velocidade e habilidade logo no começo do jogo, quando marcaram seu primeiro gol aos três segundos e meio. Embora tecnicamente competentes, os piratas tiveram sérios problemas com a aparente invulnerabilidade dos kryptonianos. Além disso, acredita-se que vários lances importantes foram prejudicados pela visão limitada que proporcionavam os tapa-olhos de alguns dos atletas. Ao fim do primeiro tempo, o desespero tomava conta da seleção da Terra do Nunca: a equipe adversária contabilizava nada menos que incríveis 39 gols no placar.

Depois do intervalo, no entanto, o que se viu foi outra partida. O time de Krypton retornou ao campo completamente apático, fraco, sem energias. Os atacantes Born-El e Leon-El, destaques no primeiro tempo, não conseguiam sequer passar pelo mais franzino dos zagueiros da Terra do Nunca, enquanto o goleiro Taphar-El chegou ao cúmulo de dormir em campo, causando profunda indignação nos torcedores. Placar final: 39 para Krypton, 213 para a Terra do Nunca.

O time convidado só foi salvo de um linchamento graças à perspicácia do árbitro da partida. Desconfiado da inesperada virada da seleção anfitriã, o juiz Joseph Dredd pediu à comissão de arbitragem uma rápida busca pelo estádio, que resultou na descoberta de uma enigmática pedra verde escondida atrás do vaso sanitário do vestiário de Krypton. Suspeita de ser a causa da apatia dos kryptonianos, a pedra foi levada a um laboratório para exames. Espera-se que ainda esta semana o estranho caso de dopping às avessas seja solucionado.

Numa entrevista concedida à imprensa logo após a partida, o capitão da equipe, James Hook, falou sobre a polêmica: “Não, eu não sei nada sobre essa tal pedrinha que acharam na privada dos etês. E mesmo que eu soubesse, qual é o problema? Os caras chegam esbanjando confiança, estufando o peito, chamando a gente de cara-de-pau. Só que ninguém lembra que eles têm visão de raio X, superaudição, essas coisas. E com certeza deviam estar escutando e prestando atenção enquanto a gente repassava nossas táticas antes da partida. Eles podem roubar e a gente não, é isso? Bom, o placar só fez jus à competência de cada time. E quer saber? Quero mais é que se explodam, eles e o planeta deles.

A Ilha da Caveira enfrenta hoje à noite o combinado de Springfield, no último amistoso antes do início da Copa.


O capitão James Hook: orgulho de ser perna-de-pau.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

ESPECIAL: Copa do Mundo das Terras Imaginárias



Seleções começam a chegar à Terra do Nunca

por Lucas Paio

Várias equipes desembarcaram hoje na longínqua e imutável Terra do Nunca, onde tem início em poucos dias a Copa do Mundo das Terras Imaginárias. Será a centésima nona edição da competição, que traz esse ano 32 seleções, oito a mais que o último torneio, sediado em Pepperland.

Milhares de torcedores dos cantos mais insólitos do planeta são esperados na ilha. O local recebeu consideráveis melhorias em sua infra-estrutura, incluindo a construção de um moderno estádio no alto da Pedra da Caveira e um reforço no policiamento para conter um possível aumento no tráfico ilegal de pó-de-pirlimpimpim.

O retorno dos reis
A equipe da Terra-média, atual campeã do mundo, foi recebida hoje de manhã por uma torcida fanática e fervorosa. O elfo Círdan Linwëlin, atacante do Rivendell e principal estrela da seleção, foi o maior alvo das câmeras e microfones e demonstrou confiança quanto aos jogos da primeira fase. “Estamos tranqüilos. Shadaloo e Nárnia podem oferecer algum desafio, mas nossas mentes estão voltadas mesmo às oitavas-de-finais, quando podemos enfrentar o perigoso time do País das Maravilhas”.

Em meio aos elfos, anões, humanos e hobbits que habitualmente integram a seleção da Terra-média, uma novidade: esta Copa marca a primeira participação de um orc em mundiais. O zagueiro Gazat-matûrz, do Mordor Maniacs, representa um importante passo na luta contra o preconceito e o racismo, apontados como a principal causa de guerras internas em seu país. Gazat-matûrz parece contente com a atenção que vem recebendo da imprensa. “Orghgh rrgahahr roghharrgh”, declarou hoje, em entrevista coletiva.

A série de amistosos que precede a Copa começa nesta quarta-feira, quando a anfitriã Terra do Nunca enfrenta os alienígenas do planeta Krypton. Na quinta a Terra-média poderá mostrar um pouco de seu tão falado futebol no amistoso contra o combinado de Patópolis.


Segunda estrela à direita e reto até o amanhecer: Pedra da Caveira é
palco do Skull Rock Stadium, mais moderno estádio da Terra do Nunca.


domingo, 4 de junho de 2006

De gol em gol, com direito a replay



Resolvi comprar um guia da Copa, daqueles que nos abastecem com utilíssimas tabelas de jogos, insólitas curiosidades dos torneios anteriores e os tradicionais comentários e expectativas sobre cada seleção. Afinal, como dizer que faltarei ao trabalho porque tenho cidadania de Trinidad e Tobago e preciso porque preciso assistir também aos jogos da grande potência caribenha, se não sei nem que seu maior destaque é Dwight Yorke e joga no time australiano de Sydney?

A diversidade na seção de revistas da livraria impressionava. Os preços iam de R$3,50 a R$11,90, e o conteúdo acompanhava a variação: enquanto o guia oficial da Fifa, o guia da Placar e o especial da Veja eram repletos de entrevistas, notícias e diagramação arrojada, a revistinha de R$3,50 parecia visar mais o público de uma Contigo, com o Kaká na capa e as várias páginas dedicadas aos adesivos do Brasil.

Escolhi o melhor custo/benefício: por R$4,50 não pude ter acesso a notícias de última hora ou designs fora do usual, mas levei pra casa informações preciosas como o ranking da Fifa (205 seleções, do Brasil à Samoa Estadounidense) e o resultado de todos os jogos de todas as competições anteriores, ao melhor estilo Sports Almanac. Onde mais eu poderia encontrar a lista com todas as partidas de Copas do Mundo que Belo Horizonte já sediou?

(Não é lá uma lista muito extensa:

25/06/1950 (Independência) – Iugoslávia 3 x 0 Suíça
29/06/1950 (Mineirão) – Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra
02/07/1950 (Mineirão) – Uruguai 8 x 0 Bolívia)

Os comentários sobre cada time também são de grande valia e dão uma idéia do que podemos esperar de alguns de nossos temíveis adversários. Por exemplo:


Austrália
A maior motivação para o mundial de 2006 para os australianos é marcarem o primeiro gol do país na competição – pois em 1974 o ataque passou em branco.


Togo
Pelo que vem demonstrando em campo, a equipe deverá ir a passeio para a Alemanha, com um elenco fraco e raros destaques.


Trinidad e TobagoA seleção, estreante em mundiais, vai à Copa para aprender e não tem maiores pretensões – sequer de passar para as oitavas-de-final.

É. Talvez seja melhor mudar minha dupla cidadania. Quem sabe Gana?

sábado, 3 de junho de 2006

Taça na raça


Finalmente consegui minha camisa do tetra.

Não que fosse um sonho de consumo: o objetivo que tinha ao sair de casa hoje era trocar minhas cinco tampinhas de Guaraná (junto com uma quantia irrisória de apenas nove e noventa!) não pela celebração da mira sofrível de Baggio, mas pela saudosa camisa da copa de 70, com suas três estrelinhas flutuando sobre o escudo da CBD. Só não imaginava que a promoção fosse bombar tanto assim.

Pros alheios aos trocentos panfletos e propagandas de tevê, funciona assim: você compra um punhado de guaranás, empurra o troça goela abaixo da família toda, mesmo que queiram coca, e depois troca as tampinhas e a nota de dez por uma das cinco camisas disponíveis nos postos de troca, cada qual homenageando uma das Copas do Mundo em que a seleção canarinho sagrou-se campeã.

Assim, temos a camisa branca com gola pólo azul de 58, a camisa verde com gola amarela de 62, a supracitada amarelinha do tri, a supramostrada azulzinha do tetra, e a de 2002, a mais sem graça, já que é a atual e se acha em qualquer shopping oi. Geralmente, é a que vem em maior quantidade, e sempre sobra no final.

Ontem passei no Super Nosso munido das tampinhas, mas já era noite e tava tudo esgotado. Tudo bem, planejei, amanhã chego cedo e garanto a minha. Eis que chego hoje com minha mãe e me deparo com uma fila aterradora de quase trinta pessoas, algumas marcando presença na fila desde as oito da manhã, e isso que já eram 11h.

Tinha de tudo: senhores que lembravam vividamente de 58, pais de família atendendo aos pedidos dos filhos, ex-alunos da minha mãe (qualquer lugar que vai ela encontra um ex-aluno) e até um sargento de polícia, que disse uma coisa bem provável: além da incompetência da Antarctica, que não faz camisetas suficientes para suprir a demanda, muito desse esgotamento rápido se deve às pessoas que pegam um monte de camisas pra vender depois que a promoção acabar. A quantidade de gente pegando cinco, seis, dez camisas era enorme e fez o estoque acabar em uma hora, e quem se beneficia é só o mercado negro-verde-amarelo.

Vá lá, a promoção ainda dura mais uns dias, quem sabe consigo lembrancinhas de 70, quiçá de 58 e 62. (2002 está fora de cogitação, eita treco besta.)

A copa de 94 foi a que mais curti. Tinha nove anos de idade e da anterior, além de ser um fiasco para os brasileiros, só me restou um flash na memória. Já de USA 94 lembro dos jogos, de onde assisti cada jogo, dos placares, do soco de Leonardo em Tab Ramos que lhe valeu um cartão vermelho, da promoção do Faustão durante o show do intervalo, das inúmeras tabelas que eu mantinha e atualizava a cada partida, do dopping do Maradona, do cabelo do Valderrama. Não só faço parte da comunidade "Eu tinha o álbum da copa de 94" como ainda tenho o dito cujo cá em casa, completo (admito, pedi as que faltavam pelo correio), rabiscado e gordo, já que o álbum foi um dos últimos remanescentes da era pré-auto-colantes, e precisávamos gastar nossas Pritts e Cascolares lambuzando figurinha por figurinha.


Da época em que Dahlin e Klinsmann eram os craques do momento e a comemoração que bombava era o nana-nenê do Bebeto

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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