quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Vai, meu irmão

Cheguei em casa após uma madrugada etílica e encontrei um pacote sobre o sofá. Os relatos que já tinha lido a respeito vinham de São Paulo, principalmente. Por isso não imaginava que, tão cedo, um daqueles daria o ar da graça aqui na roça grande. Mas lá estava ele, um grande envelope branco, estampando dois touros escarlate que se encaravam ante um círculo dourado.

Dentro havia uma carta. Já na primeira frase, uma mentira: "Após tanta espera, crises de abandono, de ciúmes, motins e revoltas, o tão esperado dvd do Red Bull Paper Wings ficou pronto!" A inverdade não está nas crises de abandono ou nas revoltas mencionadas, que realmente existiram, ainda que virtualmente, por e-mails, orkuts e êmeésseênes. É só que não havia apenas um dvd dentro do pacote, mas dois, cada qual mostrando audiovisualmente uma etapa do inusitado campeonato de aviõezinhos de papel: a final brasileira, de que participei (e perdi), e a gran-finale mundial, que teve palco em terras austríacas.

Apareço como figurante no dvd brasileiro, mas brincando de onde está wally consegui me identificar em pelo menos três cenas. Em duas delas, lá estou eu no fundo, dobrando papéis e me esforçando em confeccionar um avião digno. Na terceira cena, estou tacando um dos aviões, na mais ridícula de minhas duas tentativas, que me valeu um vergonhoso 3.3 em 10. Mas tudo bem, apareço de costas, uma possível carreira na aeronáutica de celulosa não está totalmente prejudicada.

Já no dvd da final mundial, pude conferir os vôos dos terráqueos que subiram ao pódio na Áustria. O Diniz, brasileiro que tinha sido até entrevistado no Jô, venceu na categoria melhor tempo de vôo. Os dois outros títulos (maior distância percorrida e melhor vôo acrobático) ficaram, respectivamente, com um croata e um israelense.

Minha tristeza maior, no entanto, foi que no devedê não puseram as cenas do aeroporto de Congonhas e as entrevistas gentilmente cedidas no interior do ônibus que nos levou a Jundiaí. Mas taí o YouTube pra não nos decepcionar:

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Apertem os cintos...



Fui lá conferir o Vôo 93, de quem a crítica tão bem falou. Parte de uma premissa curiosa: narrar a história do único vôo do 11 de setembro que não caiu no alvo planejado pelos terroristas, pois os próprios passageiros se rebelaram antes e conseguiram desviar a rota. A recriação cinematográfica, comandada pelo Paul Gramaverde de A Supremacia Bourne, conta pontos pelo realismo e por não se render ao sentimentalismo patriótico maniqueísta um tanto difícil de fugir numa trama como essa. Mas sei lá, sabe o tipo de filme que você vê, acompanha e tal, e no final não acha nada de mais?

Antes da película aérea passou um trailer interessante de um filme sobre o fim da humanidade. É um tema que particularmente me agrada, esse. O problema é que o desenvolvimento do roteiro quase sempre avacalha tudo. Vide a porcaria que foi Impacto Profundo. Ou o recente Extermínio, que começa bacana, o cara acorda e não tem mais ninguém na Terra, pensamos “ó, um bom filme pela frente”. Só que começam a aparecer uns zumbis, e aí o terreno fica perigoso porque é praticamente impossível trabalhar com zumbis e evitar comparações negativas com a obra máxima do gênero, Fome Animal. Ainda assim, vá lá, temos um bom filme trash. Mas de repente entram os militares, aí não tem zumbi com gosma escorrendo pelo canto da boca torta que salve.

Bom, o tal trailer sobre o fim da humanidade. Dessa vez, nada de meteoros, zumbis ou era glacial. O que sucede é uma infertilidade em massa, ninguém mais consegue ter filhinho, e as previsões são de uns 50 anos pra humanidade sumir de vez. O início do trailer parecia bom, o cara mais novo do mundo morre aos 18 anos, a anarquia reina ao lado do caos. Mas quando começa aquela história de “a última esperança para a humanidade está nas mãos deste homem”, haja paciência. Ainda mais com um título horroroso desses: Filhos da Esperança.

Podiam mesmo era fazer uma adaptação de “Blecaute”, do Marcelo Rubens Paiva, onde apenas três pessoas continuam vivas numa São Paulo deserta após um apocalipse qualquer. Será que a produtora lá do Fernando Meirelles não topa patrocinar? Principalmente agora que roubaram o laptop dele com todos os seus roteiros inéditos, talvez ele esteja precisando de umas idéias novas...

Recentemente saiu uma reportagem na Super Interessante chamada "E se a espécie humana desaparecesse da Terra?". Fiquei fascinado com as projeções. Em vinte anos o Tietê estaria 100% limpo. Em cinqüenta, o buraco na camada de ozônio estaria totalmente restaurado. Em mil, todo o lixo produzido pelo homem já teria sumido. Em 5 mil, o verde bandeira da Mata Atlântica engoliria São Paulo. E não bastariam mais que alguns milhões de anos para que o petróleo voltasse a abundar. Agora me digam: qual é o incentivo que tá faltando pra alguém espalhar um daqueles vírus mortíferos por aí?

sábado, 2 de setembro de 2006

The Sixth Nonsense



Cinefilamente falando, Dois Mil e Seis não vem sendo dos melhores pra mim. Minha média de filmes assistidos despenca mês a mês, e se nos anos passados já era ínfima comparada à de quem realmente vê filme a rodo, agora beira o risível.

Fazendo um rápido estudo em minhas reminiscências, posso apontar algumas razões para essa queda. Entre elas: a quantidade de jogos da Copa em horário assistível; a ausência de tardes livres nas minhas férias de julho; o aumento de cinqüenta centavos na locação do DVD lá perdicasa; e os oito devedês de Lost vistos em aproximadamente um mês, que representaram mais de 30 horas de ilha deserta, ocupando o espaço de pelo menos uns quinze filmes iranianos de vanguarda.

A inauguração de um cinema bacana no meu bairro deveria ter aumentado um pouco a média, mas sei lá o que houve, que nem Piratas do Caribe 2 eu vi ainda. E o Indie ainda coincidiu com a semana mais caótica (até agora...) do meu curso inteiro.

Em dezembro de 2005, publiquei por essas bandas um top 10 particular dos longas mais aguardados para 2006. Foram eles:

10. Carros
09. A Dama na Água
08. Piratas do Caribe 2
07. X-Men 3
06. Os Três Patetas
05. O Código Da Vinci
04. Superman Returns
03. V de Vingança
02. Sin City 2
01. Os 300 de Esparta

Seis já foram. E o saldo, felizmente, tem sido positivo. Carros carecia de história e personagens mais carismáticos (carrismáticos?), mas visualmente é supimpa à beça. X-Men 3 tem seus poréns, mas foi bem-sucedido em cruzar tramas paralelas e juntar aquele mundaréu de mutantes, além da coragem de assassinar protagonistas como nunca feito antes em filmes de heróis. V de Vingança superou expectativas e não se curvou ao roliudianismo. Superman Returns gerou controvérsias e deve muito aos filmes originais (Marlon Brando, John Williams), mas ainda é entretenimento de primeira. (Sem contar que ainda vi de graça numa pré-estréia, antes de todo mundo, embora tenha ganhado um supertorcicolo de brinde por sentar na fileira da frente.) Só Código Da Vinci foi o fiascão que a gente já esperava, mas quem se importa?

Esse fim-de-semana estréia mais um da lista, A Dama na Água. Dizem que é do bom, dizem que não presta, o que é de praxe sempre que se lança um longa shyamalânico. Excelente, no sentido cinco estrelas da palavra, não imagino que seja. Acho que a auto-indulgência do cara vai atrapalhar como atrapalhou no desconjuntado A Vila. Mas que o mundo politicorreto de hoje precisa de umas coisas assim meio nonsense de vez em quando, isso precisa.

Top 1 filme mais aguardado para o fim-de-semana:

01. Vôo United 93

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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