quinta-feira, 26 de abril de 2007

Cousas do Brasil

O país do futuro no velho continente.



Nosso ordem-e-progresso virou "Olelê" em Amsterdam.



Pra quem não quer o visual Cláudia Ohana das européias, Barcelona tem especialistas en manicura y depilación brasileñas.



A mostra “Cinema do Brasil” exibe The Year My Parents Went on Vacation em Berlim. Quais seriam os outros? “The Knight Didi and the Princess Lili”? “Xuxa Twins”?



Além da caipirinha ser sempre o primeiro item da lista de drinks em qualquer cardápio, comumente grafado de forma errônea (caiprinha, caiparinha), os restaurantes brasileiros abundam nos grandes centros. Alguns ofereciam até uma "free cachaça" pra quem apresentasse o flyer promocional. Este "Casa do Brasil", em Paris, trazia no menu feijão tropeiro, quindim, cocada e outros quitutes tupiniquins. Melhor ainda era a loja "Coisas do Brasil", que tinha goiabada, Toddy e Mate-Couro para matar a saudade dos sofridos exilados em terra estrangeira.



Gilberto Gil With Lasers com show anunciado em Barcelona. Mas não achei nenhum gringo que conhecesse as aptidões musicais de nosso ministro. Em compensação, um californiano no albergue em Madrid era só elogios para um guitarrista brasileiro cujo DVD ele tinha visto, um tal de Syl Ho-hey. Quem? “Syl Ho-hey”. Desculpe, não entendi. “Syl Ho-hey!”. Foi só quando ele disse que o cara também era ator e tinha participado de A Vida Marinha Com Steve Zissou que caiu a ficha: Syl Ho-hey era o jeito que ele encontrou de pronunciar “Seu Jorge”.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Il Carnevale



O carnaval de Veneza é assim: quem tem dinheiro veste suas fantasias caras e desfila pelas ruelas em busca de atenção. Quem só tem uma câmera digital tira fotos e infla o ego dos fantasiados. Crianças trajadas de Batman ou Homem-Aranha se divertem tacando spray de neve nos inumeráveis pombos que se amontoam nas ruas, nas praças, nas pontes. Quando escurece rolam uns eventos na Piazza San Marco, teatros, shows, às vezes até umas apresentações de grupos de berimbau. Dizem que as festonas de verdade acontecem dentro dos palácios, a precinhos camaradas tipo 100 euros de entrada, mas micareta com gente suada de abadá pulando que nem pipoca, só no Brasile mesmo.



Quem é você? Diga logo que eu quero saber o seu jogo!



Diga ics: a mascarada da foto acima sob a mira dos paparazzi.



Achei alguém mais narigudo que eu!



Souvenir pra arrebentar na Sapucaí ano que vem.



Uma bocarra entretém a molecada.



Precisa me amar!



Gelato de stracciatella, algo como um sorvete de flocos tunado.



Vagarosos e furiosos: gondoleiros emparelhados prontos para aquela facada nos olhos da turistada.



Degradê de lodo.



Uma luz no fim do beco.



Raivosa dissertação visual sobre marcas de tênis.


Camping Next To Water

O esperto aqui resolveu reservar o albergue de Veneza meros dois dias antes de ir, em pleno carnaval. Evidentemente, todos já estavam lotados até o final de fevereiro. A solução: arranjar um quarto numa cidade vizinha. Achei um lugar chamado Camping Jolly, que ficava em Marghera. Do centro de Veneza até lá eu gastava quase duas horas, mesmo que o trajeto do ônibus durasse apenas 10 minutos. Primeiro me embrenhava por entre as ruelas até chegar à Piazzale Roma, saída de Veneza, o que demorava cerca de meia hora de andanças labirínticas. Depois pegava um ônibus até Marghera e rezava pra acertar o ponto certo onde tinha que descer. Nunca consegui. Normalmente eu descia alguns quarteirões antes ou alguns depois e precisava me orientar pelas escassas placas e os poucos cidadãos que tinham um razoável conhecimento geográfico da redondeza. Aí era só andar, andar e andar mais um pouco, chegar ao Camping Jolly e tomar um banho no pior chuveiro do mundo, que mandava água pra parede ao invés do chão, alagando o cubículo e tornando o banho uma sucessão de acobracias.



As casinhas do Camping Jolly e seu agradável clima de Sexta-Feira 13.



"Publicidade? Não, obrigado."

É tão bão ver quando a profissão da gente é reconhecida.



Amanhã tudo volta ao normal. Deixe a festa acabar, deixe o barco correr, deixe o dia raiar.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

La Barça



Algumas fotos da capital da Catalunya:



Gaudí, o arquiteto onipresente na cidade, saudando os visitantes na língua catalã. Em Barcelona não adianta saber espanhol. Todo mundo fala e entende, mas escrevem mesmo é em catalão: placas, cardápios, avisos, tudo no idioma do qual eles tanto têm orgulho. A língua segue uma receita básica: coloque partes iguais de francês e espanhol num liquidificador, adicione uma pitada de italiano e bata bem. Exemplo. "Saída" em espanhol é "salida". Em francês é "sortie". Em catalão, "sortida".



Mas as pichações têm que ser em espanhol, pra todo mundo entender.



Outras são bilíngues, ainda que não haja uma correspondência visível entre o texto em espanhol e o em inglês.



Um autêntico mendigo catalão.



Essa construção de Gaudí não é comestível, apesar das aparências.





Famoso lagartão do Parc Güell. Comprei um ímã de geladeira do bicho, coloquei na mochila e ele acabou quebrado em vários pedacinhos. Na mesma época, um punk bêbado atacou o lagartão do parque no meio da madrugada, destruindo a ponta do nariz e várias partes do corpo do bicho. Coincidência ou sinal do destino?



Crianças matam a sede bebendo a água destinada ao bicho.



Esculturas insólitas no terraço do La Pedrera...



... e a maquete do mesmo terraço.



A La Rambla é um calçadão de uns 2 quilômetros cheio de vendedores de bugigangas, souvenirs e homens-estátua tentando ganhar dinheiro sem mexer um músculo. Esse aí, por exemplo, veio diretamente dos Aventureiros do Bairro Proibido.



Enquanto não muda pro Milan, Ronaldinho Gaúcho passa o tempo tirando fotos na La Rambla.



Fidel agonizando em Cuba e seu companheiro Che na maior diversão, batendo papo com os transeuntes em frente ao Carrefour.



A namorada desse aí não queria vê-lo nem pintado de verde, mas ele insiste.



Uma coruja olhuda no topo dum prédio.



A Sagrada Família e suas torres maluconas.



The long and winding stairs da Sagrada Família.



"Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: 'Estou inocente do sangue deste justo.'" - Mateus, capítulo 27, versículo 24.

"Você lava as mãos antes ou depois? antes e depois? ou nem antes nem depois?" - Rogério Skylab, disco IV, faixa 11.



Vai um beijinho de Judas?



Diga trinta e três.



Pegaram esse aí pra cristo.



Centenas de palavras e frases em catalão. Destacadas aparecem: "Què és la veritat?" e "Jesús de Natzaret, rei dels jueus".



Uma igreja em obras, um malaco e um contra-plongée.

sábado, 7 de abril de 2007

quarta-feira, 4 de abril de 2007

ABUNN – “BAGAGEm”

Mais um clipe caseiro do ABUNN.

“BAGAGEm” é uma canção instrumental que tem letra. Conta a história de Magda, uma pobre mulher brutalmente assassinada por um garoto cruel. Ao invés de voz, acordes: já que as notas musicais são comumente representadas por letras do alfabeto (dó = C, ré = D, lá menor = Am, etc), dá pra formar uma palavra com cada conjunto de acordes, como “GEADA” e “AmEBA”. Ou “BAGAGEm”:

terça-feira, 3 de abril de 2007

Another brick



Uns italianos me pararam no meio da rua querendo saber onde ficava “il Muro de Berlino”. Com um pouco mais de maldade, eu responderia: “Pega o próximo DeLorean e pede pra parar antes de 1989”. Mas fui bonzinho e instruí os caras a seguirem a linha vermelha no chão, porque realmente existem pedaços inteiros do muro que não deixam esquecer uma História tão infame quanto recente. Já os pedaços menores viraram souvenir nas lojinhas do gênero. Tem desde pedrinhas pequenas acopladas a cartões-postais até paredes imensas pra você enfeitar a sala de visitas, por apenas 3 mil euros. Pechincha!



Restos multicoloridos do Muro di Berlino.



Museu a céu aberto: uma exposição sobre a história do muro entremeada pelas ruínas do próprio.



Berliner Mauer 1961-1989. A linha vermelha-desbotada atravessa a cidade, indicando onde a tijolada esteve por vinte e oito anos.



Um pé em cada Berlim.



O maior pedaço original que vi pessoalmente, uns 200 metros de parede cinza. Acho que o maior mesmo tem uns dois quilômetros, mas tô no banzo de averiguar a informação.



Comovente recado no lado oriental do murão. “To Astrid: maybe someday we will be together”



Eu no Checkpoint Charlie, mais famoso ponto de passagem entre as duas Berlins. O lugar conta com um museu bacana, cheio de histórias das tentativas de fuga dos berlinenses, das bem-sucedidas às malfadadas. O checkpoint é Charlie não por causa de um Charles Qualquer Coisa, mas por ser o terceiro de uma lista batizada pelo código alfabético internacional: Alfa, Bravo, Charlie, Delta...



Este simpático homenzinho que habita os semáforos é o Ampelmann. O personagem, cujo nome quer dizer "homem do farol" em alemão, é um trabalhador comunista utilizado nos sinais de pedestres do lado russo de Berlim. Com a queda do muro, o governo começou a retirar todos os semáforos com o boneco, mas a população se revoltou, alegando que aquele era um símbolo da cidade, não podia ser abolido assim. Hoje em dia tá cheio de lojas do Ampelmann espalhadas por Berlim. Tem camiseta do Ampelmann, chaveirinho do Ampelmann, almofada do Ampelmann, boneco de pelúcia do Ampelmann, forma de gelo, plaquinha de banheiro, marcador de livro, luminária, holograma, o escambau. Olha a ironia: o ícone comunista agora é capitalista de carteirinha.



Foto torta do Portão de Brandemburgo, símbolo maior de Berlim.



Homem-estátua encarnando o soldado desconhecido perto do Portão.



Galera reunida em frente ao Brandemburg Tor, antes de começar o free tour. Funciona assim: o povo se junta em algum lugar e, por umas três ou quatro horas, sai a pé pela cidade seguindo um cara que explica detalhes e mais detalhes de tudo que você tá vendo. No final, cada um colabora com uma gorjetinha e todo mundo sai feliz. Esse free tour é especialmente interessante numa cidade como Berlim, cheia de coisa que pode passar batido, desde cenários históricos (“aqui na Bebelplatz os nazistas queimaram livros em 1933”) até trivialidades contemporâneas (“naquela janela ali o Michael Jackson pendurou o filho”). Um dos maiores exemplos taí na próxima foto.



Este pacato estacionamento residencial esconde em seu subsolo nada menos do que o bunker do Hitler. Foi aí embaixo que Adolfim casou, mudou, não nos convidou e se suicidou, como devidamente retratado no filme “A Queda!”. O pessoal ficou com medo do lugar se tornar um centro de peregrinação de neonazistas e destruiu todas as instalações lá embaixo. Hoje, só restou esse gramado onde os transeuntes levam seus cãezinhos pra fazer cocô.



Generator, o pequeno albergue onde fiquei em Berlim.



Vista do topo da cúpula de vidro do Reichstag, o prédio do parlamento alemão. Os engravatados lá embaixo são os parlamentares trabalhando. Tem todo um simbolismo da população vigiando os políticos.



Uma torre de espelhos no teto do Reichstag.



Primeira tentativa de me fotografar na torre de espelhos...



... e a segunda. Já me preparava pra tentar uma terceira vez quando veio uma mulher e me interrompeu.

- Gostaria de pedir que você deixasse o prédio, por favor.
- Mas por quê? – perguntei, já imaginando um preconceito contra minha cara de árabe.
- Porque é uma emergência.

Olhei em volta e vi que todos os visitantes do Reichstag guardavam as câmeras, fechavam os livretos explicativos e rumavam ao elevador. Fui atrás. Nisso chegou um cara e avisou que era pra descer pela escada de emergência. E eu lá especulando: “Bom, depois de Nova York, Madrid, Londres... Berlim seria um alvo provável, não?”

Chegamos ao saguão principal. Fiquei procurando alguma fumacinha, um tic-tac de bomba, um cheiro de enxofre. E as portas trancadas. Um bando de pessoas paradas no saguão do Reichstag sem poder sair, enquanto os políticos lá dentro continuavam discursando e deliberando. Um funcionário do lugar me explicou a situação: “Acharam algum tipo de gás no prédio, e não podemos deixar vocês saírem enquanto não descobrimos o que é”. Que beleza, hein?

Meia hora depois, abriram as portas. O céu azulzim de horas atrás agora dava lugar a uma chuva estranha, que não molhava direito. Os berlinenses fechavam barraquinhas e abriam guarda-chuvas. Perguntei pra um:

- Com licença... isso é neve?
- É, ué – respondeu, entediado.
- Que doido!

E lá foi o bocó de Minas Gerais pelas ruas, tirando fotos da neve caindo, achando tudo um barato.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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