quinta-feira, 31 de maio de 2007

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Rogério Skylab - Skylab VII



Primeira audição comentada

21h46 - Começa o disco. O nome da música é: "Qual Foi o Lucro Obtido?". Um sonzinho eletrônico ao fundo e o Skylab com voz monótona, estilo professor de química orgânica numa tarde nublada de terça-feira, narrando situações ("Me casei, tive dois filhos. Me separei, pago pensão e sou fodido.") e terminando sempre com a pergunta: "Qual foi o lucro obtido?"

21h49 - A faixa 2 tem início e parece que vem música estranha por aí. Ops, tinha deixado no shuffle, e acabou pulando pra outra faixa. Voltei à 2. "Há Quanto Tempo?" é um rock'n'roll anos 50 com a letra em cima de variações sobre o título.

21h51 - Solinhos de baixo e de bateria. A letra não é um primor, mas o instrumental é divertido. Lembra Mutantes, "Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde Que Eu Tenha o Meu Rock'n'Roll".

21h54 - "Quanto mais saúde eu morro. Quanto mais doente eu fico vivo." Essa é a letra toda da terceira música. Isso e o Rogério se lamentando, fazendo voz de miserável.

21h57 - O nome da próxima é "Samba Isquemia Noise", mas não é exatamente um samba. Tem violão, bateria, umas guitarras distorcidas, aí vem o violão repetindo uns riffs melancólicos, e o Rogério divagando: "O samba é muito esquisito. O samba não tem pai nem mãe". Vou aproveitar que a música é grande (6 minutos e meio) pra pegar uma coca-cola.

22h02 - A música prossegue. A bateria faz uns grooves sambísticos no final. O violão continua no mesmo ritmo. Barulhos estranhos e uma batida no prato pra terminar.

22h03 - Depois de um minuto de ruídos introdutórios, "Corpo e Membro Sem Cabeça" ganha vocal e uma letra típicas da obra skylábica de humor negro: "O dedo mindinho do Lula. O olho de Luís de Camões. As pernas do Lars Grael". O melhor verso vem no meio da música: "Samba, samba, songa-monga."

22h07 - Fui dar uma olhada na playlist do Media Player. A próxima canção tem mais de 8 minutos e atende pelo título nada salesiano de "Eu Chupo Meu Pau".

22h08 - Começa a dita cuja. Violão, introdução arrastada, aliás longos trechos instrumentais têm sido uma constante nesse disco.

22h10 - Skylab entra, filosofa ("Eu me olho. Eu te olho? Não, eu me olho. O olho é seu? Não, o olho é meu. Se fosse fácil se olhar, quem diria eu?"), mais instrumental viajandão. Esse disco deve ser bacana de ouvir bêbado. Será que eu volto na cozinha e troco a coca-cola por uma cerveja?

22h13 - Enquanto isso, acabo de baixar o Skylab V, que tem o clássico "Você É Feia". Foi o show desse cd que assisti em dezembro de 2004, no ambiente inferninho da Obra. Tá na hora do cara vir aqui de novo, viu...

22h16 - Finalmente cabou. Essa agora chama-se "É Tudo Atonal". Segundo o release do disco, é uma parceria com Zé Felipe, baixista da banda carioca Zumbi do Mato. Variações sobre a frase: "Tá todo mundo pensando que tudo é tão natural".

22h18 - "Dá Um Beijo Na Boca Dele". Essa o Skylab cantou no Jô. Uma música sobre luta livre, narrada pelo treinador do lutador, segundo o próprio Skylab. "Ele vai bater, ele vai bater. Aproveita agora, aproveita agora. Dá um beijo na boca dele". O instrumental entre as estrofes é muito bom, mas a melodia dos versos não é das mais inspiradas. Nesse dia no Jô, o Skylab declarou que é fã do Victor Belfort. Bizarro. Mas o melhor foi a declaração sobre as baleias, que pode ser conferida aqui. Fiz até uma pausa na audição pra assistir de novo.

22h23 - "Chove Chuva Na Minha Cabeça" é uma valsinha interessante, bonita e instrospectiva. "O meu corpo treme, estranha beleza. Vou dançando sob a chuva na minha cabeça."

22h27 - "A Irmã da Minha Mulher". Balada meio insossa.

22h31 - Um som eletrônico introduz a canção seguinte, "Hei, Moço, Já Matou Uma Velhinha Hoje". Pouco mais de um minuto. Também não é grandes coisas. Pôxa, achei que esse disco seria mais divertido. Cadê as grandes poesias de humor negro, as narrativas envolventes e os sambinhas escatológicos? Essa agora, "Eu Vou Dizer", evoca "Carrocinha de Cachorro-Quente" nos versos: "Olha prum lado, olha pro outro".

22h36 - O que será que os fãs do Skylab no orkut têm a dizer sobre o álbum? Deixa eu pesquisar.

22h40 - A maioria dos comentários fala da competência da banda (os caras são foda mesmo) e da seriedade do disco, não tem nenhuma música que faz você cair no chão de rir e gera piadas internas nas mesas de bar como nos álbuns mais antigos. Tá mais experimental, mais poesia urbana, mas pra muitos o humor é importante sim, e eu me incluo nesse grupo. A que tô ouvindo agora, "O Primeiro Tapa é Meu", tem um pouco desse lado cômico.

22h50 - "Desperdício de Tudo" tem uma letra daquelas que lembram fórmula pronta, como os Titãs gostam muito de fazer. "Desperdício de luz, desperdício de água, desperdício de sonhos, desperdício de lágrimas". Versos semelhantes, variando só a última palavra.

22h53 - Skylab modifica bastante a voz em "A Última Valsa", coisa rara, nem parece que é ele cantando, soa como um Louis Armstrong menos rouco e mais bêbado (não por acaso, os primeiros versos da canção são: "Beber, beber, beber até cair / Depois se reerguer e partir").

22h57 - Gostei da letra dessa que tá rolando agora, "As Asas de um Anjo". Morbidez poética. "Seus lábios cor de açaí, neles se misturam / Bardoux, Deneuve, Adjani, num vermelho puro / Mas pode ser sangue de escorbuto / Que vai saindo gota a gota do seu corpo imundo."

23h03 - "O Mundo Tá Sempre Girando" tem um dueto entre o Skylab e um tal de Maurício Pereira. Acho que é a primeira vez nas canções rogerianas que escuto a voz de outro cantando.

23h05 - Bom, o disco já vai findando. Parece inferior ao Skylab VI, que por sua vez é inferior ao IV, ao II e até ao primeiro. Destaques: "Há Quanto Tempo?", "Chove Chuva Na Minha Cabeça" e "A Última Valsa". Nenhuma delas entraria num Top 10 Skylab. Os músicos realmente merecem elogios, mas sei lá, as melodias não são contagiantes, sabe cumé? É tudo mais intimista, talvez seja daqueles álbuns que melhoram com o tempo, embora não tenha me convencido muito. Vou ficando por aqui, tô com fome e tem um resto de pacote de Ruffles me aguardando ansiosamente. Até a próxima.

domingo, 27 de maio de 2007

A diva, a dívida, a vida



Não sei se eu já escrevi isso aqui, mas o que me fez interromper minha frenética criação de palíndromos foi perceber que palíndromos não se criam - se descobrem. Diferentemente de um poema, por exemplo, que pode usar sem restrições todo o vocabulário do idioma, palíndromos são pura matemática, precisam de uma simetria perfeita e exata, e com isso podem ser gerados até por programas de computador (táqui um exemplo). Por isso, mesmo que você se vanglorie de ter inventado um palíndromo inédito e extraordinário, é só questão de tempo até que alguém faça um igual.

Prova disso é a música "Bob", do Weird Al Yankovic. Paródia de uma canção do Bob Dylan, a versão do Weird Al utiliza a simetria em todos os versos e faz uso daquele que era um de meus maiores orgulhos, "Lonely Tylenol". Confira primeiro o clipe original do Dylan, depois assista à sátira palindrômica aqui.

Hermetismos pascoais



Sem essa de evitar o inverno dentro de casa, com três edredons e os pés na bacia de água quente. A onda do momento é ir pra Praça do Papa curtir o vento mais frio que essa cidade pode oferecer. Foi o que eu fiz ontem, não exatamente para sofrer com as baixas temperaturas, mas para assistir à apresentação do multi-instrumentista albino Hermeto Pascoal. O show do Hermeto fez parte do evento de música instrumental que tá rolando em Beagá, dez dias seguidos com apresentações gratuitas em praças e teatros, levando cultura a uma cidade infestada pelo sertanejo. Até domingo que vem, vai ter ainda o Marcus Viana tocando o tema de Pantanal, o Yamandu batucando no violão, o All Star Jazz mostrando seu swing da década de 30 e mais uma galera.

Hermetão entrou às nove e pouco, com a banda já no palco, tocando suas doideiras. Sim, a música é uma maluquice, quase atonal, cheia de solos sobrepostos e gritos repentinos. O barato mesmo é ver o cara lá, do alto dos seus setenta e tantos anos, se divertindo a valer com o não-convencionalismo de suas composições. E ele toca teclado, pula no palco, improvisa letra com aquele divertido sotaque alagoano, conclama o público a cantar em sol maior com sétima aumentada. Um Marcelo Dolabela versão chapéu e barba, com direito a música em homenagem a Belo Horizonte tocada em pedaços de cartolina.

E não é que, contrariando minhas próprias previsões, tinha bastante gente presente? E o melhor: a playboyzada néscia que, por ventura, poderia dar as caras pela gratuidade do evento já tinha compromisso com o show do Asa.

sábado, 26 de maio de 2007

Plágio interno de uma mente sem vergonha

Vasculhando minha pasta de quadrinhos downloadeados, deparei-me com uma HQ portuguesa chamada "A Pior Banda do Mundo", que reúne uma série de histórias curtas, interligadas e absurdas. Um barato. Mas curioso mesmo é uma das historietas do primeiro volume, publicado em 2002. Qualquer semelhança com algum filme de 2004 estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet com roteiro de Charlie Kauffman terá sido mera coincidência?


(Clique para ampliar)

Resumo da semana



Me deu na cabeça que eu precisava assistir a um show do Toquinho. Faltava ele depois de ter visto Caetano, Gil, Chico, Egberto Gismonti e Rogério Skylab. Tanto fiz alarde disso que Toco veio no Chevrolet, fez um show com cantos e causos e eu ainda interrompi seu cafezinho no aeroporto na Pampulha, no dia seguinte, pra tirar uma foto. Como ainda falta um show do Paul McCartney no Brasil, já faço minha previsão na base do chute consciente: em breve anunciarão para o final de 2007 a vinda de Sir Paul ao nosso Brasilzão de meu Deus. Aí, contem pra imprensa que vocês leram antes no Biselho.

***

A Americanas.com arrumou tanta confusão pra entregar meu monitor que enchi o saco, liguei pro serviço de atendimento ao consumidor e mandei a paulista robótica cancelar o pedido. Logo em seguida fui ao shopping, comprei o mesmo modelo pelo mesmo preço e o mesmo parcelamento e trouxe o negócio pra casa na mesma hora, sem esperar por nada nem implorar a ninguém. Toma, danada.

***

Homem-Aranha 3: fraquinho, fraquinho. Efeitos fantásticos, claro, mas é o mínimo que podemos esperar do filme mais caro de todos os tempos, certo? No mais, um bislockbuster dominado por interpretações chochas e roteiro assim-assim, onde o amor triunfa e todo mundo se redime, exemplo típico da praga do politicamente correto que insiste em tirar o tempero do mundo e nos fazer implorar por mais doses de Borat. Aliás, já saiu o DVD?

terça-feira, 15 de maio de 2007

Tomorrowphobia


Meu monitor pifou de novo. Pela segunda vez. A primeira já recebeu um post exclusivo, hoje perdido nos arquivos de janeiro de 2005. O equipamento voltou zero bala, manteve-se em pleno funcionamento por um bom ano e meio, até que a velhice veio sem dó e os sinais de esgotamento físico logo se mostraram evidentes.

Como de costume, eu resolvia na base da surra. A tela mudou de cor? Paf! Tá beleza. Apareceu de repente dividida em três telas menores? Paf! Normal de novo. Às vezes eu precisava fechar a porta para que os ruídos do espancamento não perturbassem o sono de minha mãe, que dormia no quarto ao lado.

Com o tempo, a violência foi cedendo espaço a gambiarras engenhosas: pilhas de livros pesados empilhados cuidadosamente sobre a parte de cima do monitor, calços que inclinavam o bicho pra frente (e acabavam com minha coluna ao tentar ler o que estava na tela) e até barbantes amarrando a carcaça do aparelho. Estratégias bizarras que, de alguma forma, consertavam momentaneamente os marcontatos que atrapalhavam os circuitos do coitado. Mas agora que ele deu pau de vez e não funciona nem com técnicas avançadas de psicologia, tomei vergonha e encomendei outro monitor.

Quem me conhece sabe que tenho uma excêntrica predileção por obsolências tecnológicas. Meu primeiro e único celular, um Nokia 5120 anterior a Graham Bell, permanece ainda hoje como fiel escudeiro. De vez em quando ele dá uns sinais de fadiga e a tela apaga, mas com pequenas pancadelas no canto da mesa, como se eu fosse quebrar um ovo, ele retorna à ativa. No dia em que morrer de verdade, vou providenciar um enterro digno com a inscrição: aqui jaz um guerreiro.

Quanto ao monitor, ainda não decidi. Como é meio trabalhoso tacar o cacareco numa cova funda e encher de terra, venho pensando em deixá-lo no meio de uma rua movimentada, promover uma sessão pública de apedrejamento e jogar o vídeo no You Tube, com uma trilha do Rage Against The Machine. Enquanto isso, faço da falta de monitor minha desculpa oficial para a escassez de textos novos.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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