quarta-feira, 29 de agosto de 2007

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A vazante da infomaré

Depois que meu Firefox sumiu misteriosamente com meus favoritos pela segunda vez em um mês, resolvi aposentar os bookmarks offline e partir para o del.icio.us, que permite acesso aos meus links prediletos em qualquer buraco do mundo que tenha conexão web. Aproveito minha empolgação inicial para fazer uma Vadiagem Malemolente e compartilhar convosco alguns sites que reencontrei enquanto me cadastrava:

Tecnologia: ache a música usando a barra de espaços
Blog: Conversas Furtadas
Astronomia: guia prático de constelações
Imagens: fotos tiradas de cima
Fast-food: anúncios vs. realidade
Dicas: como ser criativo
Futebol: Copa do Mundo Não-Oficial
Game: você digita rápido?
Blog: Post Secret
Vídeo: desenhando uma mulher
Internet: o maior e-mail do mundo
Texto: o menor conto do mundo
Orkut: Discografias
Blog: Refluxo Gástrico
Publicidade: logomarcas de duplo sentido
Quadrinhos: Calvin & Hobbes
Revelação: onde roubei o template do blog

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Que descolorirá



Meu apreço por making-ofs, relatos de autores e entrevistas que esmiúçam processos de criação, já mencionado aqui no blog, vez por outra me faz procurar a origem de obras-primas que me apetecem. Hoje, por exemplo, resolvi pesquisar a história da “Aquarela” do Toquinho, lembrando do que ele disse no show do Chevrolet, que aquela era uma canção sobre despedida. E fiz uma descoberta surpreendente: a música, cuja letra parece ter sido escrita sob encomenda para a Faber-Castell, não foi nem mesmo composta em português.

Disse o Toco: Aquarela é o presente que todo autor deseja em sua carreira. Foi feita num impulso de inspiração, em 15 minutos, junto com o músico italiano Maurizio Fabrizio. A letra original, em italiano, é do Guido Morra, e depois eu fiz a versão para a língua portuguesa. Foi a primeira música que fizemos para um grande projeto fonográfico lançado na Itália a partir de 1982. É uma canção que, apesar de falar de uma drástica realidade, que tudo um dia terminará, envolve essa realidade de um lirismo que encanta desde crianças até idosos.

E tem o caso do “Jardim da Fantasia”. Era uma canção da qual eu já gostava bastante. Um dia me contaram que o Paulinho Pedrazul tinha feita música em homenagem à sua falecida esposa, o que fazia todo o sentido e dava uma cara ainda mais poética, triste e bela a versos como “Me beije só mais uma vez / Depois volte pra lá”. Eis que minha curiosidade me fez usar o Google e topar com uma entrevista do próprio Paulinho.

Disse o Pedra: As pessoas comentam que foi uma música que fiz para uma noiva que eu tinha e que morreu. Mas isso é mentira, não existe morte nessa música. Foi invenção de algumas pessoas que escutaram e, por conta própria, espalharam essa história, que eu não consigo desmentir até hoje. A pessoa para a qual eu fiz a música está viva, foi a primeira namorada que eu tive em Pedra Azul.

Como disse o De Pinho, só falta agora o Eric Clapton revelar que nunca teve filho...

domingo, 26 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

domingo, 12 de agosto de 2007

A Tale of One City

A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri, amanhã te devora

Cidade de hoje: Paraty



Paraty é uma Ouro Preto plana e praiana. A atmosfera cultural, as construções dos tempos de outrora, a alta taxa de estrangeiros por metro quadrado e as ruas de pedra que acabam com os pés muito lembram Vila Rica. Mas o fato de ser tudo plano é um adendo importante. E o mar ali tão perto muda tudo, na verdade.

Cheguei em Paraty numa manhã de sexta-feira, depois de dez horas de ônibus tentando evitar o frio usando toalha de banho como cobertor, meia hora na rodoviária de Angra e mais hora e meia em coletivo de roleta. Minha desculpa oficial era participar do segundo Enlarp - Encontro Latino-Americano de Redação Publicitária, mas como o evento só começava à noite, eu tinha ainda uma sexta inteira pela frente e um domingo livre para desbravar aquele lugar do qual tinha ouvido tanta propaganda boa.

Tenho esse hábito quando viajo sozinho: reservo o primeiro dia para reconhecimento de terreno. Andar a esmo, ficar perdido, tomar sorvete sentado na calçada vendo o violonista de rua duelar musicalmente com o saxofonista da outra esquina. Como manda o manual, comecei pelo Centro Histórico. Os limites do bairro são marcados pelas correntes fechando as ruas. Ali é proibida a entrada de qualquer veículo motorizado. Não tem carro, não corro, não morro. É a primeira diferença mais marcante entre Paraty e Ouro Preto. A segunda não tarda a aparecer: aquele marzão sem fim, margeado pelos barcos de pescadores e as escunas de passeio que se aventuram diariamente no Maior Atrativo Turístico do Mundo.

A beira-mar logo me inspirou uma cruzada por um bolinho de aipim com camarão. Percorri as barraquinhas e as lanchonetes, pedi informações e investiguei menus. Um fracasso, infelizmente. O jeito foi saciar a fome de bichos do mar sentado à mesa de um restaurante, do jeito civilizado. Os restaurantes do Centro Histórico têm duas características em comum: o cardápio, bem semelhante, e o preço, bem sem-vergonha. Não adianta, se tem turista por perto disposto a abrir a mão, metem a faca. Aliás, regra número um pra qualquer cidade turística: o preço das refeições é diretamente proporcional ao número de línguas que se lê no cardápio. Mas o clima litorâneo e preguiçoso faz a gente relaxar e deixar a fome vencer o sangue turco. Comi peixe os três dias, às vezes com pirão, às vezes com molho de camarão, sempre em um restaurante chamado Cara-alguma-coisa: Caravelas, no primeiro dia, Caramujo, no segundo, e o Caravelas de novo no terceiro (até a trilha sonora era mesma, sambas do Caymmi cantados por outrem).

O Encontro de Redação Publicitária valeu a pena: palestras com sujeitos competentes (Eugênio Mohallem, Alex Periscinoto), um inusitado concurso de piadas, a oportunidade de conhecer gente do Brasil inteiro que também vive de inventar frases e a oportunidade mais rara ainda de encontrar o Periscinoto na rua e ouvir seus causos sobre Kibon, Volkswagen, Alka-Seltzer. À noite, a gente juntava aquele grupo enorme e ia beber. Redatores de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Beagá, misturados a italianas, peruanas e ingleses que conhecêramos por aí. E dá-lhe caipicoisas, café com pinga e cerveja pra esse povo. Na segunda noite, por exemplo, voltei pro albergue às quatro e meia, depois da festa de encerramento do Enlarp no Paraty 33. O bar era bom, ali no início do Centro Histórico, ainda que caro e um pouco cheio. O que decepcionou foi a banda, que começou bem com Chuck Berry e Ultraje, caiu um pouco no conceito quando foi pra "Pescador de Ilusões", piorou com Detonautas e atingiu o fundo da caçamba de entulho com "Quando Deus te desenhou..." (ignoro solenemente o nome da canção e prefiro continuar assim).

O passeio de barco, o mergulho de snorkel no mar, a visita a Trindade e às ilhas vizinhas vão ter que ficar pra próxima visita, quem sabe no Enlarp do ano que vem, quem sabe um pouco antes, durante a FLIP. Sou só eu ou qualquer um que vai pra Paraty precisa urgentemente voltar pra lá?



Igreja Santa Rita, famoso cartão-postal-ímã-de-geladeira de Paraty. O bando de gente na porta tava filmando um comercial de turismo. Era um monte de velhinhos, que, ao sinal do grito do diretor, entravam na igreja forjando interesse e apontando uns aos outros a exuberância do sino lá em cima.




O clima bucólico das ruas do Centro Histórico...




O clima bucólico do cais do porto...




Eliana, André e eu, num domingo nublado à beira do mar.




Pichação de algum revoltado com a FLIP e a rua já começando a encher d'água.



Duas horas depois, já dá até pra andar de lancha.



Saideira no albergue: Chris e Charlotte, o casal inglês que pescava bagres no albergue, eu e o Bruno, de Curitiba.



Tá achando que albergues seguem o padrão eslovaco dos filmes de Hollywood? O albergue de Paraty não só tinha internet grátis, cozinha, quiosque de bebidas e vista para o mar como ainda não torturava os hóspedes na calada da noite!

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Tenho certeza de que vocês me sugerirão nomes melhores pra essa seção do que um trocadilho com o livro do Charles Dickens. De qualquer forma, todo domingo tem um relato sobre alguma cidade por aqui.

sábado, 11 de agosto de 2007

Junk Food Journal

Crítica gastronômica de porcarias alimentícias



Menu do dia: Pringles sabor Filet Mignon Grelhado com Toque de Cebola

Por trás de um pomposo nome que evoca sofisticação e bom gosto, esconde-se uma das piores atrocidades já cometidas contra as batatas. A embalagem até engana os incautos. O ar classudo da logomarca e os dizeres "edição especial" atestam a credibilidade do produto, enquanto um apetitoso boi morto desperta em você o desejo carnívoro de pagar a fortuna que custa uma Pringles e provar a novidade. Na primeira mordida você não sabe se gostou ou não. O sabor é exótico, um julgamento embasado requer uma amostragem considerável. Mas não adianta. Depois de duas ou três você fica imaginando se atearam fogo numa plantação de batatas, cortaram as cinzas em fatias finas e empilharam no pote vertical. De todos os elementos que compõem o nome palavroso, só "grelhado" faz algum sentido. Mas o pior é a tarja verde assusta-gringo que puseram na embalagem, ao lado de uma bandeirinha do Brasil. Como se carvão grelhado fosse comida típica do país. Li no site deles que existe um outro sabor integrando a mesma "coleção", chamado Queijo Especial com Tempero Gourmet. No mínimo tem gosto de pé. Qualquer dia eu experimento só pra difamar com mais propriedade.

Sugestão do chef: deguste com Fanta Chinotto e faça um haraquiri em seguida.
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Junk Food Journal será publicado todos os sábados neste mesmo batcanal

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Yellow press



Lá na agência onde trabalho, a gente edita o jornalzinho de uma escola. O conteúdo vem todo deles, mas fazemos o que dá pra tornar o trabalho divertido, inventando firulas, ornamentos e outros gueriguéris. Sei lá, acho que isso acendeu uma chama pseudo-jornalística em minha pessoa, tanto que hoje improvisamos um jornalzinho da agência, impresso com a incrível tiragem de três exemplares e divulgando uma entrevista exclusiva conduzida por toda a turma presente na sala. Daí agora há pouco, tomando banho, tive a idéia de trazer esse espírito aqui pro Biselho. Tornar mais assídua minha presença neste lar abandonado criando umas seções temáticas pra cada dia da semana. Pensei em coisas como:

>> "Os Livros Que Parei no Meio". Tem uma pilha de livros aqui em casa que comecei a ler, avancei até a vigésima página, cheguei à nonagésima, mas empaquei de vez no meio e aí já viu. O propósito aqui não são críticas literárias, o que seria presunçoso, mas investigar os motivos enigmáticos dessas abruptas interrupções.

>> "A Tale of One City". Pode ser uma cidade que já visitei, ou que alguém que eu conheço já visitou, ou que eu tenha vontade de conhecer, ou que eu não queira pisar lá de jeito maneira. Enfim. Relatos sobre cidades.

>> Quero uma seção sobre discos, mas ainda não decidi se faço sobre discos inusitados, se escrevo a experiência da minha primeira audição de determinadas obras (como fiz recentemente com o último do Skylab) ou se misturo tudo numa excêntrica salada auditiva só.

>> As entrevistas não podem faltar, claro. Entrevistas com quem? Com gente que eu conheço, ué. A menina que detesta chocolate, a garota que realizou seu sonho de ser guarda florestal, o baterista que quebra tudo em que põe a mão, qualquer um pode ser entrevistado do Biselho e ganhar o instantâneo status de celebridade. Quem se habilita a inaugurar a seção?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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