quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Amazing race



O melhor jogo geográfico de todos os tempos dos últimos dois dias é o Traveler IQ Challenge, cujo objetivo é encontrar no mapa lugares e cidades desse Mundão de Meu Deus. O jogo original você encontra aqui e pode escolher entre um monte de categorias, dos becos da Europa aos guetos ilhados da Oceania, passando pelos ermos cantos dos bálcãs e as renegadas repúblicas no meio do Pacífico.

Você também pode encarar a versão exclusiva do Biselho, que privilegia países pouco famosos que, como o Acre, merecem um lugar ao sol. Como minha tentativa de postá-la no blog não deu muito certo, faça melhor: clique aqui.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

No solo, no play



Tem 11 anos que eu venho querendo descobrir o nome dessas músicas. Essa é a fabulosa big band do Magic Kingdom, em Orlando, filmada em julho de 1996 sob um calor de quase quarenta graus. Entre estripulias e dancinhas, "Aquarela do Brasil" é facilmente reconhecível. Anos depois, em dezembro de 2004, descobri por acaso que "Fun, Fun, Fun" (dos Beach Boys) também está entre elas. Mas das outras nunca ouvi o nome. Alguma alma aí sabe?

Update (21 de novembro): Ouvindo um dos discos da coleção de jazz da Folha, acabei descobrindo por acaso o nome de mais uma música (a que eles tocam logo depois da Aquarela do Brasil). É "Sing Sing Sing", sucesso de 1936 escrito por Louis Prima e que já apareceu em filmes tão diversos quanto Gangues de Nova York e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Faltam poucas!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ajudando os visitantes que o Google trouxe pra cá:

"breve historico sobre a lagoa da pampulha"
Fácil: barragem, aguapés, fedor, corrida.

"frases de ninjas famosos"
Minhas preferidas são: "Cowabunga!" e "Não te perdôo!"

"o que é junk food em língua materna"
Papá?

"o que é feijão furadinho"
Um ótimo acompanhamento para queijo suíço.

"if there´s anything that you want" "if there´s anything i can do"
Just call on me, I will send it alone. With love, from me, to you.

"Mini dicionário mineiro"
Uai é uai e o resto é trem, sô!

"o nome Christie Fernanda é de que origem?"
Mau-gosto.

"sumiram a metade dos meus favoritos firefox"
Perdeu, prayboy. Da próxima vez, use o delicious.

"Como foi o show de gravação do (des) conserto ao vivo da Pitty"
Cheio de emos.

"onde foi gravado esquecerão de mim"
No futuro?

"como fazer uma fantasia de cangaceiro"
Chapéu de cangaceiro você encontra em João Pessoa. Depois ponha um casaco e uma calça, sandália de couro, dois cintos amarrados transversalmente no peito em forma de X, lenço no pescoço e voilà: um autêntico Lampião-wannabe.

"felipe dylon foto pelado"
How sick are you??

"monitor com a cor amarelada fica normal quando dou pancadas"
Aceite: um dia ele vai pifar de vez.

"porque sandrinha explodiu a torre de babel"
Para incriminar seu pai, interpretado por Tony Ramos, a quem nunca perdoou por ter matado sua mãe no primeiro capítulo da novela.

"pratos exoticos com ornitorrincos"
Ornitorrinco ao curry, pé de plátipus com farofa e ornithorynque au poivre estão entre os mais apreciados pelos críticos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Black dog

Barão nasceu em junho de 1993, parte de uma ninhada de nove filhotes. O nome evocava uma falsa nobreza, da qual também viera seu irmão Duque, mas eram todos autênticos e legítimos vira-latas. Lá em casa, ganhou sobrenome e virou Barão Cão de Melo. Enquanto pulava e corria e mastigava tampinhas de Comfort, nem imaginava que era protagonista de dezenas de livros e histórias em quadrinhos que eu escrevia. Em 1996, arranjamos-lhe uma esposa. Diana (olha a nobreza aí de novo) era cadela de rua em Ibiaí, na beira do São Francisco, e nos acompanhou tão atenciosamente durante a viagem que decidimos tacá-la no carro e levá-la para Belo Horizonte. Alguns meses depois, foi mãe de sete - vira-latas genuínos como seus genitores - batizados com nomes exóticos como Tandore (corruptela de tandoori, um tempero indiano) e Edileusa (personagem do clássico Sai de Baixo). Diana foi pra casa da minha avó, Tandore virou cachorro de roça, mas o Barão seguiu firme e forte com a gente, acompanhando as diversas mudanças de casa, virando hóspede aqui e ali, feliz na sua vida de cão. Em seus 14 anos e quase 5 meses foi sempre um companheiro, um cachorro sem frescuras, educado, safado, que fugia mas voltava, que enterrava pão-de-queijo na areia rala achando que estava escondendo, louco com pães de comer até doze de uma vez, esperto e sereno, canalha como a maioria dos cães, admirável como poucos.



Um grande cachorro.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Great Scott

É sempre legal comparar previsões futurísticas com o que de fato aconteceu. Por exemplo: a tecnologia ainda não nos proporcionou um HAL 9000 como o de 2001, mas de acordo com De Volta Para o Futuro II, daqui a oito anos teremos skates voadores. Tenho uma Super Interessante aqui em casa que traz previsões até 2100. É uma revista legal de guardar, se eu um dia achá-la no meio da bagunça.

O recente "Future Files - A History of the Next 50 Years", livro que (acho) ainda não tem versão em português, traça e esmiúça previsões para o mundo e a humanidade nas próximas cinco décadas. A linha do tempo abaixo, que anda circulando pela internet, é um resumão dessa bola de cristal e mostra a data de extinção (ou o momento em que a existência se torna insignificante) de diversas coisas que hoje fazem parte da nossa vida, como Windows, Google, recepcionistas, rádio FM e dor.



Segundo o gráfico, estamos pertos da queda de George Bush II e do desuso das cartas manuscritas. Na década que vem, testemunharemos o fim do e-mail, da assinatura de jornais, dos aparelhos de fax, do mouse, da aposentadoria e do conceito de ficar perdido.

As previsões para os anos seguintes são ainda mais curiosas.

Em 2023, não teremos WEB 2.0 nem fins-de-semana sem trabalho.

Em 2030, tchau para a infância, as chaves e a Grande Barreira de Corais.

Em 2035 desaparecem a Microsoft, o Mar Aral, a classe média e a cultura aborígene.

Em 2040, paz e tranqüilidade já são parte do passado, assim como as emissões de carbono, a surdez, as carteiras e, finalmente, as gravatas (já era hora!).

Em 2050 morrem os últimos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, pouco após o Google e os jornais não-virtuais.

A linha do tempo cobre até a década de 2050, onde veremos os inusitados fins da feiúra, da morte e das listas de previsões. O próprio gráfico nos avisa para não levar as datas muito a sério, mas dá vontade de pregar num quadro e ir acompanhando ano a ano, marcando se os anúncios estáticos realmente sumiram em 2019 ou se o parto normal é mesmo fora de moda em 2037.

Quanto à segunda metade do século XXI, não é difícil imaginar alguns acontecimentos marcantes:

2073: Primeiro ser humano nascido em Marte
2080: Primeira estação de teletransporte em Belo Horizonte
2084: Fim da construção da Sagrada Família
2091: Último capítulo de Malhação
2097: Morte de Dercy Gonçalves

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Do Rio até Belô



Dez horas, tá na hora. Cadê os italianos? A gente precisa deixar algum contato com eles. (Os caras eram peças raras pra caramba e ainda estarão em Buenos Aires em dezembro, quando o Thales também estará.) Não tão no terraço, não tão no quarto deles. Vamos deixar um bilhete aqui na recepção. Ah, olha o Umberto aí. A gente passa os e-mails, despedimos com ciao e adiós, mochila nas costas e bora pra estação do metrô. Dez e quinze. O Thales bota a mão no bolso e: velho, acho que perdi a carteira. (E isso que ele já tinha perdido o celular no mesmo dia.) Fico na estação com as mochilas enquanto ele corre no albergue pra tentar achar. Dez e vinte e cinco, ele volta, com a carteira. Tava com os suecos do bar, que tinham encontrado em cima do balcão. Passamos a roleta do metrô, apressamos o passo sobre a esteira rolante, aguardamos o trem. Dez e trinta e cinco e nada. Chega o bichão, subimos a bordo, e na primeira parada (Ixtação Flamengo) as portas abrem e não se fecham. Fecha, porta, fecha, porta. Quinze minutos depois (nas nossas cabeças, na verdade foram no máximo dois) o troço volta a andar. Dez e quarenta e cinco, saímos da estação e rumamos ao ponto de ônibus para esperar o integração que nos levaria à rodoviária. Dez e cinqüenta, nada de ônibus. Se bobear a gente vai ter que pegar táxi, velho. É, vamos esperar mais uns cinco minutos e a gente vê. Cinco minutos depois, nada de ônibus. Cara, mesmo se esse ônibus chegar, não vamos conseguir chegar a tempo na rodoviária. Beleza, vamos de táxi. Os quatro primeiros que aparecem estão cheios. O quinto pára e nos deixa na rodoviária. O tempo que ele gasta nos faz perceber que realmente não conseguiríamos nunca, domingo, à noite, de ônibus, chegar a tempo. Na ida para a plataforma, ajudo uma senhora portuguesa a carregar sua mala rampa abaixo. Ela lá falando: sou portuguesa, mas tem quinze anos que moro no Brasil, tô indo hoje pra Belo Horizonte, e eu só pensava: não é possível, essa mulher tá levando chumbo na mala. Onze e doze, entramos no ônibus que sairia às onze e quinze e a tensão dos últimos sessenta minutos enfim se alivia. O Dramin me faz dormir um pouco mas a cadeira da frente não permite espaço algum às minhas pernas, o que torna as próximas sete horas um tanto desconfortáveis, mas sem maiores percalços.

Já em Beagá, minha avó me liga e descubro, chocado, o que aconteceu com o ônibus da Util que partiu logo após o nosso.

domingo, 4 de novembro de 2007

Minha alma canta



Demorou um café da manhã, um açaí, um prato de comida e um mergulho no mar para que meu corpo pudesse novamente suportar uma cerveja. À noite consegui agüentar até uma caipirinha no Clandestino's Bar, que fica aqui do lado do albergue, assistindo a um DJ tocar. Isso aí, um DJ tocando. Normalmente tenho uma certa preguiça de música eletrônica e dos muitos que se dizem DJs mas só apertam plays e arranham vinis. Mas esse cara era foda. Fazia a mixagem na hora, tocando teclado e dedilhando suas geringonças modernas. Estava ainda acompanhado de umas moças cantando e um VJ que juntava imagens bizarras previamente selecionadas com vídeos ao vivo, do próprio bar, culminando num remix audiovisual malucão dos diálogos de "Tropa de Elite".

O fim-de-semana também tem sido cultural. Visitamos o Museu da República, que funciona no Palácio do Catete e conta com as escadarias onde os presidentes desciam acenando, as mesas onde davam seus banquetes e o quarto onde Getúlio se matou, inclusive com o pijama perfurado e o revólver com que rumou à eternidade. Também demos um pulo ao Maracanã vazio, com direito a visita (ainda que restrita) aos vestiários, à tribuna de honra e ao verde tapete da realeza. Agora, enquanto o Thales assiste em algum barzinho aqui perto o jogo do Botafogo, eu volto à Babel que está esse albergue, com italianos falando espanhol, israelenses falando inglês e criancinhas peraltas que só falam "ça va". Au revoir.

sábado, 3 de novembro de 2007

O Rio de Janeiro Fevereiro Março



Achamos que seria fácil assistir à estréia do Brasil na Copa do Mundo de Beach Soccer, que acontece na areia de Copacabana e tem entrada franca. Afinal, quantos animariam ver o Brasil jogando contra as Ilhas Salomão? Muita gente, na verdade. Milhares estavam sob o sol escaldante, berrando os gritos de torcida, e a fila do lado de fora atingia meio quilômetro. Preferimos evitar a muvuca e fomos tomar um chopp sob a sombra, num restaurante que tinha um cardápio fantástico. "Contra-filé" estava traduzido como "against-filet". A versão em inglês de "Camarão à Paulista" era "shrimp to the inhabitants from São Paulo".

Depois de uma tarde dedicada a petiscos, chopps e andanças pela orla, cruzamos com um bando de jovens zumbis na Avenida Atlântica, ali perto do Copacabana Palace. Um grupo enorme de pessoas com estacas cravadas no peito, cicatrizes horrendas e sangue por todo lado. Ficou o mistério: seria comemoração de Finados? Protesto contra a precariedade da saúde pública? Fui encontrar a resposta só no orkut mesmo. Na volta para o albergue, o calor desértico e os pastéis de siri e de camarão que eu havia comido mais cedo começaram a fazer efeito. Resultado: enquanto a galera do albergue se divertir num barbecue noturno com a gringaida, passei mal a noite inteira.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Scream for me Rio



Dia de Los Muertos, 8h40.

Depois de seis horas maldormidas da rodoviária belo-horizontina à carioca, desci do ônibus da Util com um certo frio, mas era só o ar-condicionado. O tempo lá fora estava como está agora: abafado, com chuvas poucas, sol querendo aparecer. Segui o guia prático que o Thales postou no blog dele e cheguei ao albergue com relativa facilidade, vendo da janela a sórdida Zona Portuária, a imponência dos prédios do centro, o Cristo lá de cima escondendo a cara entre as nuvens. Fiz o check-in, tomei um banho, liguei pra casa, andei a esmo pela rua, desviei dos pombos na areia de Copacabana e o Thales continua dormindo. O café da manhã só começa daqui a uns quinze minutos, mas acho que vou lá acordar ele.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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