quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Doismileoito.

Ganhamos o Festival do Minuto na categoria 10 segundos com o “Prisão Perpétua”. Por outro lado o da lagartixa, que deu muito mais trabalho, não levou nada. O iPod deu pau e comprei um MP4 genérico. Fui péssimo no boliche numa quinta, e na outra só fiz strike. Mudei da publicidade para a televisão. Passei o carnaval indo ao cinema. Andei de limusine no centrão de BH. Virei a noite numa rave pela primeira vez, a trabalho. Quebrei o caju do Caju. Comi de graça em vários bares fazendo matéria sobre o Comida di Buteco. O padre voador merece o Prêmio Darwin do ano. Participei de uma mesa redonda no Uni-BH. Visitei o Museu das Reduções e comi sorvete de rosas. Indiana Jones decepcionou, mas Batman superou as expectativas e foi provavelmente o filme do ano. Escrevi sete capítulos para a novela “A Velha Debaixo da Cama”, e meu capítulo 5 foi publicado na piauí. A Bon Jovi Cover só fez um show em Lagoa Santa e outro de improviso na despedida do Ded’s, mas os dois foram um barato. O Piano Alemão foi penta e hexa na Quinta Master do Canapé. Acompanhei as Olimpíadas dia a dia e vi ao vivo todos os ouros do Brasil (foram só três). Molly Jones passou uma semana de couchsurfing aqui em casa, mas quem dormiu no sofá fui eu. Fui na pré-estréia de “Linha de Passe” e conheci Daniela Thomas e Sandra Corveloni. Fiz o primeiro módulo da Escola Livre de Cinema. Me vesti de ninja, ET e duende do Papai Noel. Depois de um hiato considerável, o ABUNN voltou com uma porção de músicas novas. Meu HD deu pau e perdi tudo que tinha feito em 2008. Conheci Tia Dulce, Zé do Caixão e outras figuras antológicas. Tive minha primeira aula à luz de velas. Troquei meu celular depois de quase oito anos. Depois de meses enrolando, começamos a segunda temporada de A Saga de Tião. Nunca confie em um guardador de carros. Um carro capotou na nossa frente na Nossa Senhora do Carmo, mas o Adriano conseguiu desviar. Andei de metrô várias vezes no BH Music Station. Filmamos “Aquele Que Está Lá” em dois dias, e eu fiz a captação de som. Assisti a filme pra caramba, mas ainda não bati o recorde de 2004. Minha única viagem de verdade foi pra Mariana durante o Festival da Vida, mas vou passar o reveillón na praia pela primeira vez em cinco anos. Até doismilenove!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Falando em escritos, já está no ar a segunda temporada da história em pedaços A Saga de Tião. Vladmir e Natasha Maria, agora Sebastião e Filisbina, vivem em algum canto obscuro do interior do Acre, e de soviéticos urbanos passaram a seres do mato.

A proposta inicial continua: cada capítulo é escrito alternadamente por Lucas Paio e Daniel de Pinho, e no final de cada texto será postada uma frase avulsa e esdrúxula a ser encaixada no capítulo seguinte. O diferencial nesta temporada 2.0 é que essa frase será postada pelos leitores nos comentários. Ou seja, qualquer um pode deixar sua contribuição e colocar os autores numa arapuca literária. Entrem lá: http://sagadetiao.blogspot.com.



A novela em dez capítulos "A Velha Debaixo da Cama", publicada ao longo de dois mil e oito na revista piauí e cujos bastidores o leitor deste blog acompanhou também por aqui, está agora disponível no site da revista para visualização online e impressão em celulose, devidamente diagramada. Uma pena que a versão em átomos não venha com a edição de dezembro da revista, mas quem quiser imprimir, grampear e colar as folhas é só entrar aqui e seguir as instruções. Já sua contraparte cibernética, onde os cliques aposentaram os dedos lambidos na função de virar páginas, pode ser apreciada aqui. E aproveitando o embalo, fica aqui meu agradecimento à revista por ter participado de tão garboso concurso e um abraço a Rodolfo Viana, Claudio Parreira, Ciço Léo, Franco Neviani, W. Surtan, Hemetério, Juliana Simões, André K. e Paulo Vicente Alves Cruz, competidores e colegas na feitura da absurda saga de Antônio, Maria e o Coronel Mergulhão.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A HISTÓRIA DE PARTE II - O MEIO DO FIM

Capítulo 3 - Improvisos, edições e projetos inacabados

O quarto e último dia de filmagens de Parte II - O Meio do Fim começou ainda de manhã, numa aula de Geografia. Sônia, nossa professora, fez uma ponta em duas cenas: na primeira, imitava uma propaganda de curso de inglês onde um professor repetia: "Alguém sabe o que significa isso? Alguém?..."; na segunda, apresentava à turma Billy Nose (ou "Neuse", como ela pronunciou), o agente infiltrado com cara de estudante do primeiro ano. Mateus Isoni, colega nosso na época, fez com a boca o efeito sonoro do sinal tocando.

Voltamos à casa do Léo à tarde, para as cenas finais. Primeiro registramos o epílogo, feito para entrar após os créditos: Pâmela Rebeca, grávida e já com um filho (um rinoceronte de pelúcia da Parmalat embrulhado num pano), combinava um almoço com seu agora esposo Billy Nose e se deparava com um inesperado visitante dentro do banheiro. Surgia na tela a manjada frase "To be continued": era a deixa para a seqüência, nunca produzida. Em seguida filmamos a morte de Wilber, na garagem do prédio, e a perseguição a pé de Billy ao assassino - três takes bastaram para evidenciar o despreparo físico dos atores para cenas de ação como aquela.

A última cena a ser filmada foi também das mais demoradas: a cirurgia no agente Billy Nose para implantar uma câmera em seu cérebro. Para o papel do doutor que o operava, só tinha sobrado eu - e eu, mais do que o Paulo naquela cena da metade do elenco em quinze minutos, não conseguia controlar o riso. É uma cena longa, muito improvisada e completamente non-sense, da disparatada presença do assassino como ajudante do médico às bugiganas que habitavam a cabeça de Billy Nose.

Ao final da maratona, tínhamos duas horas de material bruto para editar num filme ainda sem nome que não podia ultrapassar os 15 minutos. Danielle, a professora de Produção de Vídeo, prometeu marcar pra gente um dia numa ilha de edição, mas antes tentei fazer minhas próprias montagens caseiras. Adriano foi lá pra casa e fizemos os créditos no computador, que ele deletou involuntariamente após horas de trabalho. Resultado: fechamos a lente da câmera e, com a tela toda preta, o Adriano leu os créditos em voz alta ao som de "Alive", do Pearl Jam. Depois juntei tudo, editando de vídeo-cassete pra vídeo-cassete, e ficou uma merda: meu vídeo cortava os primeiros segundos de todas as cenas, tornando aquilo que já não tinha muito sentido numa maçaroca audiovisual sem pé nem cabeça.

Finalmente, no dia 30 de outubro de 2000, pudemos visitar uma ilha de edição de verdade e montar o curta a nosso bel-prazer. Sem mapa de edição nem nada (eu tinha mapeado mas esqueci a folha em casa; só que já tinha visto as fitas tantas vezes que já sabia a ordem de cor), adicionamos trilha - Nirvana, Led Zeppelin, Legião Urbana, Raimundos e Green Day, que pusemos sem esquentar a cabeça com royalties -, os créditos (com o sobrenome da Christiane errado e faltando a Sara, por erro nosso) e o título do filme, o que deu um certo trabalho. Pretendíamos usar o nome 15 Minutos, tamanho máximo que nos era permitido para o curta. Como batemos na casa dos 17 minutos, não fazia mais sentido - e foi coincidência que, no ano seguinte, lançassem um filme de mesmo nome com o Robert DeNiro. Partimos para o plano B: Parte I - O Começo do Fim, assim já no subtítulo. Na hora H, porém, acabamos optando por Parte II - O Meio do Fim, fazendo deste a segunda parte de uma trilogia que seria encerrada por Parte III - O Fim do Fim.

A "première" de Parte II seria feita na Feira de Cultura anual realizada em nosso colégio, junto com os curtas produzidos pelos outros grupos. Haveria até uma votação para premiar o melhor filme, mas chegando no dia... cadê o filme? Ninguém sabia: a professora perdera a nossa fita e não tinha idéia de onde podia estar. Desenterrei uma conversa minha com o Leandro Fabel, pelo saudoso ICQ, que conta mais detalhes:

Lucas Paio: koleh. passaro o filme nosso lá?
Leandro: NAUM!!!!! AKELA FILHA DA P*** ISKECEU U FILME OU PERDEU, SEI LAH!!
Lucas Paio: AH MAS SE ELA NAO DEVOLVER ELA TÁ F*****!!!
Lucas Paio: c viu algum filme? falou com a lindalva? q q c sabe sobre isso?
Lucas Paio: responde
Leandro: eu falei q u filme tava no c* dela !!!!! HAHAHAHAHAHAHAHA
Lucas Paio: fala serio sô
Leandro: falei, cum a fessôra !!! HAHAHAHA
Lucas Paio: desde o começo
Leandro: a fessôra disse q naum sabia onde tava o filme, a thaís buzinô nu ovidu dela ateh.............
Lucas Paio: e aí?
Lucas Paio: o q aconteceu?
Leandro: aí o Fred xegô e perguntô ondi tava a fita, aí eu falei : No c* dela !!! ela soh falô: q isso gente.........eu raxei us biku.........
Lucas Paio: hahahahhahah
Lucas Paio: ou, mas ela falou o q? q perdeu?
Lucas Paio: escreve mais rapido
Leandro: naum, depois passô um compacto, o nosso tava lah, aí naum teve eleiçaum du melhor pq ela dise q vai axah u nossu..............

O letreiro inicial do nosso filme, calcado em A Bruxa de Blair, dizia que "em agosto de 2000, treze adolescentes fizeram um filme totalmente idiota e sem sentido. Três meses depois, as filmagens foram encontradas". Coincidência ou não, em novembro do mesmo ano - três meses depois, portanto, do início das filmagens -, um belo dia o Jorge, faz-tudo do colégio, apareceu com um punhado de fitas no meio de um recreio e entre elas, surpreendentemente, estava o Parte II. Por via das dúvidas, levei comigo antes que desaparecesse de vez.

Apesar de planejadas e até roteirizadas, com falas e tudo, os dois filmes restantes da trilogia "Parte" nunca foram feitos. Parte I - O Começo do Fim mostraria a origem de tudo: a turma, o assassino, a história pregressa de Billy Nose. Parte III - O Fim do Fim traria todo o elenco original de volta por meio da SIGMA ("Sociedade dos Irmãos Gêmeos Malvados"), que reuniria as contrapartes malignas de cada personagem. O Leandro até chegou a fazer um teaser-trailer do Parte III, usando o subtítulo "o Retorno de Sidnélson Prescott", mas o mais próximos que chegamos de uma seqüência foi um filme realizado de improviso em 2003 chamado A Liga da Preguiça. O elenco: Adriano como Batman, Léo como Super-Homem, eu no papel do Robin e o Leandro voltando a encarnar o assassino encapuzado de Parte II. Muitas cenas faziam referência ao nosso curta de 2000 - o personagem que desaparecia e era truque de câmera, a cena de perseguição com o Leandro e o Adriano e, não podia faltar, a revelação do assassino no final.

Já o DVD duplo para colecionadores, com o filme completo, a versão do diretor, o making of de uma hora de duração, erros de gravação, entrevistas atuais com o elenco e os créditos consertados, incluindo o nome da Sara e o sobrenome correto da Christiane, tudo isso ainda são projetos em andamento. Mas consegui, enfim, digitalizar o filme e jogá-lo no YouTube. Sem mais delongas, portanto...

PARTE II - O MEIO DO FIM

Comece por aqui:



E depois assista esse:

domingo, 16 de novembro de 2008

A HISTÓRIA DE PARTE II - O MEIO DO FIM

Capítulo 2 - Pânico, mortes e um boneco de pano



Pânico
era uma referência constante – falo do filme de Wes Craven ("Scream", no original), não de Zurita e sua turma. Pouco mais de dois anos haviam se passado desde a primeira vez que assisti, em vídeo, às perseguições que o mascarado de boca aberta infligia aos estudantes de Woodsboro. Nesse meio tempo, compareci religiosamente às estréias das seqüências no cinema, assisti o primeiro tantas vezes em VHS que ainda hoje sei diálogos inteiros de cabeça, e planejei, com alguns colegas da oitava série, cenas avulsas de uma paródia do filme. Muitas acabariam gerando outras em nosso curta de 2000 - se na idéia inicial teríamos uma ponta do assassino de Eu sei o que vocês fizeram no verão passado errando de filme, a personagem vivida por Ana Carolina Sacco topava com o assassino de Pânico fazendo exatamente o mesmo - e era eu sob a fantasia, usando como arma um inofensivo desentupidor de pia.

De Pânico vieram ainda o nome do personagem do Leandro, Sidnélson Prescott – uma mistura de Sydney Prescott (mocinha interpretada por Neve Campbell) com o Sidnélson, mascote da marca de tênis Rainha, que Leandro usou como pseudônimo nos tempos da M8; e a idéia de todos os estudantes se reunindo para assistir filmes de terror. No nosso caso, era Wilber (personagem do Léo, originado de sua estranha mania de interromper conversas com a pergunta: "Alguém viu o pequeno Wilber por aí?") que convidava os amigos para uma sessão-terror em sua casa. A fita escolhida: O Rei Leão. A cena filmada na casa do Thiago no final do primeiro dia de gravações - todos reunidos na sala de TV, a Thaís gritando "Eles vão matar o Simba" e a Patrícia Fajardo saindo para ir ao banheiro - foi inteiramente refilmada no segundo dia, agora na casa da Sacco, com a adição de numerosos detalhes.

Começava com Verônica e Pâmela Rebeca - codinomes de Sacco e Thaís, respectivamente - chegando à casa de Wilber e encontrando os colegas de escola: Sidnélson Prescott (Leandro Fabel), Laurinha (Patrícia Fajardo, cujo nome de personagem veio de uma obscura piada interna envolvendo uma certa Laurinha Pega-Pega) e Maria (Ana Carolina Furlan, que na verdade nunca foi chamada assim no filme). Em determinado momento, Laurinha vai ao banheiro e torna-se a segunda vítima do assassino malemolente de capuz pontudo, que, desta vez, usa o chuveirinho do banheiro para enforcar a coitada.

O velório de Laurinha contou com um dos maiores méritos da equipe de direção de arte do filme: o caixão da vítima. Ficou um pouco torto, é verdade, mas poucos espectadores percebem que aquilo se trata, na verdade, de uma disfarçada tábua de passar roupas. É no velório que o assassino aparece novamente e mata Sidnélson, personagem do Leandro. A cena em que eles descobrem o cadáver de Sidnélson, de olhos virados e catchup na boca, foi uma das mais demoradas. César dizia: "Porra, como é que morre gente nesse filme", e o Paulo deveria retrucar: "Lógico, tem que morrer metade do elenco em menos de15 minutos...", mas, take após take, não conseguia segurar o riso. A cena acabou entrando só com a fala do César.

Esse segundo dia aconteceu na primeira semana de agosto de 2000, e depois disso as gravações foram interrompidas sem previsão de volta. Me foge à memória o motivo dessa pausa - mas achávamos que o filme fosse ficar pra sempre inacabado, porque as cenas que demoraram duas tardes pra ficarem prontas não davam nem metade da história.

Finalmente, na última semana do mês, voltamos para mais dois dias de filmagens, tendo como locação a casa do Léo. Começamos com a longa cena da festa que encerrava o filme e matava mais um bocado de gente. Nesse ponto, aliás, já tinham morrido tantos que faltava quórum para a festa. A solução foi colocar perucas nas vítimas, no delegado e nos detetives, para que fizessem as vezes de figurantes. Entre os mortos da tarde, tivemos a Sara, no papel da Professora Helena (qualquer relação com Carrossel terá sido meramente proposital), que morre rindo; Verônica (Ana Carolina Sacco), que se recusava a contar à amiga Pâmela quem tinha feito aquilo com ela; e o Léo, este só na fala do Adriano, que saía para procurar quem ele considerava o principal suspeito e voltava com a bomba: "O Wilber morreu".

Era a hora da revelação do assassino. Com Pâmela Rebeca presa em um braço, com o outro ele tirava o capuz pontiagudo e declarava: "Sou eu, Sidnélson Prescott". Perplexidade geral: "Ué, mas você não tinha morrido?!", e ele, triunfante: "Claro que não. Era um boneco". E cortava para a cena de flashback, filmada em preto e branco na casa da Sacco, repetindo a descoberta do cadáver de Sidnélson pelos outros personagens. Só que, desta vez, era Zé, boneco de pano feito pela minha avó, que jazia inerte em seu lugar, com uma peruca na cabeça. Voltávamos ao presente e finalmente Sidnélson, após levar uma pancada de Pâmela Rebeca, tinha o que merecia - mas não sem antes voltar à vida por um breve momento para o último susto. Terminava a cena que encerrava o filme, terminava o terceiro dia de filmagens e terminava também mais uma fitinha lotada de material, entre erros, palhaçadas e cenas utilizáveis, o que daria um trabalhão pra editar depois. E ainda faltava coisa pela frente.

(Continua...)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A HISTÓRIA DE PARTE II – O MEIO DO FIM

Capítulo 1 - A aula, o roteiro e o primeiro dia de filmagens

O nome da matéria era monstruoso: Empreendedorismo. Na prática, assustava bem menos do que as camadas eletrônicas da Química ou as famigeradas mitocôndrias da Biologia. Eram vários módulos: Jornalismo, Teatro, Técnicas de Pesquisa. Em cada um, um professor diferente. O terceiro módulo tinha uma professora algo picareta e razoavelmente mobral, mas o nome – “Produção de Vídeo” – e o projeto do bimestre – claro, a produção de um vídeo – nos pareciam promissores.

O trabalho era em grupo e o nosso era enorme, nada menos que 13 pessoas. Ainda assim, não houve muita discussão a respeito do tema do nosso filme: faríamos uma paródia de filmes de terror. Parece batido hoje, mas em julho de 2000 nem o primeiro Todo Mundo em Pânico tinha estreado ainda. E nossa idéia vinha de muito tempo: na sétima série, tentamos produzir A Mão Sangrenta, um thriller telefônico; na oitava, esboçamos cenas de Massacre na Turma 801, última parte de uma trilogia de sátiras escolares, e de Pânico Versão Fundo de Quintal, refilmagem sweded do terror juvenil que era fenômeno no fim da década. Nenhum desses projetos vingou, talvez por não termos uma desculpa tão boa para realizá-los quanto um obrigatório trabalho escolar. Daquela vez, porém, ia dar certo.

O primeiro esboço do roteiro data de 5 de julho de 2000 e foi escrito lá em casa por mim e pelo Adriano, no mesmo quartinho onde, meses antes, tínhamos arquitetado o site da turma que nos levara a três dias de suspensão. O roteiro em questão nada mais era do que cinco cenas resumidas e um bloco gigante de texto marcado como “resto da história”. Muitas coisas que estão no filme pronto já apareciam ali – a loira que morre no começo, os detetives Jack Jackson e John Johnson, a turma de adolescentes assistindo a aterrorizantes desenhos da Disney, a personagem que morre no banheiro, o agente secreto infiltrado no meio da turma, a festa no final seguida de chacina. Outras, como os trailers de seqüências de filmes de terror (“O Sétimo Sentido”, “Sábado 14”, “Eu não esqueci o que vocês fizeram no verão passado”), morreram no papel. Até o fim das filmagens, teríamos mais 3 versões do roteiro – nenhuma delas completa, com diálogos, rubricas e plot points bem marcados, como manda Syd Field, mas esquemas de três ou quatro linhas que davam a origem a intermináveis improvisos. Foi assim, com duas folhas grampeadas, uma filmadora com a bateria capenga e várias idéias pela metade na cabeça, que iniciamos o primeiro dia de filmagem, no início de agosto, na casa do Thiago Ursini.

Todos os dias de gravação começariam da mesma forma, está tudo registrado no making of: gente andando de lá pra cá sem ter o que fazer, garotas demorando horas pra trocar de roupa e maquiar enquanto os meninos tentavam inutilmente espiar os bastidores pela fechadura, todo mundo vestindo a roupa do assassino, o Adriano reclamando que eu estava filmando demais e que a bateria poderia acabar antes das gravações, tombos, risadas, brincadeiras. Some-se a isso a falta de experiência de 13 adolescentes tanto como elenco quanto como equipe de produção, e quando o relógio marcava cinco da tarde pouco tínhamos avançado nas filmagens.

A primeira cena feita seria a primeira a aparecer no filme: Camila, vivida pela Christiane, chega em casa depois de uma festa e adormece no sofá; um sujeito desajeitado vestindo uma roupa preta invade a casa, persegue a garota e a esfaqueia com uma faquinha minúscula; Camila cai de bunda pela escada e morre. A roupa preta com capuz pontudo à la Ku Klux Klan tinha sido feita pela minha avó Lulu, dois anos antes, para um filme que eu faria com meus primos, intitulado O Homem do Castiçal. Foi mais um projeto abandonado, mas a roupa acabou caindo bem no assassino do nosso curta.

Depois dos vários takes da cena inicial – que precisou de metade do elenco segurando cobertores perante as janelas, pra tapar a luz e fingir que era noite –, partimos para as duas cenas da delegacia. Seguíamos o clichê: todo filme de terror juvenil tinha a loira que morria no começo e depois a cena da delegacia, apresentando os detetives encarregados do caso. O nosso delegado era o delegado Peixoto – o nome eu tirei do livro A Caveira Assassina, um livro inacabado que venho adiando desde 1997 – e era o Thiago Ursini que o interpretava, com terno, cigarro e walkie-talkie. Os detetives Jack Jackson e John Johnson (nenhum parentesco com o Jack Johnson) eram Paulo e César, respectivamente. Numa das aulas de Produção de Vídeo pré-produção do vídeo, essa era a cena que havíamos ensaiado na presença da professora; lembro que ela dera atenção especial à pisada que o Thiago daria quando jogasse o cigarro no chão.

Da cena dois, fomos à cena sete, que marca a primeira aparição do Adriano como o agente Billy Nose - o nome foi escolhido na hora, em referência ao nariz avantajado do intérprete - e um (d)efeito especial calcado em Missão Impossível. A seqüência acontecia na mesma delegacia e aproveitamos o cenário montado na garagem da casa do Thiago (leia-se: mesa com toalha xadrez e cadeira) para não termos que voltar lá depois. Gravar cenas fora de ordem é a regra na maioria dos longas, por logística pura e simples; só que em filmes como nossos, gravados sem roteiro finalizado, é óbvio: dá margem a inevitáveis e inumeráveis erros de continuidade.

Nesta cena, por exemplo, o delegado Peixoto alega ter recebido uma revoltante informação: "mais uma morte, no mesmo grupo". Só que, na cena anterior, ele aparece presenciando o tal assassinato. Amnésia do delegado ou distração dos produtores? Seja como for, uma vez contei, um, a um os erros que encontrava no filme, das risadas involuntárias dos figurantes às grotescas falhas de continuidade. Foram mais de noventa.

(Continua...)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Bits e átomos

Onze de novembro de dois mil e oito vai ficar marcado como o dia em que troquei de celular. Sim, meu pré-histórico Nokia 5120 foi substituído após dez longos anos de uso. Não que tenha estragado. Ainda funciona bem, e o sinal às vezes é melhor do que muitos modelos modernosos. Só que a bateria, já capenga, não dura uma ligação inteira mais. Daí não teve jeito: tive que ceder ao século XXI.

Tenho consciência de que nunca mais vou ter um celular que durará dez anos. Nem cinco - hoje em dia as coisas pifam com dois ou três e olhe lá. É o imediatismo contemporâneo: antigamente se comprava um disco com muito custo e ele durava uma eternidade; hoje você baixa um álbum em dez minutos, mas aperta um botão e ele some pra sempre. O que vem fácil, vai fácil. Que o diga meu HD de 80 giga, que foi pro saco em setembro por razões misteriosas. Datilografasse eu direto em Olivettis e papéis Chamex, não teria perdido quase todos os textos que escrevi no ano. Ok, eu poderia ter impresso tudo, mas isso só comprova a tese da fragilidade do mundo digital. Um arranhão e lá se foram os vídeos de aniversários e casamentos que você passou de VHS pra DVD. Um raio e suas fotos acumuladas no computador, que você estava esperando juntar pra revelar tudo de uma vez, nunca mais serão vistas por ninguém. Daqui a duzentos anos, os arqueólogos em busca de relíquias do passado encontrarão negativos Kodak, vinis de Simon & Garfunkel, fichas de orelhão e joysticks de Super Nintendo, e concluirão que o tempo não passou - quando, na verdade, passou foi rápido demais. E do fundo da pilha de escombros ainda se ouvirá, baixinho, o Jolly Fellow monofônico vindo de um 5120, e os arqueólogos comentarão, saudosos de uma época que não viveram: isso é que era celular.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A velha, o coronel e o gogo-boy aposentado



Começou com uma frase prosaica: "Antônio levantou-se, abriu a janela, e viu Maria lá embaixo, à espera". O desafio era, a partir dela, escrever o capítulo inicial de um folhetim em 10 partes. Eram dez também os concorrentes: só entrava no páreo quem tinha texto publicado na piauí em 2007, no concurso literário "encaixe a frase" - meu conto, que selava o destino da pobre Mirela, foi publicado em novembro do ano passado. E cada vencedor ainda levava oitocentos merréis para gastar com mulheres e bebidas.

Missão aceita, pus-me a escrever. Fiz o meu capítulo I seguindo uma sugestão de meu pai, que viu na frase uma possibilidade de narrar a chegada de Augusto Paio, seu progenitor, ao Brasil. Queria ganhar logo no primeiro mês porque seria o texto a pôr no mundo os personagens e dar o tom da história. Nada feito: o vencedor foi o cearense Ciço Léo, cujo Antônio era um ex-gogo-boy vivendo em companhia de Maria de Maria, velha viúva do famigerado coronel Mergulhão. A maior das penúrias que ele tinha de viver era dormir com a velha debaixo da cama - daí o apropriado nome escolhido para o folhetim, "A Velha Debaixo da Cama".

O capítulo seguinte deveria continuar o texto publicado. Foi o que fiz em meu capítulo II, dando prosseguimento à fuga de Antônio das garras de Maria e matando precocemente a velha no final. Na história vencedora, de Rodolfo Viana, ela continuou vivinha e Antônio nem chegou a fugir, impelido a ficar depois de receber um enigmático envelope. Rodolfo privou os leitores de conhecer o remetente da carta e me pôs em maus lençóis: passei dias imaginando quem seria o misterioso autor da missiva até resolver descambar de vez para a bobagem. No meu capítulo III, o pacote trazia a nova edição da assinatura da revista Fuxicos & Fofocas, da qual Antônio era fã confesso - como ele poderia dar no pé e não poder mais ler semanalmente sobre a vida dos famosos? O texto escolhido pela piauí, de Cláudio Parreira, ressuscitava o ex-finado Coronel Mergulhão e dava a Antônio uma proposta para pensar: se desistisse de fugir e ficasse, fazendo Maria sofrer mais a cada dia, receberia uma fortuna de 10 milhões em dinheiro vivo.

Pus a velha pra sofrer em meu capítulo IV, onde Antônio tentava com todas as armas transformar Maria num trapo triste e miserável, a um passo do suicídio. Já o Franco Neviani, autor do capítulo vencedor, colocou Antônio à procura de alguma foto do coronel Mergulhão, até o momento em que ele olha a foto, olha o espelho e percebe uma semelhança que nunca tinha lhe passado pela mente. No meu capítulo V, Mergulhão finalmente apareceu, velho e morando num porão suspeito. Enviei pra redação da piauí nos acréscimos do segundo tempo, quase estourando prazos e números de caracteres, e qual não foi minha surpresa ao ver no site da revista: "O vencedor do Capítulo V é um mineiro de Belo Horizonte, Lucas Paio. Enviou seu texto na penúltima hora, quando já se dava como certa a vitória de outro candidato aos 800 reais do Bolsa-piauí com que a revista beneficia o melhor escriba do mês".

Pelas regras do concurso, não participei do capítulo VI, cujo autor foi Rodolfo Viana, agora bicampeão. Voltei no capítulo VII, em que botava Maria e Antônio para planejar o assassinato Mergulhão. Já o capítulo VII vencedor, novamente de Franco Neviani, ia por outros caminhos e dava a Mergulhão um fim que ele não esperava.

Perdi o prazo do capítulo VIII, que deu o tricampeonato a Rodolfo Viana, e do capítulo IX, que foi vencido por Ciço Léo e terminava com Mergulhão ainda morto, Antônio trancafiado na cadeia e Maria morta de remorso, saindo de casa após um ano inteiro de reclusão, com a intenção de fazer uma visita. Depois de tantos bicampeonatos, achei que conquistaria também o meu e fecharia a história do jeito que imaginara desde janeiro, ao escrever o capítulo I. Mas, dos sete na disputa, foi o niteroiense W. Surtan quem levou o caneco do capítulo X - merecido, claro, como o foram Ciço, Rodolfo, Cláudio, Franco e os outros que não levaram, mas competiram com classe (como Hemetério, que fez até história em quadrinhos). Fundamos comunidade no orkut - procure por "leitores escribas da piauí" - e fica a expectativa de um convite da revista para um jantar de gala no Rio de Janeiro com os dez participantes, quem sabe?

Quanto a mim, terminaria a história desse jeito:

A Velha Debaixo da Cama
Capítulo X - Réquiem

Ele rumina mais um pedaço da broa de fubá e sentencia: ficou ótima. O aconchego da cadeira de palha e o ar parnasiano que entra pelas janelas do sobrado são tudo o que ela precisava, depois de tanto tempo. Faz o mesmo tanto que eles não se vêem, e não são boas as memórias que têm daquela última vez: ela entregue a um sexo selvagem totalmente desatinado, ele no chão, levando coronhadas. É nítido que envelheceram, e isso que velhos já estavam e muito. Mas, se antes um mantinha uma cômoda rotina de bon vivant em seu bunker luxuoso sob o quarto de dormir, e a outra tinha um amante a quem tanto lhe aprazia espezinhar, agora sofriam os resultados de tanta reclusão; a dela física, enfurnada em sua amuralhada casa-zôo, a dele fisiológica, eremita de si mesmo, num coma cárus que durara um ano. Como que acostumados, preferem o silêncio. Ele evita insistir na mesma tecla e maldizer Gervásio, sujeito exagerado, a quem pedira só um desmaio e não um traumatismo de tamanho tal. Não se dá ao trabalho de queixar-se do período que perdera e de todos os fatos importantes que não pudera presenciar, do honroso segundo lugar do Íbis no campeonato nacional ao retorno triunfal de José Sarney à Presidência da República. Tampouco quer saber qual foi a reação do povo ao defunto risonho e ceroso que descansava no ataúde: admirava o escultor mas achara a obra de um mau gosto ímpar, e na próxima farsa preferia ser cremado. Não: ele não diz nada, e ela não faz perguntas – não é para isso que estão ali. Quando só restam farelos na travessa da broa e a derradeira gota do café pingado jaz fria no fundo da xícara, ele abre um sorriso debaixo do bigode vasto. Desta vez é um sorriso autêntico, e ela sabe. Tanto que emenda: então vai ser isso mesmo? E ele: é. Parece um jeito bom de passar o tempo que a gente ainda tem. Além do mais, tenho certeza de que ele vai gostar. Olho no olho, tratam-se carinhosamente: Maria, sua sórdida. Plínio, seu sujo. Só não se beijam porque na idade deles soaria ridículo, mas é como se fosse.

Antônio esfregou os olhos e viu a cela aberta. À sua frente, um homem de uniforme; nas mãos, um envelope. Arruma suas coisas que já tão te esperando, disse o homem antes de virar as costas. Antônio olhou intrigado o invólucro pardo e notou o logotipo familiar: L'Île de La Tentation. Apressado, leu a missiva. Era um aviso – o cabaré agora estava sob nova administração – e um convite expressamente irrecusável – os novos donos receberiam Antônio Euclides de braços abertos para a aguardada retomada de sua carreira artística; em outras palavras, Conan, o Bárbaro, voltaria a rebolar no queijo. Já estavam todos avisados do equívoco que o levara às férias forçadas, dizia a carta; os tempos de dormir em cantos de celas ou debaixo de camas viravam passado. Dois garranchos assinavam o rodapé, mas nem seguindo o traço com atenção Antônio pôde decifrar os nomes. Olhou para a porta da cela destrancada e o homem de uniforme que o apressava; olhou de volta a carta, assombrado. Compreendeu enfim. Antônio levantou-se, abriu a janela, e viu Maria lá embaixo, à espera.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ortographia

Lucas Paio, 13/10/2008
Salve-se quem puder: a reforma ortográfica está entre nós. Nós, que nem sabemos o que é um ditongo aberto ou o que ele come, e já precisamos tirar-lhe os acentos. Uma heróica assembléia de idéias virará uma heroica assembleia de ideias, assim sem charme, desacentuada como uma mensagem de texto de um celular pré-histórico como o meu. Cai o trema - logo ele! Como nós, aqui em Minas, agora vamos diferenciar um pingüim de um pingo bem pequeno? Em contrapartida, K, W e Y, sempre renegadas, finalmente integram o alfabeto. Por um lado, vêm ao idioma o WC e o KY; por outro, Michael Sullivan e Paulo Massadas precisarão repensar o Abecedário da Xuxa. T de Terra, U de Universo, e W o que que é? Wonderbra? O pior de tudo, no entanto, é a palhaçada que fizeram com os hífens. Contra-regra agora é contrarregra, anti-semita vira antissemita e dança até o meu palíndromo "Oi, arara pára-raio!", já que pararraio agora se escreve assim, superdosando os erres. Ora, abolissem a crase, o vós, o inútil h de "companhia" e lascassem logo um n em "muinto", que é muito anasalada e não devia. Aí ficava tranquilo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Terra brasileira



Pré-estréias são sempre legais. Além de geralmente rolar um agrado, um vale-combo pipoca e refri, às vezes um ou outro brinde surpresa (na pré de Superman - O Retorno, os fãs que vestiam a camisa do Super-Homem ganharam presentes. A minha do Chapolin não valeu de nada), é boa a sensação de ver o filme antes dos outros mortais, ainda mais quando o ingresso não pode ser comprado, só ganhado. Foi assim na última terça-feira, na pré-estréia belo-horizontina do brasileiro Linha de Passe.

Dirigido por Walter Salles (de Central do Brasil, Diários de Motocicleta e tantos outros) e Daniela Thomas (que, só hoje descobri, é filha do Ziraldo), Linha de Passe estréia por aqui dia 5 de setembro e narra o dia-a-dia de uma família paulistana, mãe e quatro filhos. A mãe é vivida por Sandra Corveloni, que ganhou até prêmio em Cannes por sua atuação. Os filhos foram escolhidos por testes, preparados em oficinas de atores pela célebre Fátima Toledo e não devem nada às outras interpretações. Há também algumas caras conhecidas, como Vinícius de Oliveira (o moleque de Central do Brasil, irreconhecível), como o filho que já beira os 18 e ainda sonha em ser jogador de futebol. Cabeludo e espinhento, fui perceber que era ele só quando vi o nome nos créditos finais.

Tenho uma certa queda por estudos de personagens. É aquela parte central de Náufrago em que o Tom Hanks está na ilha, aprendendo a sobreviver e conversando com uma bola; ou a primeira metade de Wall-E, onde o robozinho solitário nada faz além de catar lixo e colecionar trecos. Dão a impressão de que não tá acontecendo nada, mas acabam sendo muito mais interessantes do que se houvesse um vilão ou algo que o valha. Linha de Passe se encaixa um pouco no conceito, dividindo o tempo de tela entre os 5 personagens principais: Dario, aspirante a jogador de futebol; Dinho, frentista evangélico; Dênis, motoboy e pai por acidente; o caçula Reginaldo, que nunca conheceu o pai; e Cleusa, empregada doméstica, que tenta ser pai e mãe da filharada enquanto encara uma quinta gravidez. Semana que vem, faça o favor de levantar a bunda da cadeira, esquive-se de ver mais uma bomba do Adam Sandler e engula seu preconceito contra produções nacionais, porque o filme é bão pra caramba.

A cereja do bolo foi o bate-papo com a Daniela Thomas e a Sandra Corveloni após a exibição. Não tinha muita gente - são poucos os animados em discutir cinema à meia-noite de uma terça-feira - e talvez por isso tenha sido tão bacana. Abri a rodada de perguntas com uma dúvida sobre direção em conjunto: como é dividir a direção de um filme com alguém, sendo que dirigir normalmente é como escrever, uma tarefa autoral e solitária? Disse Daniela: é um caos. Mas explicou que acaba havendo uma divisão natural, ela fica mais com a parte da pré-produção, da escolha do elenco e locações, enquanto Walter Salles é "o homem do set", o cara que entende tudo de câmeras e lentes - chegando inclusive a operar a câmera em alguns takes.

O papo seguiu com várias histórias divertidas dos bastidores. Algumas situações reais evocavam cenas do filme: o teste do elenco, com milhares de candidatos, como as "peneiras" de jogadores de futebol das quais participa o garoto Dario; o ator Kaique de Jesus Santos, que viveu o Reginaldo, tão marrento no set quanto seu personagem; a Sandra disputando o papel da mãe com outra atriz, como sua personagem disputa a vaga de empregada. E os felizes acasos que não estavam no roteiro e acabam melhorando o filme: a cena da Bíblia no sofá, por exemplo, foi idéia do Kaique, que soprou a sugestão no ouvido do colega antes da gravação, sem contar pra ninguém.

Também aproveitei para sanar com a Daniela uma dúvida técnica: quanto do filme é dublado e quanto é o som real, captado na hora? Ela disse que uns 30% é dublado, o que é bastante. Cenas externas, ou dentro de ônibus, que sofrem com a barulheira ruidosa, tiveram seus diálogos totalmente refeitos em estúdio, às vezes meses depois. E é tranqüilo, ou o ator encontra dificuldade pra voltar ao personagem tanto tempo depois? Nada, é bem simples, ele escuta a voz-guia várias vezes e depois repete. Só teve uma cena em que percebi uma sincronia meio falha, o que nem se compara aos filmes nacionais de vinte anos atrás, de dar vergonha à turma do Chaves.

(Quem se interessa por curiosidades de produção, aliás, vá ler o Blog de Blindness, escrito pelo Fernando Meirelles sobre as filmagens do seu Ensaio Sobre a Cegueira. Que bem podia ter uma pré-estréia em BH também, hein, Fox Filmes?)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cale-se, cale-se



Tenho me empenhado em corrigir uma grande falha de formação, que é ter visto pouca coisa do Chaplin. Semana passada assisti quatro curtas do início de sua carreira: O Balneário, O Imigrante, Rua da Paz e O Aventureiro. Todos de 1916 ou 17, todos com duração de 25 minutos e todos muito bons. Esta semana foi a vez de um longa, Em Busca do Ouro ("The Gold Rush", 1925). Peguei uma cópia antiga em VHS, limpei o cabeçote do vídeo-cassete (usando a técnica de avançar e retroceder uma fita várias vezes, tão prosaica e funcional quanto soprar um cartucho de Super Nintendo) e assisti aos setenta e poucos minutos das aventuras de Carlitos na solidão branca do Alasca.

A primeira impressão não me saltou aos olhos, mas aos ouvidos: estranhei a trilha sonora. Ao contrário dos curtas, que casavam música e imagem de forma sincronizada, quase videoclíptica, a dramática trilha de Em Busca do Ouro, com seus órgãos e acordes tristes, funcionava razoavelmente para umas cenas e fracassava em outras. Sem falar nos momentos quase constrangedores em que a música terminava antes da cena acabar, ou seguia contínua entre um take e outro que não tinham nada a ver. Qualquer um que já editou um vídeo caseiro no Movie Maker sabe que a música de fundo pode mudar o sentido da cena, e em certas horas me vi obrigado a colocar a TV no mudo pra aproveitar melhor o filme. A coisa se torna ainda mais estranha quando se descobre que a trilha foi indicada ao Oscar - quase vinte anos depois!

O mistério tem sua explicação. O longa lançado em 1925 era completamente mudo (como eram todos feitos antes de 1927), e só ganhou trilha em 1942, para um relançamento nos cinemas. Foi essa trilha que concorreu ao Oscar em 43 (e perdeu para a de A Estranha Passageira), e é essa versão recauchutada do filme que está nos DVDs de hoje em dia. A versão calada de 1925, por sua vez, teve os direitos expirados e agora é de domínio público, e cada um distribui e coloca a trilha do jeito que bem entender. Ou seja, quem quiser lançar o filme com trilha do Cauby Peixoto ou do Wando só precisa de cara-de-pau e da autorização dos compositores.

Em Busca do Ouro, como muitos outros, traz Charles Chaplin no papel do Vagabundo, ou Carlitos, como ficou conhecido por aqui O cenário é o Alasca durante a Corrida do Ouro, e nosso herói está perdido e esfomeado. (Qualquer semelhança com Na Natureza Selvagem é mera coincidência, porque este último é baseado numa história real.) Logo no início, o solitário explorador encontra uma cabana, conhece uma galerinha irada e apronta altas confusões tentando não morrer de inanição.

A genialidade e o perfeccionismo chaplinianos são responsáveis por momentos antológicos ao longo do longa. A cena de Carlitos e Big Jim degustando uma bota no jantar, com direito a cadarço enrolado no garfo como se fosse macarrão, precisou de 63 takes e três dias pra ser feita. A bota era feita de alcaçuz (tá achando que o cara vai comer couro 63 vezes?), e, claro, Chaplin foi parar no hospital por excesso de açúcar no sangue. Outra cena clássica, a da dança dos pãezinhos, fez tanto sucesso na época que em algumas exibições eles paravam a projeção no meio e reprisavam o trecho a pedido da platéia, como aconteceu na estréia do filme em Berlim.

Conselho final: quando for assistir, não faça como eu e arranje uma cópia decente. Ou então desligue o som e ponha no fone de ouvido o artista de sua preferência. O último que tentou fazer isso juntou Pink Floyd com o Mágico de Oz. Vai que dá certo com o Wando?

Também publicado no Cinema de Buteco.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Arquivo pessoal



Devido ao meu hábito de juntar tralha, de vez em quando acho umas pérolas perdidas aqui em casa. Como esse desenho dos Changeman (ou "Man Change") que fiz em 1989, todos devidamente identificados por seus nomes, ou quase isso. Por algum estranho alinhamento cósmico, ou falta de noção mesmo, o quinteto Dragon, Mermaid, Phoenix, Griphon e Pegasus recebeu as alcunhas de Dragreo, Marmet, Fenkis, Gripo e Pegzus. Mas acho que pra 4 anos de idade eu passei até perto. Já não posso dizer o mesmo dos desenhos, e o pior é que meu traço não evoluiu muito desde então.

domingo, 24 de agosto de 2008

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Queria ou não queira



Boa pedida essa nova coleção da Folha. Seguindo o esquema jazzístico lançado ano passado, que trazia 20 livros-cds com a história dos artistas, curiosidades, disquinho lembrando um vinil e preço camarada, a nova coleção vem apresentar, nos mesmos moldes, os crássicos da Bossa Nova.

Ok, vamos ser sinceros: se o jazz tem numerosas vertentes, incontáveis expoentes e décadas de produção ativa, fazendo de cada livro-disco uma porta para novos sons e possibilidades, a Bossa Nova é coisa de três caras (Tom, Vinicius e João Gilberto) e um punhado limitado de canções (ainda que muitas obras-primas) repetidas à exaustão por zilhares de intérpretes (mesmo que muitas versões superem as originais). A nova coleção, obviamente, aproveita a onda dos 50 anos da Bossa Nova - e é bom que aproveite logo, que essa onda já tá passando. Mas a coisa é bem-vinda. Vinte discos conseguem ser um apanhado bem completo do estilo, o texto do Ruy Castro é informativo e descontraído, bom pra ler deitado na rede, e a relação custo-benefício é uma lição pra muita gravadora sem-vergonha por aí.

Tom e Vinicius, não por acaso, já batizam os volumes 1 e 3, cantando as próprias músicas. O volume 2 é dedicado ao Dick Farney, cuja empostação de voz à la Nélson Gonçalves não me convenceu. Voz de Bossa Nova tem que ser miúda e precisa, quase inaudível, como a de João Gilberto. Aliás o João, estranhamente, não dá as caras em nenhum dos vinte volumes. Será que não aprovou a qualidade do som? Não importa, ainda temos Baden, Nara e Marcos Valle pela frente e a expectativa para a coleção do ano que vem: a Folha seguirá a linha das comemorações e investirá nos 30 anos da Lambada?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

The Dark Letter

Uma vez eu recebi uma carta do Batman. Eu tinha cinco anos e era fã do cara. Colecionava as revistas, assistia às suas aparições televisivas e reencenava diariamente, com os bonequinhos da coleção dos Superamigos, a cena em que ele joga o Coringa no ácido. Era perfeitamente plausível, portanto, que eu pudesse receber uma carta do sujeito. O manuscrito começava com um convite: "Quando você vier a Gotham Cyty (sic) venha me ver na minha caverna. Gosto muito dos meninos bonzinhos que estudam e que sejam educados". Hoje em dia é fácil enxergar conotações pedófilas no convite, mas deixe um pouco a malícia de lado, vá. O Batman da carta era mais fascista que pedófilo: "Você é um menino obediente e por isto eu gosto de você", dizia mais adiante.

Cheguei a redigir a resposta mas nunca a enviei ao subsolo da Mansão Wayne. Uma pena. Dizia: "BATMAN EU JÁ RECEBI A CARTA MUITO OBRIGADO TIAU A QUI NO BRASIL TEM MUINTOS ANIMAIS COELHO TIGRE PAVÃO É TEM MUINTOS E TAMBÉM EU TENHO O BONECO IGUAU A VOCÊ. UM ABASO. LUCAS"

Quando tive idade suficiente para perceber que o Batman não me mandaria carta em português, suspeitei que fosse obra do meu tio, que na época morava em Nova York e tinha me presenteado com o tal "boneco iguau a você". Nada: a autora era minha avó, que nunca foi aos Estados Unidos e estava só tirando onda com minha cara. O que não tira a graça da coisa, claro. Quantos netos podem se orgulhar de ter uma avó que também é o Batman?



Identidade corporativa é isso: o Batman escreve em papel timbrado.



O envelope, de maio de 1990, com os selos norte-americanos.



A caixa de correspondências da Mansão Wayne ficou sem receber minha resposta.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

Ouro de tolo



Minha banda tem uma música chamada "Isso Tem Que Mudar", cuja letra é alterada cada vez que é tocada ao vivo. Entre as 17 letras escritas, já rolaram estrofes sobre gripes, índios, reveillón, horário político. A versão Olimpíadas foi composta e cantada em agosto de 2004, quando o Brasil se estrepava em Atenas. Diziam os versos:

O país do futebol não tem nem time competindo
De mal a pior, a equipe de ginástica tá indo
Medalha de ouro, a China já tem mais de onze
Mas até agora a gente só conseguiu bronze

Enquanto Michael Phelps batendo recordes e ultrapassando Itália e França, sozinho, no quadro de medalhas, amargamos uma trigésima-sexta posição que seria ainda pior se não fosse o Cielo Filho. Se a Copa é a Pátria de chuteiras, a Olimpíada é quando a Pátria cai de bunda.

terça-feira, 5 de agosto de 2008



Lá vamos nós de novo ao tradicional texto do concurso literário da revista piauí. O vencedor do capítulo VII foi o maranhense Franco Neviani, cujo texto está aqui. Já o meu foi este aí:

A VELHA DEBAIXO DA CAMA Capítulo VII - O Pacto

Eles até que tentam. Na volta pra casa, ela comenta do frio e ele repete o comentário; ela reclama da repetição e ele repete a reclamação. O infantil jogo de nervos segue por alguns minutos e acaba onde começa o tédio.

Depois é a vez dela. Pede que ele faça o jantar. Desdenha o ensopado e exige mais tempero. Queixa-se do excesso, devolve, quer que ele prepare com mais paciência. Por fim ela se cansa, é inevitável. E não trocam uma palavra pelo resto da noite.

É desnecessário verbalizar o óbvio: ao deixar de ser segredo, a competição de sadismo mútuo perdera o propósito, perdera a graça. Ora, se Mergulhão não é fantasma que perambula por aí vigiando a ex-esposa, não há sequer desculpa para dormir debaixo da cama. Pois é sobre ela, pela primeira vez, que Antônio e Maria repousam o corpo após o dia agitado. Não que o sofrimento tenha se extinguido por completo. O bafo fúnebre de Maria continua o mesmo, e Antônio ainda não é sombra do que fora Mergulhão em sua saudosa juventude. Mas isso não os impedia de pegar no sono antes, e não é isso o que atrapalha agora. São aqueles pensamentos que pairam no ar como uma nuvem chata e teimam em não sumir, esperando só que alguém tenha coragem de encaixá-los numa frase.

É Maria de Maria quem enfim quebra o silêncio:

- Dez milhões é muito dinheiro, né?
- É. Muito dinheiro – ele confirma, enquanto franze a sobrancelha.

Ela estende a pausa mais do que devia e prossegue:

- Mas cinco milhões ainda é uma quantia considerável.

Ele espera passar o calafrio pra falar:

- É, é uma boa quantia.

O diálogo pára por aí, mas o sono não chega até o sol aparecer.

Nos dias seguintes, Antônio e Maria de Maria vêem sua rotina transformada. Ela não o chama mais para as caminhadas matinais por entre as garbosas romãzeiras – às vezes, nem ela comparece aos próprios passeios, deslumbrada com a maciez do colchão que por anos só lhe serviu de teto. Mal conversam entre si, trombam-se pouco ou quase nada e não se atrevem a tocar numa vírgula do assunto. Quando chega a terceira noite, no meio do jantar, o clima torna-se tão insustentável que basta um olhar mais demorado para que tomem a decisão. E ninguém diz alto que o coronel é velho e fraco, odeia ambos e tem muito dinheiro guardado num cofre no porão de sua casa, cujo acesso secreto por uma tábua solta no armário Antônio já até conhece, e que é ridículo atazanar e ser atazanado diariamente até que surja um vencedor, quando é menos utópico e vagaroso buscar na fonte o que é direito legítimo de filho e viúva, ainda que viúva de fachada, ainda que filho bastardo.

Dizem apenas:

- Ok, como vamos fazer isso?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Esqueça a Mônica e seu estereótipo de baixinha, gorducha e dentuça. Baixinha ela nem é – pode medir, sua estatura é a mesma de Cascão, Cebolinha, Magali. A suposta obesidade infantil alardeada por seus detratores também não passa de exagero. E os dentões são mesmo salientes, mas nada que alguns anos de ortodontia não resolvam. Mônica é, portanto, uma criança normal e sadia; o mesmo já não pode ser dito de seus vários amiguinhos. Após uma exaustiva pesquisa nos anais da Medicina e das histórias em quadrinhos, o Biselho apresenta...

Os Personagens Mais Enfermos
da Turma da Mônica

#6 – Nimbus



O que ele tem:
tonitrofobia

É uma cena corriqueira. Raios e trovoadas anunciam uma precipitação, Nimbus e Cascão põem sebo nas canelas. Cascão se esconde sob uma marquise; Nimbus vai pra debaixo da cama. O motivo é simples. Enquanto Cascão, como é público e notório, tem pânico de água, o medo de Nimbus é do estrondo dos trovões.

A frescuragem tem nome: tonitrofobia. O dicionário define como um “medo mórbido, irracional, desproporcional, persistente e repugnante aos trovões”. Assim como existem pessoas que sofrem de cronomentrofobia (medo de relógios) ou triscaidecafobia (medo do número 13), os tonitrofóbicos, como o Nimbus, acham que os trovões, por serem fortes e altos, podem provocar algum distúrbio em seu corpo.

Distúrbio mesmo é uma criança com 6 anos nas costas e ainda borrando as calças por causa de trovoada. Será que ele também tem medo de eletrochoque?

#5 – Jeremias



O que ele tem:
calvície precoce

Carecas existem aos montes, e dizem que é deles que elas gostam mais. Mas quando você perde todos os pêlos da cabeça antes dos 10 anos de idade, é melhor se preocupar. Jeremias sabe disso - tanto que esconde sua calvície sob um boné que foi de seu avô. A turma finge que não sabe, ele finge que acredita, e a vida segue seu curso normal.

Será?

Já pararam pra pensar por que diabos o Jeremias é careca? Inércia - nasceu careca e esqueceu de crescer cabelo? Ou genes descabelados herdados de seu pai, quem sabe do avô, já que o boné pertenceu a ele? A coisa talvez seja mais grave do que isso. Jeremias pode ser um tricotilomaníaco - descrito no Aurélio como aquele que tem o "hábito mórbido de arrancar continuamente os cabelos", relativamente comum em crianças. Também é possível que ele sofra de uma alopécia areata - queda súbita de cabelo em uma determinada área -, decorrente de estresse, ansiedade ou um forte trauma emocional.



Há algo de podre no Bairro do Limoeiro quando um moleque que nem pré-adolescente é ainda padece de um problema tão sério que lhe faz cair os cabelos. Ou será que a situação é mais grave ainda e essa calvície precoce é só efeito colateral de uma pesada quimioterapia? Jeremias é coadjuvante o bastante para que o público em geral não se preocupe com essas questões, mas sempre é tempo de recomendar um tratamento pra esse menino. Quem sabe um transplante a partir dos pêlos do Floquinho?

Falando nele...

#4 – Floquinho



O que ele tem:
mutação genética

Caso número um. Em maio de 2001, um cãozinho vira-lata nasceu com o pêlo esverdeado em Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul. O caso não foi solucionado - a veterinária Maria de Lourdes Alexandre, da UFRGS, acredita em uma anomalia na pigmentação do animal -, mas o cachorro foi apropriadamente batizado de Hulk.

Caso número dois. Em maio de 2008, um cãozinho da raça Golden Retriever nasceu com o pêlo esverdeado em New Orleans, nos Estados Unidos. Segundo veterinários da cidade, a cor insólita tem a ver com a mistura do fluido amniótico com a placenta da mãe durante o parto, e tende a sumir com o tempo. Seus donos foram mais criativos e deram ao bicho o nome de Wasabi.


Hulk e Wasabi posando para a posteridade

O que nos leva ao caso do Floquinho. O cachorro do Cebolinha é um lhasa apso - tudo bem, um lhasa apso gigante, simétrico e peludo, mas ainda um lhasa apso. O que salta à vista, no entanto, é sua pouco ortodoxa cor verde-bandeira. Mistura do fluido amniótico com a placenta da mãe? Pouco provável, já que Floquinho é um cão adulto e já deveria ter desbotado, segundo os médicos de New Orleans. Nos resta, portanto, a mesma mutação genética que tingiu de esmeralda o simpático Hulk de Nova Hamburgo. Ou isso, ou o bicho é um alien. Sadio, sem chance.

#3 – Magali



O que ela tem: bulimia

Histórias da Magali não costumam tratar de muitos assuntos. Quando não é Mingau, seu mimado gato de estimação, quem protagoniza as confusões, a historinha invariavelmente versa sobre a gulodice da garota, capaz de rivalizar apenas com a fome colossal de Aureliano Segundo Buendía em Cem Anos de Solidão. Vez ou outra, aparecem as tramas que zombam da compleição mirrada da mocinha, como aquela em que ela é transformada em bicicleta por uma bruxa que confundiu os vários sentidos de "magrela".



Magrela e comilona? Qualquer nutricionista tem o veredito na doce ponta da língua: bulimia nervosa. O processo segue uma seqüência simples: comida demais > sentimento de culpa > dedo na garganta > peso normal. Como nos quadrinhos Magali sempre come demais em uma revista e na outra já volta exibindo o mesmo peso, é de se supor que, em algum ponto entre o "Fim" de uma história e o "Magali em..." que abre outra, ela batize a porcelana com o almoço devolvido, certo? Naturalmente, somos poupados de assistir a cenas tão fortes numa revista destinada ao público infantil. Mas quem sabe na versão adolescente da Turma?

#2 – Cascão



O que ele tem: hidrofobia, ombrofobia, urticária aquagênica

Se você riu da patética tonitrofobia do garoto Nimbus, saiba que aqui a coisa é um pouco mais séria. A notória hidrofobia de Cascão - medo mórbido de água e de líquidos em geral - é a característica mais famosa do personagem e é responsável até por batizá-lo. Excetuando-se algumas histórias recentes em que é insinuado que ele lava as mãos antes das refeições (o mal do século XXI é a praga do politicamente correto), Cascão foi bem-sucedido em todas as zilhares de vezes em que precisou escapar do monóxido de dihidrogênio. Tanto os parcos pingos de goteiras de algum teto mal-cuidado quanto os homéricos temporais que desabam do céu. A causa desse medo pode ser psiquiátrica ou virótica - aí, o medo bobo seria apenas sintoma de uma raiva daquelas que fazem babar.



E não é só isso. Ele tem também tem ombrofobia, que não é o medo mórbido de levar uma ombrada durante uma partida de futebol, mas uma aversão tremenda às chuvas. Quer dizer, não basta que ele esteja seco e safo: o céu lá fora tem que estar azul, senão o garoto não sossega.

Não bastasse viver nesse constante estado de nervos, há uma crescente suspeita de que Cascão também sofra de urticária aquagênica. Trata-se de uma alergia extremamente rara em que o contato da água com a pele causa coceiras, feridas e mau-cheiro, e que não tem cura (veja, por exemplo, o caso desta pobre garota australiana). Seria o caso de imaginarmos que o menino Cascão também nasceu com essa doença e, ao ser submetido a terríveis banhos e limpezas, ficou traumatizado de forma irreversível? Isso explicaria a hidrofobia, a ombrofobia e a sujeira que ele foi obrigado a acolher, para disfarçar a enfermidade - sabemos como crianças são cruéis e que às vezes é melhor ser sujo por convicção do que cheio de perebas.
Lucas Paio http://biselho.blogspot.com
Mas se o caso de Cascão já inspira pena, o que dizer de seu melhor amigo?

#1 – Cebolinha



O que ele tem: dislalia, calvície precoce e distúrbios mentais acentuados

Chegamos, enfim, ao personagem mais dançado da Turma da Mônica. Ele mesmo, o principal detrator da suposta dona da rua, geniozinho dos planos infalíveis, todo confiante e cheio de si. Afinal, o que há de errado com esse garoto?

Em primeiro lugar, o óbvio: cinco fios na cabeça. Cinco fios solitários e espetados, e só. Ou seja: além de sofrer de estresse ou coisa que o valha, como seu colega Jeremias, ao invés de imitar o penteado de Geraldo Alckmin, que remanejava estrategicamente seus escassos fios sobre o cocuruto para preencher melhor o espaço, Cebola Filho prefere fazer de seus fios uma rosa-dos-ventos pela metade. Alguém diga pra esse cara maneirar no gel.

Em segundo lugar, temos a dislalia. Se você tem seis anos de idade e ainda fala "Lenato Lusso" e "toca Laul!", passou da hora de procurar um fonoaudiólogo. A dislalia é um distúrbio da fala caracterizado pela dificuldade em articular as palavras, e Cebolinha, ao que parece, sofre da dislalia funcional: aquela em que não há alteração física que justifique a troca de letras, e se começa a pensar em outros fatores, como alterações emocionais ou hereditariedade. De fato, uma revista antiga mostra um tataravô de Cebolinha que morreu de velho e tinha o mesmo problema. Pelo visto, seu tataraneto também vai ficar assim pla semple.

Para completar a trinca, é inevitável afirmar: o menino é pinel. É só lembrar das numerosas histórias em que Cebolinha contracena com o Louco. Você se lembra de alguma em que também aparece o Cascão, a Magali, o Jeremias? Aposto que não: o sujeito amalucado de calças rosas e cabelo loiro desgrenhado surge única e exclusivamente para o careca troca-letras. Não é preciso uma tomografia computadorizada para perceber que a figura é fruto da fértil imaginação do garoto. Distúrbios mentais acentuados? Excesso de coelhadas na cabeça? Ou será que nosso amigo anda tomando ácido e a gente não sabe?


Mas louco é quem me diz...

Mais Turma da Mônica no Biselho:

Depois da Última Coelhada - A Turma da Mônica aos 40

Desenhos exclusivos do Mauricio de Sousa

terça-feira, 1 de julho de 2008

Soneto sem a nona letra

Depois de um texto bem diferente
e mais um conto atípico...


Soneto sem a nona letra


Um fato patente: promessa é dever
Portanto, encaro de novo o papel
Com nova tarefa, árdua e cruel:
Apagar totalmente uma letra ao escrever

Na Roma de outrora, era número um
No alfabeto de hoje, é tão magra e delgada
Que pede em seu topo um ponto, a danada
Adorno supérfluo e bem pouco comum

Mas mesmo que ela não esteja presente
Não quero ofendê-la prematuramente
Melhor um poema que não a desmereça

Porque, se entre tantas esconde-se bem
Basta outro ângulo pra que seja também
Uma exclamação de ponta-cabeça

domingo, 29 de junho de 2008

To infinity – and beyond



Quando fui ver Toy Story nos cinemas, o primeiro longa totalmente animado em computador era só o novo filme da Disney. Claro, era totalmente animado em computador e, com exceção dos personagens humanos ainda rudimentares, tinha um visual impecável. Mas para um moleque de 11 anos acostumado a assistir todas as férias a um novo desenho da Disney, pouco importava se a aventura de Woody e Buzz fora realizada por um outro estúdio, já que seguia a bem-sucedida seqüência de sucessos da empresa do tio Walt nos anos 90.

Alguns anos depois, ignorei solenemente a estréia de Vida de Inseto nos cinemas, bem como a de seu rival temático Formiguinhaz. Os insetos que brigassem pra lá, que eu não tinha nada com aquilo. Toy Story 2 também não me interessou, gato escaldado que eu estava de seqüências oportunistas, e os seguintes Monstros S.A. e Procurando Nemo só fui conferir tardiamente em DVD.

Fui assistir Os Incríveis atraído mais pelo tema do que pelo estúdio que o produzia. Afinal, a melhor animação da década ainda era obra da Dreamworks, que colocou no mundo um ogro verde mal-educado interagindo com singelos contos de fadas. Não é à toa que Shrek tirou da Disney o primeiro Oscar de longa-metragem animado da História, batendo o igualmente monstrengo Monstros S.A. Mas a história de super-heróis com problemas humanos conquistou seu posto na minha lista de melhores de 2004, e a partir daí passei a prestar uma atenção especial ao nome Pixar, vendo ou revendo suas produções e admirando até o modo de trabalhar da empresa.

Afinal, não é qualquer escritório que preza a diversão como peça fundamental para um trabalho de primeira. Que tem salas de jogos, piscinas, quadras de vôlei e futebol de areia e promove campeonatos internos de aviões de papel. Como costuma dizer John Lasseter, um dos fundadores da empresa, quanto mais divertido para a equipe é produzir um filme, mais divertido será para o público ao assisti-lo. Tem muita gente por aí – não só na indústria cinematográfica – que devia botar isso na cabeça.


O que faz um filme da Pixar ser um filme da Pixar?

Em primeiro lugar, a história vem antes da técnica. E olha que a técnica é sempre espetacular, dos pêlos azuis no corpanzil de Sulley à textura dos pratos de Remy. Mas é a trama que justifica o filme. Se Formiguinhaz, da Dreamworls, se vangloriava dos insetos que eram a cara de seus dubladores, uma década depois isso não faz tanta diferença. Tanto que Toy Story, mesmo ostentando o título de precursor das animações 3D, é lembrado pelos personagens, não pela textura do Senhor Cabeça de Batata.

Outro ponto principal: seqüência, só se o roteiro valer a pena. Toy Story 2 é tão bom quanto o original, enquanto Shrek 3, só pra citar um exemplo, não tem metade da graça do primeiro. A Pixar também é esperta em não calcar seus filmes em paródias de outras produções (o que, convenhamos, já encheu o saco) ou em canções (coisa que a Disney faz muito bem, como em O Rei Leão, mas às vezes erra a mão sem piedade). As tradições da Pixar são muito mais interessantes, como sempre preceder um longa com um curta-metragem: uma oportunidade para revelar os novos talentos do estúdio e um aperitivo saboroso para o público antes do prato principal.

É engraçado, mas a empresa que trouxe ao mundo a animação em 3D nem mesmo usa essa técnica todas as vezes. O curta que acompanha o DVD de Ratatouille, “Your Friend The Rat”, mistura 3D com 2D e até com imagens de arquivo, enquanto WALL•E tem a ousadia de utilizar atores em carne e osso. E é inegável: enquanto os concorrentes (incluindo a Dreamworks e a Disney propriamente dita) produzem coisas excelentes, como Shrek, mas também muita porcaria (Madagascar, O Galinho Chicken Little), a filmografia da Pixar é incrivelmente mais coesa.

A saber:


Toy Story (1995), direção de John Lasseter

E se os brinquedos ganhassem vida quando ninguém estivesse olhando? A premissa simples põe na tela o cowboy Woody e o astronauta Buzz Lightyear, este último responsável pelo clássico bordão “Ao infinito... e além!” – que poderia fácil ser o lema da Pixar.

Coisas que você não sabia: cada frame do filme levou de 4 a 13 horas pra renderizar; Buzz foi batizado em homenagem a Buzz Aldrin, segundo homem a pisar na Lua.

Vida de Inseto (1998), direção de John Lasseter, co-direção de Andrew Stanton

“Um épico de minúsculas proporções”, diz o slogan do filme. Narrando a saga da formiga Flick e sua missão de salvar a colônia da opressão dos gafanhotos, Vida de Inseto traz ainda um excelente elenco de apoio que não fica só na formigaiada – pulgas, bichos-paus e até um “joaninho” macho também dão as caras e as patas.

Coisas que você não sabia: o “trem” do circo de insetos é feito de caixas de biscoitos da marca Casey Jr., o mesmo nome do trem do circo de Dumbo; o carro do Pizza Planet, de Toy Story, aparece neste filme e em todos os outros feitos pela Pixar depois.

Toy Story 2 (1999), direção de John Lasseter, co-direção de Ash Brannon e Lee Unkrich

Os papéis do primeiro filme se invertem quando Woody é roubado por um colecionador e Buzz lidera uma operação de resgate. Tão bom quanto o primeiro, ainda tem a vantagem de quatro anos de evolução técnica a mais.

Coisas que você não sabia: foi feito pra ser lançado direto em vídeo, mas as primeiras cenas ficaram tão legais que decidiram exibir no cinema; o pingüim Wheezy é um tributo ao mascote do Linux.

Monstros S.A. (2001), direção de Pete Docter, co-direção de David Silverman e Lee Unkrich

Se antes mostraram a vida secreta dos brinquedos e dos insetos, desta vez são os monstros de armário que têm o cotidiano escancarado. Ficamos sabendo, assim, que é o grito das crianças ao serem assustadas pelas criaturas que garante a energia de Monstrópolis. Um pouco subestimado por ter sido lançado na mesma época que Shrek, é, no entanto, igualmente criativo e divertido.

Coisas que você não sabia: a dubladora da menina Boo era tão pequena que era praticamente impossível que ela ficasse quieta pra gravar suas falas. Ao invés disso, eles simplesmente a seguiam com um microfone enquanto ela brincava e depois selecionavam os melhores trechos.

Procurando Nemo (2003), direção de Andrew Stanton, co-direção de Lee Unkrich

Um road-movie no mar. Procurando Nemo se passa na Grande Barreira de Corais australiana, onde um pai parte em busca de seu filho perdido; o detalhe é que os dois são peixes-palhaços. Embora não seja tão bem amarrado quanto os anteriores, o filme capricha nos coadjuvantes, como a desmemoriada Dory e as baleias que falam baleiês. Acho que esse desenho é mais preferido por mulheres, mas pode ser impressão minha.

Coisas que você não sabia: todos os peixes mostrados existem de verdade, e há uma ala especial no aquário de Sydney só com espécimes do filme; a equipe criou uma textura aquática tão realista que tiveram de piorá-la um pouco, pra que ninguém pensasse que tinha sido filmado no fundo do mar; em latim, “nemo” significa “ninguém”.

Os Incríveis (2004), direção de Brad Bird

Brad Bird, responsável pela desconhecida e excelente animação (2D) O Gigante de Ferro, faz sua estréia na direção de um longa da Pixar. E que estréia: misturando Watchmen com o Quarteto Fantástico, Bird traz os super-heróis ao mundo real em grande estilo, contando até com uma trilha de jazz à la James Bond.

Coisas que você não sabia: o vilão Síndrome originalmente ia se chamar Xerek; o nome do filme seria “Os Invencíveis”; o próprio Brad Bird dublou a estilista Edna Mode e inspirou as feições do Síndrome.

Carros (2006), direção de John Lasseter, co-direção de Joe Ranft

O mais fraco dos nove filmes da Pixar é, ainda assim, um excelente entretenimento. John Lasseter leva à animação o mundo automobilístico e a Rota 66, seguindo a linha seres-não-humanos-vivendo-em-sociedade. Se os personagens não têm tanto carisma quanto um Woody ou um Sr. Incrível, as piadas compensam, principalmente as gags visuais.

Coisas que você não sabia: Michael Schumacher faz uma ponta dublando uma Ferrari; os animadores desenharam mais de 43 mil esboços de carros; o nome do filme seria “Rota 66”, mas foi modificado para evitar confusões com a série dos anos 60 de mesmo nome.

Ratatouille (2007), direção de Brad Bird, co-direção de Jan Pinkava

Quando vi o trailer não me animei (“ah não, mais um filme de rato”), e pensei que a Pixar fosse finalmente errar a mão, depois da ligeira decepção com Carros. Graças a Deus, estava enganado. Ratatouille não é só o melhor filme da Pixar: é uma das melhores animações de todos os tempos, uma ode à arte, impecável do início ao fim, principalmente no fim. O monólogo do crítico gastronômico Anton Ego ainda me arrepia, mesmo revendo exaustivamente em DVD.

Coisas que você não sabia: centenas de pratos foram cuidadosamente preparados e fotografados para servir de referência; Linguini mora no bairro parisiense de Montmartre, o mesmo de Amélie Poulain; o ratatouille preparado por Remy é a variante conhecida como confit byaldi, caso você queira pedir ao maître num restaurante francês.

Pixar Short Films (1984-2007)

Este DVD, lançado ano passado, reúne todos os curtas produzidos pelo estúdio até 2007. O grande destaque é mesmo Luxo Jr.: a história da luminária-pai e a luminária-filho foi feita nos longínquos anos 80 e ainda impressiona, utilizando limitações (como o fundo preto) a seu favor. Alguns curtas lá do início não têm tanta graça, bem como Mater and the Ghostlight, que usa os personagens de Carros. Mas tem muita coisa boa: Red’s Dream e sua atmosfera noir, For The Birds, One Man Band... Sem falar no excelente documentário sobre a história da Pixar.


Foi com grande expectativa, portanto, que acompanhei a pré-produção de WALL•E pela internet. O primeiro teaser já era instigante: contava a história do almoço em que os fundadores da Pixar se reuniram após Toy Story para discutir os próximos filmes da empresa. Desse almoço nasceram as idéias de Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo e este WALL•E. Uma refeição deveras produtiva, há que se dizer.

Foi batata: o robozinho que limpava o lixo da humanidade no ano 2700 ao som de “Aquarela do Brasil” conquistou público e crítica já nos trailers. A expressão profunda que ele conseguia só no olhar, sem boca ou falas, fez chover gente que o comparava ao E.T. de Spielberg ou ao Carlitos de Charles Chaplin. Eleito o quarto lugar da minha lista de filmes mais esperados de 2008 (atrás apenas de Indiana Jones, que decepcionou, Blindness e o novo Batman, de quem espero muito), WALL•E já tinha cheiro de sucesso – e quando digo sucesso, não falo de bilheteria, mas de um filme digno de suceder Ratatouille.

Resumindo a história: assisti WALL•E duas vezes este fim-de-semana, e não me arrependo nem um pouco. É uma lição de como uma trama não precisa ser complexa para ser boa; de como um roteiro não precisa ser verborrágico para divertir ou emocionar. A ausência de diálogos na primeira metade do filme é coisa que pouco diretor hoje em dia tem coragem de fazer. Certas cenas já nascem antológicas, como a dança de WALL•E e EVA no espaço, e até os créditos finais (ao som de uma belíssima canção de Peter Gabriel, “Down to Earth”) servem à narrativa tanto quanto à arte.

Hungry for more

Depois de nove empreitadas de sucesso, o que esperar da Pixar nos próximos anos?

Muito. A Disney e a Pixar divulgaram recentemente uma lista com seus projetos até 2012, entre eles versões recauchutadas em 3D de Toy Story 1 e 2, para 2009 e 2010.

Up, direção de Pete Docter e Bob Peterson, estréia em maio de 2009

Daqui a menos de um ano veremos a história de Carl Fredricksen, que aos 78 anos decide explorar o mundo ao lado de um jovem guarda-florestal. Comparações com Dom Quixote não são totalmente infundadas.

Toy Story 3, direção de Lee Unkrich, estréia em junho de 2010

A história ainda é um mistério, mas já andam falando num Andy que vai pra faculdade e resolve doar os seus brinquedos. Partes 3 costumam ser a pior da trilogia (Homem-Aranha 3, Shrek 3, Piratas do Caribe 3, você entendeu), mas o roteiro está sendo escrito pelo roteirista de Pequena Miss Sunshine, o que é sempre um bom sinal.

Newt, direção de Gary Rydstrom, estréia na metade de 2011

O último lagartixa-de-pé-azul macho e a última lagartixa-de-pé-azul fêmea se odeiam, mas são obrigados a se reproduzir para salvar a espécie. Se precisarem de idéias para coisas para se fazer com uma colher e uma lagartixa-de-pé-azul, posso ajudar.

The Bear and the Bow, direção de Brenda Chapman, estréia no Natal de 2011

A Pixar se aventura nos contos de fada num cenário na Escócia medieval, quando a geniosa Merida, filha da nobreza, prefere se tornar arqueira a conviver com os chatos de sangue azul.

Carros 2, direção de Brad Lewis, estréia na metade de 2012

Lightning McQueen e seu parceiro Mate participam de uma nova competição, aprontando altas confusões com uma turminha de carros da pesada. De todos os projetos anunciados, é o que menos me empolga, mas mantenho a fé, que a fé não costuma falhar.

O brilhante monólogo de Anton Ego no final de Ratatouille termina com uma promessa do velho crítico: “I will be returning to Gusteau’s soon, hungry for more”. Felizmente é assim que me sinto sempre, ao me preparar para assistir um filme feito por quem é apaixonado pelo cinema. Sempre ávido por mais.

Pra você que leu até o final:

Referências de filmes da Pixar em outros filmes da Pixar

Conheça o ambiente de trabalho da Pixar

Uma entrevista com Andrew Stanton

E outra entrevista com o cara

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

Busca no blog

Leia também


Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

Arquivo