domingo, 29 de junho de 2008

To infinity – and beyond



Quando fui ver Toy Story nos cinemas, o primeiro longa totalmente animado em computador era só o novo filme da Disney. Claro, era totalmente animado em computador e, com exceção dos personagens humanos ainda rudimentares, tinha um visual impecável. Mas para um moleque de 11 anos acostumado a assistir todas as férias a um novo desenho da Disney, pouco importava se a aventura de Woody e Buzz fora realizada por um outro estúdio, já que seguia a bem-sucedida seqüência de sucessos da empresa do tio Walt nos anos 90.

Alguns anos depois, ignorei solenemente a estréia de Vida de Inseto nos cinemas, bem como a de seu rival temático Formiguinhaz. Os insetos que brigassem pra lá, que eu não tinha nada com aquilo. Toy Story 2 também não me interessou, gato escaldado que eu estava de seqüências oportunistas, e os seguintes Monstros S.A. e Procurando Nemo só fui conferir tardiamente em DVD.

Fui assistir Os Incríveis atraído mais pelo tema do que pelo estúdio que o produzia. Afinal, a melhor animação da década ainda era obra da Dreamworks, que colocou no mundo um ogro verde mal-educado interagindo com singelos contos de fadas. Não é à toa que Shrek tirou da Disney o primeiro Oscar de longa-metragem animado da História, batendo o igualmente monstrengo Monstros S.A. Mas a história de super-heróis com problemas humanos conquistou seu posto na minha lista de melhores de 2004, e a partir daí passei a prestar uma atenção especial ao nome Pixar, vendo ou revendo suas produções e admirando até o modo de trabalhar da empresa.

Afinal, não é qualquer escritório que preza a diversão como peça fundamental para um trabalho de primeira. Que tem salas de jogos, piscinas, quadras de vôlei e futebol de areia e promove campeonatos internos de aviões de papel. Como costuma dizer John Lasseter, um dos fundadores da empresa, quanto mais divertido para a equipe é produzir um filme, mais divertido será para o público ao assisti-lo. Tem muita gente por aí – não só na indústria cinematográfica – que devia botar isso na cabeça.


O que faz um filme da Pixar ser um filme da Pixar?

Em primeiro lugar, a história vem antes da técnica. E olha que a técnica é sempre espetacular, dos pêlos azuis no corpanzil de Sulley à textura dos pratos de Remy. Mas é a trama que justifica o filme. Se Formiguinhaz, da Dreamworls, se vangloriava dos insetos que eram a cara de seus dubladores, uma década depois isso não faz tanta diferença. Tanto que Toy Story, mesmo ostentando o título de precursor das animações 3D, é lembrado pelos personagens, não pela textura do Senhor Cabeça de Batata.

Outro ponto principal: seqüência, só se o roteiro valer a pena. Toy Story 2 é tão bom quanto o original, enquanto Shrek 3, só pra citar um exemplo, não tem metade da graça do primeiro. A Pixar também é esperta em não calcar seus filmes em paródias de outras produções (o que, convenhamos, já encheu o saco) ou em canções (coisa que a Disney faz muito bem, como em O Rei Leão, mas às vezes erra a mão sem piedade). As tradições da Pixar são muito mais interessantes, como sempre preceder um longa com um curta-metragem: uma oportunidade para revelar os novos talentos do estúdio e um aperitivo saboroso para o público antes do prato principal.

É engraçado, mas a empresa que trouxe ao mundo a animação em 3D nem mesmo usa essa técnica todas as vezes. O curta que acompanha o DVD de Ratatouille, “Your Friend The Rat”, mistura 3D com 2D e até com imagens de arquivo, enquanto WALL•E tem a ousadia de utilizar atores em carne e osso. E é inegável: enquanto os concorrentes (incluindo a Dreamworks e a Disney propriamente dita) produzem coisas excelentes, como Shrek, mas também muita porcaria (Madagascar, O Galinho Chicken Little), a filmografia da Pixar é incrivelmente mais coesa.

A saber:


Toy Story (1995), direção de John Lasseter

E se os brinquedos ganhassem vida quando ninguém estivesse olhando? A premissa simples põe na tela o cowboy Woody e o astronauta Buzz Lightyear, este último responsável pelo clássico bordão “Ao infinito... e além!” – que poderia fácil ser o lema da Pixar.

Coisas que você não sabia: cada frame do filme levou de 4 a 13 horas pra renderizar; Buzz foi batizado em homenagem a Buzz Aldrin, segundo homem a pisar na Lua.

Vida de Inseto (1998), direção de John Lasseter, co-direção de Andrew Stanton

“Um épico de minúsculas proporções”, diz o slogan do filme. Narrando a saga da formiga Flick e sua missão de salvar a colônia da opressão dos gafanhotos, Vida de Inseto traz ainda um excelente elenco de apoio que não fica só na formigaiada – pulgas, bichos-paus e até um “joaninho” macho também dão as caras e as patas.

Coisas que você não sabia: o “trem” do circo de insetos é feito de caixas de biscoitos da marca Casey Jr., o mesmo nome do trem do circo de Dumbo; o carro do Pizza Planet, de Toy Story, aparece neste filme e em todos os outros feitos pela Pixar depois.

Toy Story 2 (1999), direção de John Lasseter, co-direção de Ash Brannon e Lee Unkrich

Os papéis do primeiro filme se invertem quando Woody é roubado por um colecionador e Buzz lidera uma operação de resgate. Tão bom quanto o primeiro, ainda tem a vantagem de quatro anos de evolução técnica a mais.

Coisas que você não sabia: foi feito pra ser lançado direto em vídeo, mas as primeiras cenas ficaram tão legais que decidiram exibir no cinema; o pingüim Wheezy é um tributo ao mascote do Linux.

Monstros S.A. (2001), direção de Pete Docter, co-direção de David Silverman e Lee Unkrich

Se antes mostraram a vida secreta dos brinquedos e dos insetos, desta vez são os monstros de armário que têm o cotidiano escancarado. Ficamos sabendo, assim, que é o grito das crianças ao serem assustadas pelas criaturas que garante a energia de Monstrópolis. Um pouco subestimado por ter sido lançado na mesma época que Shrek, é, no entanto, igualmente criativo e divertido.

Coisas que você não sabia: a dubladora da menina Boo era tão pequena que era praticamente impossível que ela ficasse quieta pra gravar suas falas. Ao invés disso, eles simplesmente a seguiam com um microfone enquanto ela brincava e depois selecionavam os melhores trechos.

Procurando Nemo (2003), direção de Andrew Stanton, co-direção de Lee Unkrich

Um road-movie no mar. Procurando Nemo se passa na Grande Barreira de Corais australiana, onde um pai parte em busca de seu filho perdido; o detalhe é que os dois são peixes-palhaços. Embora não seja tão bem amarrado quanto os anteriores, o filme capricha nos coadjuvantes, como a desmemoriada Dory e as baleias que falam baleiês. Acho que esse desenho é mais preferido por mulheres, mas pode ser impressão minha.

Coisas que você não sabia: todos os peixes mostrados existem de verdade, e há uma ala especial no aquário de Sydney só com espécimes do filme; a equipe criou uma textura aquática tão realista que tiveram de piorá-la um pouco, pra que ninguém pensasse que tinha sido filmado no fundo do mar; em latim, “nemo” significa “ninguém”.

Os Incríveis (2004), direção de Brad Bird

Brad Bird, responsável pela desconhecida e excelente animação (2D) O Gigante de Ferro, faz sua estréia na direção de um longa da Pixar. E que estréia: misturando Watchmen com o Quarteto Fantástico, Bird traz os super-heróis ao mundo real em grande estilo, contando até com uma trilha de jazz à la James Bond.

Coisas que você não sabia: o vilão Síndrome originalmente ia se chamar Xerek; o nome do filme seria “Os Invencíveis”; o próprio Brad Bird dublou a estilista Edna Mode e inspirou as feições do Síndrome.

Carros (2006), direção de John Lasseter, co-direção de Joe Ranft

O mais fraco dos nove filmes da Pixar é, ainda assim, um excelente entretenimento. John Lasseter leva à animação o mundo automobilístico e a Rota 66, seguindo a linha seres-não-humanos-vivendo-em-sociedade. Se os personagens não têm tanto carisma quanto um Woody ou um Sr. Incrível, as piadas compensam, principalmente as gags visuais.

Coisas que você não sabia: Michael Schumacher faz uma ponta dublando uma Ferrari; os animadores desenharam mais de 43 mil esboços de carros; o nome do filme seria “Rota 66”, mas foi modificado para evitar confusões com a série dos anos 60 de mesmo nome.

Ratatouille (2007), direção de Brad Bird, co-direção de Jan Pinkava

Quando vi o trailer não me animei (“ah não, mais um filme de rato”), e pensei que a Pixar fosse finalmente errar a mão, depois da ligeira decepção com Carros. Graças a Deus, estava enganado. Ratatouille não é só o melhor filme da Pixar: é uma das melhores animações de todos os tempos, uma ode à arte, impecável do início ao fim, principalmente no fim. O monólogo do crítico gastronômico Anton Ego ainda me arrepia, mesmo revendo exaustivamente em DVD.

Coisas que você não sabia: centenas de pratos foram cuidadosamente preparados e fotografados para servir de referência; Linguini mora no bairro parisiense de Montmartre, o mesmo de Amélie Poulain; o ratatouille preparado por Remy é a variante conhecida como confit byaldi, caso você queira pedir ao maître num restaurante francês.

Pixar Short Films (1984-2007)

Este DVD, lançado ano passado, reúne todos os curtas produzidos pelo estúdio até 2007. O grande destaque é mesmo Luxo Jr.: a história da luminária-pai e a luminária-filho foi feita nos longínquos anos 80 e ainda impressiona, utilizando limitações (como o fundo preto) a seu favor. Alguns curtas lá do início não têm tanta graça, bem como Mater and the Ghostlight, que usa os personagens de Carros. Mas tem muita coisa boa: Red’s Dream e sua atmosfera noir, For The Birds, One Man Band... Sem falar no excelente documentário sobre a história da Pixar.


Foi com grande expectativa, portanto, que acompanhei a pré-produção de WALL•E pela internet. O primeiro teaser já era instigante: contava a história do almoço em que os fundadores da Pixar se reuniram após Toy Story para discutir os próximos filmes da empresa. Desse almoço nasceram as idéias de Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo e este WALL•E. Uma refeição deveras produtiva, há que se dizer.

Foi batata: o robozinho que limpava o lixo da humanidade no ano 2700 ao som de “Aquarela do Brasil” conquistou público e crítica já nos trailers. A expressão profunda que ele conseguia só no olhar, sem boca ou falas, fez chover gente que o comparava ao E.T. de Spielberg ou ao Carlitos de Charles Chaplin. Eleito o quarto lugar da minha lista de filmes mais esperados de 2008 (atrás apenas de Indiana Jones, que decepcionou, Blindness e o novo Batman, de quem espero muito), WALL•E já tinha cheiro de sucesso – e quando digo sucesso, não falo de bilheteria, mas de um filme digno de suceder Ratatouille.

Resumindo a história: assisti WALL•E duas vezes este fim-de-semana, e não me arrependo nem um pouco. É uma lição de como uma trama não precisa ser complexa para ser boa; de como um roteiro não precisa ser verborrágico para divertir ou emocionar. A ausência de diálogos na primeira metade do filme é coisa que pouco diretor hoje em dia tem coragem de fazer. Certas cenas já nascem antológicas, como a dança de WALL•E e EVA no espaço, e até os créditos finais (ao som de uma belíssima canção de Peter Gabriel, “Down to Earth”) servem à narrativa tanto quanto à arte.

Hungry for more

Depois de nove empreitadas de sucesso, o que esperar da Pixar nos próximos anos?

Muito. A Disney e a Pixar divulgaram recentemente uma lista com seus projetos até 2012, entre eles versões recauchutadas em 3D de Toy Story 1 e 2, para 2009 e 2010.

Up, direção de Pete Docter e Bob Peterson, estréia em maio de 2009

Daqui a menos de um ano veremos a história de Carl Fredricksen, que aos 78 anos decide explorar o mundo ao lado de um jovem guarda-florestal. Comparações com Dom Quixote não são totalmente infundadas.

Toy Story 3, direção de Lee Unkrich, estréia em junho de 2010

A história ainda é um mistério, mas já andam falando num Andy que vai pra faculdade e resolve doar os seus brinquedos. Partes 3 costumam ser a pior da trilogia (Homem-Aranha 3, Shrek 3, Piratas do Caribe 3, você entendeu), mas o roteiro está sendo escrito pelo roteirista de Pequena Miss Sunshine, o que é sempre um bom sinal.

Newt, direção de Gary Rydstrom, estréia na metade de 2011

O último lagartixa-de-pé-azul macho e a última lagartixa-de-pé-azul fêmea se odeiam, mas são obrigados a se reproduzir para salvar a espécie. Se precisarem de idéias para coisas para se fazer com uma colher e uma lagartixa-de-pé-azul, posso ajudar.

The Bear and the Bow, direção de Brenda Chapman, estréia no Natal de 2011

A Pixar se aventura nos contos de fada num cenário na Escócia medieval, quando a geniosa Merida, filha da nobreza, prefere se tornar arqueira a conviver com os chatos de sangue azul.

Carros 2, direção de Brad Lewis, estréia na metade de 2012

Lightning McQueen e seu parceiro Mate participam de uma nova competição, aprontando altas confusões com uma turminha de carros da pesada. De todos os projetos anunciados, é o que menos me empolga, mas mantenho a fé, que a fé não costuma falhar.

O brilhante monólogo de Anton Ego no final de Ratatouille termina com uma promessa do velho crítico: “I will be returning to Gusteau’s soon, hungry for more”. Felizmente é assim que me sinto sempre, ao me preparar para assistir um filme feito por quem é apaixonado pelo cinema. Sempre ávido por mais.

Pra você que leu até o final:

Referências de filmes da Pixar em outros filmes da Pixar

Conheça o ambiente de trabalho da Pixar

Uma entrevista com Andrew Stanton

E outra entrevista com o cara

sábado, 14 de junho de 2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008



Chegou a minha vez de contribuir com a insólita trama de "A Velha Debaixo da Cama", obra escrita aos pedaços e publicada mensalmente na revista piauí, e que, dizem, será reunida em toda sua plenitude na edição natalina do periódico.

A edição 21 da piauí já está nas bancas e conta com o capítulo 5 de minha autoria, "O Porão". Antes, um resumo da ópera até agora. O capítulo em questão você confere logo abaixo e aqui também.

Resumo da obra: Antônio, o ex-garoto de cabaré que vive sob o jugo insaciável da viúva Maria de Maria Mergulhão, recebe uma carta que põe a pique seus planos de fuga para a liberdade. A carta parece ser do coronel Mergulhão – portanto não defunto como se pensava –, que propõe a Antônio uma fortuna em troca de sua permanência ao lado da viúva. Condição: fazê-la sofrer o quanto possível. Em busca de uma explicação para missiva tão misteriosa, Antônio vai fuçar num baú o passado de Maria de Maria e encontra a foto de um homem. Guarda-a e vai se olhar no espelho. Estremece.

Capítulo V - O porão

Antônio analisa a porta de madeira carcomida. Está ali parado há dez minutos, estranhando a casa, juntando coragem. Faz que vai bater, desiste no meio do caminho, desiste de desistir. Três toques breves bastam para que, ao colar o ouvido no mogno, já escute o ruído dos chinelos.

Havia andado o dia todo pra chegar até ali. Atravessara fazendas, cruzara riachos e por duas vezes quebrara a cara: a primeira quando entrou na casa de um senhor, proseou e tomou café, xingou e abraçou, e descobriu que não era ele o procurado; a segunda quando invadiu as propriedades de uma mansão, achando errado, e foi posto pra correr por perdigueiros pouco amistosos.

Mas agora tem certeza, e é essa certeza que tanto o incomoda. Pois é simplesmente inconcebível que essa casa velha seja o “lar, doce lar” do ilustre e ex-finado coronel Mergulhão.

– Pois não – diz o velho, cortês. Bate os olhos no rapaz e troca de feição. – Ah. Entra.

Antônio segue o velho – que mais podia fazer? Observa como ele anda: curvado, as pernas arqueadas, os passos descompassados de um pingüim. Mesmo corcunda, é mais alto que ele; ainda que trôpego, traz no rosto uma firmeza que o imberbe Antônio sequer já vira pessoalmente. Sem falar, é claro, na serenidade imponente do bigodão grisalho.

– Senta – manda o velho, sentando-se também. Depois dá um sorriso, como quem se diverte com a ansiedade alheia. Intimidado pelo olhar, é Antônio quem fala.

– Recebi sua carta.
– Eu sei. Você não estaria aqui por outro motivo.
– Na verdade, eu vim mesmo foi por outro motivo.
– Você veio porque duvida de um velho que já morreu. Não tiro sua razão.
– Olha, eu só queria...
– Deixa eu te mostrar um negócio.

O velho tem dessas. Levanta e vai, os outros que andem atrás.

Se por fora a casa é triste, por dentro é só inexpressiva. Nenhum quadro nas paredes, nada de adornos, pintura chocha. O quarto onde entram deve ser o dele. O colchão não está no chão, nem faltam as cobertas; mas aquilo está longe de ser a vida boa alardeada na correspondência.

O velho abre o guarda-roupa e puxa no piso uma tábua solta. Antônio esfrega os olhos – são degraus que vejo ali? – e acaba indo atrás do homem escada abaixo.

Leva um choque. O porão oculto sob o casebre esconde tanta coisa que Antônio não sabe onde prender o olhar: nas espingardas na parede dividindo o espaço com obras de arte, nas prateleiras acomodando livros antigos, na poltrona convidativa no meio da sala, na caixa de uísques chamando pro abraço. Vê o cofre metálico num canto e não duvida que ele possa abrigar os dez prometidos milhões. Nem precisa que o velho explique. Sabe que é ali o seu refúgio, seu canto escolhido para morrer sorrindo.

– Belo esconderijo – diz Antônio sincero, sem a ironia que a frase aparenta. – Mas olha, realmente eu vim pra outra coisa.

Tira do bolso a foto amarelada e o velho ri.

– Achei que ela guardasse essas coisas com mais cuidado.

– Ela guarda, eu é que sou atrevido. – Mostra o verso com o recado manuscrito, “De quem não consegue mais viver sem teu perdão”, e emenda: – Que quer dizer isso?

O velho é seco.

– Usou a palavra certa: atrevido.

– Coronel – Antônio o chama pela patente, pela primeira vez. – Tenho motivos para acreditar que o senhor manteve um relacionamento extraconjugal durante seu casamento e que eu...

A campainha interrompe o discurso, mas o velho vê com naturalidade.

– Faça um favor e abra lá pra mim. Deve ser o rapaz que pago pra ficar de olho em você.

Antônio sobe com raiva. Sente-se frustrado; “esnobado” definiria até melhor. Encara a porta de mogno e decide espiar pela greta antes de abrir.

Estremece, então: é Maria de Maria.

Quem

Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

Busca no blog

Leia também


Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

Arquivo