sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 42


A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA (Brasil, 2011, dir. Vinícius Coimbra)
Os diálogos são afiados e cheios de sacadas ótimas – claro, esta é uma adaptação fiel ao conto de Guimarães Rosa – e João Miguel é um ator que cresce cada vez mais no nosso cinema, completamente diferente em cada papel: aqui ele convence tanto como bandidão quanto homem bom. Há também boas participações (a melhor é a de Chico Anysio, em um de seus últimos papéis). O roteiro poderia ser melhor estruturado – a passagem do tempo não fica muito clara, a família só ganha uma cena avulsa envolvendo os filhos, Joãozinho Bem-Bem só aparece no terceiro ato; talvez porque tenha sido fiel demais à obra original? As cenas em câmera lenta e a trilha melosa também contribuem para o clima meio novelesco, o que é compreensível dada a experiência televisiva do diretor Vinícius Coimbra. Nota 3/5


O PALHAÇO (Brasil, 2011, dir. Selton Mello)
Me lembrou muito os filmes de Wes Anderson, não só pelos planos com tudo centralizado, mas pelo senso de humor bizarro, que às vezes causa estranheza e desconforto em vez de risadas. E esta era certamente a intenção de Selton Mello ao fazer um filme sobre um palhaço melancólico que pensa em desistir da profissão. A estrutura do roteiro também é estranha: os primeiros dois terços se ocupam da vida circense, apresentando um elenco de rostos e corpos únicos e várias participações bacanas (tem até Zé Bonitinho e Ferrugem); quando o conflito parece finalmente começar, o filme já está em seu terço final e acaba relativamente rápido – não sem antes nos mostrar suas melhores cenas. Nota 4/5


XINGU (Brasil, 2012, dir. Cao Hamburger)
Tirando a narração (que às vezes soa pouco natural e desnecessária) e alguns probleminhas com a passagem do tempo (os personagens não envelhecem e quando assustamos já se passaram décadas), gostei muito de Xingu desde as cenas iniciais (que mostram os irmãos Villas-Bôas se voluntariando para uma complicada expedição) até os planos finais (o close no índio, a revelação do piloto do avião). Tenso quando indígenas e homens brancos ainda se desconhecem, emocionante quando são aceitos e enraivecedor sempre que os jogos políticos ganham destaque, é uma história real bem contada e que infelizmente não fez o sucesso merecido no Brasil. Nota 4/5


TRABALHAR CANSA (Brasil, 2011, dir. Marco Dutra & Juliana Rojas)
Quando terminei de assistir, eu sabia que tinha gostado, mesmo que não soubesse exatamente o porquê. É um filme pequeno, independente e esquisito, que mistura drama familiar, comédia nervosa e terror, nem sempre provocando os resultados mais esperados desses gêneros. As atuações estão longe de excelentes, mas isso combina bastante com o aspecto derrotado dos personagens, cada um lidando com sua rotina enfadonha: a mulher cuidando de seu mercadinho cheio de problemas, o marido enfrentando ridículas dinâmicas de grupo para conseguir emprego, a empregada agüentando os pitacos da mãe da patroa. A ausência de trilha sonora contribui para aumentar a tensão e a sensação de vida real: todas as músicas vêm exclusivamente de dentro da narrativa. E o toque fantástico no final não soa avulso, com tantas pistas plantadas desde o início. É difícil prever quem vai gostar ou não de Trabalhar Cansa, mas indiferente pouca gente fica. Nota 4/5


007 - O MUNDO NÃO É O BASTANTE (The World Is Not Enough, Reino Unido/EUA, 1999, dir. Michael Apted)
Os filmes com Pierce Brosnan vão caindo a qualidade nitidamente: enquanto o anterior não desviava da fórmula mas pelo menos tinha seus bons momentos, em O Mundo Não é o Bastante não há nada particularmente memorável. Brosnan traz de volta os trocadilhos, Denise Richards não convence como física nuclear vestindo roupinha de Lara Croft e a única cena de ação mais interessante é a cena pré-créditos, envolvendo uma superlancha e um balão – porque depois temos a qüinquagésima perseguição com esquis e a tricentésima seqüência submarina. O seqüestro de M vale pelo ineditismo, mas não é capaz de salvar o filme da mesmice. Nota 2/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 41


007 - PERMISSÃO PARA MATAR (Licence to Kill, Reino Unido/EUA, 1989, dir. John Glen)
Talvez seja o filme mais sério de James Bond, já começando com tragédia: a esposa de Felix Leiter (agente da CIA presente em diversos filmes da série, sempre com um ator diferente) é assassinada, Leiter é mordido por tubarões e Bond vai atrás de vingança pessoal. É um bom começo e o filme flui bem até a metade, mas depois se torna bem desinteressante; as duas bond girls, péssimas atrizes, também não ajudam em nada. Eu gostei de Timothy Dalton como Bond, mas esse seu segundo e derradeiro filme deixou bastante a desejar. Nota 2/5


007 CONTRA GOLDENEYE (GoldenEye, Reino Unido/EUA, 1995, dir. Martin Campbell)
Vi só uma vez quando tinha 12 anos e me lembrava bem de vários momentos, como Bond pulando atrás de um avião sem piloto na cena pré-créditos e a caneta que explode com 3 cliques. Este é o melhor Bond em muitos, muitos anos, não só pelas cenas de ação (tem uma ótima perseguição na Rússia com Bond dirigindo um tanque de guerra) mas pelo próprio roteiro, que brinca com as tradições dos filmes anteriores (como as famosas senhas e contra-senhas usadas quando dois agentes se encontram e o flerte entre Bond e a Moneypenny dos anos 90, que insinua que as cantadas dele poderiam ser qualificadas como assédio sexual), introduz a interessante relação entre Bond e a primeira M mulher ("Acho você um sexista misógino, um dinossauro da Guerra Fria") e guarda a revelação do verdadeiro vilão para o momento apropriado. Nota 4/5


DETONA RALPH (Wreck-It Ralph, EUA, 2012, dir. Rich Moore)
Em seu conceito, Detona Ralph é o primo digital de Toy Story: quando o fliperama fecha, os personagens dos videogames transitam livremente entre os jogos. Já a história lembra mais Shrek, com a crise de identidade do personagem-título, que está cansado de ser vilão. Cheio de detalhes e referências a games antigos, é um barato descobrir dentro de que jogo os vilões se reúnem para sua terapia em grupo, ou saber o que acontece quando Ryu e Ken terminam de lutar. A estética dos videogames também é bem explorada: no universo 8 bits de "Fix-it Felix", os personagens têm movimentos quase robóticos e até os fluidos são pixelados; o de "Hero's Duty" é realista, violento e ultrabarulhento e contrasta bastante com o adocicado e willy-wonkiano "Sugar Rush". É nesse último que passamos mais tempo, talvez pela tentação da Disney de aumentar seu panteão de princesas, e fica a vontade de ver muitos outros mundos (jogos de luta, RPG, pinball, Tetris, GTA...) – mas provavelmente já estão pensando nisso para as seqüências. No mais, Ralph é um anti-vilão carismático, o roteiro é redondinho (embora dê pra notar alguns furos envolvendo o tilt de Vanellope) e o filme é muito bem-sucedido em emular a experiência de se jogar videogame. Foi mal, Valente, mas este ano a Disney foi melhor que a Pixar. Nota 4/5


007 - O AMANHÃ NUNCA MORRE (Tomorrow Never Dies, Reino Unido/EUA, 1997, dir. Roger Spottiswoode)
Se GoldenEye deu uma revigorada em James Bond ao subverter algumas tradições da série, este aqui segue à risca a velha fórmula. O vilão Elliot Carver, apesar de "atualizado" com a roupagem de chefão da mídia, poderia ser membro da antiga SPECTRE – não falta nem a reunião em que cada um apresenta seu relatório de maldades ("Como solicitado, o novo software está cheio de bugs e vai forçar os usuários a baixar atualizações por anos"). O Amanhã Nunca Morre acaba sendo um filme de ação competente (a melhor cena envolve um carro guiado por controle remoto), mas que nunca se arrisca ou vai além. Nota 3/5


HELENO (Brasil, 2011, dir. José Henrique Fonseca)
Rodrigo Santoro é a alma do filme, um canalha carismático nos anos de glória, fraco e irreconhecível no período de decadência – e as constantes idas e vindas temporais ajudam a ampliar esse contraste. Histórias de sucesso e autodestruição existem aos montes por aí (e a bela fotografia em preto e branco de Heleno reforça a lembrança de Touro Indomável), mas isso não tira o mérito deste competente e triste estudo de personagem. Nota 4/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 40

Chegando ao meu ducentésimo filme de Dois Mil e Dôuze!...


007 - NUNCA MAIS OUTRA VEZ (Never Say Never Again, Reino Unido/EUA/Alemanha Ocidental, 1983, dir. Irvin Kershner)
Um James Bond não-oficial lançado no mesmo ano que Octopussy, o grande trunfo de Nunca Mais Outra Vez é ter Sean Connery de volta, ainda que visivelmente mais velho, apenas 6 anos antes de viver Papai Jones em A Última Cruzada. (O engraçado é que, mesmo assim, Connery era mais novo que Roger Moore, o Bond oficial.) Por outro lado, perde pontos por ser um remake de 007 Contra a Chantagem Atômica, justamente um dos mais fracos do Bond Connery. Há bons momentos, como a luta no spa com um brutamontes (deve ser a primeira vez que realmente tememos por Bond) e o vilão meio imprevisível, que fica o tempo todo com um meio-sorriso no rosto – sem falar em Kim Basinger como bond girl e na improvável participação de Rowan Atkinson, futuro Mr. Bean! Mas eles teriam saído melhor se escolhessem uma história original sobre um Bond maduro e evitassem as chatas cenas submarinas que estavam por todo o Chantagem Atômica. Nota 3/5


TED (EUA, 2012, dir. Seth MacFarlane)
O ursinho desbocado, criado por um CGI bem convincente e a dublagem do diretor Seth MacFarlen (também criador de Family Guy e voz de Peter Griffin), é o que dá vida a Ted. O filme funciona porque sua relação com Mark Wahlberg parece real e nos importamos com eles, já que o romance entre Walhberg e Mila Kunis é ok e a estrutura do roteiro é bem padrão (uma amizade que se racha, vilões que surgem no terceiro ato para esticar o conflito). MacFarlane está mais comportado do que em sua série animada, colocando até momentos "com emoção". As cenas envolvendo sexo, drogas e escatologia não chocam tanto quanto certos deputados podem fazer parecer, mas são bem engraçadas; junte a isso as referências pop e os flashbacks típicos de Family Guy, mais a já citada química entre Ted e seu "dono", e temos uma comédia das boas. Nota 4/5


DESCONSTRUINDO HARRY (Deconstructing Harry, EUA, 1997, dir. Woody Allen)
Woody revisita o tema de Memórias, desta vez interpretando um escritor com diversas ex-esposas no currículo. A metalinguagem abunda, e não acho que seja um filme indicado para novatos em Woody Allen: podem se assustar com a montagem à la Godard cheia de cortes bruscos, personagens vividos por vários atores e uma estrutura algo confusa; eu gostei bastante (bem mais do que Memórias, aliás). As historietas tiradas das obras do personagem-título são filmadas de forma mais convencional, embora sempre criativas: a mais famosa é a que tem Robin Williams sofrendo de "fora-de-foquismo", mas minha predileta é a que mostra Woody descendo ao inferno e discutindo com o Diabo, vivido por Billy Crystal. Nota 4/5


007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (A View to a Kill, Reino Unido/EUA, 1985, dir. John Glen)
Último de sete Bonds com Roger Moore (que já estava com seus 57 anos!), Na Mira dos Assassinos também ganhou má fama como vários de seus antecessores, mas eu achei um filme mais coeso. Tem boas cenas de ação (Bond dirigindo um carro pela metade em Paris, escapando de um elevador pegando fogo, dependurado na ponte Golden Gate), uma capanga mulher (Grace Jones, assustadora) e Christopher Walken como vilão. Longe de ser uma obra-prima do entretenimento, é um bom final para a Era Moore. Nota 3/5


007 MARCADO PARA A MORTE (The Living Daylights, Reino Unido, 1987, dir. John Glen)
Timothy Dalton foi um Bond bem diferente de Roger Moore: mais sério, menos apressado em pegar a mocinha, maneirando bastante no humor (quando faz piada, se sai bem sem precisar recorrer a trocadilhos: "Estamos livres!", diz a garota; "Kara, estamos em uma base aérea russa no meio do Afeganistão", retruca Bond). Marcado Para a Morte tem uma primeira metade muito boa, com uma trama envolvendo um general russo que foge para o Ocidente com a ajuda de Bond e repleta de plot twists. Já quando Bond chega ao Afeganistão, a coisa fica um pouco morna e vira um filme de ação comum (com excessão da ótima luta com o capanga, quase caindo do avião); brincar de soldadinhos também não contribui para tornar o vilão muito ameaçador, e fica a sensação de que John Rhys-Davies deveria ter aparecido mais. Nota 3/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 39


007 - O ESPIÃO QUE ME AMAVA (The Spy Who Loved Me, Reino Unido, 1977, dir. Lewis Gilbert)
Apesar de um início repetitivo (deve ser o terceiro tanque de tubarões da série), O Espião Que Me Amava se revelou meu Bond preferido com o Roger Moore. Pra começar, a trama é mais interessante – Bond tem que se aliar com uma agente rival cujo amante ele matou recentemente. Os absurdos são sempre visualmente atraentes (o escritório do MI6 em uma tumba antiga no Egito, o carro-submarino que sai do mar direto pra praia) e o capanga da vez é o icônico e indestrutível Jaws "Dentes de Aço": o cara despedaça um carro com a mão e mata um tubarão a dentadas! A segunda metade, quando Bond se infiltra no covil do inimigo, lembra o final de You Only Live Twice, mas o fato de ser mais seco e sério conta pontos a seu favor. Nota 4/5


007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (Moonraker, Reino Unido/França, 1979, dir. Lewis Gilbert)
Sim, Foguete da Morte é absurdo e exagerado; mas também é um filme bem divertido, que não merecia essa má fama que tem. Afinal, tudo o que é mostrado aqui já tinha sido abordado antes na série, da ciência espacial para loucos às impossibilidades geográficas e culturais. A cena inicial já dá o tom: Bond pula em queda livre de um avião e arranca o pára-quedas das costas de outro cara. Depois parte para Veneza, onde passeia de carro-gôndola (!) e quebra cristais caríssimos que valem milhões, durante uma luta corpo-a-corpo. Aí vem, claro, a famosa seqüência de James Bond no Brasil: lembro de ver este filme na TV, quando era criança, e ainda me lembrava de Jaws mordendo e arrancando o cabo do bondinho do Pão de Açúcar. Algumas cenas de ação são bem mal-feitas (Jaws pulando de um bondinho a outro sem sequer pegar impulso, os croma-keys toscos na perseguição amazônica); outras, mais competentes, apesar dos pesares (Bond sai de asa delta de dentro de um barco e escapa de se espatifar nas cachoeiras; o "detalhe" é que ele estava na Amazônia e foi parar nas Cataratas do Iguaçu!). O último ato do filme envolve James Bond – sim! – indo para o espaço. Ele está no foguete com uma outra agente e já pensamos: o cara vai pro espaço sem preparo nenhum? E a agente: "Não se preocupe, estamos em um vôo pré-programado". Ah, bom! Os efeitos especiais das seqüências espaciais são decentes (melhores que as das cenas amazônicas), apesar de um disparate científico atrás do outro: as lutas de raio laser calcadas em Star Wars, os astronautas completamente soltos no espaço, o vilão Drax viajando para o espaço de terno. No final, claro, Bond pega a mocinha em gravidade zero e o Q até solta uma piada suja ("Acho que ele está tentando a reentrada"). Nota 3/5


MAIS UM ANO (Another Year, Reino Unido, 2010, dir. Mike Leigh)
Dividido em quatro segmentos-estações, Another Year é um estudo de personagens muito competente, com diálogos bem construídos, atores excelentes e personagens tridimensionais. O feliz casal de meia-idade formado por Jim Broadbent e Ruth Seen é quem conduz a narrativa, mas os conflitos vêm mesmo de seus amigos: a carente Mary (Lesley Manville), o desesperançoso Ken (Peter Wight), o irritado sobrinho Carl (Martin Savage). Se o final não satisfaz por deixar no ar o futuro desses personagens, bem... a vida não é assim? Nota 4/5


007 - SOMENTE PARA SEUS OLHOS (For Your Eyes Only, Reino Unido, 1981, dir. John Glen) Somente Para Seus Olhos é o anti-Foguete da Morte: tudo o que o anterior tinha de exagerado este tem de comedido. A intenção pode ter sido boa, mas tornou o filme mais genérico: se não fosse um James Bond, não sei se seria lembrado hoje em dia. Há uma boa perseguição de carros no interior da Espanha e umas cenas bacanas no fundo do mar; há também um momento "continuidade" no início, em que o Bond Moore visita o túmulo da esposa morta de Bond Lazenby e mata Blofeld de uma vez por todas. Depois disso, o filme fica menos interessante, com um MacGuffin bobinho (ele precisa resgatar um comunicador que estava num navio naufragado), uma bond girl lindíssima, mas meio sem sal; artifícios previsíveis (é óbvio que aquele papagaio vai soltar uma informação importante quando todos estão escutando) e sermões hipócritas (você falando pra garota não matar o cara, James Bond? Logo você?). A "cereja" do bolo é a aparição de Margaret Tatcher conversando com um papagaio e achando que está falando com Bond. Pois é... Nota 2/5


007 CONTRA OCTOPUSSY (Octopussy, Reino Unido/EUA, 1983, dir. John Glen)
O Bond absurdo está de volta, mas em uma dose menos polêmica. As cenas de ação são o destaque de Octopussy: tem Bond escapando de um míssil teleguiado em um avião, correndo a cavalo à la Indiana Jones, dirigindo seu carro numa ferrovia e lutando com o vilão em cima de um bimotor. Já a trama é meio confusa: uma hora é contrabando de jóias, noutra é uma bomba atômica que vai explodir em um circo (Bond até se veste de palhaço!). Minha "Maratona Bond" já completou 13 filmes, e confesso que a fase Roger Moore já está cansando... Nota 3/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 38


COM 007 SÓ SE VIVE DUAS VEZES (You Only Live Twice, Reino Unido, 1967, dir. Lewis Gilbert)
Se da primeira vez que vi eu achei o final arrastado e o filme mediano, dessa vez curti bastante o conjunto todo. Da cena pré-créditos com uma ciência espacial absurda, mas tensa (coitado do astronauta...) à tão aguardada revelação de Blofeld (com cicatriz, careca e gatinho, igualzinho ao Dr. Evil), You Only Live Twice mostra o que os filmes de Bond têm de melhor. Há desde cenas intrigantes (a “morte” de Bond no início), tradições subvertidas (Bond se encontra com M e Moneypenny dentro de um submarino) e mortes bizarras (a Número Onze devorada por piranhas) até momentos completamente tresloucados, como quando Sean Connery “vira” japonês (convence tanto como um espanhol em Highlander). Nota 5/5


007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (On Her Majesty's Secret Service, Reino Unido, 1969, dir. Peter R. Hunt)
George “Dois Queixos” Lazenby assume o papel de Bond neste filme pela primeira e única vez. Aquela teoria de que “James Bond” é um codinome da mesma forma que “007” ganha respaldo na cena pré-créditos, quando Lazenby diz: “Isso nunca aconteceu com o outro cara”; depois eles desconversam ao mostrarem Bond manuseando objetos dos filmes anteriores com as músicas-tema tocando ao fundo. Eita confusão. A Serviço Secreto de Sua Majestade tem seus problemas, como a edição frenética demais e o excesso de zooms nas cenas de luta, que mais lembram filmes de kung fu. Mas Lazenby não faz feio como 007, há boas cenas de perseguição (uma entre Bond e Blofeld, agora vivido por outro ator e sem a cicatriz no olho, os dois dirigindo trenozinhos na neve) e o filme realmente inova no final, quando apresenta o casamento de Bond (com participações bacanas de M, Q e Moneypenny) e encerra com um final trágico bem diferente dos filmes anteriores – e dos que estariam por vir. Nota 4/5


007 - OS DIAMANTES SÃO ETERNOS (Diamonds Are Forever, Reino Unido, 1971, dir. Guy Hamilton)
Sean Connery está de volta para um derradeiro filme como Bond, e já dá pra notar seus cabelos ficando grisalhos. Esse talvez seja o menos memorável filme de Connery como 007, trazendo umas explosões bem toscas e poucas cenas que se diga “que puxa!”. Além do mais, escalarem Charles Gray como Blofeld não faz sentido nenhum, primeiro porque não se parece nada com os Blofelds anteriores (tem cabelo, não tem cicatriz), e principalmente porque Gray interpretou outro personagem há apenas dois filmes! Nota 3/5


COM 007 VIVA E DEIXE MORRER (Live and Let Die, Reino Unido, 1973, dir. Guy Hamilton)
A estréia de Roger Moore como James Bond começa com uma série de cenas bem intrigantes: um figurão morre em plena ONU por excesso de ruído, um funeral vira carnaval em New Orleans. O que vem a seguir tem seus altos e baixos: se por um lado os absurdos divertem (gosto dos barcos invadindo um casamento, de Bond brincando de "Pitfall" com crocodilos e da sua tática de se dar ao trabalho de criar um baralho falso de tarô para pegar uma vidente), algumas tentativas de comédia (como os policiais americanos) não são nada engraçadas. Mas ao contrário de muitos, eu até curto Moore no papel de Bond. Canastrão e piadista, ele combina com o estilo de filme que protagoniza; é como Adam West fazendo o Batman. Nota 3/5


007 CONTRA O HOMEM COM A PISTOLA DE OURO (The Man With the Golden Gun, Reino Unido, 1974, dir. Guy Hamilton)
O primeiro momento "what the fuck" é logo na primeira cena, quando o vilão é apresentado e descobrimos que ele tem três mamilos. E não apenas isso: é o Christopher Lee! Como o anterior, o filme alterna momentos absurdos bons (Bond colocando um mamilo extra pra se passar por Scaramanga; monstrando ser politicamente incorreto ao lutar injustamente no tatame e empurrar uma criança para fora de um barco; e, claro, o carro-avião) e outros sem graça (o policial americano chato do filme anterior está de volta e vira quase um sidekick de James Bond!). A agente Goodnight é igualmente bonitinha mas ordinária: uma espiã que se deixa ser seqüestrada com facilidade e aperta um botão de destruição com a bunda (!) não merece o trabalho que tem. Também não ajuda que o final (Bond vence o vilão mas precisa enfrentar um capanga quando está confortável com sua bond girl) seja basicamente idêntico ao do anterior, mas fórmulas fazem parte dos filmes de James Bond desde o primeiro. Nota 3/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 37


A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (Night of the Living Dead, EUA, 1968, dir. George A. Romero)
Sempre preferi filmes de zumbi que não se levam a sério, como Fome Animal e Shaun of the Dead. Este clássico, primeiro de uma série, empolga mais quando se concentra no grupo de pessoas isoladas em uma casa, já que os ataques de zumbis só são interessantes em alguns momentos. Gosto particularmente das reações dos personagens (como a garota que fica compreensivelmente catatônica) e da última cena, que não deixa espaço para finais felizes. Nota 4/5


MOSCOU CONTRA 007 (From Russia With Love, Reino Unido, 1963, dir. Terence Young)
O espectro da SPECTRE, apresentada em Dr. No, se torna mais presente na série, embora o rosto do "Número Um", Blofeld, não nos seja mostrado até Bond #5 – seu intérprete é inclusive identificado como "?" nos créditos finais. Há outras referências ao primeiro (Sylvia Trench, Dr. No), mostrando que há sim uma certa continuidade entre os filmes. Temos também a primeira aparição oficial de Q e sua maleta cheia de apetrechos letais e vários momentos interessantes, como uma insólita briga de mulheres ciganas e uma longa seqüência num trem – embora o final, com os helicópteros perseguindo Bond, pareça copiado de Intriga Internacional. Nota 4/5


007 CONTRA GOLDFINGER (Goldfinger, Reino Unido, 1964, dir. Guy Hamilton)
Tido por crítica e fãs como o melhor filme do James Bond, Goldfinger não faz nada de muito diferente dos dois anteriores – mas faz com mais personalidade. A bond girl Pussy Galore, por exemplo, é uma vilã que custa a se deixar seduzir pelo espião; o vilão Auric Goldfinger, obcecado com ouro (com esse nome, eu também seria) tem métodos e objetivos memoráveis (uma das imagens mais famosas do filme é a garota morta toda pintada de dourado); e Bond contribui com diversas bondices, como estar com o terno impecável por baixo do traje de mergulho. Nota 5/5


007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (Thunderball, Reino Unido, 1965, dir. Terence Young)
Thunderball tem muitos elementos absurdos (Bond bancando o Rocketeer, os relatórios financeiros da SPECTRE que incluem chantagem e extorsão, Bond transando com uma bond girl no fundo do mar e depois arracando veneno do pé dela com a boca), mas em geral é uma experiência menos divertida que os três primeiros. No final das contas, o vilão de tapa-olho não é tão ameaçador, as bond girls se parecem todas e as cenas debaixo d'água têm pouca tensão – o confronto final, por exemplo, é inovador por não trazer nenhum diálogo, mas a lentidão da ação e a dificuldade em identificar os personagens acabam tornando tudo meio chocho. Nota 3/5


PAVOR NOS BASTIDORES (Stage Fright, Reino Unido, 1950, dir. Alfred Hitchcock)
Um Hitchcock meio esquecido, Pavor nos Bastidores tem Marlene Dietrich como uma atriz que matou o marido, Richard Todd como o amante que assume a culpa do assassinato e Jane Wyman como a namorada desse amante (!) que tenta a provar a inocência do amado através dos métodos mais loucos. Boa parte do suspense envolve a dupla identidade que ela inventa; seu pai, doido pra participar da trama, também gera bons momentos. No final, Hitch brinca com o conceito de memória/flashback ao subverter uma cena que haviámos visto no início do filme. Danado, esse Hitch. Nota 4/5

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 36


O PODEROSO CHEFÃO - PARTE III (The Godfather – Part III, EUA, 1990, dir. Francis Ford Coppola)
Subestimado e injustamente malhado, O Poderoso Chefão III é um filmaço que, sim, faz jus aos dois anteriores, Sofias Coppolas à parte. Al Pacino carrega o filme nas costas e quase dói ver Michael tentando se redimir no final da vida (rola até uma confissão ao padre!) e virtualmente impossibilitado. Se a falta de Robert Duvall é bem sentida, o filme é cheio de homenagens aos dois anteriores (as participações de Johnny Fontane, o padeiro Enzo e a ex-amante de Sonny; o retorno à Sicília; o filho de Michael tocando o tema de Apollonia ao violão) e Andy Garcia é um herdeiro digno de James Caan. E a cena final, com Michael "gritando em silêncio" e a montagem das mulheres de sua vida ao som de Cavalleria Rusticana é tristíssima e excepcional. Nota 5/5


TIROS NA BROADWAY (Bullets Over Broadway, EUA, 1994, dir. Woody Allen)
Uma ótima "comédia de gângsters" de Woody, que brinca com o conceito de talento ao colocar Chazz Palminteri no papel de um criminoso comum que é surpreendentemente bom em dar pitacos teatrais. Os conflitos entre John Cusack, Palminteri, o chefão Joe Viterelli, a estrela Dianne Wiest e a novata de voz irritante Jennifer Tilly são bem desenvolvidos e o filme só peca no final, que ironicamente é teatral demais. Nota 4/5


O VÔO DO DRAGÃO (Meng Long Guo Jiang, Hong Kong, 1972, dir. Bruce Lee)
Bruce Lee não só estrelou e coreografou as lutas, mas também escreveu e dirigiu o filme – é praticamente o Chaplin do kung-fu. A ação se passa em Roma, para onde Bruce vai ajudar um restaurante chinês que sofre com as ameaças dos mafiosos/lutadores locais. Depois de um início cheio de tentativas de humor que nem sempre funcionam, o filme engrena quando a porradaria começa a comer solta e não pára mais. Aí temos exatamente o que esperamos: Lee distribuindo pontapés a torto e a direito, usando apetrechos como dardos e chakos, um estilo visual que abusa dos zooms e pouco espaço para firulas. Mas o diferencial é mesmo o lendário confronto entre Bruce Lee e ninguém menos que Chuck Norris, em pleno Coliseu! Nota 4/5


TUDO PODE DAR CERTO (Whatever Works, EUA/França, 2009, dir. Woody Allen)
Embora eu tenha visto bastante Woody Allens recentemente, geralmente tendo a procurar sua filmografia mais antiga, deixando os altos e baixos do presente para quando os clássicos acabarem. Mas me surpreendi com Tudo Pode Dar Certo: Larry David está ótimo como um sujeito cínico e amargo, que ainda tem amigos apesar de insultar a todos, e faz um contraponto bacana com a adorável Evan Rachel Wood fazendo papel de burrinha. Não importam os avisos de Larry David no começo do filme: este é um "feel good movie", no final das contas, e daqueles bem simpáticos. Nota 4/5


007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (Dr. No, Reino Unido, 1962, dir. Terence Young)
Comecei um projeto audaz: assistir a todos os James Bond em ordem cronológica. Como o novo Skyfall é o vigésimo terceiro, vê-se que terei trabalho. Dr. No, o primeiro de uma série de filmes bacanas com o Sean Connery, estabelece muitos dos elementos que seriam repetidos à exaustão ao longo da série: a icônica música-tema, as inúmeras Bond Girls (aqui ele pega três, incluindo uma criminosa – algo que também será recorrente), sua preferência por tudo que é classudo (o martini "shaken, not stirred", golfe, carros) e o vilão com planos de dominação mundial que antes tem uma conversa franca com Bond. O Dr. No só aparece na meia hora final, criando-se um mistério interessante sobre o que diabos se passa em uma ilha que conta até com um tanque-dragão. Nota 4/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 35


TEMPOS MODERNOS (Modern Times, EUA, 1936, dir. Charles Chaplin)
Do famoso plano inicial, que compara um rebanho de ovelhas com uma multidão saindo do metrô, ao final, que encerra a “carreira” de Carlitos de forma poética, Tempos Modernos é uma obra-prima. Semi-mudo por pura teimosia de Chaplin, os sons e vozes vêm apenas das máquinas na maior parte do filme – exceto pela cena em que Carlitos, pela primeira vez na história, abre a boca pra cantar e revela sua voz num idioma inventado que mistura francês, inglês e italiano. Tempos Modernos tem de tudo: crítica social, história de amor, pastelão em sua melhor forma (a genial “máquina de comer”) e piruetas mirabolantes (Chaplin se mostra um exímio patinador de olhos vendados!). A cereja do bolo é a música-tema, a triste e sensacional “Smile”. Composta, claro, por Charles Chaplin. Nota 5/5


TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO * MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR (Every Thing You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask, EUA, 1972, dir. Woody Allen)
Um coleção de esquetes surpreendentemente coesa, não por ser baseada em um livro (acho que só tomaram o título emprestado), mas por serem todas feitas por Woody Allen. Tem Woody como bobo da corte, Gene Wilder apaixonado por uma ovelha, um segmento que imita filmes italianos (com Woody falando um italiano bem sem-vergonha) e outro que parodia um programa de TV ("What's My Perversion?"). A única seqüência que não me cativou tanto é aquele envolvendo um seio gigante. Em compensação, ela é seguida pelo melhor segmento do filme, que mostra o que acontece dentro do corpo humano durante a hora do vamos-ver. Aquilo daria um longa genial. Nota 4/5


LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO (Looper, EUA/China, 2012, dir. Rian Johnson)
Uma das boas surpresas do ano, Looper tem um roteiro engenhoso que traz algumas novidades para o subgênero "viagens no tempo", como memórias que se atualizam instantaneamente e as cicatrizes que aparecem do nada. A química entre Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis sustenta o filme, principalmente se levarmos em conta que o protagonista Joe é um cara bastante repreensível. No entanto, Looper perde um pouco o foco quando se torna quase uma mistura de O Exterminador do Futuro (a personagem de Emily Blunt inclusive se chama Sarah!) e X-Men: eu preferiria se tivessem deixado os superpoderes de lado e se concentrado apenas no interessante conceito de viagem temporal. Nota 4/5


O PODEROSO CHEFÃO (The Godfather, EUA, 1972, dir. Francis Ford Coppola)
Já vi a trilogia em dias consecutivos várias vezes, mas esta foi a primeira em que assisti a todos em um único dia. Se pressionado para escolher um preferido, meu voto vai para o primeirão, que ainda tem toda a família "unida". É basicamente um filme perfeito, da cena do casamento cheia de pequenos detalhes (adoro o momento em que Johnny Fontante chega e Connie abre os braços dizendo "I love you!") à primorosa seqüência alternando o batizado e os assassinatos. Brando, Caan, Duvall, Cazale, estão todos absolutamente impecáveis, mas o filme é mesmo de Al Pacino e seu Michael Corleone, que passa de "civil" a Poderoso Chefão. "It's my family, Kay, not me", diz ele para Dianne Keaton logo no início. Será? Nota 5/5


O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II (The Godfather – Part II, EUA, 1974, dir. Francis Ford Coppola)
As seqüências de prólogo, com Robert DeNiro fazendo um jovem Marlon Brando, são cinemão clássico, contadas com calma e primor. As cenas no presente são bem diferentes e igualmente ótimas, com uma fotografia sombria e muitos momentos memoráveis (o tapa de Michael em Kay; as conversas entre Michael e Fredo). A trama sempre me pareceu mais confusa do que deveria, cheia de novos personagens e desdobramentos, mas isso não diminui em nada a grandeza do filme. Nota 5/5

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 34


OS INCOMPREENDIDOS (Les Quatre Cents Coups, França, 1959, dir. François Truffaut)
Um estudo de personagem de um garoto que é detestado pelos professores e tem um relacionamento difícil com os pais; começa matando aula e termina na Febem francesa. A Nouvelle Vague nunca fez muita parte da minha formação de cinéfilo e, dos poucos que vi até hoje, gostei de todos, mas não colocaria nenhum na minha lista de favoritos. Truffaut me apatece mais que Godard, sem muitas invencionices estilísticas, filmando com uma mão mais leve. Preciso ver mais. Nota 4/5


POR UM PUNHADO DE DÓLARES (Per un Pugno di Dollari, Itália/Espanha/Alemanha Ocidental, 1964, dir. Sergio Leone)
Primeiro filme da Trilogia dos Dólares, traz Clint Eastwood com seus icônicos chapéu e poncho muito confortável no papel de bad-ass de ar tranqüilo. As cenas de tiroteio estão entre as mais cool dos faroestes: numa, Clint diz ao coveiro: “Prepare três caixões”, mata mais do que previa e retorna mostrando quatro dedos (“Me enganei.”); noutra, ele se torna à prova de balas da mesma maneira como Marty McFly faria décadas depois em De Volta Para o Futuro III. Tudo isso tem a assinatura inconfudível de Sergio Leone, que usa com primor todo o vocabulário cinematográfico de planos abertos, médios, closes; sem falar na trilha de Ennio Morricone (bizarramente creditado aqui como “Dan Savio”), que sempre cria temas-chiclete. Nota 4/5


O HOMEM DO FUTURO (Brasil, 2011, dir. Cláudio Torres)
Wagner Moura mata a pau interpretando não uma nem duas, mas três versões de seu personagem (“Papai?”). Seu João Zero é Marty, George McFly e Biff – arrasa no palco no baile da escola, é zoado em público, altera a linha temporal a seu próprio favor e até mesmo usa uma fantasia de astronauta que lembra muito a roupa anti-radiação usada por Michael J. Fox. A trilha é bem escolhida, brincando sempre com os temas do filme (“Tempo Perdido”, “Creep”, “It's the End of the World as We Know It”), os efeitos visuais são competentes e, principalmente, nós nos importamos com os personagens e aprendemos a gostar de cada um deles. O Brasil não tem muita tradição em filmes de gênero e é uma grata surpresa ver uma ficção científica-comédia-romântica tão divertida e bem bolada. Nota 4/5


MOONWALKER (EUA, 1988, dir. Jerry Kramer, Will Vinton, Jim Blashfield & Colin Chilvers)
É basicamente uma coleção de videoclipes, que individualmente são ótimos mas juntos não formam um filme nem a pau. Tem de tudo: versões ao vivo de “Man in the Mirror” e “Come Together”; uma retrospectiva da carreira de Michael desde os tempos de “ABC”; uma paródia do clipe de “Bad” só com crianças; uma historinha que se passa num mundo roger-rabbitiano cheio de bonecos cabeçudos em stop-motion (e que culmina na transformação de Michael num coelho e na subseqüente divisão das duas “entidades”); e o clipe-curta de “Smooth Criminal” que, apesar da participação de Joe Pesci como vilão, acaba se tornando um Pequenos Espiões meio chatinho. Como ator, aliás, Michael era um ótimo qualquer-outra-coisa. Nos créditos finais, a imagem da capa do álbum Bad (do ano anterior) não nos deixa enganar: Moonwalker é um comercial em longa-metragem. Nota 2/5


GATTACA - EXPERIÊNCIA GENÉTICA (Gattaca, EUA, 1997, dir. Andrew Niccol)
A premissa – num futuro onde a biogenética é extremamente desenvolvida, as pessoas escolhem as características de seus filhos antes do nascimento – é bem interessante e levanta diversas questões sobre a sociedade, o futuro da ciência, preconceito, predisposição genética e destino. O conceito da troca de identidade entre Ethan Hawke e Jude Law é bem explorado e é onde o filme mais acerta. Já a trama policial e o romance de Hawke com Uma Thurman decepcionam um pouco por tomarem mais tempo do que precisavam, quando o filme poderia se ocupar de questões mais audaciosas. De qualquer forma, Gattaca é um sci-fi intrigante e bem dirigido, e uma boa estréia para Andrew Niccol. Nota 3/5

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Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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