22/12/2009

Alô alô brasileiro

Vivendo num reduto de estrangeiros como é Wudaokou, às vezes me esqueço de quanto somos criaturas exóticas no meio de uma multidão de cabelos pretos e olhos puxados. Perambulando pela Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial, no último domingo, fiquei surpreso com a quantidade de chineses que veio puxar papo comigo, assim sem mais nem menos. Alguns poucos intentam te arrastar para galerias de arte onde expõem e vendem pinturas a precinhos nem tão camaradas, mas a maioria quer mesmo é praticar o (ch)inglês ou entender o que um alienígena tá fazendo em Beijing. Se você fala um mínimo de mandarim então, nem que seja um "nihao" no tom errado, vira atração. Até foto comigo pediram pra tirar. E quando perguntam de onde eu sou e respondo: "巴西", não tem um que não emenda: "football!", ou "soccer!", ou "足球!", ou "you must play football very good!" (é, quem me conhece sabe o quanto sou habilidoso). 

Só teve um caso de uma mulher que, ao ouvir "Baxi" como resposta, não mencionou o esporte bretão mas perguntou: "Ah, ¿hablas español?". Curioso pra saber como uma chinesa de raiz falava a língua de Cervantes, indaguei-lhe e ela esclareceu: "Yo no soy china, soy de Costa Lica. Soy plofesola de mandalín". Eu já tinha notado a dificuldade da população local em dizer coisas como "obrigado" ou "Firenze" (conheci chineses estudantes de português e italiano que falavam "obligado" e "Filenze"), mas uma costa-riquenha, ainda que de origem oriental, que não aprendeu a pronunciar um dos fonemas mais importantes de seu idioma nativo me surpreendeu. Palece que o esteleótipo de chineses falando que nem o Cebolinha tem seu glande fundo de veldade.


Publicado originalmente no Boca de Gafanhoto

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Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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