21/04/2007

La Barça



Algumas fotos da capital da Catalunya:



Gaudí, o arquiteto onipresente na cidade, saudando os visitantes na língua catalã. Em Barcelona não adianta saber espanhol. Todo mundo fala e entende, mas escrevem mesmo é em catalão: placas, cardápios, avisos, tudo no idioma do qual eles tanto têm orgulho. A língua segue uma receita básica: coloque partes iguais de francês e espanhol num liquidificador, adicione uma pitada de italiano e bata bem. Exemplo. "Saída" em espanhol é "salida". Em francês é "sortie". Em catalão, "sortida".



Mas as pichações têm que ser em espanhol, pra todo mundo entender.



Outras são bilíngues, ainda que não haja uma correspondência visível entre o texto em espanhol e o em inglês.



Um autêntico mendigo catalão.



Essa construção de Gaudí não é comestível, apesar das aparências.





Famoso lagartão do Parc Güell. Comprei um ímã de geladeira do bicho, coloquei na mochila e ele acabou quebrado em vários pedacinhos. Na mesma época, um punk bêbado atacou o lagartão do parque no meio da madrugada, destruindo a ponta do nariz e várias partes do corpo do bicho. Coincidência ou sinal do destino?



Crianças matam a sede bebendo a água destinada ao bicho.



Esculturas insólitas no terraço do La Pedrera...



... e a maquete do mesmo terraço.



A La Rambla é um calçadão de uns 2 quilômetros cheio de vendedores de bugigangas, souvenirs e homens-estátua tentando ganhar dinheiro sem mexer um músculo. Esse aí, por exemplo, veio diretamente dos Aventureiros do Bairro Proibido.



Enquanto não muda pro Milan, Ronaldinho Gaúcho passa o tempo tirando fotos na La Rambla.



Fidel agonizando em Cuba e seu companheiro Che na maior diversão, batendo papo com os transeuntes em frente ao Carrefour.



A namorada desse aí não queria vê-lo nem pintado de verde, mas ele insiste.



Uma coruja olhuda no topo dum prédio.



A Sagrada Família e suas torres maluconas.



The long and winding stairs da Sagrada Família.



"Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: 'Estou inocente do sangue deste justo.'" - Mateus, capítulo 27, versículo 24.

"Você lava as mãos antes ou depois? antes e depois? ou nem antes nem depois?" - Rogério Skylab, disco IV, faixa 11.



Vai um beijinho de Judas?



Diga trinta e três.



Pegaram esse aí pra cristo.



Centenas de palavras e frases em catalão. Destacadas aparecem: "Què és la veritat?" e "Jesús de Natzaret, rei dels jueus".



Uma igreja em obras, um malaco e um contra-plongée.

08/04/2007

04/04/2007

ABUNN – “BAGAGEm”

Mais um clipe caseiro do ABUNN.

“BAGAGEm” é uma canção instrumental que tem letra. Conta a história de Magda, uma pobre mulher brutalmente assassinada por um garoto cruel. Ao invés de voz, acordes: já que as notas musicais são comumente representadas por letras do alfabeto (dó = C, ré = D, lá menor = Am, etc), dá pra formar uma palavra com cada conjunto de acordes, como “GEADA” e “AmEBA”. Ou “BAGAGEm”:

03/04/2007

Another brick



Uns italianos me pararam no meio da rua querendo saber onde ficava “il Muro de Berlino”. Com um pouco mais de maldade, eu responderia: “Pega o próximo DeLorean e pede pra parar antes de 1989”. Mas fui bonzinho e instruí os caras a seguirem a linha vermelha no chão, porque realmente existem pedaços inteiros do muro que não deixam esquecer uma História tão infame quanto recente. Já os pedaços menores viraram souvenir nas lojinhas do gênero. Tem desde pedrinhas pequenas acopladas a cartões-postais até paredes imensas pra você enfeitar a sala de visitas, por apenas 3 mil euros. Pechincha!



Restos multicoloridos do Muro di Berlino.



Museu a céu aberto: uma exposição sobre a história do muro entremeada pelas ruínas do próprio.



Berliner Mauer 1961-1989. A linha vermelha-desbotada atravessa a cidade, indicando onde a tijolada esteve por vinte e oito anos.



Um pé em cada Berlim.



O maior pedaço original que vi pessoalmente, uns 200 metros de parede cinza. Acho que o maior mesmo tem uns dois quilômetros, mas tô no banzo de averiguar a informação.



Comovente recado no lado oriental do murão. “To Astrid: maybe someday we will be together”



Eu no Checkpoint Charlie, mais famoso ponto de passagem entre as duas Berlins. O lugar conta com um museu bacana, cheio de histórias das tentativas de fuga dos berlinenses, das bem-sucedidas às malfadadas. O checkpoint é Charlie não por causa de um Charles Qualquer Coisa, mas por ser o terceiro de uma lista batizada pelo código alfabético internacional: Alfa, Bravo, Charlie, Delta...



Este simpático homenzinho que habita os semáforos é o Ampelmann. O personagem, cujo nome quer dizer "homem do farol" em alemão, é um trabalhador comunista utilizado nos sinais de pedestres do lado russo de Berlim. Com a queda do muro, o governo começou a retirar todos os semáforos com o boneco, mas a população se revoltou, alegando que aquele era um símbolo da cidade, não podia ser abolido assim. Hoje em dia tá cheio de lojas do Ampelmann espalhadas por Berlim. Tem camiseta do Ampelmann, chaveirinho do Ampelmann, almofada do Ampelmann, boneco de pelúcia do Ampelmann, forma de gelo, plaquinha de banheiro, marcador de livro, luminária, holograma, o escambau. Olha a ironia: o ícone comunista agora é capitalista de carteirinha.



Foto torta do Portão de Brandemburgo, símbolo maior de Berlim.



Homem-estátua encarnando o soldado desconhecido perto do Portão.



Galera reunida em frente ao Brandemburg Tor, antes de começar o free tour. Funciona assim: o povo se junta em algum lugar e, por umas três ou quatro horas, sai a pé pela cidade seguindo um cara que explica detalhes e mais detalhes de tudo que você tá vendo. No final, cada um colabora com uma gorjetinha e todo mundo sai feliz. Esse free tour é especialmente interessante numa cidade como Berlim, cheia de coisa que pode passar batido, desde cenários históricos (“aqui na Bebelplatz os nazistas queimaram livros em 1933”) até trivialidades contemporâneas (“naquela janela ali o Michael Jackson pendurou o filho”). Um dos maiores exemplos taí na próxima foto.



Este pacato estacionamento residencial esconde em seu subsolo nada menos do que o bunker do Hitler. Foi aí embaixo que Adolfim casou, mudou, não nos convidou e se suicidou, como devidamente retratado no filme “A Queda!”. O pessoal ficou com medo do lugar se tornar um centro de peregrinação de neonazistas e destruiu todas as instalações lá embaixo. Hoje, só restou esse gramado onde os transeuntes levam seus cãezinhos pra fazer cocô.



Generator, o pequeno albergue onde fiquei em Berlim.



Vista do topo da cúpula de vidro do Reichstag, o prédio do parlamento alemão. Os engravatados lá embaixo são os parlamentares trabalhando. Tem todo um simbolismo da população vigiando os políticos.



Uma torre de espelhos no teto do Reichstag.



Primeira tentativa de me fotografar na torre de espelhos...



... e a segunda. Já me preparava pra tentar uma terceira vez quando veio uma mulher e me interrompeu.

- Gostaria de pedir que você deixasse o prédio, por favor.
- Mas por quê? – perguntei, já imaginando um preconceito contra minha cara de árabe.
- Porque é uma emergência.

Olhei em volta e vi que todos os visitantes do Reichstag guardavam as câmeras, fechavam os livretos explicativos e rumavam ao elevador. Fui atrás. Nisso chegou um cara e avisou que era pra descer pela escada de emergência. E eu lá especulando: “Bom, depois de Nova York, Madrid, Londres... Berlim seria um alvo provável, não?”

Chegamos ao saguão principal. Fiquei procurando alguma fumacinha, um tic-tac de bomba, um cheiro de enxofre. E as portas trancadas. Um bando de pessoas paradas no saguão do Reichstag sem poder sair, enquanto os políticos lá dentro continuavam discursando e deliberando. Um funcionário do lugar me explicou a situação: “Acharam algum tipo de gás no prédio, e não podemos deixar vocês saírem enquanto não descobrimos o que é”. Que beleza, hein?

Meia hora depois, abriram as portas. O céu azulzim de horas atrás agora dava lugar a uma chuva estranha, que não molhava direito. Os berlinenses fechavam barraquinhas e abriam guarda-chuvas. Perguntei pra um:

- Com licença... isso é neve?
- É, ué – respondeu, entediado.
- Que doido!

E lá foi o bocó de Minas Gerais pelas ruas, tirando fotos da neve caindo, achando tudo um barato.

30/03/2007

Amsterdamned

Uma desova de fotos da capital holandesa.



O maior desafio em Amsterdam é tirar foto de paisagem sem que apareça uma bicicleta.



Fachada de uma das lojas do Bulldog, rede de coffee-shops que não vende só cafés. Como se fosse um "BeckDonald's". Lá dentro também funciona uma boate, onde presenciei uma das cenas mais avulsas da viagem. Estava eu com uma turma de sicilianos ouvindo aquelas músicas que tocam em qualquer lugar do mundo, quando começa um tecladinho familiar. Nisso entra a vocalista: "Choooooorando se foi... quem um dia só me fez chorar...".



Uma esmola pelo amor de Deus! Uma esmola, meu, por caridade!



Enquanto as meretrizes escondem-se atrás das vitrines, as estátuas se pegam no meio da rua.



Show com as Electroputas. Provavelmente em versão plugged, unplugged, plugged, unplugged...



Simpático fungo recepcionando os clientes da loja "Magic Mushrooms".



Vai um “cafezinho”?



Tia Marylin se diverte com o vento.



Isso é que é motivo de orgulho: “first sexshop in the Red Light District!”



Quem não quer só perdição pode passar uma tarde cultural nos museus da cidade.

29/03/2007

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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