23/06/2005

Sou eu, assim sem você...



Alguém me responda: por que tem gente que vai em restaurantes japoneses e não colocam raiz forte no sushi? Tenho observado tal fenômeno com espanto, e é cada vez maior o número de pessoam que se recusam a colocar a massinha verde na comida, com a desculpa de que "é ruim". Ruim? É como vi outro dia num vidro de Habanero, uma red hot chili peppers daquelas bem hot mesmo: "You´ll love it so much that you just might cry".

Qual será a próxima moda? Pizza sem orégano? Pipoca sem sal? Coca-cola sem rum?

21/06/2005

So long and thanks for all the fish!



Fim de semana pra manter as esperanças no cinemão roliudiano. Sábado assisti a um filme novo que lançaram por aí, sobre um órfão metido a lutador que usa seus supermilhões de dólares para combater o crime vestido como numa festa de Dia das Bruxas. Finalmente fizeram direito. O protagonista não tem barriga de chopp, não exibe seus mamilos, nem é loiro ou meio-careca, como em versões anteriores do personagem. Talvez (eu disse talvez) o filme peque por excesso de vilões: temos o psicólogo que provoca medo na galera, o terrorista internacional e o mafioso que manda na cidade, sem falar nos bandidos pé-de-chinelo, como o assaltante que mata os pais do tal supermilionário na frente do pobre garotinho. Apesar dos apelos do mordomo piadista, ele dá uma de mochileiro e sai pelo mundo pra aprender a bater na galera, e de quebra descobrir como controlar seus medos, sua culpa, e o que mais vier de brinde. Quando volta e põe suas asinhas (digo, asonas) de fora, dá pena da pivetada, porque o cara é foda e até sua voz rouca contribui pra arrepiar os malfeitores. Sem falar nos espantosos apetrechos e no tanque de guerra que ele usa como carro, destruindo viaturas e telhados sem misericórdia. Enfim, como deve ser. Aguardo ansiosamente pelo segundo, ainda mais se o antagonista for mesmo o que sugere o final do filme.

A outra película que assisti chama-se O Guia do Mochileiro das Galáxias e me fez dar gargalhadas no domingo à noite, coisa que não acontecia desde os saudosos tempos de Sai de Baixo. Da abertura hilária com a música que dá título a este post, e cuja MP3 já está em meus arquivos computadorianos, à piadinha final após os créditos (que só meia dúzia de pessoas na sala assistiu), é humor non-sense da melhor qualidade. Claro que não é pra todo mundo, como não o são as tiras do Perry Bible Fellowship que apresentei a vós num de meus posts passados. Dizem que lembra Monty Python. Shame on me: nunca assisti a um filme do grupo inglês pra poder dizer. Mas me diverti bastante com a arma do ponto de vista, os bonecos de lã, os poemas vogons, e se você não acha absurdo uma baleia despencando do céu enquanto divaga sobre o nome das coisas, assista e divirta-se você também.

Bônus track para quem já viu o filme: vá no Google e digite answer to life, the universe and everything, assim mesmo, sem aspas e tudo em letras minúsculas. Até mais, e obrigado pelos peixes.

08/06/2005

Alice no país dos espelhos



?ál rop apos odnad somordnílap snu ortnocne oãn ebas meuq, mmH. é ossi, osoiruc é euq sam, oçort orp acitárp oãçacilpa amu irbocsed oãn adniA. ratisiv arp iuqa euqilC. oirártnoc oa elgooG o É. googlE o uortsom son osson ageloc mu, edadlucaf ad acitámrofni ed oirótarobal on, ejoH.

06/06/2005

Dia frio no sol



O Napster morreu, o AudioGalaxy já era, o Kazaa e o e-Donkey não prestam mais. Quem manda agora é o Bit Lord e sua legião de torrents. Quem não conhece procure no Google que estou com preguiça de explicar, mas, resumindo, é uma maneira ainda mais fácil de economizar dinheiro, grana, bufunfa, verdinha, din-din, com disquinhos que custam os ovos da cara, já dizia Magda Antibes. Mais legal ainda é baixar álbuns que ainda nem foram oficialmente lançados no mercado. Por exemplo, semana passada peguei o novo do Oasis, Don´t Believe The Truth. É até interessante, mas convenhamos, Oasis já teve dias melhores. Peguei também o novo do White Stripes, Get Me Behind Satan. É aquela história, parece mais um monte de músicas não finalizadas, uma demo que ainda precisa de retoques nos arranjos, um contra-baixo e, quem sabe, um baterista de verdade.

Já o novo do Foo Fighters, In Your Honor, é realmente um bom disco. Aliás, dois. O primeiro cd é o das músicas pesadas e elétricas, e o segundo das acústicas e calminhas. Breve top 5 das que estou mais gostando no momento:

- No Way Back
- DOA
- End Over End
- Virginia Moon - essa, uma bossa nova (!!) com a participação da Norah Jones (!!)
- Cold Day In The Sun - essa é cantada pelo baterista, que aliás está pra lançar um projeto solo... alguém já viu uma história parecida antes?

01/06/2005

Maio...



...já está no final. Pra variar, passou depressa, e o mundo continua louco. Uma menina de 9 anos foi acusada de matar uma colega de 11 a facadas, durante uma briga por causa de uma bola. Outro Darth Vader, em outra cidade americana, roubou pizza de um entregador. Lord Ratzinger, vulgo Papa, iniciou o processo de beatificação de Jotapê Segundo. Mas já? Um cara nos Estados Unidos afirmou que Jim Morrisson está vivo e passa bem. O que será que ele tá achando dessa volta do The Doors? Enquanto isso, centenas de pessoas já deram dicas pra polícia inglesa sobre a identidade do homem do piano, mas ele só quer saber de dó ré mi e não parece disposto a ajudar. Pelo menos, George Lucas aprovou (finalmente!) o roteiro de Indiana Jones IV, e o novo disco do Foo Fighters, duplo, está pra ser lançado por esses dias, já escutei algumas músicas pela internet afora e parece que vai ser bacana. Melhor que o último, tomara, porque até o Dave Grohl já declarou que odeia boa parte das músicas do One By One. Mundo louco, mundo louco. Mês que vem eu volto, e espero que já tenha tirado essa música do Kid Abelha da cabeça... Maio... já está no final...

25/05/2005

Extra! Extra! Read all about it!



Chuva incessante em São Paulo? Denúncias de corrupção? O julgamento do Michael Jackson? As cuecas do Saddam? Nada disso. As notícias mais interessantes dos últimos dias não estão nas capas de revistas ou na chamada do Jornal Nacional, mas escritas em letras miúdas por aí, basta procurar.

Por exemplo. Ontem um homem com uma máscara de Darth Vader assaltou a bilheteria de um cinema numa cidade estadunidense. A polícia informou que ele entrou no local, empurrou um funcionário e fugiu com todo o dinheiro da bilheteria. O jornalista engraçadinho que escreveu a matéria (que você pode ler aqui) disse ainda que o ladrão não chegou a usar nenhuma arma no assalto, nem um sabre de luz. O nome da cidade? Springfield. Isso mesmo, Springfield. Aposto cinqüenta centavos como tem o dedo do Bart Simpson nessa história absurda.

Mais interessante ainda é a notícia que rendeu apenas uma notinha na Veja, mas tem assunto para um ótimo filme. Trata-se do misterioso "homem do piano" que apareceu na Inglaterra. Você pode ler aqui e aqui, mas sei que são preguiçosos, então eu resumo: mês passado encontraram um jovem, vinte e poucos anos, andando sem rumo numa praia inglesa. Usava terno e gravata e estava completamente encharcado, além de não pronunciar uma palavra sequer. Pra completar, todas as peças de sua roupa estavam sem etiquetas, impossibilitando, assim, descobrir alguma pista sobre sua origem. Levaram o sujeito prum hospital psiquiátrico e deram a ele papel e caneta, na esperança de que pudesse escrever seu nome. Em vez disso, ele desenhou uma bandeira vagamente parecida com a da Suécia e um piano de cauda perfeito, inclusive com detalhes minuciosos de seu interior. Daí botaram um piano na frente do cara e ele começou a tocar, e tocar, e tocar. Interpretou o Lago dos Cisnes, de Tchaikovski, e outras peças que parecem ser composições próprias, melancólicas e introspectivas. Isso foi há mais de um mês, e até hoje ele não disse uma palavra, e continua tocando diariamente, com grande virtuosismo. Alguns dizem que parece estar compondo. Daqui a pouco alguém coloca as mp3 no Kazaa.

Muitas hipóteses surgem quando lemos uma notícia dessas: seria o homem um espião, como no filme A Identidade Bourne, que sofreu amnésia e só se lembra de como tocar piano? Ou estaria ele são e lúcido, fingindo-se de desmemoriado só para colher dados valiosos do hospital psiquiátrico? Teria ele vindo dum futuro distante no qual todas as línguas do presente já estão extintas, e a música é o meio de comunicação mais eficaz? Seria ele o último habitante de Atlântida, vindo do fundo do mar pra divulgar a música atlante pelo continente? Ou estaria apenas fazendo hora com a cara das autoridades pra aparecer nos jornais?

Sei lá. Talvez o Darth Vader do cinema tenha alguma resposta.

17/05/2005

Vim te buscar...



Semana passada li um livrinho rápido, nem duzentas páginas, de um dos meus escritores preferidos, Gabriel Garcia Márquez. Chama-se Crônica de uma Morte Anunciada e conta a história de Santiago Nasar, jovem de vinte e poucos anos, que acorda certo dia já marcado para morrer. Nós leitores sabemos disso, e todos os personagens da história também sabem disso. Na verdade, o próprio Santiago é o único que desconhece a existência de dois assassinos com facões de matar porco esperando para tirarem suas tripas pra fora, e o livro gira em torno disso, dessa angústia de conhecermos o triste destino de Santiago Nasar e nada podermos fazer.

Ontem fui assistir o ótimo A Queda! - As Últimas Horas de Hitler. A reconstituição dos derradeiros dias do Terceiro Reich está fantástica. Destaque para os chiliques do Adolfinho e para a quase insanidade de Eva Braun, querendo dançar e dançar enquanto a cidade está que é só explosão. Embora se extenda no final além do que devia, o retrato que o filme faz do fim do ditador quase leva a crer que estamos assistindo a um "Big Brother Nazismo", de tão real que é. Está tudo lá, do último aniversário à sua morte dez dias depois, passando pela rápida cerimônia de casamento às vésperas do suicídio. Algo assim como uma "Paixão de Hitler", como disse meu amigo Bernardo Silveira, demonstrando um macabro senso de humor. Ou seja, o filme nada mais é do que a crônica de uma morte já anunciada, no título inclusive.

Pretendo retomar agora a leitura do livro do dotô Dráuzio Varella, Por Um Fio, que parei no meio. O médico do Fantástico conta várias histórias sobre doentes terminais, quase todos no fim de seus dias, padecendo de doenças incuráveis. Ou seja, as várias histórias nada mais são que crônicas de mortes praticamente anunciadas.

Essa semana estréia o último filme da série Star Wars, já estão todos cansados de saber. Após dois filmes de enrolação, finalmente poderemos ver o jovem Anakin endoidar de vez e se transformar nele, o inigualável, o inimitável, com vocês, el macacaraio, digo, Darth Vader, desculpem se me excedi na citação. O fato é que titio Darth, como já é sabido desde o início dos tempos, numa galáxia muito, muito distante, vai matar quase todos os jedis até sobrar só dois pra contar a história. Ou seja... sim, isso mesmo, um monte de mortes anunciadas.

Daí eu pergunto: puxa vida, cadê uma Agatha Christie ou um Hitchcock pra nos brindar com um assassinato surpresa, uma morte que não seja anunciada?

10/05/2005

O sonho da casa própria



O druida tem uma nova pocilga. Nada muito refinado, pois pocilga é pocilga, está lá no Aurelião, "casa ou lugar imundo". O primeiro capítulo continua aqui no bISELHO, afinal foi cá que tudo começou. Os outros poderão ser lidos periodicamente (ou seja, sempre que me der na telha eu escrevo algum capítulo novo) no blog exclusivo do Druida da Pocilga. O motivo da mudança é simples, não queria congestionar este blog de assuntos genéricos com uma história em trocentas partes, que depende de leitura seqüencial para que não se perca o fio da meada. Imaginem daqui a alguns meses, fulano entra aqui e vê "Druida da Pocilga - Capítulo CLXVIII", não vai entender lhufas. Evitemos tal constrangimento, então. Druida, agora, só na sua própria pocilga.

05/05/2005

Pegando o bonde andando



Momento revolta. A Prefeitura de Beagá anunciou a volta do bondinho na cidade. Serão duas estações e alguns pontos de parada entre o Museu Abílio Barreto e o Mercado Central. Tá bom, agora me fala: vai ser bondinho estilo Pão de Açúcar, cruzando os céus da cidade? Porque pelo amor de Deus, arranjar jeito de atrapalhar ainda mais o trânsito horroroso de Belo Horizonte é fogo. E o pior: vão ser gastos 2 milhões de reais com o projeto. Dois milhões para um veículo que anda a 40 quilômetros por hora. Era realmente o que a gente precisava.

Momento revolta 2. Essa me deixou mais puto ainda. A mesma Prefeitura tomou a brilhante decisão de retirar todos os tabuleiros de damas da Praça Sete. A medida faz parte do projeto de revitalização da praça. Tiraram os camelôs (digo, remanejaram pro Oiapoque, Tupinambás, Xavante e quejandos), tiraram os engraxates e agora proibiram os tabuleiros de damas. A reportagem que passou agora há pouco no MGTV foi comovente: velhinhos que há 30 anos se reuniam diariamente pra jogar damas chegando desolados à praça. Chega a ser engraçado: dão um espaço para os ambulantes venderem seus cds falsificados e seus produtos contrabandeados mas proibem velhinhos de jogar damas. Afinal, o perigo que eles representam à sociedade é enorme, não é mesmo?

Bom, ao menos eles vão poder matar a saudade dos velhos tempos andando de bonde.

03/05/2005

O DRUIDA DA POCILGA

Capítulo I - A declaração



Antigamente eu ouvia a palavra "druida" e lembrava na hora do Panoramix. Sabe, aquele mago que fazia a poção mágica nas histórias do Asterix. Era um velho de barbas brancas. Bom, qual mago não é um velho de barbas brancas? Do Merlin ao Papai Noel, assim são todos. Deve ser uma espécie de exigência para o cargo. O aprendiz de feiticeiro ainda não fez seu primeiro bigode, o bruxo já cultiva um cavanhaquezinho, e o mago ostenta uma invejável barba branca. Quase uma lei universal.

Eu nem lembrava mais do Panoramix até poucos minutos atrás, quando comecei o parágrafo anterior. É que hoje em dia, depois de tanto tempo convivendo com o Druida da Pocilga, como é que vão falar "druida" e eu vou pensar em história em quadrinho?

Druida da Pocilga. Sim, é mesmo um nome estranho. Alguns o chamavam de Profeta dos Farrapos, fazendo referência não à guerra que aconteceu na terra do chimarrão, mas à precária vestimenta que ele usava. Também já vi gente falando Conselheiro Sujo e Venerável Traste. Alguns passavam horas procurando no dicionário pseudônimos insólitos pro cara. Mas "Druida da Pocilga" era, sem dúvida, o que tinha mais apelo, e foi o nome que pegou.

A primeira vez que ouvi falar do Druida foi numa sexta-feira, em meio à tradicional confraternização no boteco perto da faculdade. Já passava das quatro da tarde e estávamos todos meio alterados pelo halterocopismo praticado desde as onze horas. Àquela altura, a maioria já tinha ido embora. Só tinha sobrado eu, Farsante, Samba e a Margarete. Os quatro sem assunto, no melhor estilo "será que chove hoje?". Lá do balcão, ouvimos o grito do garçom pra gente: mais uma aí? Olhei pros outros, declarei que minha carteira tava quase vazia, final de mês é foda. O Samba disse a mesma coisa. Só o Farsante tava afim de beber mais, mas aí falou que bancava a saideira, e bom, se ele ia pagar, que bebêssemos. A Margarete, no entanto, se despediu da gente e foi embora antes do garçom trazer a garrafa. Aliás não perdeu nada, porque a cerveja tava quente pra caramba e até me deu um certo enjôo depois de tanta cevada ingerida.

Enfim. Assim que a Margarete virou as costas, o Samba deu o primeiro gole na cerveja e disse sorrindo: Ah... delícia... Na hora pensei, ele só pode estar bêbado mesmo, pra elogiar uma porcaria dessas, mas aí percebi que ele falava era da Margarete e concordei, essa delícia é mesmo uma menina, algo nesse sentido, já estava embolando tudo. Foi quando os olhos do Farsante brilharam. Eu nunca tinha visto os olhos dele brilhando antes. Mas naquela hora brilharam, juro. E ouvi dele a seguinte frase:

- O Druida disse que a minha primeira filha vai ser com ela.

Ora bolas, ele era o Farsante, o maior inventor de lorotas da faculdade. Qualquer um o ignoraria e continuaria saboreando a cerveja quente. Mas eu não encarei aquela declaração dele com o desprezo habitual, mas com curiosidade. Porque ele não tinha dito "A minha primeira filha vai ser com ela", o que seria um simples devaneio, um sonho expressado em voz alta. Ele mencionou um druida, que tinha falado aquilo com ele.

Daí foi a coisa mais estranha. Na mesma hora, quando perguntei "Que druida?", tanto o Farsante quanto o Samba pararam com os copos no ar. Não só os copos ficaram paralisados: um gole de cerveja chegou a empacar na garganta do Farsante, algo raro de se ver por aí. O Samba, que teve a sorte de engolir antes que eu fizesse a fatídica pergunta, foi quem primeiro conseguiu falar alguma coisa.

- Agora deu samba - disse, praticamente em pânico.

Leia o resto da história periodicamente em O Druida da Pocilga.

Prosdócimo



Não acredito que demorei quase um ano de Orkut pra descobrir, só hoje, que existe uma comunidade chamada "Eu adoro palavras engraçadas". Bom, desnecessário dizer que este que vos escreve também adora palavras engraçadas. A começar pelo nome do blog.

A descrição da comunidade é uma pérola. Escreveu a menina que criou: "Tipo, naquela aula chatíssima de história... blablabla sobre a Revolução Russa e de repente... surgem a PERESTRÓICA e a GLASNOST!". Sim, historiadores, a frase contém um erro histórico quase grotesco (outra palavra engraçada), mas vocês hão de concordar comigo que "perestróica" é um primor do humor involuntário. Glasnost me lembra muito Glasslite, lembram da Glasslite? E a Prosdócimo? Quer nome de marca mais engraçado que "Prosdócimo"?

Eu mesmo tinha uma lista de palavras que eu achava dignas de uma risada. Deve estar jogada por aí, mas lembro que continha coisas estapafúrdias como hipopótamo, peteca, pantufa, pororoca, serelepe. Mameluco e silepse também merecem um lugar de honra, assim como nauseabundo e balaústre. Há um tempo atrás eu gargalhava só de ouvir alguém falar "patife". Uma vez eu e meu primo fizemos um filme usando antigos bonequinhos do Batman. Uma das falas, do Batman para um capanga do Coringa (capanga... aí mais outra), era mais ou menos assim:

- Vou te arrebentar, seu patife!

Eu voltava a fita e assistia a mesma cena três, quatro vezes, só pra ouvir o Batman falando "patife".

Outro dia eu tava na aula conversando com o colega e me lembrei de mais dois vocábulos hilários: "pocilga" e "druida". Em pouco tempo já tinha criado um novíssimo personagem, o Druida da Pocilga, que seria um velhinho molambento que vive no porão de um açougue, no centro de uma grande cidade, e vive de dar conselhos a quem quer que necessite. Algo assim como um mendigo cheio de sabedoria. Um dia começo a postar suas histórias aqui, apesar de nem ter ainda terminado o capítulo um. Sei lá, às vezes a história cresce, e de uma simples brincadeira besta de sala de aula vira uma grande saga, uma gigantesca epopéia.

Epopéia... acho que vou anotar essa...

28/04/2005

Vernon! I`m falling!



Uma vez eu tava numa feira de quadrinhos e tava tendo uma palestra com a Chantal, a criadora da tira "Juventude", que sai no Estado de Minas. Daí chamaram o Lacarmélio de Araújo, que tava assistindo meio de gaiato, para uma participaçal especião. Quem mora em Belo Horizonte provavelmente já viu o Lacarmélio em alguma avenida, só não está ligando o (estranho) nome à pessoa. Ele é o cara que escreve e desenha as revistinhas do Celton, cujas histórias sempre têm Beagá como cenário, e depois sai perambulando pelas ruas sem camisa, munido apenas de uma sacola com as revistas e uma placa gigantesca onde ele explica que não está vendendo bala Chita ou caixinhas de Trident, mas histórias em quadrinhos. O fato é que o Celton, ou Lacarmélio, disse nesta pseudo-palestra que admirava a Chantal porque ela conseguia fazer tirinhas.

Bom. Particularmente, não admiro muito a Chantal. Já li trocentas tiras dela no Estado de Minas e em apenas uma lembro de ter esboçado algo que se assemelhasse a um sorriso.

Mas concordo com o Lacarmélio quando ele diz que é difícil fazer tirinhas. São apenas dois ou três quadrinhos pra contar uma história completa, e o risco do negócio ficar sem graça ou sem sentido é enorme. São poucos os bens sucedidos. As do Charlie Brown (o Sênior, não o Júnior) costumam ser boas. Calvin e Haroldo também, Mafalda idem. Nas revistinhas da turma da Mônica, muitas vezes aquela tirinha que fecha a edição é melhor que a revista inteira. E recentemente descobri um site repleto de tirinhas bem interessantes, atualizadas todo domingo, acho. Chama-se "The Perry Bible Fellowship", e são todas escritas e desenhadas por um sujeito chamado Nicholas Gurewitch. A maioria se passa num universo surrealíssimo, como esse do martelo e da chave de fenda aí em cima. Muitas tem pitadas de humor negro, nem sempre muito sutis. Não é pra todo mundo. Se você gargalhou até cair com a peça "Como Sobreviver em Bailes e Recepções com Bufê Escasso", por exemplo, este não deve ser seu estilo de humor. Quem se interessar, o site com todas as tiras é este aqui. De brinde, aí vai mais uma:

25/04/2005

Prompt



1992 foi o ano das Olimpíadas de Barcelona, do impeachment do Collor e também o ano em que chegou lá em casa o nosso primeiro computador. Eu tinha 7 anos e fiquei maravilhado: era um 386, monitor preto & branco, e uma velocidade impressionante de 17 megahertz. Antes que você ria de um computador tão lerdo, informo: apertando o "turbo" ele aumentava para assombrosos 25 megahertz. Sim, eu sou da época em que o botão "turbo" ainda existia.

Saudosos tempos aqueles. Eu passava horas desenhando no Paintbrush, escrevendo no Write e usando o DOS, em que você tinha que digitar "win" no prompt (lembra do prompt?) para entrar no Windos, que na época era o 3.1. Os joguinhos eram outra coisa fantástica. Um dos meus preferidos era o Prince of Persia, que nunca consegui zerar do jeito honesto, só fazendo mutreta mesmo pra chegar à última fase. Lembro um dia que meu pai chegou do trabalho e trouxe um disquete com dois jogos: Gorilla e Nibbles. Gorilla era um que tinha dois macacões, cada um controlado por um jogador, um em cada canto da tela. O objetivo era tacar uma banana explosiva e acertar em cheio na cabeça do adversário. Para tanto, você tinha que informar a velocidade da bananada e o ângulo de inclinação do tiro. Imaginem uma criança de 7 anos digitando o ângulo de inclinação. Eu ficava encucado, sem saber o porquê do computador não aceitar um número maior que 360. Já o Nibbles era nada menos que o ancestral do Snake (ou Serpente, ou "Cobrinha") dos celulares, só que em vez de simples pontinhos você tinha que pegar números, um de cada vez, e sempre que chegava no 9 mudava de fase. Muito bom, muito bom.

Esse computador pré-histórico teve seu fim em 1996, quando meu pai vendeu pra algum maluco que quis comprar um 386, já que na época o bambambam do mercado era o Pentium de 100 megahertz, com kit multimídia. Demorou mais de dois anos para que comprássemos outro, e dessa vez, claro, com um monitor colorido, meu sonho nos tempos de Paintbrush. Era um Pentium II com um disco rígido imenso, de 8 gigabytes. Tá certo, até os celulares de hoje em dia têm mais memória, mas não ria. Foi com esse computador que escrevi todos os posts do bISELHO até esse aqui, que digito num Pentium IV com pouco mais de uma hora de uso. Agora tenho 80 gigas livres para encher de porcaria, uma velocidade de 2.4 gigahertz (pra quem começou com 17, até que tá bom) e outras configurações que certamente serão motivo de desprezo e chacota daqui a dez anos. O treco só é meio barulhento, parece um aspirador de pó, de resto tá uma beleza.

Mas sei lá. Acho que vou instalar o Prince of Persia.

19/04/2005

Será o Benedito?



Primeiro, George W. Bush é eleito Presidente dos Estados Unidos da América pela segunda vez.

Depois, um cara do naipe do Severino Cavalcanti vira Presidente da Câmara.

Agora, a turma do Vaticano passa pouco mais de um dia trancado na Capela Sistina e escolhe quem como o novo Papa? Joseph Ratzinger, o alemão das olheiras profundas e cara de mau. É um absurdo. Com tanto italiano boa-praça por lá, que poderia fazer alguma coisa realmente positiva para o mundo, botam um sujeito conservador e moralista ao cubo, que vai continuar combatendo os métodos anticoncepcionais enquanto a África morre de AIDS, entre outras atitudes altruístas como essa.

Como se não bastasse, Chorão, depois de ser abandonado por simplesmente todos os integrantes do Charlie Brown Jr, juntou uma nova corja pra tocar com ele.

É, meus amigos. Estamos perdidos.

17/04/2005

Um texto bem diferente


Escrevi este post sem o emprego do conhecido símbolo que precede o "B". Você pode dizer: "por quê?", e eu lhe respondo que nem sei o motivo certo. Possivelmente quis pôr em teste meus próprios limites como escritor. Ou descobrir se este referido símbolo é mesmo imprescindível como dizem.

Bom, pode ser imprescindível, sim, dependendo do volume de texto que é preciso ser escrito. Porém, num pequeno texto de blog como esse, é somente difícil. Em muitos momentos tenho que me servir do livro conhecido como o genitor dos burros, por exemplo. Pelo menos, disponho deste livro em meio eletrônico, sendo seu uso muito menos lento do que em celulose.

Mesmo difícil, é um exercício bem curioso, esse. Requer tempo, pois é preciso escrever e reescrever muito, sem que reste nenhum vestígio do símbolo excluído. Meu próximo projeto é escrever o célebre conto dos Três Porquinhos e do cruel Lobo que os perseguiu, do mesmo jeito que este texto, omitindo o mesmo símbolo que omiti. Tenho uns trechos prontos, como o que diz que o terceiro porquinho, bem menos preguiçoso que os outros dois, vive num pequeno edifício que construiu com tijolos e pedregulhos, e vive feliz e orgulhoso de seu feito. Porém seu sorriso por vezes some, obscurecido pelo medo que sente desse lobo perverso, cujo único objetivo é engolir os leitõezinhos, degluti-los por inteiro, os pobrezinhos.

O fim todo mundo conhece: o Lobo foge, vencido, e os porquinhos vivem felizes por todo o sempre. O texto, mesmo, eu termino depois. Outro projeto incompleto, podem dizer certos conhecidos meus. Pros que crêem em mim, informo: esperem por outros posts no bISELHO, sem E, I, O e U. Um por vez, é óbvio. Prq fc prtcmnt mpssvl scrvr sm nnhm vgl, se é que vocês me entendem.


Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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