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28/05/2007

A diva, a dívida, a vida



Não sei se eu já escrevi isso aqui, mas o que me fez interromper minha frenética criação de palíndromos foi perceber que palíndromos não se criam - se descobrem. Diferentemente de um poema, por exemplo, que pode usar sem restrições todo o vocabulário do idioma, palíndromos são pura matemática, precisam de uma simetria perfeita e exata, e com isso podem ser gerados até por programas de computador (táqui um exemplo). Por isso, mesmo que você se vanglorie de ter inventado um palíndromo inédito e extraordinário, é só questão de tempo até que alguém faça um igual.

Prova disso é a música "Bob", do Weird Al Yankovic. Paródia de uma canção do Bob Dylan, a versão do Weird Al utiliza a simetria em todos os versos e faz uso daquele que era um de meus maiores orgulhos, "Lonely Tylenol". Confira primeiro o clipe original do Dylan, depois assista à sátira palindrômica aqui.

05/06/2004

Lonely Tylenol



Há uns dois anos, li um texto de um cara que tinha escrito um livro sobre palíndromos (frases simétricas, a mais conhecida é "Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos"). O livro chama-se "Tucano na CUT" e, além da história completa dessas frasesinhas, tem uma lista de palíndromos, tanto famosos quanto feitos pelo próprio autor. Na época, fiquei imaginando se seria mesmo fácil criar palíndromos e, um ano e meio depois, mais ou menos, ao ler o texto novamente, resolvi tentar, mesmo que nunca conseguisse fazer algo do nível de "Me vê se a panela da moça é de aço, Madalena Paes, e vem", meu preferido.

Minha primeira tentativa não foi muito brilhante: "Soni, hoje vejo hinos". Mas, naquela mesma noite de domingo, e nos dias seguintes, fiz alguns outros que me deixaram orgulhoso. Os melhores:

"A Margarita atira grama"
"Lonely Tylenol"
"Ai! A boca da cobaia!"
"Lá na cabana, bacanal"
"E ela tira Rita Lee"

O processo que uso é bem simples: fico escrevendo palavras ao acaso, normal e depois invertidas. Quando noto algo interessante, tento desenvolver. O da Margarita surgiu assim. Li no Guia dos Curiosos Língua Portuguesa a palavra "Margarita", inverti e deu "Atiragram", e aí foi questão de segundos. Infelizmente, a produção inicial caiu muito nos últimos meses, mas já consegui discípulos: minha colega de sala Ariane, no começo desse ano, chegou com uma lista de palíndromos feitos por ela em uma tarde. "É torresmo com serrote!" foi um deles.

Meu projeto futuro é fazer um livro de fotos representando os palíndromos que fiz (a imagem acima é uma amostra da idéia que tenho). Enquanto minha produção palindrômica não volta aos bons tempos e não entendo lhufas de fotografia, pretendo criar um fotolog nos próximos meses, com foto-palíndromos com frases minhas e palíndromos famosos. Só não decidi ainda se coloco como nome do site "Lonely Tylenol" ou "Pivete VIP". Pensando bem, vou pensar numa terceira opção.

04/04/2004

04/04/04

Hoje é um dia especial. Além de ser o aniversário de Hugo "Agente Smith" Weaving e o dia em que John Lennon lançou o compacto de "Stand By Me", lá pelos idos de 1977, é o único dia do ano em que o dia é igual ao mês que é igual ao ano e assim por diante. Ainda em abril teremos algo semelhante, no dia 20/04/2004. Não se esqueça de guardar um champanhe para abrir às 20h 04min.

Acham que estou brincando? Há pouco mais de dois anos, às 20:02 do dia 20/02/2002, passou até reportagem no Jornal Nacional, apresentando ao público leigo as já tradicionais capicuas, a.k.a. palíndromos numéricos. Um barato. Lembro quando eu estava na primeira série, 02/02/92, imaginando como seria legal escrever no caderno 09/09/99. Sete anos depois, eu já na oitava série, não esqueci a promessa e dediquei quase meia página à data.

Chegará uma época em que esses fenônemos tão intrigantes quanto inúteis não ocorrerão mais com tanta freqüência. Não pode haver, por exemplo, um 13/13/2013, a não ser que algum ditador megalomaníaco domine o mundo e obrigue a criarem mais um mês com o seu nome depois de dezembro. Pouco provável. Enquanto isso, não se desespere se não puder comemorar devidamente a capicua calendárica de hoje. Daqui a um ano, um mês e um dia tem mais.

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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