23/05/2006

Salve Salvador! Parte II

Fitas & fittas - Faz o primeiro pedido. Pronto? Agora faz o segundo. Pronto? Agora o terceiro. Era vapt vupt, zás-trás, sem chance de recusar. Mal pusemos os pés nas pedregosas ruas do Pelourinho, debaixo do pé d´água já esperado, e imediatamente fomos abordados por quatro vendedores de penduricalhos. Todo lugar era a mesma marcação cerrada, amigo, amigo, um colar de presente pra você, agora leva esse aqui baratinho, mas no Pelourinho viramos alvo preferido da galera, com essa nossa cara de tudo menos de baiano. E assim, sem que sequer pudéssemos matutar melhor acerca dos famosos três pedidos, vimos nossos pulsos receberem coloridas fitinhas do Senhor do Bonfim. Duas semanas depois, a minha permanece atada ao meu braço. Decidi deixar pra ver quando é que apodrece. As perspectivas não são animadoras: andei fuçando orkut afora em comunidades como “eu uso fitinha do Bonfim!”, e, pelo que pude averiguar, a vida média desses pedaços de pano costuma ultrapassar dois anos. Bom, pelo menos foi de graça... (como se doesse o bolso levar 14 por um real) ¡Ola amigos! Constatação da viagem: mineiros são gringos em terra de baianos. Tudo bem, era óbvio que por baiano a gente não ia conseguir passar mesmo, branquelos daquele jeito, curtindo praia na chuva, entrando no mar aos pulos desengonçados. Agora... espanhóis? Sim, eles achavam que éramos espanhóis. De início achamos que fosse apenas por causa do Leandro, de cabelo arrepiado e usando a camisa do Barcelona. “Ronaldinho, cuando vienes rogar aqui en el Brassil?”, zoavam os moleques. Mas quando, sozinho, recebi um “Buenas tardes” de um vendedor, é que percebi o quanto parecíamos deslocados. Às vezes a gente entrava no clima: - Amigo! Tienes un cigarete? - No tengo, no tengo! Noutras, principalmente na hora de pechinchar, fazíamos questão de afirmar nossa brasilidade. Dependendo do choro, o preço pra brasileiro podia chegar a um quarto do valor pros gringos. Teve um vendedor engraçado que nos viu de longe e já veio portunholizando pra cima da gente. - Pó falar português, aqui é tudo brasileiro – esclarecemos. - Cariocas? - Não, mineiros. - Ah, então desculpa a ofensa. Um velho calção de banho... É bom Passar uma tarde em Itapoã Nadar no mar de Itapoã Cheio de pedra em Itapoã Pisar na lama em Itapoã Passar uma tarde em Itapoã Tomando chuva em Itapoã Roupa enxarcada em Itapoã Pneumonia em Itapoã ? Estou como? Conhecemos duas suecas na nossa última manhã em Salvador, durante o café da manhã no albergue. Mochilavam pelo nosso Brasil varonil: já tinham visitado o Rio de Janeiro, agora passavam pela Bahia e depois continuariam pelo nordeste, subindo para Recife, Natal, aqueles lados. Talvez devessem apenas ter pesquisado mais sobre as estações do ano: andavam injuriadas com aquela chuva toda, ainda mais depois de uma jornada de 29 horas num ônibus da capital carioca à baiana. (Isso de ônibus, pensa o Frejat que declarou que “iria a pé do Rio a Salvador”...) Chamavam-se Sara e Pernilla. Pernilla era sueca típica, loira branquela, mas Sara tinha pele morena e poderia facilmente se fazer passar por baiana, como bem disse um ambulante que tentou nos vender suas quinquilharias. “Bota um colar e dois brincos de côco que ela vira uma baiana big beautiful!”, apontou. Durante as poucas horas em que andamos com elas a pé pelos arredores, visitamos feirinha de artesanato, Museu Náutico da Bahia, praia, aprendemos palavrões, ensinamos outros tantos, e acabamos indo parar num site sueco de viajantes pelo mundo, onde, horas depois, as duas publicaram fotos e relatos da manhã passada com os quatro brasileiros insanos. Você aí que sabe ler sueco, por favor, traduza pra gente. Tá aqui. Tá premiado Algumas premiações que poderiam ter sido distribuídas durante nossa viagem: >> Nome de Rua Mais Adequado: Em todos os nossos trajetos de ônibus pela cidade, mesmo sob os torós torrenciais que já previam os meteorologistas, pegamos engarrafamento uma vez apenas, a caminho do Pelourinho. O nome do lugar: Rua da Paciência. >> Meio de Transporte Mais Barato: Sem dúvida o Elevador Lacerda, notória construção que liga o Pelô à Cidade Baixa, e que custa a módica bagatela de 5 centavos. Agora, vai arranjar 5 centavos trocadim assim... >> Situação Mais Improvável: Uma sueca passando frio em Salvador. Tudo bem, estava chovendo e ela tinha acabado de sair do morno mar direto pro vento gelado, mas ainda assim, pensa só: é uma sueca passando frio em Salvador. Não é avulso? >> Prêmio “Não Entendi”. Eu e Leandro no Aeroclube, numa barraquinha de comida baiana: “Moça, tem cuscus?” Seguem-se gargalhadas, dela e dos dois que a acompanhavam. “Por que a risada?”, queremos saber. “Aqui é só comida baiana, gente...”, respondem. Ficamos sem entender. Afinal, não era a música dos Novos Baianos que dizia: “Vai entrar no cuscus, acarajé e abará”? >> Prêmio Poliglota Troglodita: Vai para um dos nossos amigos, confundindo os idiomas e comentando alto perto das suecas: “I want to fuck her”. >> Preço de Cardápio Mais Sem Nexo: Uma barraquinha na Praia de Jaguaribe, na qual a vodka Natasha custava dois reais e a Smirnoff dois e cinqüenta. Uma Smirnoff de Assunção, provavelmente. >> Top 3 Formatos de Orelhão 3 - Côco verde (com canudinho). 2 - Farol da Barra. 1 - Berimbau.

11/05/2006

Salve Salvador! Parte I



Fim de semana em Salvadô, assim de bobeira, sem motivo aparente. Na verdade, a força que me impulsionou pra lá com mais três amigos foi aquela promoção da Gol: passagem aérea por 50 reais. Só pra constar, a passagem de ônibus pra Salvador custa o triplo (e indubitavelmente demanda mais tempo de transporte que uma hora e vinte). Resolvemos então passar uns 3 dias por lá, saindo sexta à noite e voltando na segunda à tarde, enforcando um dia de estudo e trabalho.

Muita coisa havia pra dar errado: reservamos um albergue às escuras, pela internet; não sabíamos qual seria nosso meio de transporte por lá; não conhecíamos lhufas da cidade; e a previsão climática, tanto nos weather channels quanto nos guias turísticos, era de chuva sem trégua.

No final das contas, o albergue era bacana e tinha até café da manhã, locomovemo-nos tranqüilos pela rede ônibus da cidade (mesmo que às vezes demorássemos uma hora e meia pra chegar à praia) e conseguimos nos guiar tão-somente pelas indicações dos nativos.

Já a chuva...

Causos do aeroporto

Aeroporto de Confins. Dezenas de adolescentes vestidos com uma camisa escrito "I Love Marina" urram e batem palmas pra qualquer passageiro que sai da área de desembarque, aguardando a hora de saudarem a amiga que vai chegar. Um desses festeiros aparece perto da gente com apitos na boca e poodle na mão, e nos explica que a tal Marina passou 8 meses no Canadá. Um comentário surge no ar: normalmente esse pessoal que faz intercâmbio volta meio acima do peso, né? Estamos nessa quando uma garota ultra-gorda desembarca e nosso amigo Fabel comenta com o cara: "Putz, essa aí deve ter ficado é oito anos no Canadá!"... Ele ri meio triste: "Essa é a Marina...", e vai embora cumprimentar a amiga.

Apertem os cintos...

Passagem de avião, 50 reais. Taxa de embarque, 20 reais. Sentar do lado do Adriano, que nunca tinha viajado de avião comercial na vida: não tem preço.

Começou com a negação: “Não, tô com medo não, quê isso”, muito embora tremesse um pouco e tivesse as mãos geladas. Depois veio a crise de risos nervosos, quando o avião começou a andar. O ápice foi na breve parada antes da decolagem: ele bateu no peito estufado repetidas vezes como um king kong e bradou aos céus e a todos que por ventura estivessem ouvindo (e todos no avião estavam realmente ouvindo): “Vem! Vem que eu não tenho medo! Pode vir! Vem!”. Logo que o bichão saiu do chão, ele calou-se e permaneceu imóvel e boquiaberto como uma criança assustada, até que sentisse estabilidade sob seus pés.

Depois pediu pra aeromoça pra visitar a cabine do piloto. E eu ainda fui com ele.

Top 5 alimentação na Bahia

>> Pititinga. Pequeno peixinho servido em porções, presença constante nos quiosques e bares. Era no preço dele que nos baseávamos na hora de escolher entre uma barraca e outra, quando a cerveja em ambas custava a mesma coisa.

>> Suco de umbu. Tinha sempre no café da manhã do albergue, cheguei a tomar três copos no último dia. Já dizia o ditado: como pode umbu ser tão gostoso?

>> Sorvete de jenipapo. Tenho a filosofia de sempre experimentar os mais exóticos sabores nas sorveterias. Incontáveis eram as opções no Aeroclube: mangaba, umbu, jenipapo. Resolvemos por um pedaço de jenipapo, mas não ficamos engasgados, nem com dor no papo.

>> Acarajé. Famoso bolinho frito de feijão fradinho, com vatapá (camarão em formato cremoso), salada (leia-se: tomate verde), camarão seco e pimenta (danger alert!!). Comemos um na porta do Mercado Modelo e outro no aeroporto, mas nesse último esqueci de especificar a quantidade de pimenta. Nem consegui terminar o diabo. Nosso amigo Léo, traumatizado com as alterações intestinais que lhe foram provocadas pelo primeiro, preferiu evitar essa segunda rodada.

>> Goiabinha do avião. Pelo preço da passagem, eu imaginava que fôssemos remando no porão da nave. E quando vi de longe, achei que a aeromoça nos trazia barrinhas de cereal sem-graça. Portanto, tive as expectativas duplamente superadas, o que torna a goiabinha digna de figurar nesse top 5.

Top 5 erros grotescos em cardápios ou placas

>> Baycon (ou sua variação: baicon).

>> Strogonoft.

>> Chatrobian.

>> Feijão furadinho.

>> Calças infantins.

Top 3 trocadilhos em peças publicitárias

>> Campanha na rua: “Acidente de moto? Não caia nessa.”

>> Cartaz de restaurante: “Quem tem boca vai ao Ramma”.

>> Outdoor de gráfica: “A melhor CÓPIA DO MUNDO É NOSSA” (cores verdes e amarelas pra ressaltar a sacada genial).

Confira em breve a parte II, com as chuvosas aventuras no Pelourinho, nossa não menos chuvosa tarde em Itapoã e a certeza de que mineiros são gringos numa terra de baianos.

22/04/2006

Vaqueiro espacial



Diálogo no MSN:

- Ela deixou de ir no show do Jamiroquai pra ficar teclando comigo...
- Isso é o que eu chamo de Virtual Insanity.

(Tum dum tzzzz)

Falando nisso, tem Jamiroquai na nova programação da Rádio Biselho, além de ABUNN, Fóllen e algumas das músicas mais legais do mundo. Tem preciosidades como "My Girl" com Jackson 5, clássicos oitentistas como "Video Killed the Radio Star" e a doce "Sugar Sugar", que foi tema de alguma novela cujo nome não me lembro. Era Vale Tudo?

01. ABUNN - Capitão Garrancho
02. Fóllen - Fóllen
03. Buggles - Video Killed the Radio Star
04. Archies - Sugar Sugar
05. Red Hot Chili Peppers - Love Rollercoaster
06. Strokes - Reptilia
07. Santa Esmeralda - Don´t Let Me Be Misunderstood
08. Jackson 5 - My Girl
09. Jamiroquai - Space Cowboy
10. Platters - The Great Pretender
11. Robbie Williams - Mr. Bojangles
12. Agnaldo Timóteo - Sorria Meu Bem
13. Aerosmith - Pink
14. Paralamas - Um Pequeno Imprevisto
15. Foo Fighters - M.I.A.

21/04/2006

O Leino do Amanhã

A equipe do bISELHO não perde tempo e descolou uma entrevista exclusiva com o roteirista do filme "Depois da Última Coelhada", Lucas Paio. O curta-metragem narra um encontro de Mônica e Cebolinha vinte anos depois da última vez que se encontraram. Traz Juliana Jardim e Saulo Senra nos papéis principais e tem estréia prevista para maio. Na direção, Clarissa Funghi, além de uma equipe de produção que conta também com Daniel de Pinho, Bernardo Silveira, Ariane Alves, Bernardo Silvino, Lívia Salgado e Mariana Alves. Confira o bate-papo que rolou com Lucas:

bISELHO: Então, Lucas... Primeiro a gente queria saber: em que pé está o filme?
Lucas: A gente terminou as filmagens nesta quarta-feira, dia 19. Foram duas manhãs de gravações, e nem deu tempo de filmar todos os planos que a Clarissa (diretora do filme) tinha em mente. Mas não tem outro dia pra filmar mais, o cronograma tá apertado pra burro... A edição tá marcada pro início da semana que vem. Falta também escolher a trilha sonora, ver se o Chico Buarque libera os direitos pra gente... De um jeito ou de outro, em maio tá pronto.


Clarissa Funghi e sua mãozinha, Juliana Jardim como Mônica, Saulo Senra Cebolinha "anarriê" e Lucas Paio coçando a cabeça

bISELHO: Vamos começar do começo. Como surgiu essa idéia de fazer um curta sobre o futuro da Turma da Mônica?
Lucas: Surgiu no ano passado, acho. Tive a idéia pra esse futuro meio sombrio, o Cebolinha virando um fracassado na vida, e a intenção era fazer um curta-metragem mesmo... Como era um troço extremamente complicado, precisava de dinheiro, atores e tal, comecei a pensar numa história em quadrinhos... Acabou virando um texto que publiquei aqui mesmo, no bISELHO.

bISELHO: Mas se um curta era tão complicado assim, o que mudou pra que ele fosse feito agora?
Lucas: Mudou que esse semestre eu tenho uma matéria na faculdade chamada RTVC II. RTVC é Rádio, Televisão e Cinema. E um dos trabalhos que a gente tem é produzir um curta, temos à nossa disposição câmera, estúdio, ilha de edição... Daí escolhemos adaptar esse conto da Mônica e do Cebolinha.

bISELHO: No texto original, a ação se passava dentro de um supermercado. Mas não é assim no filme, é?
Lucas: Não, tivemos que mudar. O supermercado ia ficar muito difícil de se reproduzir num estúdio, teria que ter prateleiras, produtos, e ainda mais em estúdio pequeno. Seria toscão. Então resolvemos mudar o cenário pra uma sala de espera de um consultório... O propósito, que era proporcionar um encontro casual dos dois personagens, ia continuar o mesmo... Só tivemos que fazer algumas alterações. No lugar do funcionário do supermercado, por exemplo, entrou a secretária do consultório. O começo e o fim do filme estão bem diferentes do conto, tem até a profissão da Mônica, coisa que não tinha lá no texto original.

bISELHO: E a escolha do elenco, foi complicada?
Lucas: Ah, deu um certo trabalho. É difícil achar ator assim, de uma hora pra outra, pra filmar sem ensaio nem nada numa segundona de manhã... Inicialmente os atores seriam o Daniel de Pinho, que é integrante da equipe de produção, e a Amana Zanella, chinchila da turma. Mas descartamos a idéia pela total ausência de experiência dramática dos dois, e também porque queríamos atores mais velhos, com mais de trinta pelo menos. Aí tem uma menina no quinto período do meu curso que faz teatro na Puc, a Paula. Resolvemos olhar com ela, ver se ela lembrava de alguém com o perfil que a gente tava querendo. Ela lembrou da Juliana e do Saulo, mandou uma foto dos dois pra gente, nós vimos que ia encaixar nos papéis e pedimos pra ela ver com eles se eles aceitavam. Aceitaram. Isso menos de uma semana antes da gravação, foi um alívio a gente conseguir os atores... foda foi só a falta de tempo pra ensaiar, as filmagens foram logo depois do feriadão da Semana Santa, os atores viajaram...

bISELHO: E as filmagens foram tranqüilas?
Lucas: Foi, foi tudo tranqüilo. Tivemos uns contratempos, o fio do microfone aparecendo toda hora que obrigava a gente a regravar um monte de cenas... a Juliana que chegava atrasada, ela mora em Brumadinho e tinha que pegar um trânsito enorme até chegar lá... Mas foi de boa. A Paula, a menina que arrumou os atores, até fez uma ponta como a secretária do consultório...


Juliana Mônica, Clarissa Brokeback Mountain, Saulo Cebolinha e Lucas Paio dix coxtax

bISELHO: Perdoe a pergunta meio indiscreta, mas o filme está orçado em quanto?
Lucas: Até agora a gente gastou exatamente... dois reais. (Risos) Um real foi pra tirar xerox do roteiro pra todo mundo ter uma cópia, e o outro real foi pra comprar chá mate e colocar na garrafinha que o Cebolinha toma no final do filme, pra parecer que era uísque... A gente até tinha uísque de verdade, mas era a primeira cena do dia, melhor não arriscar... (Risos)

bISELHO: E aquele outro curta-metragem que seria produzido este ano? O das lagartixas? Não vai rolar mais não?
Lucas: Vai, se Deus quiser. Já temos a equipe pronta, basicamente a mesma do "Depois da Última Coelhada", com Bernardo Silveira no papel principal. Tá faltando é uma lapidada no roteiro, não encontramos ainda o enfoque certo, a abordagem mais legal... Nem o título a gente tem certeza de que vai ser esse mesmo... atualmente é "Trinta Coisas Pra Se Fazer Com Uma Colher e Uma Lagartixa", mas tamo achando muito, trinta coisas, às vezes pode ficar meio didático demais e atrapalhar o andamento do filme...

bISELHO: Bom, então é isso, Lucas. Brigadão pelo papo e boa sorte na pós-produção do filme. Queremos nosso DVD depois, hein...
Lucas: Pode deixar. Qualquer coisa tamos aí.


Equipe de produção: Lívia Maria anotadora de planos, Clarissa e o cinegrafista, Ariane e Lucas.

16/04/2006

13/04/2006

Panis et circenses



Noite do Sino no Soho. Breve resumo pra quem desconhece:

1) Acontece toda terça.
2) Garçom toca o sino.
3) Chopp liberado até o primeiro cliente do estabelecimento ir ao banheiro.
4) Quando isso acontece, o garçom toca o sino e param de servir chopp.
5) O sino toca três vezes por noite.

Na teoria é um barato. Não fossem os poréns:

A) O chopp é aguado, quente, tenebroso.
B) A fila do banheiro fica imensa, ainda mais que normalmente vai mais homem.
C) Paga-se absurdos R$18 pra entrar. Em boteco de verdade, dezoito reais é cerveja à beça. E das geladas.
D) A muvuca pandemônica que se instaura no lugar não te deixar levantar, nem conversar, e ainda tem que segurar a bexiga, o que não está entre as coisas mais legais pra se fazer numa terça à noite.
E) O garçom, na ânsia de servir a cerveja logo, fica surdo a outros pedidos, como comida ou jogos de tabuleiro.

A única vantagem da Noite do Sino deve ser mesmoo clima de hostilidade que invariavelmente reina no ar, exemplificado pelos gritos de guerra bradados pelos bêbados ensandecidos, tais como: "Ah ah ah, se mijar vai apanhar!" ou "Bexiga frouxa! Bexiga frouxa!". Me lembra as saudosas lutas de arena nos meus tempos de Roma antiga.

De bom no Soho ainda restam as batatas fritas montanhosas, cuja sobra é sempre maior que qualquer porção comum de barzinho, e os jogos que se é possível pedir pelo cardápio de jogos, dos tradicionais como Imagem & Ação até os nostálgicos como Cai-Não-Cai, passando por Ludo, Qual É A Música, Master e Pula Pirata.

Só não tem aquele que é o melhor jogo dos últimos tempos da última semana: o Jogo da CIA. Talvez porque ninguém (ainda) comercialize o troço. Trata-se de uma espécie de detetive (aquele dos papeizinhos) em que as piscadelas mortíferas dão lugar a argumentações ferrenhas, discussões intermináveis e mentiras deslavadas ("eu juro que sou afegão!"). Ótimo para mesas de bar e aulas de Mídia. Qualquer dia desses vou ver se crio uma comunidade decente em homenagem ao jogo.

Falando em comunidades, as melhores comunidades de todos os tempos da última semana:

Eu tenho medo do Mesmo
Odeio pisar em minas terrestres
Eu já tive um NEB!
Orson Welles Gordo
George Foreman é o cara!
Eu queria jogar Jumanji!
Dromedário Power

Menção honrosa: a foto da comunidade Chico Bento XVI.

09/04/2006

07/04/2006

O segredo do sucesso



Sinto desapontá-los, caros leitores, mas minha retrospectiva pessoal deste ano ficará desfalcada de aventuras austríacas. Claro, há sempre uma chance de que até dezembro uma orquestra vienense me contrate como tocador de tuba, mas a considero remota. É hora de encarar a cruel realidade : Salzburg, berço de Mozart, sediará em maio a final do Campeonato Mundial de Aviões de Papel envolvendo competidores de 48 países, e, apesar dos esforços de mineiros, cariocas, pernambucanos e gaúchos, todos os representantes que o Brasil vai mandar pra lá serão paulistas. Ê vida.

Minha breve carreira de piloto de aviões de papel teve início no final do ano passado, quando fiquei sabendo que a Red Bull estava organizando um campeonato. Não só participei da seletiva regional, realizada no ginásio do Barroca Tênis Clube, como ainda conquistei o primeiro lugar na categoria vôo acrobático, graças às piruetas malucas conseguidas meio na sorte, com um aviãozinho improvisado. Além da glória suprema de me tornar campeão de um esporte tão insólito (Cheguei até a recusar entrevista pra Rádio CBN. Sério!), garanti também o direito de participar da seletiva nacional em São Paulo, de onde sairiam três brasileiros para a final mundial na Áustria.

Foram meses de intensa expectativa até o dia da final, bem adequadamente marcada para um Primeiro de Abril. A pressão excruciante exercida sobre minha pessoa era contrastada com a mais absoluta falta de treino: passaram-se as férias, voltaram-se as aulas, e a primeira vez que fui pegar num papel com o intuito de fazê-lo alçar vôo foi na quarta-feira anterior ao campeonato, que aconteceria num sábado. Minha aula terminou mais cedo e tirei o resto da manhã para desenvolver os modelos mais precisos e elaborados que poderiam carimbar meu passaporte para a Áustria.

Tarefa complicada: a pequena sala de visitas do meu apartamento não permitia os loopings maravilhosos ou os rasantes espetaculares que eu pretendia testar, e a garagem do prédio era um misto danoso de pilastras e correntes de vento que pouco ajudavam. Ao final da manhã, separei em cima do sofá os dois modelos menos piores que criei. Era com o primeiro deles, que posteriormente batizei de Chuck, que eu havia conquistado o título de campeão mineiro. Na época, por sorte, decidi guardar a aeronave origâmica como memorabilia, e, embora ela não voasse mais com a desenvoltura de outrora, bastaram alguns minutos de engenharia reversa para que eu aprendesse a reproduzir suas dobras com exatidão. Já o segundo aviãozinho voava de forma um tanto instável, às vezes girava em torno de si mesmo, às vezes planava e embicava direto pro chão. Foi carinhosamente apelidado de Norris.

Uma coisa que eu estava deveras curioso para descobrir era qual seria o perfil dos competidores de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Que tipo de gente participa de um campeonato de aviões de papel? Dos mineiros eu já sabia: tinham todos entrado por pura farra, e ganhado por pura sorte. Assim eram os três caras da PUC e os três da Uni, eu incluso, que representariam Minas no inusitado torneio. Mas vai que o pessoal dos outros estados foi contaminado por uma obsessão sem tamanho, treinou horrores e vai me fazer passar vergonha em rede nacional?

Gaúchos e cariocas, logo pude conferir, estavam no mesmo barco que a mineirada. Legítimos representantes da filosofia que pregava o Fabrício, competidor belorizontino de melhor tempo de vôo: “O segredo do sucesso é o total despreparo”. Valia mais a diversão: enquanto esperávamos a turma de Recife dar as caras, tiramos trocentas fotos, tomamos chimarrão com o pessoal de Porto Alegre, discutimos as notórias diferenças de sotaques que permeava o grupo. Como um gaúcho que me disse:

- Bah, se a gente pousasse ia ser ouro...

Quando perguntei: “quê que é ouro?”, ele me esclareceu: “é tri!”. Ah, bom.

Foi um dia de atrasos: depois do atraso do nosso vôo e do vôo dos pernambucanos, veio o atraso-mor, quando o ônibus que nos transportaria de Congonhas pra Jundiaí furou o pneu. Valeu pelo ineditismo de se ver um pneu de ônibus ser trocado ao vivo, e pela integração da galera, acentuada pela demora sob sol quente. A espera acentuou também um sentimento de união contra os paulistas, aqueles malditos que já deviam estar há horas no local do campeonato, treinando e fazendo reconhecimento de campo.

Mais acentuada ainda estava a fome. Durante a viagem às margens nada plácidas do Tietê nós concedemos entrevistas, trocamos MSNs, conversamos à beça, mas comida que é bom, necas. Chegamos varados de fome ao nosso destino final, o hangar da TAM em Jundiaí, e até a gente comer, beber e vestir as camisas da Red Bull que nos foram presenteados, o horário de treino já tinha terminado e o campeonato estava em vias de começar. Aí foi correria pura, todo mundo fazendo aviãozinho, tacando, medindo, testando, mesurando, analisando milimetricamente, enquanto o paulista mala do microfone apressava todo mundo pra começar logo a bagaça.

Não adiantou, só deu paulista. Pra se ter idéia, na minha categoria, melhor acrobacia, os cinco primeiros lugares eram de São Paulo ou Campinas. Rolou um boato de que a Unicamp construiu até câmara de ar pra neguinho treinar. Eram os japas que eu mais temia, e foi um deles que ganhou, daqueles japas que olham pro papel e o avião já se dobra sozinho. O cara fez um looping que nem era lá muito brastêmpico, mas tinha pleno controle da manobra que iria realizar, e recebeu um 10 unânime de todos os jurados. E, ao que parece, fez o avião ali na hora, desbancando tantos que tinham trazido aviõezinhos prontos de casa (melhor acrobacia era a única modalidade que permitia isso, os outros montavam na hora, assim na pressa). Ironicamente, todos os que levaram aviões pré-fabricados tiveram resultados pífios.

Meus Chucks e Norris também não fizeram boa campanha. O primeiro foi até razoável, ganhou um 6,16 quando a melhor nota até então tinha sido um 7. Mas na hora do segundo lançamento... agora ou nunca, um lançamento de aviãozinho pode me valer uma viagem internacional, todo mundo me olhando, paulistas torcendo contra, câmeras focalizando meu rosto... e eu vou e tiro um mísero 3,3. The dream was over.

Fiquei então torcendo pra que, pelo menos, alguém do nosso ônibus ganhasse alguma coisa. O máximo que conseguiram foi uma subida ou outra ao pódio. Marco Aurélio, competidor belorizontino de melhor distância, chegou até a liderar a prova por um tempo, mas foi rapidamente ultrapassado por um sujeito chamado Diniz, que venceu não só em melhor distância como também em melhor tempo. Resultado: o Brasil só enviará dois participantes para terras austríacas. O cara mereceu, não posso negar: ele foi o único que conseguiu fazer um avião ficar mais de 8 segundos no ar, e voar mais de 30 metros de distância. Levou família, treinou à beça e dava pra ver que estava feliz.

Tudo bem, tudo bem. Eu também saí no lucro, viajei pra São Paulo, conheci um bocado de gente do país inteiro, ganhei mochila, camisa, red bulls, lanchinhos mil, lanchão no pizza hut do aeroporto, e the best of all: sem precisar desembolsar nada. O único tostão da viagem, ou melhor dizendo, o único tostinho, foi gasto numa esfiha em Congonhas, porque dormi durante o vôo e perdi o sanduíche distribuído no avião. Tem Red Bull na geladeira lá de casa até hoje. E uma mochila nova veio bem a calhar, precisava dar um tempo na véia de guerra surrada, que já me acompanhou por andanças eternas por ruas australianas e programas indígenas em mata fechada.

Fico agora na expectativa de realizarem uma Regata de Barquinhos de Papel em Dia de Enxurrada. Quem sabe ano que vem?

27/03/2006

Koraba!



Começou no boteco da Das Dores, quando estávamos no primeiro período. A idéia era cada um escrever uma parte da história, mandar pro outro continuar, e assim ad infinitum. Até agora foram vinte e poucas idas e vindas, um número pequeno se levarmos em conta que sete períodos já se passaram desde o início das escritas. Dessa vez não sou eu o culpado pelo projeto inacabado: culpem o Michel, tá na vez dele desde, sei lá, 2004.

Fui o encarregado de iniciar o projeto, e aproveitei um início de história que tinha em casa. Jack Qualquer Coisa era o nome do protagonista. Um azarado que trabalhava numa lanchonete. Mandei pro Michel, ele completou o arremedo de narrativa com mais um punhado de situações absurdas, e assim foi. Pouco a pouco, Jack Qualquer Coisa foi se aventurando (ou sendo aventurado) por caminhos cada vez mais insólitos, chegando a viver na prisão por três sórdidos anos e participar de uma guerra entre doninhas e chineses. Mas até hoje, quarenta páginas depois, Jack ainda não comeu ninguém.

De vez em quando um de nós terminava o capítulo de um modo absolutamente non-sense, só pra deixar o outro numa enrascada literária. Como quando, do nada, o Michel escreveu:

"Com dores múltiplas no corpo, Jack Não Sei O Que Houve percebe que está em um deserto de clima desértico, totalmente nu, exceto a um capacete de alumínio que misteriosamente aparecera em sua cabeça."

Sem me dar por vencido, continuei o capítulo e terminei assim:

"Subitamente, Jack sente-se zonzo novamente e se vê cercado por um milhão de chineses enfurecidos, gritando: “Koraba! Koraba! Koraba!”."

Outras vezes comentários eram deixados ao final dos escritos com o intuito de direcionar a próxima parte, ou jogar umas idéias soltas para serem usadas no futuro. Como esse:

Ufa! Foganço contará para Jack algo estarrecedor sobre seu passado: No passado (aí você utiliza aquele tom de cara viajado que o Fogaça usa), Foganço lutou contra um chinês poderosíssimo, conseguiu de alguma corta-lo com uma espada (será a de sete lâminas) mas devido ao poder da flauta do chinês (será a flauta a fawank?), este se multiplicava como uma planária. Seria a luta uma disputa por artefatos? Será que finalmente saberemos o que é Koraba? Quem é Múcio? Bicicleta líquida – um sonho de consumo

Jack Qualquer Coisa gerou até um programa de tevê, apresentado pelo Lata de Lixo, em que Lucas e Michel explicam seus planos de fama mundial e os projetos futuros envolvendo o Jack, como o aguardado longa-metragem com Pat Morita no papel do professor Foganço (infelizmente Pat Morita já não está mais entre nós... R.I.P). Até hoje nenhuma emissora se dispôs a exibir o programa.

Enquanto o Michel não escreve o próximo capítulo, que iniciará a nova saga Jack no Inferno, resolvi publicar, semanalmente, o que já temos até agora. Toda quinta-feira, no blog do Jack Qualquer Coisa. Koraba!

>> A nova temporada do Druida da Pocilga também está no ar, com a estréia do capítulo XV. Não precisam mais me ameaçar.

>> Melhor filme dos últimos tempos da última semana: A Máquina.

>> Melhor banda dos últimos tempos da última semana: Strokes. Por increça que parível, só fui descobrir os Strokes de verdade nesse início de ano agora. Top 5 do momento: "You Only Live Once", "Reptilia", "Heart in a Cage", "I Can´t Win" e "Soma".

>> Pode parecer loucura participar de mais um blog, mas em breve estarei ativamente no novíssimo BH Apresenta, que trata da cena rock independente de Belzonte. Cessá sesseons pasnassavás?

>> Meu amigo Bernardo Silvino sempre se queixava de cair num site de estudos bíblicos toda vez que tentava entrar no meu blog. Um dia, puto, deu um print screen na tela e me mandou. Uma olhadela no screenshot bastou para que eu matasse a charada. Quem descobrir também ganha uma palavra de congratulação. (Clique para ampliar)

17/03/2006

Dizem que sou Louco

Uma inesperada continuação do post anterior



Estou eu no trabalho, travando uma batalha contra os maléficos bugs que atravancavam o Word, quando liga minha mãe e diz:

- Chegou outro pacote do Mauricio de Sousa pra você!

Sim, amigos. Um novo desenho do Louco, dessa vez não de canetinha azul mas de giz de cera preto, a mesma assinatura mauricesca e o mesmo balãozinho: "Oi, Lucas". A explicação para a louca duplicidade é simples: mandei meu endereço duas vezes, imaginando que da primeira vez ele não tinha chegado ao seu destino virtual. Cheguei depois a cogitar a vinda de dois desenhos, mas esse pensamento logo se evaporou, eles iam perceber que tinha dois nomes iguais na lista. Pois não perceberam. E agora tenho dois desenhos exclusivos de Mr. Sousa prontos para virarem quadros.

Melhor que isso, só essa notícia aqui: "Britânica encontra autógrafo de John Lennon no lixo."

16/03/2006

Loucura loucura loucura

Numa lista dos caras mais legais do mundo, que já inclui Keith Richards, Sílvio Santos e o Menino Maluquinho depois de adulto, Mauricio de Sousa certamente ocuparia uma posição de prestígio. Senão vejamos: ele não só faz parte da comunidade da Turma da Mônica no orkut, como ainda participa ativamente de tópicos e discussões. O Bono por acaso participa de alguma comunidade do U2? Nem a Katilce que é fã participa...

Não pára por aí. No final do ano passado, alguém abriu um tópico na comunidade monical onde propunha um abaixo-assinado para que o criador da(s) Mônica(s) (a fictícia e a verdadeira) fizesse um desenho exclusivo para ilustrar a comunidade. Poucos dias após o início do tal abaixo-assinado, eis que surge sua primeira resposta:

"desenho? tá!...
tá bem. faço um desenho exclusivo para o comunidade.
vcs venceram (rsrsrs)
mas estou viajando hoje para os EUA. volto em dez dias. e daí capricho num original pra vcs...
"

A massa foi ao delírio com o sucesso de sua petição, claro. Mas ele foi além. E eis que, ao voltar da supracitada viagem, deixa a seguinte mensagem no tópico:
"pronto.
estou com papel e lápis para fazer um desenho PERSONALIZADO. pra cada um dos meus amigos daqui da comunidade.
durante a semana vou combinar com o paulo back a melhor maneira de enviar.
um abraço
"

O delírio foi elevado ao cubo, mas com a empolgação vieram as dúvidas: será isso mesmo? Um desenho pra cada um? Como pode? É festa da uva? Semanas se passaram e as interrogações ainda flutuavam pelo céu da ansiedade quando Paulo Back, notório roteirista dos Estúdios Mauricio de Sousa, fez chegar aos azulados fóruns orkutianos mais um recado:

"Gente, o Mauricio pediu para eu coletar o endereço de vcs para o envio do desenho. Portanto, mandem o nome, endereço e CEP para o meu e-mail paulback07@hotmail.com. Não mandem scrap. Só coloquem ‘endereço’no título para ser melhor de organizar, ok?. Que presentão, hem? Abração e boa sorte"

Adiante, um adendo:

"Conforme eu já postei ali em cima ( e aqui em baixo ), é para mandar o endereço para mim, e o Mauricio pediu também para colocar o nome do PERSONAGEM PREFERIDO ( apenas um e somente um ) junto com os dado, que este será o desenho que irão receber autografado."

Lido aquilo, não hesitei em usufruir do hotmail e enviar meus dados pessoais ao assistente do Mauricio. E ainda redigi: "Personagem preferido: O LOUCO". Isso foi em janeiro. Não posso dizer que acreditava com todas as forças que o desenho realmente chegaria às minhas mãos, principalmente porque outras tantas semanas se passaram e o tópico na comunidade pareceu morrer, tanto que acabou relegado à segunda página, quiçá à terceira.

Então subitamente, numa noite de quinta-feira no início de março, eis que o correio da minha casa foi agraciado com um pacote pardo onde se lia meu nome, meu endereço e o remetente: "Mauricio de Sousa Produções Ltda", além de um adesivão de "frágil, cuidado" e o logotipo com a cara do Bidu, o cão azul. Dentro do pacote, inexplicavelmente, havia ainda um envelope da FedEx (!!), o que soa ainda mais estranho se levarmos em conta que o carimbo dos correios era de São Paulo.

Depois do momento Tom Hanks, pus as mãos, finalmente, no desenho. O Louco esboçado de canetinha azul, num papel timbrado escrito "orkut - comunidade Turma da Mônica", um balãozinho me saudando e a assinatura: Mauricio 06. Qualquer dia desses ponho uma moldura e transformo o Louco em quadro na parede. Enquanto isso, deixo-o para apreciação aqui mesmo, em bits e bytes.

12/03/2006

Pumping on your stereo



Enquanto não scanneio e publico a imagem que certamente fará meus leitores roerem-se de inveja, expando o bISELHO a níveis ainda mais multimidiáticos, e, além de novas músicas na Rádio bISELHO que não era atualizada já há algum tempo, deixo aqui os links para vídeos exclusivos e inéditos que você nunca viu antes:

>> O gracioso nado do ornitorrinco

Uma rara visão de um monotremo se exibindo para a platéia do Aquário de Sydney.

>> O bêbado e o AC/DC

Tendo como pano de fundo a notória Opera House de Sydney, o vídeo mostra o quão extremas as pessoas podem ser quando tentam conseguir dinheiro. Enquanto vários "colegas" à sua volta tocavam violão ou faziam malabarismos exóticos, para este bêbado bastou um micro-system, um par de chocalhos (??!) e uma conhecida canção de seus conterrâneos do AC/DC.

>> Uma arena deserta. Um espectador. Um programa infantil.

O nome já diz tudo.

>> Pula pula pula canguru

Cangurus saltitam, são bicados por patos ensandecidos e correm atrás da gente no zoológico de Illawong, ao som de Kings of Leon.

>> Fire!

The guitar! The guitar! The guitar is on fire!

>> O Amolador

Ele amola facas, tesouras e cortadores de unhas, e é um ícone da cultura popular. Aqui ele aparece com seu brado tradiocinal e seu apito indefectível, capturado pela nossa câmera indiscreta através da janela.

>> Ridículo

Era pro Bruno tirar foto, mas ele apertou o botão do vídeo. É isso que ficou: ridículo.

Vale lembrar:

A nova seleção de canções da Rádio bISELHO conta com as seguintes pérolas musicais:

01. ABUNN - Que Pena (momento propaganda)
02. Strokes - You Only Live Once (faixa de abertura do novo álbum)
03. Mutantes - I Feel A Little Spaced Out (versão de Ando Meio Desligado)
04. Supergrass - Pumping On Your Stereo
05. Muse - Time Is Running Out
06. Saltimbancos - A Cidade Ideal
07. Sapatos Bicolores - A Cobrar
08. Tuatha de Dannan - The Last Words
09. Egberto Gismonti - Baião Malandro
10. Artic Monkeys - When The Sun Goes Down
11. Yes - Roundabout
12. Hair Soundtrack - The Flesh Failures / Let The Sunshine In

06/03/2006

Un, dos, tres, Katilce!



U2 em Sampa: a resenha de quem viu ao vivo
por Tullio Thiago, nosso enviado especial em São Paulo

Há duas semanas atrás, mais precisamente no dia 20 de Fevereiro de 2006 às 21:30h no estádio do Morumbi em São Paulo, aconteceu o show mais esperado e festejado dos últimos tempos e no mesmo final de semana que o não menos importante show do Rolling Stones. Foi sem dúvida o "pré-carnaval" mais rock n’roll que os brasileiros já viram...

O show do U2 pode ser dividido em 3 partes:

1) A angústia, suor, dificuldade de conseguir os ingressos. (Se não fosse a minha irmã carioca, não teria ido ao show. Eternamente grato!) Depois a fila gigante no dia do show, toda a espera até o inicio do show do Franz (que são muito bons ao vivo, pena que o povo não conhecia outra música que não fosse "Take Me Out") até a introdução de "City of Blinding Lights" e o Bono Vox surgindo na minha frente com a bandeira do Brasil.

2) O show. O meio do show. O primeiro bis. A pausa. O fim do show.

3) Acordar do sonho e voltar para casa.

Cheguei no estádio às 10h, e já tive que sair falando mentira com os gaúchos que estavam atrás de mim. "Pô, a minha amiga esqueceu os ingressos no quarto de hotel. Teve que ir lá voltar, estou guardando lugar para ela..." Tudo isso por medo de que a pessoa que comprou o meu ingresso ficasse sem entrar junto comigo, e estava realmente cheio lá. Teve gente que criou problemas com a fila, mas eu achei bem organizado. Fiquei acompanhado de uma amiga goiana e juntos bebemos mais de 1 litro de água, além de tentar inventar vários jogos para distrair, mas o tempo não passava. Os portões iriam abrir às 15h e faltando pouco para isso, a responsável por eu ter um par de ingressos no bolso me ligou falando que tinha acabado de chegar no estádio e estava descendo do ônibus. Ela conseguiu chegar a tempo de entrar na fila e foi um alívio.

Antes de passar da roleta, os seguranças não deixaram eu entrar com as garrafas de água, ou seja, eles obrigam a gente a comprar copinhos que custam R$3,00. Um absurdo.
Já dentro do estádio, comecei a correr e escutei um segurança me xingando "Pô truta! Precisa correr não, cara, todo mundo vai entrar..." Nem escutei e quando vi a rampa de acesso para o campo, corri mais ainda e nem percebi que quando passei por uma roleta, eu estava dentro da área vip. A área mais desejada depois da hot area. Olhei para frente e vejo aquela passarela em que a banda toda costuma passar e ficar lá. Foi inacreditável. Na hora já comecei a mandar várias e várias mensagens pra todos os meus amigos ("meu, você não tem idéia do lugar que eu estou..." ). Passada a euforia inicial, o meu grupo sentou-se e começamos a conversar, até que os paulistas que estavam na nossa frente começaram a ter um acesso de raiva conosco ("Pô, meu! Eu quero sentar e se eu cair, vou cair na tua cabeça!" ) e ficou por isso mesmo (mentira. Tiveram outros atritos, um deles era meio gay e ficou cismado porque meu pé encostou na bunda dele. Aí eu fui tirar e ele não deve ter gostado...) Durante a espera, almocei um sanduíche do Bob´s e me sujei de catchup. Eventualmente alguém jogava água na galera e parecia que a pessoa queria molhar só o Nicolas (que veio do Rio junto da Bruna e da Thayná) e quase estragaram o livro de jogos dele. O tempo foi passando, passando e finalmente, todos ficamos preparados para o show e para a guerra que os paulistas da nossa frente pretendiam criar...

Deu 20h e o show do Franz Ferdinand começou. O Franz é das melhores bandas que surgiram nos últimos anos, tem um repertório bem animado e dois cds bem fodas na bagagem (ahnm? ahnm??). O público tava meio lerdo no show deles, poucos conheciam o trabalho dos escoceses, mas eles deixaram uma boa impressão, principalmente pelo solo de bateria no fim. Demais. "Take Me Out" foi a única música que o Morumbi agitou. Todo mundo pulando, foi foda... Depois de "This Fire", o show terminou e ai foi o momento de toda nossa espera chegar ao fim...

As luzes apagaram e aí começou a rolar a introdução de "City of Blinding Lights". De repente, ele surge na minha frente (sim, meu. De verdade!!! Eu estava ali, no show do U2 com o Bono Vox na minha frente.)

Deu para arrepiar muito, todo mundo cantando, pulando e logo depois o Morumbi contou em espanhol. UN DOS TRES CATORZE... O estádio veio abaixo e o show tinha começado mesmo. "Elevation" veio logo depois, com um arranjo diferente do original. A galera toda cantando e o Bono chegou a falar: "OK, galera... agora é a nossa vez..." Com certeza, foi uma das melhores músicas do show. Então, a banda simplesmente taca "I Still Haven´t Found What I´m Looking For". Só a minha música favorita e de muuuuita gente que estava ali, emocionante ao extremo. Uma seqüência de clássicos, um show perfeito. "New Years Day", "Beautiful Day" e o Bono cantando a parte do Pavarotti em "Miss Sarajevo" e emocionando este que escreve esse texto. Ainda bem que apareceu um pequeno hobbit e me fez rir, porque senão iria derramar litros e litros de água... Antes de "One", todo mundo com celular ligado, o Morumbi se encheu de “luz”. Lindo momento que quem viu pela tv não teve idéia de como foi bonito. Depois de "With Or Without You" (todo mundo falou da Katilce, Katilce... mas ninguém mencionou o fato do Bono ter pegado a câmera DELA para ele... souvenir...) veio a primeira pausa. Estádio todo gritando e eles surgem com "All Because Of You". Antes da última música, eles tocam o novo single "Original of Species", com direito a imagens do clipe no telão. O show termina com o público cantando “How long... we will sing this song?” e com a presença solitária de Larry Mullen Jr na bateria. “Ele que começou a banda, é a banda dele” nas palavras de Bono Vox. Larry vai até a beira do palco e se despede daqueles que, com certeza, saíram do estádio com todas as expectativas superadas.

U2 em Sampa: a resenha de quem viu do sofá
por Lucas Paio, de Beagá City

Segunda-feira é um tanto complicado de se fazer festinha pra ver show, portanto vi a apresentação de Mr. Vox e seus asseclas pela tevê, sóbrio e acompanhado da minha mãe. Triste era saber ali, na hora, que o que eu estava vendo já tinha acontecido há pelo menos uns vinte minutos, graças à Globo de mierda. Observações finais: Viva Katilce. Abaixo Zeca Camargo.

03/03/2006

23/02/2006

Pedra que rola não cria musgo



Stones em Copa: a resenha de quem viu ao vivo
por Bruno Paio, nosso enviado especial no Rio

Cheguei no Rio na sexta com alguns amigos. Fomos ao local do show: mega estrutura sendo montada, galera acampando, passagem do som e teste do palco “andante”. Fizemos os planos para o dia seguinte. Acordamos no sábado, almoçamos e fomos pro Copacabana Palace por volta de 13h.

O clima pré-show estava muito ducaralho! Galera de tudo quanto é lugar, de tudo quanto é jeito, de todas as idades, “um encontro de gerações” (que chavão hein?). Ambulantes vendendo tudo quanto é lembrança do show: camisas, faixas, pulseiras, gorros, bandanas, além de binóculos vagabundos (quiçá descartáveis) pra ver o show. Zeca Camargo aparecendo na varanda, uma mulher que pareceu ser a Luciana Gimenez, e altos paparazzi com lentes gigantescas mirando pra dentro do hotel onde estavam os pedras rolantes. Ficamos debaixo de árvores bebendo e esperando o sol baixar. Por volta das 17h fomos andando em direção ao palco e estacionamos na ciclovia / calçada.

Começou-se então a chegar gente, e gente, e mais gente. Impossível andar mais de 10cm... Ficamos do lado esquerdo do palco, mais ou menos a uns 200m e 45° em relação ao meio do palco. Durante os shows de abertura (nada digno de nota), surge um problema – como ir aos banheiros? Em seguida a solução: latinhas e... chão! Ficamos mijando no chão até o fim do show. Nojento...

Eis que as 21h50 começa o show Deles. Foi aquele alvoroço! Vimos o show quase todo pelo telão. Mas valeu a pena! Começaram tocando as musicas antigas, mesclando com novas e depois veio a seqüência de hits "Sympathy for the Devil", "Start me Up", "Brown Sugar", "You Can´t Always Get What You Want" e finalizando obviamente com "Satisfaction" (única música que todas as pessoas que estavam na praia conheciam. Se não fosse de graça pelo menos metade do público não estaria presente.)

As músicas foram todas bem executadas, afinal eles as tocam há milhares de anos... mas quanto à performance, com exceção do Mick e alguns momentos de Keith, os outros pareciam robôs. Mesmo assim ainda é impressionante como ainda conseguem fazer shows... Ainda acho que o repertório poderia ter sido melhor (e não conheço nem 30% das coisas que eles gravaram), mas no geral foi bom.

Voltamos para o apê imundos, nojentos, fedendo, e eu ainda estava descalço (perdi meu chinelo). Todos inebriados pelo mais puro rock’n’roll.

Stones na Globo: a resenha de quem viu pela tevê
por Lucas Paio, diretamente de Beautiful Horizon

Turma da faculdade reunida na casa da Mariana. Conforto total: televisão grandona, sofá aconchegante, cerveja gelada, pimentinha. Mas era inevitável bater aquela vontade doida de estar lá. Se não estamos, fazer o quê? Beber, lógico. Cheguei a misturar cerveja, rum e coca-cola no mesmo copo. O show começou exatamente após o Big Brother, com hits permeando todo o setlist, e algumas desconhecidas no recheio. Chato eram os intervalos comerciais, mas tudo bem, deve ser pra fazerem massagem cardíaca nos caras, sei lá. Talvez por ingenuidade, talvez pela bebida, nem passou pelas nossas mentes, na hora, que o show pudesse não ser ao vivo. Só descobrimos na segunda-feira que havia uma meia hora de atraso na transmissão. Tudo bem, you can´t always get what you want. Observações finais: Keith Richards é um dos caras mais legais do mundo. Zeca Camargo é um dos caras mais chatos do mundo.

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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