12/04/2005

Não se esqueça da minha Calota.



Domingo, meio-dia e pouquinho. Estou assistindo na TV um documentário interessantíssimo sobre as causas e conseqüências políticas do ato institucional número 5, quando ouço um barulho na rua.

(Pra quem estou mentindo? Eu tava vendo era Turma do Didi. Com minha mãe como cúmplice. Depois a Globo ainda passou Impacto Profundo, aquele filme horrível sobre o cometa que provoca um tsunami em Nova York. Mas esse eu só vi um pedaço.)

Bom, o barulho eu ouvi mesmo. Olhei pela janela da sala de TV e vi uma mulher, loira por sinal, raspando o pneu dianteiro direito no meio-fio, de um jeito muito feio. O pneu ficou branco e a calota simplesmente caiu na calçada. E a loira, mais ocupada xingando quem quer que estivesse ao seu lado (uma criança ou um cachorro, não deu pra ver direito), arrancou o carro e foi embora, deixando a calota solitária.

Ficamos esperando a mulher aparecer de novo, mas é claro que ela não voltou. Nem ao menos desceu do carro na hora da batida, pra ver se tinha acontecido alguma coisa com o pneu. Provavelmente tenha percebido só hoje que tem alguma coisa faltando na sua roda. Talvez nem saiba que exista algo chamado "calota" num automóvel. No fim das contas, minha mãe pegou o troço e botou dentro do garagem do nosso prédio, com um bilhete explicando aos desavisados que aquilo não era lixo. Está lá até agora. Daí não sei se devo reportar o objeto perdido às autoridades, se devo deixá-lo lá até se decompor pela ação da natureza ou se transformo a reluzente calota da Volkswagen no mais novo item da minha coleção insólita, assim meio sem critério, que já inclui:

1) Uma baqueta quebrada e um pedaço de prato de bateria, ambos doados pelo baterista da minha banda, Adriano Domeniconi, conhecido pela mão pesada e a estranha habilidade de causar estragos quando está por perto.

2) Um X de um carro da Fiat. Uma vez estávamos saindo de um boteco chamado "Sapão Beer" (podem rir) e encontramos um monte de letrinhas de traseira de carro no chão. Meu amigo Leandro Fabel pegou o I da Fiat. Eu fiquei com um X.

3) Uma bolacha de chopp da Kaiser.

4) Um saco de vômito de avião (sem usar, né?), doado por meu pai.

5) Um punhado de serpentinas que caíram em mim durante um show do Los Hermanos, no meio da música "Todo Carnaval Tem Seu Fim". Mencionei essas serpentinas neste post aqui, nos primórdios do bISELHO.

E aí? Alguma sugestão?

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Lucas Paio já foi campeão mineiro de aviões de papel, tocou teclado em uma banda cover de Bon Jovi, vestiu-se de ET e ninja num programa de tevê, usou nariz de palhaço no trânsito, comeu gafanhotos na China, foi um rebelde do Distrito 8 no último Jogos Vorazes e um dia já soube o nome de todas as cidades do Acre de cor, mas essas coisas a gente esquece com a idade.

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