08/01/2005

Contestando a teoria de Darwin



Responda rápido: qual o sabor da bala Chita?

a) abacaxi
b) banana, ué. A bala não é da Chita?
c) como assim, sabor? Bala Chita tem algum "sabor" específico?

Sim, tem um sabor sim, e a resposta correta é a primeira opção. Abacaxi. Muita gente não sabe disso. Assim como muitos não sabem que o Guarapan é um refrigerante de maçã. Lembro quando discutimos isso com nosso colega Pedro, na faculdade. Ele teimava que era de cana-de-açúcar (!!), mas pedimos a garrafa pro dono da lanchonete e provamos pra ele, através do famoso e imutável rótulo do Guarapan, que aquilo ali era maçã. Maçã artificialíssima, mas maçã.

A bala Chita é outro caso interessante. Tem a bala Chita de uva e a de menta, mas a original, de papel amarelo, é de abacaxi. Falei isso com o Rafael, amigo meu, e ele se surpreendeu. "Achou que era de quê?", perguntei. "Sei lá, sabor de bala Chita", disse ele. E é o típico caso do produto que não evolui. É antigaça (é só lembrar há quanto tempo você conhece o xingamento "bonitão da bala Chita"), mas não muda nada. É sempre o mesmo papel amarelo e a cara da macaca de boca aberta segurando a plaquinha com seu nome.

Fico imaginando como é a fábrica da bala Chita. Todo mundo visita a fábrica da Coca-Cola e a da Garoto no Espírito Santo, mas ninguém ouviu falar da fábrica de bala Chita. E as reuniões de marketing? "As metas para esse mês serão as mesmas do mês passado", diz o presidente, iniciando e terminando a reunião ao mesmo tempo. Afinal, o que se pode decidir? São pessoas tão conservadoras que ela devia se chamar bala Xiita.

Mas que é uma boa bala, isso é. Só perde pra Erlan de maçã verde e aquela de chocolate, da embalagem vermelha e amarela. Mas não entraremos aqui em disputas de qual bala é melhor. Cada macaco no seu galho.

06/01/2005

O homem que criticava



Lendo a nova coletânea de crônicas do Jabor, Amor é Prosa, Sexo é Poesia, dá até pra entender os comentários infelizes que ele fez sobre o rock no mês passado (desinformados, entrem no Whiplash e assistam depois a uma sátira em animação aqui). Arnaldo Jabor viveu a juventude nos anos 60. De lá pra cá, viu o golpe de sessenta e quatro dar início a duas décadas de generais-presidentes seguido de uma redemocratização que começou mal, com Sarney e Collor. Não é de se admirar que, com seus mais de 60 anos (e eu achei que tinha menos), seja um saudosista.

O livro é um amontoado de crônicas que ele publicou no jornal, e que dá pra ler de uma sentada só. Há algumas em que ele esmiúça (existe esse verbo?) o título do livro, que, ao contrário do que você pensava, não vem da música da Rita Lee. A música é que veio do artigo que dá nome ao livro. O Jabor escreveu sobre amor e sexo no jornal, a Rita leu e escreveu a canção, criando assim a inusitada parceria Jabor - Rita Lee - Robeto "Maridão" de Carvalho.

Mas o principal tema do livro não é o amor, mas uma certa desesperança com o futuro. O Jabor é um cara ranzinza. Começa vários de seus textos dizendo-se cansado, esgotado, em crise, sofrendo com as notícias que vê diariamente. Fala do Bush, do Lula, da morte, do bar que fechou. Isso gera momentos muito interessantes. A melhor crônica, que resume todo esse cansaço do mundo, está na página 111 (emprestei o livro antes de anotar o título). É um parágrafo só, mas de três ou quatro páginas, em que o Jabor fala de tudo o que ele não agüenta mais.

Em outras crônicas, porém, ele acaba parecendo um chato de galochas. Como no texto que fala, vejam só!, sobre chatos. Ou, pior, num que ele critica as "pequenas bobagens" do dia-a-dia, chegando à seguinte frase sobre os palmtops: "Por que não vão todos pra p.q.p. com essas merdas inúteis?". Não é à toa que existem tantas comunidades no orkut dedicadas à odiar o Jabor. Esses momentos de lunguice total, no entanto, não chegam a comprometer a ranzinzice divertida da maioria dos textos.

Curiosidade que só eu devo ter percebido: o Jabor tem uma fixação por verbos em títulos. 30 das 36 crônicas do livro têm ao menos um verbo no nome. Assim como o próprio livro. Assim como vários de seus filmes (Toda Nudez Será Castigada, Eu Te Amo). Só pode ser uma fixação.

05/01/2005

"All work and no play makes Jack a dull boy"



Quem já leu algumas das coisas que eu gosto na coluna "Que puxa!", do lado direito da página, deve ter visto na lista: "Jack Nicholson fazendo papel de louco". Pois é. Tem certos atores que, por mais versáteis que sejam, acabam se sobressaindo em certos tipos de papéis, o que não significa necessariamente que eles repitam sempre o mesmo trabalho. Ao contrário de Will Smith, que faz o estilo "piadista na hora errada" em todo filme que faz (vide Homens de Preto, Eu, Robô e Independence Day).

Vamos, portanto, a mais uma lista esdrúxula. Com vocês...

Os melhores filmes em que John Joseph "Jack" Nicholson faz papel de louco

>> "O Iluminado" (1980)
Escolha óbvia, mas como esquecer? Tem um episódio de dia das bruxas dos Simpsons que homenageia esse filme. A frase que dá nome a este post, escrita milhares de vezes pelo Jack Nicholson em determinado momento do filme, é "traduzida" nos Simpsons como No TV and no beer makes Homer go crazy.

>> "Batman" (1989)
Nenhum ator conseguirá parecer tão perfeito para um papel quanto Jack fazendo o Coringa.

>> "Um Estranho No Ninho" (1975)
E olha que ele começa como um normal no meio de um bando de malucos. Um estranho no ninho, literalmente. Nada que uma lobotomiazinha não resolva.

>> "Melhor É Impossível" (1997)
Seu lema é: não pise nas linhas e vire a chave três vezes antes de sair de casa. Graças a Deus eu não tenho nada disso. Só não me dou bem com gavetas e portas de guarda-roupa abertas...

04/01/2005

Trânsito muito louco



Hoje à tarde. Estou no carro com o Rafael fazendo uma peregrinação pelo centro da cidade. Determinada rua eu viro e páro no sinal. Noto uma placa de loja de doces onde se lê "Casa do Baleiro".

- Olha lá, Rafael. Vamos visitar o Zeca? - digo eu.

- Que Zeca? - pergunta ele.

- O Zeca Baleiro.

Ficamos rindo da piadinha ridícula e o sinal amarela. Preparo-me para arrancar. É quando o sinal fecha, e de repente percebemos que tínhamos ficado aquele tempo todo rindo e falando bobagem enquanto o sinal estava verde. Sorte minha que não tinha ninguém atrás.

É como eu digo: não é que eu seja um cara distraído. Sou só concentrado nos meus pensamentos.

You say it's your birthday? Well, it's my birthday too, yeah!



20 anos de vida. Putz. Tem passado rápido. Ontem mesmo eu tava fazendo 19 em Iriri, na inauguração de uma boate-pizzaria onde tínhamos ido de trenzinho da alegria (é sério!). Ontem mesmo tava comemorando 18 em Cabo Frio, soprando as velinhas exatamente às dez horas da noite, o horário exato em que nasci. Ou fazendo 16 em plena estrada, voltando de uma viagem pela Bahia e almoçando num restaurante onde caiu um mosquito no meu macarrão que se recusava a sair. Ou fazendo 13 numa festa junto com minha prima Natália, cujo aniversário é um dia antes do meu, e filmando quase duas horas de palhaçadas. Ou fazendo 12 e ganhando do meu pai um livrão com partituras de todas as músicas dos Beatles, que é fantástico e que uso até hoje. Ou fazendo 6 e obrigando todo mundo da festa, inclusive os tios e amigos dos meus pais, a usarem as máscaras de monstro que eu fiz de papel. Nesse mesmo aniversário ganhei um bonequinho do Jiban (ele mesmo, o policial de aço) e um periscópio, tipo aqueles de submarino, feito por meu tio Kiko com dois espelhinhos e um tubo de PVC. É impressão minha ou a Terra tem girado cada vez mais rápido nos últimos anos?

01/01/2005

O dia em que todos se vestem de médicos



Acho que deveríamos comemorar o reveillón à uma hora da manhã. Estamos no horário de verão, ora bolas. Meia-noite é onze horas, uma hora é meia-noite, e assim por diante. Até pensamos em fazer isso ontem, na Praça do Papa. Meia-noite, cinqüenta e nove minutos e cinqüenta segundos começaríamos a contagem regressiva, nos abraçaríamos à uma hora e celebraríamos, finalmente, a chegada de 2005. Não ia adiantar. A turma que bebia Cidra Cereser e "vinho" Chapinha desde às nove da noite acharia que já estavam mais bêbados do que imaginavam, e para os sóbrios não passaríamos de uns patetas.

Enfim. Aceitamos o horário utilizado pela grandessíssima maioria da sociedade e comemoramos o reveillón com todo mundo. Quer dizer, todo mundo não, porque na Praça do Papa o pessoal estava mais preocupado em ver os focos de fogos de artifício espalhados por Beagá do que em celebrar o ano-novo. Até recebemos um "ssshhh!" quando gritamos um "êêêê!" mais alto. Nem contagem regressiva teve. Soubemos que 2005 estava aí quando os fogos maiores começaram a despontar no horizonte (belo?) que a gente avistava.

Fazer o quê, né. Não sei mais passar reveillón na cidade. Os últimos quatro passei na praia (Prado-BA na virada do milênio, Cabo Frio-RJ nos dois anos seguintes e Iriri-ES ano passado). Nenhum de nós tinha cem pratas pra pagar numa boate tipo Pop Rock Café, ouvindo a banda da noite tocando "Vou Deixar" e saboreando a deliciosa Nova Schin que servem nesses lugares. Optamos por um programa diferente: Praça do Papa, War II e falar muita bobagem. Muito divertido, no final das contas. E ainda tenho dinheiro na carteira.

Em tempo: foto do reveillón no bISELHO, o flog!

31/12/2004

30/12/2004

Cinema Show



Em 2004 pude bater meu próprio recorde pessoal e assisti a 26 filmes no cinema. Só pra efeitos de comparação, foram 17 no ano passado. Não chega nem perto do que verdadeiros amantes da sétima arte assistem, mas, pô, haja grana. Esse mês de dezembro pus-me a assistir alguns daqueles que queria checar em meio ao barulho de pipoca e celular tocando mas acabei perdendo, como 21 Gramas e Dogville. Mas mesmo no cinema pude assistir a muita coisa boa.

Muita porcaria também, é claro. 2004 foi ótimo em porcarias. Tróia, por exemplo. Atores inexpressivos (o Légolas nunca esteve tão boboca), trilha sonora esquisita, até o Cavalo de Tróia decepcionou. Outro "grande" momento foi quando eu e uns amigos entramos pra ver Anjos da Noite - Underworld. 20 minutos depois saímos e fomos pra sala de Scooby-Doo 2. Dublado, ainda por cima. Tava tão lotado de criança fazendo algazarra que tivemos que assistir o filme na escada.

Nem tudo virou bosta, como diria Rita Lee. Aí vão os meus favoritos, sem muita ordem de preferência:

Encontros e Desencontros
Ou "Esqueceram de Nós - Perdidos no Japão".

Diários de Motocicleta
Che antes de virar pôster, como disse Roberto Pompeu de Toledo. Um dos melhores do ano.

Kill Bill
Diversão estilo Mortal Kombat. O volume II decepcionou um pouco, é verdade. Mas até hoje assobio a musiquinha da enfermeira de tapa-olho.

Shrek 2, Homem-Aranha 2 e Doze Homens e Outro Segredo
Continuações à altura do original. No Shrek o que estraga é que o final é o mesmo do primeiro. No Homem-Aranha o que estraga são as lições de moral, extendidas além da conta. Já Doze Homens... bem, esse é muito melhor que o outro.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Foi uma experiência interessante, mas também um erro grave, fazer o que eu fiz: ler o roteiro todo antes de assistir. Perdi várias das surpresas do roteiro, além de ficar insatisfeito com o final (cortaram o fim original do roteiro). Talvez a Lacuna Inc. possa apagar minha memória para que eu me surpreenda com esse ótimo filme quando for ver novamente.

Os Incríveis
Melhor desenho da Pixar e um dos melhores de animação computadorizada, só empatando com o primeiro Shrek. E ponto.

Fahrenheit 11 de Setembro
Tendencioso, sem dúvida. Mas bom pra caramba. E olha que nem cumpriu seu "objetivo" principal, que era tirar Bushinho do poder. Michael Moore deve estar satisfeito por ter mais quatro anos de piadas em cima disso.

Bônus track só pra constar
Os outros filmes assistidos no cinema foram: a última parte da Trilogia do Anel; os convencionais O Último Samurai e Mestre dos Mares; o divertido Escola de Rock; Paixão de Cristo, já comentado num post antigo do bISELHO; um monte de filmes apenas ok (Cazuza, Harry Potter 3, Eu Robô, A Vila, O Terminal, Capitão Sky); porcariazinhas pra passar o tempo (As Branquelas, O Grito); e o nada natalino Papai Noel Às Avessas. O Grito pelo menos foi de graça, numa pré-inauguração do novo cinema do Pátio Savassi, que dava direito até a pipoca e refrigerante grátis. Cinema excelente, aliás.

28/12/2004

Doze Homens e Uma Sentença, digo, Outro Segredo



Num ano que teve algumas coisas boas como Diários de Motocicleta e muitas porcarias como Tróia, é bom terminar com um filme tão prazeroso quanto esse Doze Homens e Outro Segredo. Olha que pela internet afora tem muita gente falando mal do filme, criticando a megalomania dos produtores e atores e a confusão do roteiro. Mas, sinceramente, achei o primeiro muito mais confuso e bem menos divertido. Bons atores, bons diálogos, boas piadas, participação do Bruce Willis (e poucos vão pegar a parte que ele conversa sobre O Sexto Sentido), uma trilha sonora bem legal, reviravoltas na trama e, claro, alguns exageros típicos dos filmes do 007, como a "capoeira" no meio dos lasers. Quase tão bom quanto Os Incríveis. E com ele fecho bem o ano com 26 filmes assistidos no cinema.

26/12/2004

And so this is Christmas...



E lá se vai mais um Natal. Época de luzes, presentes, despedidas de final de ano, felicitações a pessoas que você mal conversou o ano inteiro, e chuva, muita chuva. Certos clichês não morrem nunca: ontem mesmo a Globo passou o clássico natalino Esqueceram de Mim II - Perdido em Nova York. O Papai Noel do BH Shopping também continua lá, sofrendo com os pentelhos, mas agora sendo ajudado por uma legião de Mamães Noéis e ainda dois anões vestidos de duendes que, se eu fosse criança, ficaria com medo.

Mas sei lá. Depois que a gente descobre que o Papai Noel não é simplesmente um bom velhinho que distribui presentes, como seria simples e lógico, mas sim um embuste, uma conspiração armada por todos os pais do mundo com o auxílio da mídia, os Natais começam a perder a graça. E olha que eu acreditei em Papai Noel até uns bons nove anos de idade, muito mais do que a maioria das crianças de hoje. Mas de repente os relatos de meus primos e dos colegas de escola começaram a denunciar a conspiração paternal. Aquele Papai Noel que aparecera na madrugada do dia 24, por exemplo, nada mais era, descobriu-se, do que um tio fantasiado. Chegou uma hora em que tive que aceitar a dura realidade da não-existência de Noel, seus duendes, suas renas e sua fábrica de brinquedos no Pólo Norte (seria o geográfico ou o magnético?). O engraçado é que, no Coelhinho da Páscoa, eu já não acreditava fazia muito tempo. Pra mim, ele sim tinha sido criado pela mídia para vender mais chocolates na Páscoa, na esteira do altruísmo sincero do velhinho de gorro vermelho.

As soluções encontradas por meus pais pra mascarar a verdade eram engenhosas. Quando eu escrevia as cartas, meu pai prometia que ia mandálas pelo correio para o Papai Noel. Muito tempo depois, no entanto, descobri todas essas cartas numa gaveta no quarto dele, e fui questioná-lo. "É que eu mandei lá na empresa, por fax", respondeu ele.

Outra coisa que me intrigava eram as etiquetas de lojas que vinham nos meus presentes. "Se o Papai Noel tem uma fábrica de brinquedos", perguntei à minha mãe, "por que tem essas etiquetas de lojas?". Ela explicou que a quantidade de brinquedos que as crianças do mundo inteiro pediam era enorme, e por isso o Papai Noel mantinha convênio com várias lojas, onde adquiria os presentes que não podia fabricar. Olha só, convênio. E o pior é que fazia sentido.

Hoje em dia minhas esperanças a respeito de Noel já foram pela chaminé há muito tempo, principalmente depois que descobri um texto chamado Papai Noel existe?, que prova a impossibilidade de sua existência através das leis da física e que disponibilizei na minha antiga (e bota antiga nisso) página de piadas, a Bullshit. Ho, ho, ho!

Ouvindo: Ramones, Merry Christmas (I Don't Want To Fight Tonight).

Voltando após os comerciais...

Muitos não acreditavam que este retorno pudesse ocorrer. Pra falar a verdade, a maioria dos freqüentadores assíduos do bISELHO (uns três ou quatro gatos-pingados) nem sequer entrava mais aqui, já que as atualizações novas não vinham há meses. Não fiquei sumido da internet, claro. Faço parte de umas mil e duzentas comunidades no Orkut (quem quiser me achar lá clique ), e de quando em vez posto alguma foto nova no bISELHO, o fotolog, apresentado aos senhores no último post deste quase-finado blog, há mais de três meses. De lá pra cá muita coisa aconteceu, e até o caso do passarinho na janela narrado por mim no dia 10 de agosto virou música, a ser lançada internacionalmente em 2005.

Pois foi agora em dezembro que decidi voltar a escrever por essas bandas, mas tornei a desanimar quando descobri que todos os comentários dos visitantes anteriores a agosto tinham puf! sumido sem deixar vestígios. Mistérios inexplicáveis da internet... mas tudo bem. Comecemos logo essa nova fase do bISELHO, com atualizações quase diárias (observem que não estou prometendo nada). Até daqui a pouco.

15/09/2004

bISELHO - o flog!

Sim, eu sei que tem mais de um mês que eu não atualizo o blog, mas é que tô meio sem idéia.

Não, eu não vou acabar com o blog. Já estou tendo algumas idéias para novas séries de posts, é só esperar (sentado).

Sim, eu criei um fotolog e pode chamá-lo de mais um projeto inacabado, mas não deixe de visitar e comentar. O endereço é http://biselho.flogbrasil.terra.com.br.

Não, eu não tenho mais nada a dizer neste post, a não ser: visitem bISELHO, o flog!

10/08/2004

Que pena...



Um passarinho acabou de chocar-se contra a minha janela. Temo pelo futuro do bicho, já que algumas penas do coitado ficaram grudadas no vidro. Não é nem a primeira vez que isso acontece. Deve ser a terceira ou quarta, em menos de um ano que eu moro aqui. Será que preciso colocar alguma placa de trânsito, tipo "Pare" ou "Estacionamento Proibido" pros passarinhos pararem com essa mania?

23/07/2004

"Esse documento não prova nada, prova só que o Coringa é um filho da puta!"



Dia desses encontrei uma comunidade no Orkut sobre um tal "filme do Bátiman". Entrei e vi os tópicos relacionados, pessoal falando que era um clássico, que usava as frases do filme no dia-a-dia, e tudo mais. Tinha um endereço lá pra baixar o troço na Internet e resolvi encarar os cento e tantos mega do arquivo de vídeo.

É um barato. Segundo consta, lá pelos idos dos anos 80 uma dupla de à-toas pegou um episódio do seriado do Batman da década de 60 e redublou, transformando aquilo em um aglomerado de cenas desconexas, com diálogos estilo Hermes & Renato (mantenha longe do alcance das crianças). Quem quiser se aventurar, vale a pena fazer o download do filme: está nesta página. Você também pode visitar a home page oficial enquanto pega o filme.

Alguns dos melhores momentos:

- quando Batman, cansado dos xingamentos de Robin, declara: "Pára de falar palavrão, Robin! Você é um menino, eu que te criei! Vou te colocar num colégio interno!"

- quando Batman revela ao seu arqui-inimigo: "Eu não tenho pinto, Coringa. Eu sou eunuco."

- quando um sujeito vê o Robin chegando e diz: "Porra, o Robin, aquele viadinho! Até minha vó sabe que esse cara é bicha"

Ok, não é um humor muito inteligente mas é divertido pacas ver os próprios personagens dizendo essas baboseiras todas. Enquanto não sai o próximo filme de verdade do home-murcego, com Christian Bale no papel principal e Christopher Nolan (o diretor de Amnésia) na direção, assista esse aí.

21/07/2004

"É como do Arpoador não ver o mar..."



Eu nunca tinha ido no Rio de Janeiro. Aí resolvo fazer um passeio daqueles de turista mesmo, e de quebra ainda pegar uma praia, mergulhar a cabeça no oceano Atlântico... e só chove. Devem ser as águas de março, invadindo o inverno. Quando não chovia, fazia um frio de rachar. Mas deu pra ver muita coisa. Por exemplo:

Cristo Redentor. Tem escada rolante e tudo pra subir até lá em cima. A vista é fantástica, já que o Corcovado é o ponto mais alto do Rio de Janeiro. Uma gringaiada que só vendo, o que você menos ouve lá é português. Eu só imaginava o Cristo maior, quando via na TV o Didi Mocó escalando o monumento.

Bondinho do Pão de Açúcar. Confesso que esperava um pouco mais. A vista lá do Cristo é melhor e no dia que eu fui ainda tava chovendo. Você entra no negócio quatro vezes: do chão até o Morro da Urca, do morro até o Pão de Açúcar, e depois o caminho inverso. Em pé. E o Dentes de Aço (do filme 007 Contra o Foguete da Morte) nem apareceu para cortar com os dentes o cabo de aço do bondinho.

"Celebridades". Tá certo, ninguém que valesse a pena um autógrafo ou uma foto do lado, mas a fama que o Rio tem de um artista por esquina é verdadeira. Em três dias lá, vi do meu lado Marieta Severo, Oswaldo Montenegro e Paloma Duarte, Bruno Medina (do Los Hermanos), Cláudia Jimenez, Carolina Ferraz e Renata Ceribelli (apresentadora do Fantástico). Nenhum deles veio me pedir um autógrafo.

As praias. Leia-se: Copacabana e Ipanema, além de um pulinho na Pedra do Arpoador (quem for lá, visite, a vista também é ótima, fica no finzinho de Ipanema, do lado da Praia do Diabo). Em Copacabana tem uma estátua do Carlos Drummond de Andrade sentado num banquinho, e no dia que passamos lá tinha um catador de latinhas batendo um papo muito animado com o poeta. A foto daquela cena hilária é agora o papel de parede do meu computador.

Ponte Rio-Niterói. Fizemos a besteira de atravessar os 14 quilômetros de ponte num táxi. Uma fortuna pra ir e outra pra voltar. Tudo isso pra ver o Museu de Arte Contemporânea, um disco voador projetado pelo Niemeyer, que adora projetar discos voadores. Como alguém escreveu no livro de visitas do lugar: "Museu 10. Obras 2." E o taxista, que além de colocar Kenny G no rádio do carro, ainda nos contou que tem dezenas de operários "segurando" a ponte com seus cadáveres desde a época da construção?!

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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