05/09/2005

Profecia

O Brasil venceu o Chile por cinco a zero está oficialmente classificado pra Copa do Mundo 2006.

Bah. Como se a gente já não soubesse. Está perfeitamente claro, desde 2002, que o Brasil não só participaria da Copa na Alemanha como conquistaria o hexa na terra do apfelstrudel.

A certeza não se deve às táticas do Parreira ou à competência dos jogadores, mas à profecia da pirâmide, que começou a circular na internet no decorrer da copa de 2002 e provou, antes do término, que o Brasil seria o campeão daquele ano.

Caso não se lembrem, reproduzo a imagem aqui, e se tiverem miopia braba é só clicar em cima que ela aumenta.



O funcionamento é o seguinte: o topo da pirâmide é a copa de 1982, quando a Itália sagrou-se vencedora. Conforme a pirâmide vai descendo, vemos que seus lados se correspondem, e que os campeões de um lado são exatamente os mesmos do outro: Argentina em 1978 e 1986, Alemanha em 1974 e 1990, Brasil em 1970 e 1994, e por aí vai. Aparentemente há uma falha no esquema (Inglaterra ganhou em 1966 e deveria ter vencido em 1998, mas como sabemos, foi a França de Zidane que subiu ao pódio naquele ano), mas isso está perfeitamente explicado na imagem acima.

A parte chata é que gritar "hexa" não tem o mesmo apelo que berrar "tri!", "tetra!" ou "penta!". Mas a gente releva.

04/09/2005

Hey you, up in the sky!

Google Earth é o programa mais legal do mundo. Vista aérea do planeta todo, como se fosse um Sim City gigante. O arquivo de instalação tem uns 10 mega, e depois tem que estar conectado na web (preferencialmente, digo, obrigatoriamente, com banda larga) pra funcionar direito. O programa ainda está em fase de desenvolvimento e só as cidades grandes têm uma aproximação boa. Não dá, por exemplo, pra achar o sítio do seu tio que fica em São Joaquim do Morro Verde. Mas dá pra se divertir bastante e, depois de começar a usar, você não vai fazer mais nada da vida. Vai querer achar sua casa, a casa da sua avó, onde você estuda, o barzinho onde come um espetinho de frango bom pra caramba. Vai procurar pela Torre Eiffel, o Coliseu, o buraco onde ficava o World Trade Center. Eu já achei, por exemplo, a bolona do Epcot Center na Disney, a Pedra do Arpoador no Rio e o coreto da Praça da Liberdade. Descobri que a Lagoa da Pampulha tem um formato engraçado, parece um bonequinho com elefantíase nos braços. Descobri que moro na latitude 19° 58' 37" sul e na longitude 43° 58' 22" oeste. Quem quiser jogar uma bomba aqui em casa, olha aí, já tem até as coordenadas exatas.


Home sweet home, indicada pela seta vermelha. A piscina atrás do prédio é uma escola de natação chamada Nada Melhor (pegou? pegou?), onde pratiquei, por poucos meses, a arte de se debater numa superfície aquática com o intuito de se locomover


Quarteirão (sem queijo) da minha faculdade. Seta vermelha indica onde faço estágio. Seta verde indica o famosíssimo Boteco da Das Dores.


Bonequinho com elefantíase nos braços


Braços abertos sempre a esperar...

03/09/2005

É impossível criar um só



Deve ser divertido trabalhar no departamento de criação de novos sabores da Elma Chips, se é que existe algo assim. É bem provável, a julgar pela infinidade de sabores exóticos de batatinhas, tanto a tradicional Ruffles quanto a nova Sensações. Lembro que, há uns dez anos, só existiam a Ruffles original e a Cebola e Salsa, e olhe lá. Depois surgiram a sabor Churrasco e a de Parmesão, mais ou menos na época em que os chips vinham com brindes mórbidos e gosmentos, como línguas, dedos e cérebros, que infelizmente não eram comestíveis.

Nos últimos anos, porém, o pessoal endoidou. Devem ter feito uma reunião e falado:

- Vamos pensar nos sabores mais bizarros que a gente conseguir. Os químicos que se virem pra reproduzí-los nas batatas depois.

E deram asas à imaginação, fazendo surgir assim, gradualmente, trocentas novas batatinhas, que entram e saem das prateleiras de tempos em tempos, sempre dando lugar a um festival de esquisitices maior ainda. Entre elas podemos citar:

Variedades de queijo: depois do Parmesão, fomos brindados com os sabores Cheddar e "Queijo Suave", seja lá o que for isso. Qual será o próximo? Camembert, para os paladares apurados?

Temperos diversos: incluem-se aí Catchup, Orégano (muito boa por sinal, pena que já saiu de linha), Tomate e Azeitona, "Toque de Sal" (talvez para compensar a falta de cloreto de sódio na Ruffles original) e a Ruffles Twist, que poupa a você o trabalho de pôr um limãozinho pra incrementar a batata. Espero ansiosamente por uma Ruffles sabor wasabi.

Mesa de frios: já teve Presunto, Peito de Peru e agora experimentei uma sabor Salame. Prováveis próximos lançamentos: Pastrami, Lombinho Canadense e Mortadela Turma da Mônica.

"Sensações do Brasil": novo "selo" onde se encontram as Top Estranhas. Já foram lançados a de Espetinho de Camarão (não é camarão, é sabor espetinho de camarão mesmo) e Frango a Passarinho. É uma experiência única mastigar um troço com a textura de uma batata chips e o sabor de um frango a passarinho, o que nos leva a crer que os químicos da Elma Chips realmente se empenharam em dar vida às idéias tresloucadas do departamento de criação de novos sabores.

Não se espantem se depois de amanhã aparecerem no mercado as batatas sabor:

>> Tutu de Feijão
>> Chocolate com Pimenta
>> Fanta Uva
>> Rúcula e Agrião
>> Bolo Floresta Negra
>> Sanduíche do Carrefour
>> Angu da Casa da Vovó

Leitura extra-classe: comunidade "Tenho Medo de Sabores Malignos" no orkut. E se um dia lançarem mesmo os sabores que escrevi aqui, o que não duvido, não se esqueçam dizer que leram antes no bISELHO.

Tarrrrde!



Atravessei o perímetro urbano hoje pra dar uma espairecida e esquecer a poluição da cidade grande. Mentira, foi a trabalho mesmo, quem diria. Estamos planejando uma campanha para uma escola de idiomas em Cachoeira do Campo, e fomos até lá averiguar o local, analisar a região, visitar rádio ("Sideral") e jornal ("O Liberal") pra ver os preços dos anúncios, e de quebra ainda tomamos sorvete na pracinha onde fica a igrejinha com o cemitério atrás, como é de praxe numa cidade do interior. Nesse mesmo cemitério a Luciana, nossa diretora de arte, cometeu o desrespeito-mor de tirar uma foto deitada sobre um túmulo (isso mesmo) de um casal de velhinhos que morreu em 1996, Theodolino e Efigênia, ambos com noventa e tantos anos e ela poucos meses depois do marido. Estamos pensando em usar a foto para alguma propaganda qualquer, quem sabe?

Depois de Cachoeira do Campo (Cachoeira do Norte, Cachoeira do Sul, Cachoeira do Carmo, a gente nunca acertava o nome da cidade), aproveitamos a viagem e esticamos até Ouro Preto, com a desculpa oficial de checar os preços do jornal "Diário de Ouro Preto". A antiga capital estava como sempre: muitos morros, muitos gringos, acabou que não encontramos a sede do jornal e voltamos pra casa debaixo de chuva. O Golzinho 1.0 teve que se esforçar pra subir a morraiada de pedra sob as violentas enxurradas, parecia até que a Efigênia lá do cemitério tinha algo a ver com isso (brrr...).

Em tempo, antes que eu me esqueça: a aposta do filme do Bátiman, descrita no post anterior, começou a valer a partir de hoje, mas o idealizador da aposta faltou misteriosamente à aula. Provavelmente medo de perder. Ele que começou a brincadeira, ele começou, agora se fudeu.

02/09/2005

Modere meu linguajar



Usar as frases do filme do Bátiman no dia-a-dia já se tornou corriqueiro pra mim. Pra quem não lembra, falei dessa pérola do trash brasileiro neste antigo post de julho de 2004. Depois quase esqueci de sua existência, até que alguns meses atrás emprestei o CD com o episódio para uns amigos meus de Lavras, que vão de carona comigo de manhã pra faculdade. Os caras viciaram, assistiram o troço umas quarenta vezes, mostraram pra zilhares de amigos e até organizaram uma sessão do filme numa festinha que teve na casa deles.

Claro que, indo todo dia junto pra aula, e tendo decorado praticamente todos os diálogos do filme, a gente acabaria por utilizar as frases e expressões ditas por Bátiman, Róbim, Coringa (o Palhaço, o Jóquer) como se fosse parte integrante do nosso vocabulário usual. Por exemplo:

>> Toda vez que se ouve uma sirene: "A cana, filho dumas putas! Como é que me descobriram aqui?"

>> Demonstração de incredulidade: "Mas comé que pode ser verdade uma porra dessas? Me explica essa porra!"

>> Pra chamar uma menina: "Minha filha, vem cá!"

>> Sempre que alguém menciona quantas horas: "Eu sei vê hora, porra!"

A coisa chegou num tal nível que decidimos fazer uma aposta: amanhã, quem falar alguma coisa usando frases do filme do Bátiman, ou o sotaque nordestino do Coringa, ou até a voz rouca do Comissário Gordon, vai ter que pagar 1 real. Não, correção. Vai ter que se fantasiar como mulher do Coringa. Vamos ver quem é o primeiro, quem é o primeiro.

31/08/2005

Um brinde aos brindes



Lá na minha faculdade tem um troço no oitavo período que se chama "agência experimental". Você forma um grupo de até umas sete, oito pessoas, e finge que é uma agência de verdade, faz campanha para um cliente real e gasta uma grana boa se não arranjar patrocinadores. E todo começo de semestre, passado um mês e pouco de aula, tem a apresentação das agências para os alunos, com todo mundo reunido no auditório da faculdade assistindo com atenção, mas na verdade esperando o lanchinho no final. Uma vez comi tanto nesses lanches que só fui comer de novo às 3h da tarde.

Além dos banquetes (que estão cada vez mais escassos nos últimos semestres), são legais também os brindes que eles distribuem, seja pra chamar a gente pras apresentações, seja pra fazer uma média com a galera mesmo. A maioria dos que eu recebi não foge do lugar comum: são camisetas desconfortáveis, canetas que estragam no dia seguinte, pop cards com a campanha que a agência usou pra fazer a própria divulgação. Mas de vez em quando aparecem coisas inusitadas, como a lâmpada verde que recebi hoje (já testei no meu abajur, é praticamente a mesma coisa da amarela), ou o kit de material escolar que ganhei depois de fazer malabarismos lá na frente da sala. Me senti um moleque no sinal.

Top 3 brindes de agências experimentais:

Nariz de palhaço: foi de uma agência chamada Bigorna, que distribuiu narizes pra faculdade inteira. Uma palhaçada que só vendo. Na época eu pegava um longo trajeto de ônibus todo dia pra voltar pra casa, e resolvi usar o nariz pra testar a reação do povo na rua e passar o tempo. Infelizmente perdi esse nariz original numa festa em setembro de 2004, mas outros vieram depois (valeu, De Pinho e Marina!).

Óculos com nariz: de uma agência chamada Caricatura. Na verdade esse não era um brinde, era um material de divulgação que eles penduravam pela faculdade, que acabou vindo parar nas minhas mãos (ou na minha cara, tanto faz). Tem a mesma "utilidade" do nariz de palhaço, com a vantagem de que é mais confortável porque permite uma respiração melhor. Com o tempo, no entanto, a alça do óculos quebrou, e nem durex resolveu.

Bolinhas de sabão: ou seriam bolhinhas? Ganhei esse no começo dessa semana, de uma agência chamada O2. Deram potinhos com sabão e aquele aro pra fazer bolhas pra todo mundo, transformando os corredores num festival de sabão flutuante. Eu tinha esquecido o quanto aquilo era viciante. E quando acabar, é só entrar neste site aqui e aprender a fórmula secreta das bolhinhas, depois sentar numa calçada de canudo e canequinha, tchuplec tchuplim...

30/08/2005

Crime of the century



Onda de assaltos rolando por aí. Roubaram os sapatinhos vermelhos usados pela Dorothy em O Mágico de Oz. Roubaram a cabeça do Mozart, com peruca e tudo, num museu de cera na Áustria. Estaria a Winona Ryder envolvida? Ou será que um dia vão encontrar tudo isso num galpão junto com os braços da Vênus De Milo, o nariz da Esfinge e o dedinho do presidente?

29/08/2005

Arriégua



Surgiu uma festa a fantasia pra ir e decidi aposentar a roupa do Pânico e a máscara preta em forma de cone. São calorentas demais. Resolvi aproveitar o chapéu que minha mãe trouxe de João Pessoa no ano passado e me vestir de cangaceiro. Para tanto, tive que realizar uma extensa pesquisa visual e gastei horas e horas freqüentando bibliotecas, consultando livros sobre Lampião, desenterrando jornais empoeirados de 1920, tudo pra poder encontrar imagens de cangaceiro e compor o figurino da maneira mais adequada. Mentira, isso seria se fosse há uns dez anos. Nesse mundo altamente tecnológico do século XXI, só precisei entrar no Image Google e digitar "cangaceiro". Dezenas de fotos pipocaram à minha frente e foi só analisá-las com certo apuro e fazer uma lista mental dos apetrechos que precisaria além do chapéu: um casaco aberto com uma camisa por baixo, duas cartucheiras fazendo um X no peito, lenço amarrado no pescoço, calça pega-frango e sandálias de couro.

Parti então para a coleta das peças e subseqüente montagem da fantasia. É a hora em que vamos substituindo ítens aqui e ali, e trocando, por exemplo, as duas cartucheiras por cintos, e as sandálias de couro por sandálias da Reebok. Peguei um casaco que foi do meu avô quando ele tinha a minha idade, com o detalhe de que ele era menor que eu, causando um ligeiro desconforto na hora de vestir a roupa. Pra completar, uma camisa por baixo com o logotipo de um imaginário "Hard Forró Café", também trazida da Paraíba pela minha mãe. O resultado da tosqueira está no meu fotolog. Mas esse eu só prometo atualizar todo dia se alguém se dispuser a presentear este pobre cangaceiro com uma câmera digital.

28/08/2005

Avante!



Segundo o Universo HQ e o site de notícias Ananova, centenas de pessoas teriam avistado uma figura de capa vermelha voando sobre suas casas, na cidade de Ljubovija, na Sérvia. "Era como se ele tivesse uma máquina invisível na parte de trás, fazendo-o voar em várias direções e parando no ar", disse uma testemunha. "Parecia o Super-Homem. Mas ninguém tem nenhuma explicação racional para o que todos nós vimos", disse outra. Apesar das investigações, a polícia se recusa a comentar oficialmente o fato.

Tomem, yankees: o Super-Homem existe, e é iugoslavo.

27/08/2005

Promessa é dúvida



Essa promessa que eu fiz de escrever diariamente me lembrou dum projeto que comecei em outubro de 2004. Meu plano era fazer uma série de sonetos semanais, sem data pra terminar. O primeiro deles era assim:

Pensei em algo que pode dar certo:
Escrever, por semana, um soneto ou mais.
Sim, eu sei, o futuro é incerto,
Mas a idéia foi tida, quem sabe sou capaz?

Os assuntos podem ser vários, diversos,
Não necessariamente sobre sua própria feitura.
Só esse aqui, que já fiz tantos versos,
Será um meta-soneto em sua forma mais pura.

Se eu pensar bem, um por semana nem é tanto.
Não é música que preciso imaginar o canto
Que será feito das palavras cá escritas.

E ainda posso escrevê-los em qualquer lugar,
Até num guardanapo de mesa de bar,
Enquanto saboreio minhas batatas fritas.


Adivinhem quantos sonetos escrevi depois deste?

a) trinta e dois
b) um
c) seis
d) nenhum

Quem acertar primeiro ganha brinde.

25/08/2005

Amnésia em Mi Bemol



O homem do piano resolveu quebrar o silêncio, então eu quebrei o meu também. De agora em diante escreverei diariamente no bISELHO, nem que seja pra falar que hoje eu comi arroz, feijão, macarrão e carne de porco no almoço. O homem do piano, caso não se lembrem, era aquele cara que foi encontrado numa praia da Inglaterra com amnésia, e não dava um pio, mas quando colocaram um piano na frente dele o cara desandou a tocar belissimamente. Até propus algumas hipóteses sobre o mistério neste post aqui, exatos três meses atrás. Agora ele resolveu falar, e descobriu-se que ele não é um ex-habitante de Atlândita ou um espião desmemoriado vindo do futuro, mas um alemão de 20 anos chamado Andreas. Coincidentemente, quando eu estava em Mackay conheci um alemão também com o nome de Andreas, mais uma prova de que nem todos os germânicos se chamam Fritz. A notícia completa sobre o piano-man está na Folha Online. Querem esperar quanto pra anunciarem um filme sobre o cara?

17/08/2005

One two three four!



Punk não é apenas usar moicano e calça rasgada, nem somente Sex Pistols e Ramones. Aliás, sou fã dos Ramones e gosto de músicas de todas as épocas de sua carreira, mas não tem nada menos punk do que ficar 20 anos tocando a mesma coisa. Punk pode ser, por exemplo, tocar "Milla" na Obra. Punk eram os Bítous, que depois de um disco de nome imenso e uma capa repleta de figuras históricas e detalhes visuais, chamaram o próximo apenas de The Beatles e lascaram uma capa branca, totalmente branca. São punks os Los Hermanos, embora seu som atualmente não possa estar mais longe daquele que faziam os Stooges ou o Clash. Mas pra batizar o quarto disco de 4, quando todos esperavam outro título hermético e repleto de possíveis ocultos significados, é preciso punkeza. Musicalmente, ainda prefiro o Bloco, e o Ventura em segundo lugar. 4 apresenta coisas muito bacanas, como "Fez-se mar" e "Pois é", mas não traz as canções perfeitas do Ventura, como "O vencedor" e "Além do que se vê", nem a criatividade de "cadê teu suín-?" ou "Deixa Estar", do Bloco. Mas é bão. E é punk.

15/08/2005

You better watch out



Assistam Arthur. Não, não me refiro ao filme do carinha que virou rei só por conseguir tirar uma espada dum pedaço de pedra. Falo da comédia de 1981 que ganhou o Oscar de melhor canção e o de melhor ator coadjuvante, e que no Brasil recebeu o dispensável subtítulo (estou sendo redundante: todos os subtítulos brasileiros são dispensáveis) de Um Milionário Sedutor.

Viciei no filme. Devo ter visto umas cinco ou seis vezes neste mês de julho, a ponto de utilizar boa parte de seus diálogos no dia-a-dia, exclamando "Peanuts!" ao ver uma tirinha do Snoopy, ou gritando "I hate that when it happens!" com voz de bêbado se algo não ocorreu de acordo com o esperado.

Arthur reúne algumas das características imprescindíveis para que um filme se torne marcante: bons atores, diálogos memoráveis, trilha sonora que gruda na cabeça. Não que seja uma trilha extensa: além da canção premiada (Best That You Can Do, ou, como é muito apropriadamente conhecida, Arthur´s Theme), só ouvimos mais uns três temas instrumentais de Burt Bacharach e o protagonista no piano executando clássicos como a papainoélica Santa Claus Is Coming To Town e a lunática Blue Moon. Mas assista cinco vezes igual eu e com certeza se pegará cantarolando até os improvisos de Arthur: "If you knew Susan, like I know Susan... I... I... I need a drink".

No elenco, temos Dudley Moore como Arthur Bach, o tal milionário sedutor (e bêbado, vale frisar); Liza Minnelli como Linda, nome que, se não contraditório, ao menos um pouco exagerado; John Gielgud como o mordomo de Arthur, no papel que lhe rendeu o Oscar (existe frase mais clichê em textos sobre cinema do que "o papel que lhe rendeu o Oscar?); e mais um bando de menos-famosos cujas carreiras resolvi investigar no movie database mais potente do mundo, o IMDB.

Pra quê. A cada nome que eu olhava, mais espanto. Tirando a Liza Minnelli e a noiva do Arthur no filme, todos os integrantes principais do elenco morreram. Pior: grande parte deles nos últimos anos. Pior ainda: muitos em 2005. Estaria eu diante de uma conspiração para eliminar os realizadores do filme? Senão vejamos:

John Gielgud, o mordomo, morreu em 2000. Dudley Moore, o protagonista bêbado, foi-se em 2002. Ted Ross, seu motorista, partiu desse mundo alguns meses depois, ainda em 2002. O diretor e roteirista, Steve Gordon, bateu as botas em 1982, apenas um ano após o lançamento de seu único filme. Sim, primeiro e único. E a lista dos finados de 2005? Barney Martin, que faz o pai da Linda. Stephen Elliott, o pai da Susan. Geraldine Fitzgerald, avó de Arthur, que morreu em 17 de julho de 2005. Dezessete de julho: exatamente o dia em que assisti Arthur pela primeira vez. Liza Minnelli, minha filha, toma cuidado.

Ainda na Austrália vi pra vender o DVD de Arthur 2: On The Rocks, de 1988. Recusei-me a sequer dar uma olhada, ainda mais depois de saber que o diretor-roteirista não participava, por impossibilidades óbvias. E nem com o cara morto deixaram o filme dele em paz. I hate that when it happens.

11/08/2005

A semana



Passei meu último dia na terra da Kylie Minogue rodando a pé por Brisbane, terceira maior cidade do país. Visitei o genial museu de arte da cidade, que tem exposição de curtas-metragens e a maior coleção de Budas que já vi. Depois participei de um movimento pela paz na porta desse museu. Toda primeira sexta-feira do mês eles se reúnem no mesmo lugar e ficam uma hora e meia em silêncio, parados, em prol de um mundo melhor. Mas só ficamos os últimos dez minutos pra não dar cãibra. Até entregaram um panfleto pra gente depois, com informações sobre o movimento e o endereço do site. O dia seguinte, sábado, 6 de agosto de 2005, foi o dia mais longo da minha vida. De zero hora à meia-noite, durou 37 horas. Foi uma mistura de De Volta Para o Futuro com Feitiço do Tempo: saí da Nova Zelândia às 5h da tarde e cheguei no Chile ao meio-dia do mesmo sábado, isso tendo escurecido e amanhecido de novo. Em Santiago, perdemos o vôo pra São Paulo e quase perdemos também a conexão pra Beagá. Os check-ins e os embarques eram tão corridos que me lembraram muito a cena do aeroporto em Esqueceram de Mim. Domingo assisti Sin City. Segunda arranjei um estágio como redator e levei uma multa por estacionar na calçada, não dá pra escapar da lei do equilíbrio que rege a Terra. Terça almocei no chinês da Savassi e na quarta também, e agora chega de frango xadrez. Hoje comecei a ver Ed Wood, cinebiografia dirigida por Tim Burton, e o DVD deu pau no meio, justo na parte em que ele ia começar a filmar Plano 9 do Espaço Sideral. Semana agitada, como podem ver. Quem sabe que surpresas o destino me reserva para a sexta-feira?

04/08/2005

Mr. Postman



Último dia em Mackay. Vou aproveitar para inagurar a seção de cartas do bISELHO e selecionar algumas das centenas de perguntas deixadas nos comentários deste blog e dos dois fotologs (o atual e o ultrapassado). Vamos a elas.

Silveira: Viajem é legal... ou será viagem?... eu NUNCA sei!
Esse cara tem mais cacife do que eu pra responder.

De Pinho: Ah, você tá aí né?!
Não. Não tô nem aí.

Bernardo: Qual a ordem dos pedais da direita pra esquerda? Acelerador, freio e embreagem? Ou é invertido também?
Ainad bem que não. Se fosse ia ter batida toda hora que alguém fosse passar marcha.

Silveira: Os koalas fedem?
Só os koalas franceses.

De Pinho: Eu quero um foto especial. Você já ganhou a sua no museu de história natural de Oxford.
Pois é, mas quando voltei ao seu fotolog pra conferir a foto, ela não estava mais lá. Só te homenageio se você voltar com a foto.

Otto: Pelicanos!?!?!? O que é isso?
Nunca viu "Duck Tales"? O Capitão Bóing era um pelicano.

Silveira: O que você tem contra lodo?
Tenho o Spray Anti-Lodo da Home Brand. É ótimo!

Shell: Ow, é verdade que nas ruas aí tem placas de cuidado com o canguru?!
Pior que tem mesmo. Não "cuidado com o canguru", mas tipo "canguru pelos próximos 5kms". Não vi nenhum atravessando a estrada saltitando. Mas vi três deles mortos no acostamento. Chuif...

Silveira: Compra pra mim a bola quadrada?!?
Aqui elas são todas ovais. Culpa do rugby.

De Pinho (sobre a logo do Hungry Jack's): Que isso? Burger King australiano ou roubaram a logomarca mesmo?
É Burger King australiano. Sabe-se lá porque, na Austrália chama-se Hungry Jack's. Outra logomarca igual que eu vi foi da Kibon, que aqui é o mesmo coraçãozinho em espiral só que com outro nome (que esqueci). Esse povo é burro, acham que só porque tão do outro lado do mundo ninguém vai perceber.

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

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Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

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