27/03/2006

Koraba!



Começou no boteco da Das Dores, quando estávamos no primeiro período. A idéia era cada um escrever uma parte da história, mandar pro outro continuar, e assim ad infinitum. Até agora foram vinte e poucas idas e vindas, um número pequeno se levarmos em conta que sete períodos já se passaram desde o início das escritas. Dessa vez não sou eu o culpado pelo projeto inacabado: culpem o Michel, tá na vez dele desde, sei lá, 2004.

Fui o encarregado de iniciar o projeto, e aproveitei um início de história que tinha em casa. Jack Qualquer Coisa era o nome do protagonista. Um azarado que trabalhava numa lanchonete. Mandei pro Michel, ele completou o arremedo de narrativa com mais um punhado de situações absurdas, e assim foi. Pouco a pouco, Jack Qualquer Coisa foi se aventurando (ou sendo aventurado) por caminhos cada vez mais insólitos, chegando a viver na prisão por três sórdidos anos e participar de uma guerra entre doninhas e chineses. Mas até hoje, quarenta páginas depois, Jack ainda não comeu ninguém.

De vez em quando um de nós terminava o capítulo de um modo absolutamente non-sense, só pra deixar o outro numa enrascada literária. Como quando, do nada, o Michel escreveu:

"Com dores múltiplas no corpo, Jack Não Sei O Que Houve percebe que está em um deserto de clima desértico, totalmente nu, exceto a um capacete de alumínio que misteriosamente aparecera em sua cabeça."

Sem me dar por vencido, continuei o capítulo e terminei assim:

"Subitamente, Jack sente-se zonzo novamente e se vê cercado por um milhão de chineses enfurecidos, gritando: “Koraba! Koraba! Koraba!”."

Outras vezes comentários eram deixados ao final dos escritos com o intuito de direcionar a próxima parte, ou jogar umas idéias soltas para serem usadas no futuro. Como esse:

Ufa! Foganço contará para Jack algo estarrecedor sobre seu passado: No passado (aí você utiliza aquele tom de cara viajado que o Fogaça usa), Foganço lutou contra um chinês poderosíssimo, conseguiu de alguma corta-lo com uma espada (será a de sete lâminas) mas devido ao poder da flauta do chinês (será a flauta a fawank?), este se multiplicava como uma planária. Seria a luta uma disputa por artefatos? Será que finalmente saberemos o que é Koraba? Quem é Múcio? Bicicleta líquida – um sonho de consumo

Jack Qualquer Coisa gerou até um programa de tevê, apresentado pelo Lata de Lixo, em que Lucas e Michel explicam seus planos de fama mundial e os projetos futuros envolvendo o Jack, como o aguardado longa-metragem com Pat Morita no papel do professor Foganço (infelizmente Pat Morita já não está mais entre nós... R.I.P). Até hoje nenhuma emissora se dispôs a exibir o programa.

Enquanto o Michel não escreve o próximo capítulo, que iniciará a nova saga Jack no Inferno, resolvi publicar, semanalmente, o que já temos até agora. Toda quinta-feira, no blog do Jack Qualquer Coisa. Koraba!

>> A nova temporada do Druida da Pocilga também está no ar, com a estréia do capítulo XV. Não precisam mais me ameaçar.

>> Melhor filme dos últimos tempos da última semana: A Máquina.

>> Melhor banda dos últimos tempos da última semana: Strokes. Por increça que parível, só fui descobrir os Strokes de verdade nesse início de ano agora. Top 5 do momento: "You Only Live Once", "Reptilia", "Heart in a Cage", "I Can´t Win" e "Soma".

>> Pode parecer loucura participar de mais um blog, mas em breve estarei ativamente no novíssimo BH Apresenta, que trata da cena rock independente de Belzonte. Cessá sesseons pasnassavás?

>> Meu amigo Bernardo Silvino sempre se queixava de cair num site de estudos bíblicos toda vez que tentava entrar no meu blog. Um dia, puto, deu um print screen na tela e me mandou. Uma olhadela no screenshot bastou para que eu matasse a charada. Quem descobrir também ganha uma palavra de congratulação. (Clique para ampliar)

17/03/2006

Dizem que sou Louco

Uma inesperada continuação do post anterior



Estou eu no trabalho, travando uma batalha contra os maléficos bugs que atravancavam o Word, quando liga minha mãe e diz:

- Chegou outro pacote do Mauricio de Sousa pra você!

Sim, amigos. Um novo desenho do Louco, dessa vez não de canetinha azul mas de giz de cera preto, a mesma assinatura mauricesca e o mesmo balãozinho: "Oi, Lucas". A explicação para a louca duplicidade é simples: mandei meu endereço duas vezes, imaginando que da primeira vez ele não tinha chegado ao seu destino virtual. Cheguei depois a cogitar a vinda de dois desenhos, mas esse pensamento logo se evaporou, eles iam perceber que tinha dois nomes iguais na lista. Pois não perceberam. E agora tenho dois desenhos exclusivos de Mr. Sousa prontos para virarem quadros.

Melhor que isso, só essa notícia aqui: "Britânica encontra autógrafo de John Lennon no lixo."

16/03/2006

Loucura loucura loucura

Numa lista dos caras mais legais do mundo, que já inclui Keith Richards, Sílvio Santos e o Menino Maluquinho depois de adulto, Mauricio de Sousa certamente ocuparia uma posição de prestígio. Senão vejamos: ele não só faz parte da comunidade da Turma da Mônica no orkut, como ainda participa ativamente de tópicos e discussões. O Bono por acaso participa de alguma comunidade do U2? Nem a Katilce que é fã participa...

Não pára por aí. No final do ano passado, alguém abriu um tópico na comunidade monical onde propunha um abaixo-assinado para que o criador da(s) Mônica(s) (a fictícia e a verdadeira) fizesse um desenho exclusivo para ilustrar a comunidade. Poucos dias após o início do tal abaixo-assinado, eis que surge sua primeira resposta:

"desenho? tá!...
tá bem. faço um desenho exclusivo para o comunidade.
vcs venceram (rsrsrs)
mas estou viajando hoje para os EUA. volto em dez dias. e daí capricho num original pra vcs...
"

A massa foi ao delírio com o sucesso de sua petição, claro. Mas ele foi além. E eis que, ao voltar da supracitada viagem, deixa a seguinte mensagem no tópico:
"pronto.
estou com papel e lápis para fazer um desenho PERSONALIZADO. pra cada um dos meus amigos daqui da comunidade.
durante a semana vou combinar com o paulo back a melhor maneira de enviar.
um abraço
"

O delírio foi elevado ao cubo, mas com a empolgação vieram as dúvidas: será isso mesmo? Um desenho pra cada um? Como pode? É festa da uva? Semanas se passaram e as interrogações ainda flutuavam pelo céu da ansiedade quando Paulo Back, notório roteirista dos Estúdios Mauricio de Sousa, fez chegar aos azulados fóruns orkutianos mais um recado:

"Gente, o Mauricio pediu para eu coletar o endereço de vcs para o envio do desenho. Portanto, mandem o nome, endereço e CEP para o meu e-mail paulback07@hotmail.com. Não mandem scrap. Só coloquem ‘endereço’no título para ser melhor de organizar, ok?. Que presentão, hem? Abração e boa sorte"

Adiante, um adendo:

"Conforme eu já postei ali em cima ( e aqui em baixo ), é para mandar o endereço para mim, e o Mauricio pediu também para colocar o nome do PERSONAGEM PREFERIDO ( apenas um e somente um ) junto com os dado, que este será o desenho que irão receber autografado."

Lido aquilo, não hesitei em usufruir do hotmail e enviar meus dados pessoais ao assistente do Mauricio. E ainda redigi: "Personagem preferido: O LOUCO". Isso foi em janeiro. Não posso dizer que acreditava com todas as forças que o desenho realmente chegaria às minhas mãos, principalmente porque outras tantas semanas se passaram e o tópico na comunidade pareceu morrer, tanto que acabou relegado à segunda página, quiçá à terceira.

Então subitamente, numa noite de quinta-feira no início de março, eis que o correio da minha casa foi agraciado com um pacote pardo onde se lia meu nome, meu endereço e o remetente: "Mauricio de Sousa Produções Ltda", além de um adesivão de "frágil, cuidado" e o logotipo com a cara do Bidu, o cão azul. Dentro do pacote, inexplicavelmente, havia ainda um envelope da FedEx (!!), o que soa ainda mais estranho se levarmos em conta que o carimbo dos correios era de São Paulo.

Depois do momento Tom Hanks, pus as mãos, finalmente, no desenho. O Louco esboçado de canetinha azul, num papel timbrado escrito "orkut - comunidade Turma da Mônica", um balãozinho me saudando e a assinatura: Mauricio 06. Qualquer dia desses ponho uma moldura e transformo o Louco em quadro na parede. Enquanto isso, deixo-o para apreciação aqui mesmo, em bits e bytes.

12/03/2006

Pumping on your stereo



Enquanto não scanneio e publico a imagem que certamente fará meus leitores roerem-se de inveja, expando o bISELHO a níveis ainda mais multimidiáticos, e, além de novas músicas na Rádio bISELHO que não era atualizada já há algum tempo, deixo aqui os links para vídeos exclusivos e inéditos que você nunca viu antes:

>> O gracioso nado do ornitorrinco

Uma rara visão de um monotremo se exibindo para a platéia do Aquário de Sydney.

>> O bêbado e o AC/DC

Tendo como pano de fundo a notória Opera House de Sydney, o vídeo mostra o quão extremas as pessoas podem ser quando tentam conseguir dinheiro. Enquanto vários "colegas" à sua volta tocavam violão ou faziam malabarismos exóticos, para este bêbado bastou um micro-system, um par de chocalhos (??!) e uma conhecida canção de seus conterrâneos do AC/DC.

>> Uma arena deserta. Um espectador. Um programa infantil.

O nome já diz tudo.

>> Pula pula pula canguru

Cangurus saltitam, são bicados por patos ensandecidos e correm atrás da gente no zoológico de Illawong, ao som de Kings of Leon.

>> Fire!

The guitar! The guitar! The guitar is on fire!

>> O Amolador

Ele amola facas, tesouras e cortadores de unhas, e é um ícone da cultura popular. Aqui ele aparece com seu brado tradiocinal e seu apito indefectível, capturado pela nossa câmera indiscreta através da janela.

>> Ridículo

Era pro Bruno tirar foto, mas ele apertou o botão do vídeo. É isso que ficou: ridículo.

Vale lembrar:

A nova seleção de canções da Rádio bISELHO conta com as seguintes pérolas musicais:

01. ABUNN - Que Pena (momento propaganda)
02. Strokes - You Only Live Once (faixa de abertura do novo álbum)
03. Mutantes - I Feel A Little Spaced Out (versão de Ando Meio Desligado)
04. Supergrass - Pumping On Your Stereo
05. Muse - Time Is Running Out
06. Saltimbancos - A Cidade Ideal
07. Sapatos Bicolores - A Cobrar
08. Tuatha de Dannan - The Last Words
09. Egberto Gismonti - Baião Malandro
10. Artic Monkeys - When The Sun Goes Down
11. Yes - Roundabout
12. Hair Soundtrack - The Flesh Failures / Let The Sunshine In

06/03/2006

Un, dos, tres, Katilce!



U2 em Sampa: a resenha de quem viu ao vivo
por Tullio Thiago, nosso enviado especial em São Paulo

Há duas semanas atrás, mais precisamente no dia 20 de Fevereiro de 2006 às 21:30h no estádio do Morumbi em São Paulo, aconteceu o show mais esperado e festejado dos últimos tempos e no mesmo final de semana que o não menos importante show do Rolling Stones. Foi sem dúvida o "pré-carnaval" mais rock n’roll que os brasileiros já viram...

O show do U2 pode ser dividido em 3 partes:

1) A angústia, suor, dificuldade de conseguir os ingressos. (Se não fosse a minha irmã carioca, não teria ido ao show. Eternamente grato!) Depois a fila gigante no dia do show, toda a espera até o inicio do show do Franz (que são muito bons ao vivo, pena que o povo não conhecia outra música que não fosse "Take Me Out") até a introdução de "City of Blinding Lights" e o Bono Vox surgindo na minha frente com a bandeira do Brasil.

2) O show. O meio do show. O primeiro bis. A pausa. O fim do show.

3) Acordar do sonho e voltar para casa.

Cheguei no estádio às 10h, e já tive que sair falando mentira com os gaúchos que estavam atrás de mim. "Pô, a minha amiga esqueceu os ingressos no quarto de hotel. Teve que ir lá voltar, estou guardando lugar para ela..." Tudo isso por medo de que a pessoa que comprou o meu ingresso ficasse sem entrar junto comigo, e estava realmente cheio lá. Teve gente que criou problemas com a fila, mas eu achei bem organizado. Fiquei acompanhado de uma amiga goiana e juntos bebemos mais de 1 litro de água, além de tentar inventar vários jogos para distrair, mas o tempo não passava. Os portões iriam abrir às 15h e faltando pouco para isso, a responsável por eu ter um par de ingressos no bolso me ligou falando que tinha acabado de chegar no estádio e estava descendo do ônibus. Ela conseguiu chegar a tempo de entrar na fila e foi um alívio.

Antes de passar da roleta, os seguranças não deixaram eu entrar com as garrafas de água, ou seja, eles obrigam a gente a comprar copinhos que custam R$3,00. Um absurdo.
Já dentro do estádio, comecei a correr e escutei um segurança me xingando "Pô truta! Precisa correr não, cara, todo mundo vai entrar..." Nem escutei e quando vi a rampa de acesso para o campo, corri mais ainda e nem percebi que quando passei por uma roleta, eu estava dentro da área vip. A área mais desejada depois da hot area. Olhei para frente e vejo aquela passarela em que a banda toda costuma passar e ficar lá. Foi inacreditável. Na hora já comecei a mandar várias e várias mensagens pra todos os meus amigos ("meu, você não tem idéia do lugar que eu estou..." ). Passada a euforia inicial, o meu grupo sentou-se e começamos a conversar, até que os paulistas que estavam na nossa frente começaram a ter um acesso de raiva conosco ("Pô, meu! Eu quero sentar e se eu cair, vou cair na tua cabeça!" ) e ficou por isso mesmo (mentira. Tiveram outros atritos, um deles era meio gay e ficou cismado porque meu pé encostou na bunda dele. Aí eu fui tirar e ele não deve ter gostado...) Durante a espera, almocei um sanduíche do Bob´s e me sujei de catchup. Eventualmente alguém jogava água na galera e parecia que a pessoa queria molhar só o Nicolas (que veio do Rio junto da Bruna e da Thayná) e quase estragaram o livro de jogos dele. O tempo foi passando, passando e finalmente, todos ficamos preparados para o show e para a guerra que os paulistas da nossa frente pretendiam criar...

Deu 20h e o show do Franz Ferdinand começou. O Franz é das melhores bandas que surgiram nos últimos anos, tem um repertório bem animado e dois cds bem fodas na bagagem (ahnm? ahnm??). O público tava meio lerdo no show deles, poucos conheciam o trabalho dos escoceses, mas eles deixaram uma boa impressão, principalmente pelo solo de bateria no fim. Demais. "Take Me Out" foi a única música que o Morumbi agitou. Todo mundo pulando, foi foda... Depois de "This Fire", o show terminou e ai foi o momento de toda nossa espera chegar ao fim...

As luzes apagaram e aí começou a rolar a introdução de "City of Blinding Lights". De repente, ele surge na minha frente (sim, meu. De verdade!!! Eu estava ali, no show do U2 com o Bono Vox na minha frente.)

Deu para arrepiar muito, todo mundo cantando, pulando e logo depois o Morumbi contou em espanhol. UN DOS TRES CATORZE... O estádio veio abaixo e o show tinha começado mesmo. "Elevation" veio logo depois, com um arranjo diferente do original. A galera toda cantando e o Bono chegou a falar: "OK, galera... agora é a nossa vez..." Com certeza, foi uma das melhores músicas do show. Então, a banda simplesmente taca "I Still Haven´t Found What I´m Looking For". Só a minha música favorita e de muuuuita gente que estava ali, emocionante ao extremo. Uma seqüência de clássicos, um show perfeito. "New Years Day", "Beautiful Day" e o Bono cantando a parte do Pavarotti em "Miss Sarajevo" e emocionando este que escreve esse texto. Ainda bem que apareceu um pequeno hobbit e me fez rir, porque senão iria derramar litros e litros de água... Antes de "One", todo mundo com celular ligado, o Morumbi se encheu de “luz”. Lindo momento que quem viu pela tv não teve idéia de como foi bonito. Depois de "With Or Without You" (todo mundo falou da Katilce, Katilce... mas ninguém mencionou o fato do Bono ter pegado a câmera DELA para ele... souvenir...) veio a primeira pausa. Estádio todo gritando e eles surgem com "All Because Of You". Antes da última música, eles tocam o novo single "Original of Species", com direito a imagens do clipe no telão. O show termina com o público cantando “How long... we will sing this song?” e com a presença solitária de Larry Mullen Jr na bateria. “Ele que começou a banda, é a banda dele” nas palavras de Bono Vox. Larry vai até a beira do palco e se despede daqueles que, com certeza, saíram do estádio com todas as expectativas superadas.

U2 em Sampa: a resenha de quem viu do sofá
por Lucas Paio, de Beagá City

Segunda-feira é um tanto complicado de se fazer festinha pra ver show, portanto vi a apresentação de Mr. Vox e seus asseclas pela tevê, sóbrio e acompanhado da minha mãe. Triste era saber ali, na hora, que o que eu estava vendo já tinha acontecido há pelo menos uns vinte minutos, graças à Globo de mierda. Observações finais: Viva Katilce. Abaixo Zeca Camargo.

03/03/2006

23/02/2006

Pedra que rola não cria musgo



Stones em Copa: a resenha de quem viu ao vivo
por Bruno Paio, nosso enviado especial no Rio

Cheguei no Rio na sexta com alguns amigos. Fomos ao local do show: mega estrutura sendo montada, galera acampando, passagem do som e teste do palco “andante”. Fizemos os planos para o dia seguinte. Acordamos no sábado, almoçamos e fomos pro Copacabana Palace por volta de 13h.

O clima pré-show estava muito ducaralho! Galera de tudo quanto é lugar, de tudo quanto é jeito, de todas as idades, “um encontro de gerações” (que chavão hein?). Ambulantes vendendo tudo quanto é lembrança do show: camisas, faixas, pulseiras, gorros, bandanas, além de binóculos vagabundos (quiçá descartáveis) pra ver o show. Zeca Camargo aparecendo na varanda, uma mulher que pareceu ser a Luciana Gimenez, e altos paparazzi com lentes gigantescas mirando pra dentro do hotel onde estavam os pedras rolantes. Ficamos debaixo de árvores bebendo e esperando o sol baixar. Por volta das 17h fomos andando em direção ao palco e estacionamos na ciclovia / calçada.

Começou-se então a chegar gente, e gente, e mais gente. Impossível andar mais de 10cm... Ficamos do lado esquerdo do palco, mais ou menos a uns 200m e 45° em relação ao meio do palco. Durante os shows de abertura (nada digno de nota), surge um problema – como ir aos banheiros? Em seguida a solução: latinhas e... chão! Ficamos mijando no chão até o fim do show. Nojento...

Eis que as 21h50 começa o show Deles. Foi aquele alvoroço! Vimos o show quase todo pelo telão. Mas valeu a pena! Começaram tocando as musicas antigas, mesclando com novas e depois veio a seqüência de hits "Sympathy for the Devil", "Start me Up", "Brown Sugar", "You Can´t Always Get What You Want" e finalizando obviamente com "Satisfaction" (única música que todas as pessoas que estavam na praia conheciam. Se não fosse de graça pelo menos metade do público não estaria presente.)

As músicas foram todas bem executadas, afinal eles as tocam há milhares de anos... mas quanto à performance, com exceção do Mick e alguns momentos de Keith, os outros pareciam robôs. Mesmo assim ainda é impressionante como ainda conseguem fazer shows... Ainda acho que o repertório poderia ter sido melhor (e não conheço nem 30% das coisas que eles gravaram), mas no geral foi bom.

Voltamos para o apê imundos, nojentos, fedendo, e eu ainda estava descalço (perdi meu chinelo). Todos inebriados pelo mais puro rock’n’roll.

Stones na Globo: a resenha de quem viu pela tevê
por Lucas Paio, diretamente de Beautiful Horizon

Turma da faculdade reunida na casa da Mariana. Conforto total: televisão grandona, sofá aconchegante, cerveja gelada, pimentinha. Mas era inevitável bater aquela vontade doida de estar lá. Se não estamos, fazer o quê? Beber, lógico. Cheguei a misturar cerveja, rum e coca-cola no mesmo copo. O show começou exatamente após o Big Brother, com hits permeando todo o setlist, e algumas desconhecidas no recheio. Chato eram os intervalos comerciais, mas tudo bem, deve ser pra fazerem massagem cardíaca nos caras, sei lá. Talvez por ingenuidade, talvez pela bebida, nem passou pelas nossas mentes, na hora, que o show pudesse não ser ao vivo. Só descobrimos na segunda-feira que havia uma meia hora de atraso na transmissão. Tudo bem, you can´t always get what you want. Observações finais: Keith Richards é um dos caras mais legais do mundo. Zeca Camargo é um dos caras mais chatos do mundo.

16/02/2006

We´re a happy family

É de conhecimento geral que a cultura pop está repleta de famílias famosas. Addams, Simpsons, Dinossauro, Buscapé, Dó-Ré-Mi, Soprano, Trapo, Lima... a lista é imensa e saudosa. Mas existe uma que, apesar de estar lá, marcando presença nas mais variadas artes, das musicais às marciais, infelizmente é pouco lembrada pela galera em geral. Fica aqui nossa homenagem, portanto, a essa vasta e querida família. O primeiro que acertar o nome de todas figuras aí embaixo (sobrenome inclusive) ganha de brinde uma calça jeans.

























Urgente.

Pare tudo o que você estiver fazendo.

Pegue algum disco dos Beatles que tenha a versão original de "Hey Jude". Pode ser o discão duplo azul, o Past Master volume 2 ou o manjadíssimo One, que todo mundo tem. Baixe a mp3. Peça o disco emprestado, sei lá.

Coloque "Hey Jude" pra tocar e preste atenção aos 5 minutos e 36 segundos. Aumente o volume. E ouça uma voz misteriosa dizer claramente: "Pega o cavaquinho!"

Isso não é uma brincadeira.

08/02/2006

A viagem



Dias quentes em Mackay. Melhorou um pouco agora. Começo insuportável, quase quarenta. Úmido. Mar aqui do lado sem poder nadar. Águas-vivas, muitas delas. Algumas encalharam na praia. Grandes e gelatinosas. No primeiro dia o salva-vidas nos tranqüilizou: eram bluebottles. Inofensivas. Queimam a pele, mas só por vinte minutos. Ah tá, então tudo bem. Dia seguinte praia estava fechada. Acharam box jellyfish. Mata uma criança em minutos. Salva-vidas me apresentou a ela, estava num balde e nadava feliz, a pequena. Coisa de dez centímetros no máximo. Duas semanas depois é que fui entrar no mar. Quantidade de encalhadas tinha diminuído. Mas só as encalhadas: vi duas movimentando os tentáculos enquanto me banhava. Praias australianas são esquisitas. Tudo que há pra fazer é nadar e andar. Nos dias mais lotados vê-se umas trinta pessoas. Muitas com cachorros. Outras com caiaques. Um dia caminhávamos pela areia quando dois caras perguntaram onde podiam trocar seus “american dollars”. Sotaque carregadíssimo. Quis saber de onde eram. Rrrrrracha, Rrrrrracha, responderam. Custamos a entender que tinham vindo da terra do Zangief.

Alimentação aqui diferente. Em casa fazemos steaks no Georgie. Às vezes um miojo turbinado. Uma comida thai ou chinesa. Povo aqui não cultiva o hábito de almoçar. Ignoram solenemente o nosso feijão com arroz. Feijão só de lata. Branco. Gordo. Blergh. Arroz tem nos takeaways orientais. Unidos venceremos. Cheguei ao cúmulo de cortar um pedaço com faca. Batatas fritas são mais grossas que as brasileiras, e usualmente servidas com peixe. Chamam de fish and chips. Prato típico. Na rua vivemos à base de fast food. Subway. Hungry Jack's. KFC. Às vezes um jantar no Seabreeze, onde o gerente é português. Ou no Montezuma’s, restaurante mexicano com decoração asteca. A garçonete deve ser a pessoa que mais fala “no worries” no mundo. E olha que o bordão é praticamente um patrimônio nacional. Já na praia é proibido comer e beber, e o que é pior: todos seguem a lei. Portanto, nada de bolinho de aipim com camarão, queijo na brasa com oregano ou, meu Deus, água de côco. Côco há. Aos montes. Ninguém pega.

Mackay já devidamente explorada. Pé, carro, bicicleta, ônibus. Centro. Caneland. Art Space. Queens Park. Lookouts do Slade Point. Praias do norte, praias do sul. Mount Pleasant. Marina. Breakwater. Arredores da cidade visitados também. Airlie Beach. Cidadezinha estilo Búzios. Uma rua praticamente. Muitos turistas, mulheres de topless, gente observando gaivotas, gaivotas observando gente. Depois um pulo em Cape Hillsborough. Estrada escura e irregular, insetos batendo no vidro, sapos, muitos sapos. Falaram dos cangurus na praia. Aguardamos em vão. Só os veríamos mesmo no zoológico de Illawong. Lá tem canguru à beça. Comem na mão e vivem harmoniosamente com patos e galinhas da Angola. E emus, esses estranhos e engraçados primos do avestruz. Tentei alimentá-los como fiz com os marsupiais saltitantes. Foi uma senhora bicada. Outros bichos ficam trancados. Kookaburra. Cacatua. Crocodilos. Coalas, fofinhos e incrivelmente tediosos. Dingo, simpático cãozinho que não late. Alguns podem achá-lo ainda mais simpatico por isso. Ornitorrincos não tinha no zôo. Só no habitat natural. Um parque nacional. Eungella. É preciso paciência. Só surgem ao anoitecer. Tímidos. Possivelmente vergonha da aparência.

Tevê aqui é Simpsons o dia inteiro. Estava passando quando acordei hoje. Está passando agora, enquanto escrevo isso. Já até me acostumei com a voz original do Homer. Canais de esporte passam campeonatos diferentes. Dardo. Pôquer. Sinuca. Corrida de bigas. O homem mais forte do mundo. Bons canais de clipes. Desenhos saudosos. Smurfs. Manda-Chuva. He-Man. Sem falar na locadora de filmes. Promoção ótima. Sete dvds, dez dólares. Mais barato que no Brasil. Filme pra semana toda. Sexta-Feira 13. A Pantera Cor-de-Rosa. Alien. Hair. Jesus Christ Superstar. Magical Mystery Tour. Cassino Royale. Wayne's World, um e dois. Willy Wonka and the Chocolate Factory. Os Goonies. Como devem ter notado, a prateleira de lançamentos não entra na promoção.

Cinco dias em Sydney. Cidade enorme. Assusta no início. Pés moídos de tanto andar. Mochilas nas costas e mapa nas mãos. Café da manhã num lugar diferente a cada dia. Almoço variava entre fast food e uma ou outra refeição de verdade. Primeiro dia comemos num fast food português, "O Galo", concorrente do "O Porto". Daí começamos andanças. Hyde Park. Opera House. Botanic Gardens. Ruas desertas à noite. Acabamos no McDonald's. Hotel ficava na Pitt Street, quase no meio de Chinatown. Nunca vi tanto chinês na minha vida. Cardápios em chinês. Jornais em chinês. A gente sabia que estava chegando quando não conseguia mais entender as placas. Segundo dia fomos ao Darling Harbour. Aquário de Sydney. Famoso, repleto de crianças. Peixes de todos os tipos, elenco completo de Procurando Nemo, focas, pingüins, tubarões. Ornitorrinco nadando. (Tive que filmar, claro.) Museu marítimo quase do lado. Barcos, guerras, vikings. Final do dia, apresentação de didjeridoo, espécie de flauta aborígene, grande, feito de madeira. Foi praticamente um workshop. Explicou origem do nome, respiração, imitações de animais. Impraticável levar um desses pra casa. Trambolhosos. Duzentos dólares. Noite no bairro praiano de Manly. Ferry boat pra chegar lá. Encontramos brasileiras que conhecíamos. Pizza, sorvete, beira da praia. Hooligans nas ruas. Exagero, apenas bando de jovens australianos bêbados. Na dúvida, mantenha distância. Terceiro dia Australian Museum. História natural. Esqueletos de dinossauros, evolução do homem, aborígenes, minerais, how to make a monster. Muito de tudo. De lá, Art Gallery of New South Wales. Imensa. Quadros europeus. Picasso. Breve descanso no hotel, os pés mereciam. Em seguida encontramos brasileiras de novo. Sydney Tower. Pra subir tem que pagar ingresso que vem com tal de OzTrek. Fomos no OzTrek primeiro. Dispensável. Vendido como "fantástica aventura pela Austrália". Parque Guanabara tem mais emoção. Já a torre vale a pena. Vê-se a cidade toda. Binóculos potentes. Quase dava pra ler os memorandos nas mesas dos escritórios. Quarto dia, Power House Museum. Tínhamos achado o Australian Museum gigantesco. Power House bem maior. Quatro horas lá dentro. De propagandas australianas até experiências químicas. Design. Locomotivas. Instrumentos musicais insólitos. A guitarra do Angus Young. Fim de tarde no The Rocks, bairro mais antigo da cidade. Cerveja em pubs quase bicentenários, Fortune of War e Hero of Waterloo. O primeiro é mais antigo. O segundo é mais legal. Pianista tocando. Jazz. Garota de Ipanema. Noite fomos ao Darlinghurst, região cheia de bares e boates, Segundo o guia da Folha. Detalhe: era segunda-feira. Acabamos no Seven Eleven comprando chips e refrigerante. Quinto dia de volta ao The Rocks. Observatório de Sydney. A famosa Harbour Bridge. Museu de Arte Contemporânea. Circular Quay. Lojinhas. Van pegou a gente no hotel e levou pro aeroporto, onde avião nos levou a Brisbane, onde esperamos duas horas além do previsto para embarcarmos pra Mackay. Fiquei lendo Saramago. Espanhola perguntou de onde eu conhecia o "Rossê".

Amanhã começa a maratona aérea novamente. Escala em Sydney que não houve na vinda. Pernoite e um dia quase inteiro na Nova Zelândia. No total, seis vôos até Beagá. E vamos botar água no feijão.

19/01/2006

Coisas que você precisa saber sobre Brisbane

1) É a capital do estado de Queensland e a terceira maior cidade da Austrália, depois apenas de Sydney e Melbourne. Apelido: Brisy.

2) A população de cerca de um milhão e oitocentos mil habitantes é eclética e engloba de garotos com a cara do filho do Ozzy a garotas dark de cabelos roxos que cospem na rua. Mas o que salta aos olhos mesmo é a quantidade de olhos puxados. É asiático pra tudo quanto é lado, turistas, engravatados, balconistas de lojinhas de souvenirs. Muitos, muitos mesmo. No hotel em que Bruno e eu ficamos entrava chinês toda hora. Uma vez eu estava lá sentado no sofá do saguão olhando um mapa quando chegaram dezenas de chineses, chineses de terno, famílias de chineses, crianças chinesas, todos falando alto na sua língua estranha e lotando os sofazinhos. É tanta gente que a cidade tem até um Chinatown. Não sei pra quê, o saguão do hotel já era o próprio Chinatown.

3) Brisbane é uma cidade muito agradável e fácil de se locomover a pé, bastando munir-se de um mapinha esperto. O único problema, principalmente nesta época do ano, é o calor. O clima insuportavelmente quente nos obrigava, de vez em quando, a entrar nos shoppingzinhos só por causa do ar-condicionado. Quando saíamos, vinha aquele bafão. E tome Coca-Cola, Sprite e Jamaica Juice na barraquinha de sucos pra agüentar. Um viva pra quem teve a idéia de distribuir uns bebedouros públicos pela cidade. E dois vivas para o free refill nas lanchonetes tipo o Subway, ou traduzindo: beba até entortar.

4) Os sinais verdes para pedestres fazem um barulhinho engraçado semelhante a uma bomba relógio prestes a explodir, que poderia ser grafado assim: "tchiu!! tchu tchu tchu tchu tchu..."

5) Queen Street Mall é um quarteirão fechado no centro da cidade, repleto de lojinhas, restaurantes e shoppings, e onde vez ou outra acontecem uns eventos inusitados, tipo a apresentação meio circense que presenciamos em nossas andanças. As lojinhas de souvenirs são muitas e acabam se diferenciando uma da outra principalmente pelo preço, porque os itens são quase sempre os mesmos: bumerangues, placas de cuidado com o crocodilo, didgeridoos (a flauta aborígene), cartões postais e bichos de pelúcia típicos. Não só daqueles com maior potencial fofístico como coalas e cangurus, mas também ornitorrincos, crocodilos e emus. O cúmulo foi uma água-viva de pelúcia que vi no aeroporto de Brisbane.

6) A principal praça do centro é a King George's Square. No domingo em que estivemos lá, rolava uma espécie de feira hippie, com gente vendendo salsichas alemãs, esculturas de metal, roupas. Um casal tocava instrumentos exóticos e músicas insólitas que lembravam uma versão remix da Enya.

7) É na King George's Square que fica o edifício do City Hall, com sua indefectível torre do relógio e o Museum of Brisbane, que eu já tinha visitado anteriormente e achado bem legal. Só que o pessoal troca as exposições lá dentro regularmente, e foi com uma certa decepção que constatei que os zilhares de Budas e os curtas-metragens na parede não estavam mais lá. Subimos na torre do relógio no dia seguinte. Dois elevadores pra chegar até o topo. Não dava pra ver muita coisa, mas aproveitamos o raro momento para tirar uma foto do relógio por dentro.


Save the Clock Tower!


Clock Tower inside

8) Brisy tem um famoso rio (não por acaso chamado Brisbane River), que corta a cidade e rendeu a ela a alcunha de "River City". Fizemos uma espécie de cruzeiro pelas águas desse rio, uma hora e meia de duração, onde uma locução pré-gravada contava a História e as histórias das construções em volta. Vira e mexe alguém encontra um tubarão por lá - sim, tubarões em água doce. Mesmo que infelizmente não tenhamos visto uma barbatanazinha sequer nos dois dias que ficamos em Brisbane, não convém cruzar o rio a nado. Melhor usar uma das várias pontes existentes, como a Victoria ou a Goodwill, esta feita só pra transeuntes e bicicleteiros.


Cadê os tubas?

9) Perto do centro fica o Jardim Botânico de Brisbane, assaz aprazível e cheio de árvores gigantes, como as figueiras colossais plantadas em 1874. Saindo do Botanical Gardens cai-se direto na Goodwill Bridge, que cruza o rio e chega à região do Southbanks. Outro lugar deveras agradável que tem até praia artificial. Mineiro não tem mar, e vai pro bar. Os brisbânicos, que também não têm mar, preferiram construir uma praia de mentirinha. Algum belorizontino disposto a fazer o mesmo na Pampulha ou no Arrudas?


Bruno e uma árvore muito grande

10) No Southbanks tem um monte de monumentos, museus e galerias de arte. Australianos adoram um monumento em homenagem a alguém, seja aos veteranos da Primeira Guerra, seja aos combatentes que lutaram na África do Sul, ou à reconstrução da Victoria Bridge - tinha até um arco do triunfinho em homenagem a isso. Lá perto, um dos museus abrigava uma grande exposição científica, cheia de fósseis de dinossauros, animaizinhos no formol, reproduções de bichos e os sons que eles fazem, carros velhacos e aviões do tempo de Santos Dumont. A galeria de arte num dos prédios ao lado era ainda mais inusitada, como a exposição "Kiss of the Beast" (sobre monstros e gorilas da cultura pop mundial) e as diversas criancinhas construindo imensas torres de Lego branco.

11) Brasileiros não vi. Mas um dia chegamos no hotel, cansados da caminhada e do calor, e o cara da recepção perguntou de onde éramos. "Brazil", respondi. Ele rebateu: "Então a gente pode falar portuguêish." Era um argentino que tinha morado um ano no Rio de Janeiro, e se apresentou como Johnny. Tinha a minha idade e em dois meses se casaria com uma brasileira. Às sete da noite, Bruno foi tirar uma soneca e eu desci ao saguão pra pedir sugestões ao Johnny de algo para se fazer na noite brisbânica. Ele me indicou a Brunswick Street, onde havia um punhado de pubs e clubs. Subi ao quarto e o Bruno continuava dormindo. Resolvi cochilar também, o organismo estava ainda todo bagunçado pelo fuso. Acordamos quase às onze da noite, sem forças pra sair, e acabamos dormindo de novo em seguida, o que fez com que às 4h55 da manhã seguinte já estivéssemos de olhos abertos, e às sete na rua, munidos de mochila, câmera e mapinhas espertos, pronto para outra bateria de andanças. Estaríamos de volta apenas às três, para pegar um ônibus pro aeroporto e depois um avião da Jet Star pra Mackay, onde mora meu pai (rimou). Fomos no fundão, ao lado do horroroso barulho da turbina, e o lanchinho no vôo ainda era pago. Não, obrigado, deixamos a alimentação pra Mackay. Por alguma dessas ironias da vida, o restaurante onde compramos a comida era chinês.

17/01/2006

Horas e horas e horas...



Foi em Buenos Aires que estivemos todos juntos pela última vez. Pela primeira também, aliás. Aproveitamos pra tirar uma foto - a mesma pose, com três máquinas diferentes, batidas por uma brasileira que interceptamos antes que ela pudesse integrar a fila do embarque. Depois das treze malditas horas de viagem que se seguiram, com destino a Auckland, na Nova Zelândia, cada um tomou seu rumo. A coisa mais improvável do mundo é que todos se achem reunidos novamente. Cada um era de um lugar diferente do Brasil, ia pra uma cidade diferente na Oceania e ficaria por lá durante diferentes períodos de tempo.

Na ordem da foto:

Rui, de São Paulo, indo passar quinze dias em Auckland (NZ), onde mora a irmã.

Lucas, de Belo Horizonte, indo passar quatro semanas em Mackay, no nordeste australiano, onde mora o pai.

Lúcia, de Goiânia, indo fazer um intercâmbio de sete meses em Auckland.

Luíza, de Santos, indo passar dois meses em Sydney.

Tiago, de Recife, indo passar sete meses em Proserpine, também no nordeste australiano, estudando inglês (se é que é inglês o que falam o pessoal de lá).

E finalmente Bruno, de Beagá, indo com seu primo Lucas passar quatro semanas em Mackay, onde mora o tio.

Bruno e eu deixamos Confins por vias aéreas quase ao meio-dia de 13 de janeiro, com uma hora de atraso. Sessenta minutos depois desembarcávamos em São Paulo, mas tivemos que esperar até as cinco horas pra abrirem o balcão da Aerolíneas Argentinas. Enquanto isso carregamos as malas pra cima e pra baixo, caminhando lentamente, na esperança de que com isso o tempo passasse mais depressa. O almoço foi no Pizza Hut do aeroporto. Eu devia ter lido antes minhas anotações de julho de 2005, aqui mesmo no blog. Na ocasião escrevi: "(...) almoçamos no Pizza Hut do aeroporto (olhos da cara)". Bom, continua os olhos da cara. E não é o pudim que ganhamos "de brinde" que vai tirar essa impressão.

"De brinde" também foram cinco revistas de cinema e turismo que "ganhamos" dum balcão de alguma editora. A promoção era quase tentadora: receberíamos as revistas em casa por meses a fio, sem pagar nada, exceto a taxa do correio, pra mandá-las de San Pablo a Belo Horizonte. Recusamos prontamente depois de uma matemática simples: só de taxas de correio, daria quase uns duzentos reais. Diante de nossa negação, a moça do balcão ofereceu cinco revistas "de graça", em troca apenas de uma pequena contribuição para a formatura dela no final do ano. Duvido imensamente que ela esteja mesmo precisando de dinheiro pra terminar o curso, mas ao menos agora tínhamos material pra ler durante as longas horas de espera.

E tome longas horas. Só na fila do check-in pra Buenos Aires, no balcão da Aerolíneas Argentinas, foram duas. Incrível a quantidade de gente indo pro outro lado do mundo nessa época do ano. Tinha neguinho lá levando umas seis pranchas de surf de uma vez só. A espera acabou dando origem a conversas entre os que estavam próximos um do outro na fila. Começamos um papo rápido com Tiago, de Recife, e logo se juntaram a nós a Lúcia, de Goiânia, e o paulistano Rui. Na nossa rápida passagem pela Argentina, depois de umas três horas de vôo chato, a santista Luíza integrou o grupo. Foi onde tiramos as fotos e pegamos MSNs uns dos outros. Já entrei em contato com vários deles aqui em Mackay.

O vôo para a Nova Zelândia foi chato. Dormi picado, e cada vez que acordava estava com o pescoço doendo, ou a perna doendo, ou não sentia os dedos da mão. No começo do vôo o piloto se desculpou e disse que infelizmente não passariam filmes ou programas durante a viagem. Foram treze intermináveis horas, portanto, sem ter nada pra fazer. Nem ler eu podia: a luzinha do meu assento, e de vários outros, estava estragada. Restavam-me as músicas pra ouvir, só que o único canal de rádio razoável tinha uma incidência altíssima de repetição de canções. Cheguei a escutar quatro vezes a mesma seqüência: "Billy Jean" (Michael Jackson), "People Are Strange" (The Doors), "Space Cowboy" (Jamiroquai) e "Mr. Jones" (Counting Crowes). Acabei enjoado não só das músicas como estomacalmente falando, e as infindáveis turbulências, definitivamente, não ajudavam. Faltando uma meia hora pra pousarmos, vi-me obrigado a usufruir do famigerado saquinho. Maldita Aerolíneas.

Maldita mesmo. A companhia argentina foi incapaz de mandar as nossas bagagens direto pra Austrália. Ao invés disso, "por segurança", preferiram despachá-las pra Auckland, na Nova Zelândia. Como resultado, tínhamos meras duas horas pra pegar as malas e enviá-las pra Brisbane novamente por outra companhia, a Qantas. Só não contávamos com um detalhe: pra botarmos as mãos nas bagagens, teríamos que passar pela imigração, e não tínhamos visto neozelandês. Passamos por cinco pessoas diferentes, cada uma falando uma coisa, até chegarmos à informação correta. No final, uma asiática da Qantas ou da Air New Zealand acabou ajudando a gente e foi, ela mesma, buscar nossas malas pra mandar pra Austrália, não sem uma alfinetada: "O pessoal do seu país não podia mandar a bagagem direto?" Pois é, Kim, eu faço a mesma pergunta.

Após um lanchinho rápido no Burger King do aeroporto neozelandês, entramos no avião da Qantas para um vôo de duas horas e meia até Brisbane. Bem melhor que os anteriores. Tínhamos televisãozinha na frente de cada cadeira passando programas e filmes como A Noiva-Cadáver (que nem em vídeo saiu ainda), músicas muito melhores e até joguinhos. Acabei fazendo amizade com um velhinho da Indonésia que tava do meu lado. Chamava-se Hasannudin, tinha setenta anos e viajava com a esposa para Singapura, após visitar o único de seus seis filhos que mora na Nova Zelândia. Aproveitei a situação inusitada pra tirar uma foto com ele.



Eu e Hasannudin em algum lugar sobre o Pacífico

A fila da imigração em Brisbane estava imensa. Gente de todo canto, indianos, africanos, brasileiros, australianos, e principalmente chineses. Vai ter chinês assim lá na China. Enquanto isso, rezávamos pra que a asiática de Auckland tivesse encontrado e enviado nossas bagagens. Havia uma razão pra preocupação: quando ela foi pegar nossos dados, precisou chamar o colega de balcão umas três ou quatro vezes, pra que ele a ajudasse com o programa de computador. "Meu cérebro não tá funcionando muito bem hoje", desculpou-se. Pelo menos Bruno e eu, felizmente, achamos fácil as nossas duas. O Tiago de Recife não teve a mesma sorte. Ficou lá plantado até parar de sair mala, enquanto simpáticos beagles comandados por homens e mulheres bem menos simpáticos cheiravam as bagagens de todo mundo, inclusive a nossa. Tiago já ia reclamar do sumiço de suas coisas quando descobriu sua mala no chão. Era grande e tinha rolado da esteira, ao invés de educadamente seguir as demais.

A alfândega foi tranqüila, nem precisamos abrir as malas e mostrar que o café que declaramos trazer era café mesmo, não outro tipo de pó. E finalmente, então, Austrália. Antes de curtir o calor infernal, é hora de trocar dinheiro e pedir informações. Precisávamos descobrir o jeito mais barato de chegar ao hotel, já que táxi por aqui é como o Pizza Hut, caro pra burro. A mulher do balcão de informações pra turistas nos indicou um ônibusinho que saía em quinze minutos e não só nos deixava na porta como nos buscava no dia seguinte, pra que pegássemos o avião pra Mackay. O Tiago estava no balcão da Qantas enquanto isso, e depois não o achamos mais. Deduzi (corretamente, como confirmei depois pelo MSN) que tivesse ido pegar o trenzinho pro aeroporto doméstico, já que tinha um vôo dali a algumas horas pra Proserpine. Ou Prossy, como dizem os australianos. Gostam de abreviar tudo. Barbie aqui não é a boneca, mas uma forma menos palavrosa de dizer barbecue. Bundy não é a família de Married With Children, mas o famoso rum Bundaberg. Algumas abreviações beiram o infame, como esse autêntico trocadalho do carilho australiano, que dá nome a uma lanchonete no aeroporto de Brisbane.

13/01/2006

Meet the Platypus Part II



Tem duas locadoras aqui perto de casa. A mais próxima fica a um quarteirão e sua variedade de títulos deixa bastante a desejar. Tanto que terça-feira cheguei pro cara do balcão e pedi:

- Cê tem o "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"?

Ele soltou uma risada e devolveu, incrédulo: "Brilho o quê?!". Desisti e andei mais um quarteirão até a próxima locadora, maior e mais diversificada que a primeira. Só de raiva, voltei de lá com seis filmes. Lição do dia: se você trabalha em locadora, não deboche de um nome de filme. Mesmo que seja algo esdrúxulo do nível de "Balzac e a Costureirinha Chinesa".

Na verdade, a pitada de vingança pela troça do funcionário foi apenas uma das razões que me fizeram levar seis devedês pra casa aquele dia. Um crédito especial deve ser concedido, por exemplo, à tentadora plaquinha perto do balcão: "Leve 5 e pague 4". O sexto disquinho veio de brinde. Já quase ia embora quando o funcionário olhou no computador e disse que eu podia levar mais um filme de graça, já que era meu aniversário. O leve 5 virou um leve 6 e pague 4 e me fez voltar pra casa feliz. Isso é que dá ter sangue turco.

Comemorei meus vinte e um anos no Albano´s (rimou), e foi um barato. 138 chopps na mesa devidamente bebidos, amigos e parentes devidamente bêbados e velinhas devidamente sopradas, embora não em cima de bolos como manda o tradicionalismo: o primeiro parabéns foi sobre uma batata embrulhada em papel alumínio com três velas fincadas, e, para o segundo, tive que subir na cadeira para descarregar meu fôlego no fogo aceso sobre uma torre de cinco andares cujas pilastras eram copos de chopp, cheios. O pessoal da mesa de trás deve ter ficado com inveja, a torre deles tinha só uns dois andares. A ressaca no dia seguinte veio severa, em retaliação aos doze ou quinze copos que mandei pra dentro.

Assisti aos filmes alugados durante o resto da semana. Foi uma boa safra. Alguns eu já conhecia, mas melhoraram numa segunda vista. Inclui-se nesse grupo o musical maluco "Moulin Rouge" e o supracitado "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". No caso do "Brilho Eterno", o problema da primeira vez, quando vi no cinema, foi que eu tinha lido o roteiro pouco antes. Uma experiência deveras interessante, mas assaz prejudicial no caso de um script como esse, calcado em surpresas e reviravoltas. É igual ler um livro e vê-lo em seguida na telona: não que os filmes saídos da literatura sejam necessariamente piores que seus originais (e muitas vezes são até mais legais, como é o caso de "Harry Potter e a Câmara Secreta"). Ocorre é que a gente, quando lê, já faz na cabeça nossa própria direção, cenografia, casting e atuação, às vezes até a trilha sonora, e se decepciona quando não vê reproduzido pelos outros o que a leitura nos fez imaginar. Pior ainda é se mudam alguma cena que julgamos essencial. E eu gostava muito do final lido no roteiro oscarizado de Charlie Kauffman, mas que acabou não entrando na versão filmada pelo Michel Gondry. Uma segunda e mais tranqüila olhadela corrigiu a ligeira má impressão que tive em 2004.

Melhor também ficou "Moulin Rouge" e seu dispensável subtítulo brasileiro ("Amor em Vermelho"). Da primeira vez, vi em inglês, sem legendas e ainda dormi um pedaço. Melhorou bastante assisti-lo depois de uma noite bem dormida e com as misturebas musicais cantadas nos mais exóticos sotaques traduzidas em bom português nas letrinhas amarelas. Os outros filmes da remessa: "Toy Story" (a Pixar carrega mesmo a Disney nas costas desde o começo), "Sociedade dos Poetas Mortos" (superestimado, mas muito bom), "O Chamado" (apenas superestimado... uma premissa bacana que podia ter rendido um filme muito mais interessante) e "Operação França", que não deu tempo de assistir, mas tudo bem, foi de graça mesmo.

Ainda no assunto "seis DVDs": minha mãe ganhou de aniversário, adiantado, seis DVDs do Chico Buarque. Todos copiados, claro. Cada um custa nas lojas cinqüenta pilas, e haja bufunfa pra desembolsar trezentim assim com presente. Quatro deles já assisti com ela. Não são documentários no sentido didático da coisa, explicados tintim por tintim como de praxe, mas conversas com Chico gravadas em Paris, Roma e Rio de Janeiro, entremeadas por filmagens (na maioria das vezes ao vivo) de suas músicas, sozinho ou com alguns de seus chapas, tipo Tom, Francis, Caê, Milton ou Elis. Meu preferido até agora foi o terceiro DVD, Vai Passar, que foi gravado na capital italiana e trata da época em que ele ficou exilado por lá, na época do AI-5. Em todos os filmes, algo em comum: a insistente e irritante gagueira de Chico Buarque, e seu raciocínio que parece não engrenar, rendendo um monte de "é... é..." e "foi o... o..." ao melhor estilo Luiz Munhoz, um cara que vi outro dia na tevê dando uma entrevista patética sobre a não menos patética "operação tapa-buracos" do governo.

Falando em trânsito: tomei outra multa, a terceira de minha coleção. Foram todas por coisinhas bestas: estacionar na calçada (onde achei que era uma extensão do estacionamento de uma das locadoras que mencionei no início deste texto), entrar na contramão, e, agora, não colocar a folhinha do rotativo pendurada no retrovisor. Mantenho minha opinião de que, em se tratando das raças mais desprezíveis deste planeta Terra, os publicitários só perdem para os guardinhas de trânsito.

Ao menos pelo próximo mês não corro o risco de ser multado outra vez. Parto amanhã, sexta-feira 13 (ih!) rumo à terra das box jellyfishes, junto com Bruno, colega de banda e primo-irmão. As notícias que vêm de lá não são exatamente animadoras. Como a água-viva gigante que matou uma garotinha de sete anos, ou as praias que foram fechadas depois que um tubarão comeu os dois braços de uma mulher. A notícia mais famosa envolve não os exóticos animais que por ali transitam, mas sua população: a tal história do catarinense que foi espancado no reveillón em Gold Coast. A imprensa brasileira diz que foi por razões xenófobas, e os jornais australianos insistem que não, os agressores nem sabiam que o fulano era brasileiro. Ou então sabiam e já estão se vingando, por antecipação, da lavada que vão tomar da seleção canarinho na primeira fase da Copa.

Pelo sim, pelo não, vou evitar as provocações. Mas na escala por Buenos Aires, vai ser difícil resistir.

02/01/2006

All is quiet on new year´s day

Típico: lentilhas, fogos de artifício, adeus ano velho. As lentilhas eu comi no almoço do dia trinta e um, embora não por vontade própria (estavam misturadas no arroz). Os fogos de artifício eu vi na Pampulha. Não na orla da Lagoa, que tava longe pra ir a pé, mas na Avenida Portugal, lá perto. Sinceramente, não merecem todo esse hype, como dizem. Nada de corações flutuantes, cascatas embasbacantes ou um "Feliz 2006" colorido escrito com os fogos no ar, só o velho mais do mesmo de sempre. Já o adeeeeus aaaano veeeelho cantei com minhas primas enquanto caminhávamos de volta pra casa, vendo de soslaio nos céus os derradeiros fogos do show da Alterosa.

Atípico: passar a virada andando. Sim, porque enquanto tentávamos achar uma brecha por entre as árvores da Portugal pra assistir ao "espetáculo" pirotécnico, os fogos começaram a pipocar no horizonte, antes que meu relógio pudesse dar meia-noite, e assim, sem contagem regressiva nem nada. Quando vimos, já era 2006. Bom, melhor na rua e sem contagem do que na frente da tevê, com a contagem do Faustão.

01/01/2006

2005, o ano em que eu...

... transformei uma calota da Volkswagen esquecida na calçada aqui em frente no mais novo item da minha coleção insólita, que inclui uma baqueta quebrada, um pedaço de prato de bateria, um X de um carro da Fiat, uma bolacha de chopp da Kaiser, um saco de vômito de avião e um punhado de serpentinas que caíram em mim num show do Los Hermanos.

... aprendi a dizer “eu não sei” em árabe, mais uma aquisição no projeto de me tornar um ignorante poliglota, que já tinha a frase em alemão, inglês, italiano e francês. Ah, sim: em árabe, diz-se “no malun”.

... toquei “Milla” na Obra. Sim, aquela casa de shows mais underground impossível. Sim, aquela música do Netinho.

... fui pela primeira vez no enlamaçado Camping & Rock, onde o camping, no final das contas, foi mais divertido que o rock.

... pisei no Chile e na Nova Zelândia, mas apenas por poucas horas e apenas nos aeroportos, embora, nesse tempo, tenha feito amizade com um garçom chileno chamado Rodolfo Morales e um bando de brasileiros indo ou voltando pra casa.
... não tive, pela primeira vez na minha vida, o dia 7 de julho.

... dei comida pros cangurus, corri do ataque implacável dos emus, observei os crocodilos bem de longe e fiquei um tanto entediado ao ver de perto que os coalas são um saco.

... comprovei ao vivo que, contra todas as probabilidades, o ornitorrinco existe mesmo.

... fiz snorkel na Barreira de Corais, andei bastante de bicicleta, joguei golfe, pesquei e bati meu próprio recorde pessoal, conseguindo freqüentar, de janeiro a dezembro, uma academia.

... participei de um protesto silencioso pela paz na King George Square, em Brisbane. Toda primeira sexta-feira do mês, eles se reúnem nessa praça e ficam em pé por uma hora e meia, das quatro e meia às seis da tarde. Cheguei lá cinco pras seis e ainda ganhei um “thank you for joining us” no final.

... fui numa festa a fantasia vestido de cangaceiro, usando o chapéu característico que minha mãe trouxe de João Pessoa, um casaco que foi do meu avô, dois cintos amarrados no peito em forma de X, um lenço no pescoço, sandálias da Reebok e uma camisa do Hard Forró Café.

... escolhi a direita em vez da esquerda e, trinta segundos depois, tive meu carro batido por dois caras que iam pra Floricultura. Um mês de ônibus até ter o Celtinha novamente.

... cantei com O Móbile na Obra, no aniversário de 4 anos da banda. Duas cervejas e uma ausência completa de ensaios me fizeram esquecer boa parte da letra, cujo refrão era: “mas o culpado sou eu... o culpado sou eu!”. Antes de sair do palco, declarei: “Se alguma coisa deu errado nessa música, o culpado sou eu”.

... passei uma noite torcendo pra amanhecer logo, perdido no meio da selva numa barraca com outros três caras, sem poder sequer me mover direito, que dirá dormir.

... tive minha foto premiada no site da 98FM, e, além de visitar a rádio, ganhei um kit que consistia num boné, um chaveiro da 98, um chaveiro do Pop Rock e um bloquinho de anotações do Pop Rock Brasil. De 2004!

... entrei para o meu primeiro estágio, onde pude ver textos ou frases que escrevi em folders, outdoors e na revista Veja, além de visitar o Corpo de Bombeiros de Beagá e a cidadezinha de Cachoeira do Campo.

... estive entre as quarenta mil pessoas que cantaram “tchururu tchu tchururu” em “Black” e “ô ôôô ô ôôô ô ôôôôôô” ao fim de “Daughter”, sem falar em “Do The Evolution”, “Better Man”, “Alive” e tantas outras, no último show do Pearl Jam em terras brasileiras.

... consegui finalizar, finalmente, alguns projetos antigos, como o texto sem a letra A e o conto sobre o futuro sombrio da Turma da Mônica.

... ganhei dois copos comprados no Epa num amigo oculto da faculdade, e os esqueci na mesma noite numa mesa de boteco.

... ganhei uma guitarra, uma escaleta e um chaveiro de gaitinha que fizeram questão de estragar no segundo dia.

... estive 6 vezes no distante Aeroporto Internacional de Confins.

... fui um dos campeões mineiros de aviões de papel na categoria melhor acrobacia, naquele que foi, talvez, o fato mais avulso do ano.

Quem sabe a retrospectiva de 2006 não incluirá um "estive na Áustria pela primeira vez, como campeão brasileiro de aviõezinhos de papel"?

Veremos.

Ano que vem tô aí.

Quem

Lucas Paio já publicou contos em revistas e antologias, já dirigiu curtas-metragens e compôs canções, já ganhou um campeonato de aviões de papel, tocou teclado numa banda cover de Bon Jovi, morou na China e hoje vive em Berlim. É autor do romance de fantasia cômica MACADÂMIA, lançado em 2025.

Busca no blog

Leia MACADÂMIA

Leia MACADÂMIA
MACADÂMIA: disponível na Amazon em versão física & e-book Kindle

Ouça

Ouça
Sifonics & Lucas Paio - A Terra é Plana

Mais lidos

Leia também


Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Crônicas de um mineiro na China


Uma história parcialmente non-sense escrita por Lucas Paio e Daniel de Pinho

Arquivo

Contato

Nome

E-mail *

Mensagem *